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Levantamento do hábito de consumo de leite informal em Pirassununga, SP

Alexandre Olival e Andrezza A. Spexotto

Este foi o tema da pesquisa realizada pelo Instituto Fernando Costa, com apoio da Láctea Brasil. Esta pesquisa faz parte de um projeto do IFC que pretende trabalhar em dois pontos do mercado informal: entender a lógica dos consumidores dos produtos informais e trabalhar junto aos pequenos produtores "informais", objetivando melhorar a qualidade do leite e viabilizar soluções alternativas para este grupo de produtores.

Especificamente, neste trabalho, os objetivos principais foram:

·Levantar o consumo de leite informal no município de Pirassununga,SP

·Levantar as principais práticas realizadas pelos consumidores com o leite informal

·Levantar o nível de conhecimento dos moradores a respeito dos riscos associados ao consumo de leite informal

·Levantar os principais meios de comunicação para um programa de educação sanitária envolvendo o tema.

Com o intuito de tentar fazer um paralelo entre Consumo de Leite Informal e Renda, a cidade de Pirassununga foi dividida em 3 áreas, conforme a figura abaixo:



Em cada área destas foi levantada uma amostragem para a realização de entrevistas (questionário estruturado) a respeito do consumo de leite informal. Além disso, o questionário também destacou a participação do queijo tipo Minas frescal informal, principal derivado comercializado no município segundo outros trabalhos do I.F.C.

Os resultados foram fruto de 630 entrevistas realizadas com moradores da zona urbana de Pirassununga, sendo 270 entrevistas na Periferia, 250 no Centro Expandido e 110 no Centro (perfazendo 95% de Intervalo de Confiança e 10% de erro).

Antes de comentar sobre os resultados, é importante ressaltar que Pirassununga é um município atípico, já que não apresenta uma grande discrepância sócio-econômica entre a classe mais rica e a mais pobre (embora possamos fazer esta divisão), o que dificulta a generalização dos resultados para outras localidades. A seguir constam as principais conclusões da pesquisa:

1. Quanto ao consumo de leite e queijo informal

Aproximadamente 14% da população de Pirassununga consome leite fluido informal. Já o queijo tipo Minas Frescal é consumido por mais de 25% das famílias de Pirassunununga. Estes dados mostram que a participação de queijo informal é muito mais significativa do que o leite, principalmente nas zonas periféricas da cidade, independentemente da renda dos consumidores, tendo em vista que não houve associação entre renda e consumo e leite ou queijo informal. Como exemplo, tem-se que, no Centro, não houve consumo significativo de leite fluido informal, embora cerca de 55% das famílias que reportaram consumir queijo nesta zona, optarem pelo produto informal.

2. Quanto aos hábitos de consumo

A pesquisa mostrou que as principais características consideradas importantes para a escolha do produto informal são (em ordem de preferência):

-Maior facilidade na compra - quesito citado por 31% dos entrevistados que consomem leite informal (55% destas pessoas informaram que adquirem o leite informal diretamente de ambulantes, principalmente na Periferia e no Centro Expandido, e que este é o principal motivo pela escolha do produto)

-Mais forte - quesito citado por 24% dos entrevistados e Melhor Sabor - quesito citado por cerca de 22% dos entrevistados. Neste ponto, é importante frisar que 57% da população que consome leite informal prefere consumir o produto com achocolatados e 45% com café - fato este que pode mascarar alterações em características organolépticas do leite; 38% da população entrevistada consome o produto puro - ressalta-se que a pesquisa permitia ao consumidor escolher mais de uma forma de consumir o produto e escolher ainda mais de um quesito como o principal fator de compra. O preço foi citado por menos de 5% das pessoas como principal fator relacionado a compra do produto informal.

Quanto ao queijo informal, os resultados foram muito mais dispersos, sendo que os quesitos Maior Qualidade, Mais Facilidade e Melhor Sabor foram os mais votados (nesta ordem), porém sem grandes discrepâncias. Diferentemente do leite informal, o queijo informal é adquirido em diversos pontos: Ambulantes, Supermercados, Direto na Fazenda e Minimercados foram citados. Apenas as feiras livres não foram identificadas como locais de compra importante do queijo informal. Este fato demonstra claramente a falta de fiscalização existente no município, tanto nas ruas, para impedir a ação de ambulantes, quanto nos estabelecimentos comerciais de pequeno e de grande porte no município.

