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Estratégias para controle de mastite em novilhas - Parte 2*

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 22/03/2002

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Qual a forma que as novilhas tornam-se infectadas mesmo antes do primeiro parto ?

A resposta desta pergunta ainda não é totalmente clara, mas podemos apontar que as principais origens de microrganismos causadores de mastite em novilhas são:

- bactérias oportunistas que colonizam a pele do teto e podem adentrar na glândula mamária,

- o ambiente com acúmulo de lama e umidade,

- bactéria presente em moscas,

- ocorrência de bezerras mamando entre si.

As moscas têm uma importância grande como agente transmissor da mastite em novilhas, especialmente as moscas picadoras-sugadoras. Estas moscas picadoras transmitem os patógenos causadores de mastite em novilhas quando se alimentam na extremidade do teto, provocando pequenas lesões, onde se podem desenvolver patógenos causadores de mastite (2). As moscas podem, também, funcionar como simples vetores mecânicos, transferindo patógenos entre superfícies, como a partir de tetos não desinfetados após a ordenha, com acúmulo de leite residual, para os tetos das novilhas (6).

O ambiente sujo e contaminado, tais como piquetes com excesso de lama ou confinamento com acúmulo de dejetos, pode ser fonte de infecção dos agentes ambientais. Sendo assim, a ocorrência de mastite em novilhas mantidas em confinamento (19% de infecção intramamária) pode ser 2,4 vezes maior do que das mantidas em piquetes a pasto (8% de infecção intramamária) (6).

Bezerras alimentadas com leite proveniente de vacas com mastite e que são criadas coletivamente podem, após o término do fornecimento de leite, transmitir agentes presentes no leite mastítico da boca para os tetos de outras bezerras através da mamada. Nesta situação, alguns agentes como o Streptococcus agalactiae podem se alojar na glândula mamária, permanecendo no úbere por prolongado período de tempo, podendo originar uma nova infecção (9). Desta forma, o risco deste tipo de transmissão existe principalmente em rebanhos com alta prevalência de S. Agalactiae e quando é permitido o contato (mamada) entre as bezerras. Recomenda-se, portanto, quando se usa leite proveniente de animais infectados, que as bezerras não tenham contato entre si.

Medidas para controle de mastite em novilhas

Os pontos críticos para o controle de mastite em novilhas são a redução da carga bacteriana na extremidade dos tetos e conseqüente redução da taxa de novas infecções. Desta forma, as novilhas devem ser alojadas em ambiente limpo e seco no período antes do parto, evitando-se locais com acúmulo de lama, umidade e alta densidade de animais. Praticamente todas as medidas de controle de mastite conhecidas até hoje se aplicam prioritariamente para vacas adultas em lactação. No entanto, podemos listar algumas práticas de manejo e higiene que podem surtir efeitos bastante positivos também sobre as novilhas:

- Controle intensivo de moscas: o controle de moscas é uma das medidas que auxilia na redução da transmissão de patógenos de animais infectados para novilhas com lesões na extremidade dos tetos.

- Alimentação adequada: isto implica especialmente no fornecimento de níveis corretos de certos minerais e vitaminas que estão relacionados com a capacidade de resposta imune dos animais tais como Vitamina E (800 UI/dia) , Vitamina A (100.000 UI/dia), Selênio (0,3 ppm), Cobre (20 ppm), Zinco (60 ppm)

- Manutenção da limpeza e conforto na área de permanência dos animais, especialmente na maternidade