Além de todas estas informações um outro número chamou a atenção: 15% dos consumidores de queijo informal e 12% dos consumidores de leite fluido informal citaram o fato de preferirem o produto informal devido a uma relação direta com o vendedor (parentesco ou amizade antiga), fato este que complica os programas de fiscalização ou educação desenvolvidos, uma vez que tais programas precisariam quebrar este vínculo entre consumidores e vendedores.

3. Aspectos Educativos

Mais de 73% da população de Pirassununga desconhece os problemas que o consumo de leite ou queijo informal pode trazer. Não há relação entre renda e nível de conhecimento, tendo em vista que o Cluster "Centro" foi o local onde se encontrou a maior porcentagem de pessoas que não souberam citar algum problema de saúde causado pelo consumo de leite - 63,30%. Chama ainda a atenção dentro deste número a elevada porcentagem de pessoas (cerca de 10%) que citou "Febre Aftosa" como o principal problema do leite que, apesar de ser uma zoonose, em termos de saúde pública é menos importante do que outras, como p. ex. problemas entéricos, tuberculose ou mesmo a brucelose - destaca-se que a pesquisa foi realizada poucos meses após o aparecimento de focos de febre aftosa no RS e países do Mercosul, fato este amplamente divulgado pela imprensa nacional.

Um outro dado importante é que 98% da população de Pirassununga ferve o leite antes de consumi-lo. No entanto, pouco mais da metade da população da Periferia e do Centro Expandido faz a relação deste ato com a garantia de inocuidade do leite. No Centro, esta porcentagem foi ainda menor: cerca de 12%, mostrando que a falta de informação não é exclusiva das camadas mais carentes, pelo menos em Pirassununga. Menos de 1% da população comentou que a garantia de um alimento saudável estava no selo da Inspeção Federal, Estadual ou Municipal, demonstrando claramente a falta absoluta de informação quanto a este selo e ao procedimento de inspeção dos produtores de origem animal.

A pesquisa também objetivou levantar os principais meios educativos que poderiam ser utilizados em programas de educação sanitária na região. Estes meios foram:

a) Meios Massais (levar informação básica ao maior número possível de pessoas):

- Utilização das 2 rádios municipais (abrangendo mais de 70% da população)

- Utilização dos jornais do município (abrangendo mais de 50% da população)

b) Meios Interpessoais (abrir canais de discussão com a população, de maneira a discutir os perigos do consumo do leite informal e também discutir possíveis soluções para os produtores):

- Reuniões em escolas estaduais
- Reuniões nas Igrejas dos Bairros

Discussão Final

A pesquisa realizada pelo IFC levantou diversos outros dados que deverão ser publicados ao longo deste primeiro semestre. No entanto, cabe destacar que trabalhos similares devem ser desenvolvidos nos municípios antes do desenvolvimento de programas de educação sanitária, uma vez que a pesquisa levanta particularidades que podem levar ao sucesso ou ao fracasso deste programa. No caso de Pirassununga, estas particularidades foram:

- maior participação do queijo informal

- diferenças no hábito de compra do leite e do queijo informal (o primeiro via ambulantes e o segundo nos supermercados e minimercados)

- desinformação generalizada

- grande relação entre vendedor e comprador de produtos informais

- particularidades quanto aos meios educativos mais recomendados.

A equipe responsável pela pesquisa foi formada por:

MV Alexandre Olival - Diretor Executivo IFC
MV Andrezza Spexoto - Diretora Financeira IFC
MV Daniel F.S. Campos - Colaborador IFC
Prof. Dr. Luís Fernando Laranja da Fonseca - Diretor Presidente IFC

Os autores agradecem ainda a colaboração da Láctea Brasil e dos alunos da 66a. turma de medicina veterinária da FMVZ USP pelo auxílio nas atividades.

Maiores informações sobre a pesquisa e outros projetos do IFC poderão ser obtidas pelo e-mail: ifcost@uol.com.br ou pelo telefone (19) 5617491.

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ANTONIO J. XAVIER

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 10/04/2002

Parabéns aos autores. É um trabalho de pesquisa muito elucidativo. Acredito que baseado nele, as chances de reduzir o consumo de lácteos informais são muito maiores. Aguardarei com alguma impaciência os desdobramentos decorrentes.