Uso de antibioticoterapia em novilhas

Nos rebanhos com alta prevalência de mastite em novilhas, a adoção de tratamento preventivo com antibiótico pode ser altamente efetiva para diminuir o nível de infecção das novilhas. Para tanto, podem ser utilizados com sucesso dois protocolos de tratamento. A primeira proposta preconiza o tratamento de todas as novilhas como se fossem vacas secas, com uma infusão intramamária em cada quarto com um antibiótico específico para vacas secas, de 8 a 12 semanas antes do parto (6). O segundo protocolo envolve a infusão intramamária de um antibiótico para vacas em lactação aos 7 dias antes do parto (8). Ambos os procedimentos apresentam resultados satisfatórios, sendo que as taxas de cura podem variar entre 90 e 100%, com pequenas vantagens e desvantagens de um em relação ao outro. Cabe destacar que o primeiro protocolo tem como vantagens o fato de agir precocemente, antes mesmo do patógeno ter determinado lesões significativas no tecido mamário, além disso, nesse regime de tratamento o risco de resíduos de antibióticos no leite após o parto é menor. Em contrapartida, esse protocolo apresenta a desvantagem de que a infusão intramamária é aplicada em uma glândula que apresenta um esfíncter ainda intacto e que, portanto, pode ser lesionado ou traumatizado. Por isso, quando a opção for por esse protocolo, deve-se utilizar uma bisnaga de cânula curta para fazer a infusão.

Utilização de vacinas no controle da ocorrência de mastite em novilhas

Existem duas vacinas comerciais relativamente efetivas para a prevenção da mastite bovina. Ambas funcionam adequadamente para animais jovens e podem ser um instrumento valioso para o controle da doença em alguns rebanhos. Uma das vacinas chama-se J-5, e tem ação contra os Coliformes (4). Esta vacina deve ser aplicada nas novilhas aos 60 e 30 dias antes do parto.

A segunda é uma vacina com antígeno capsular especifica contra S. Aureus, o qual pode ser um dos agentes mais prevalentes em novilhas antes do parto. Num experimento realizado nos EUA (7), foi avaliada uma vacina comercial (Lysigin, Boehringer Ingelheim Animal Health Inc, St. Joseph, MO) em novilhas, as quais foram vacinadas aos 6 meses de idade, seguido por um novo reforço após 14 dias e revacinação a cada 6 meses. Os resultados demonstraram que o uso da vacina proporcionou: redução no número de quartos com infecções crônicas nos animais vacinadas, diminuição da taxa de novas infecções intramamárias durante a prenhez e redução da taxa de novas infecções no período pós-parto.

Referências bibliográficas

1. Fox, L.K., Chester, S.T., Hallberg, J.W., Nickerson, S.C., Pankey, J.W., Weaver, L.D. Survey of intramammary infections in dairy heifers at breeding age and first parturition. Journal of Dairy Science. v.78, p.1619-1628, 1995.
2. Galphin JR., S. Reducing intramammary infections in heifers utilizing tail tags. Proceedings of 36 Annual Meeting National Mastitis Council. Albuquerque, p.145-151, 1997.
3. Giraudo, J. A., A. Calzolari, H. Rampone, A. Rampone, A. T. Giraudo, C. Bogni, A. Larriestra, and R. Nagel. Field trial of a vaccine against bovine mastitis. 1. Evaluation in heifers. Journal of Dairy Science. 80:845-853,1997
4. Gonzalez, R. N., J. S. Cullor, D. E. Jasper, AND R. B. Bushnell. Prevention of clinical coliform mastitis in dairy cows by a mutant Escherichia coli vaccine. Canadian Journal of Veterinary Research. v.53, p.301- 305, 1989.
5. King, J.O.L. The effect of mastitis on the yield and composition of heifers' milk. Veterinary Record. v. 80, p.139, 1967.
6. Nickerson, S.C., Owens, W.E., Boddie, R.L. Mastitis in dairy heifers: initial studies on prevalence and control. Journal of Dairy Science. v.78, p.1607-1618, 1995.
7. Nickerson, S.C., Owens, W.E., Tomita, G.M. Widel, P.W. 1999. Vaccinating dairy heifers with a Staphylococcus aureus bacterin reduces mastitis at calving. Lg Anin. Pract. 20:16-28.
8. Oliver, S.P., Lewis, M.J., Gillespie, B.E., Dowlen, H.H. Influence of prepartum antibiotic therapy on intramammary infections in primigravid heifers during early lactation. Journal of Dairy Science. v.75, p.406-414, 1992.
9. Schalm, O.W. Streptococcus agalactie in the udder of heifers at parturition traced to suckling among calves. Cornell Vet v.34, p.49, 1942.

* Texto originalmente publicado na Revista Balde Branco, v.445, 2001.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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