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Eficácia dos desinfetantes tipo barreira no período seco

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 01/06/2001

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Marcos Veiga dos Santos

Conforme salientamos anteriormente, o período seco é uma excelente oportunidade para a melhoria no controle de mastite, sendo que a medida mais recomendada e com comprovada eficácia para a aplicação no período seco é o tratamento de vaca seca. No entanto, diversos trabalhos de pesquisa têm avaliado o uso de novas estratégias preventivas para o uso no período seco, como por exemplo, a aplicação de desinfetantes para tetos (pós-dipping) tipo barreira, também conhecidos como selantes de tetos, cuja função é bloquear fisicamente a comunicação entre o ambiente externo e o interior da glândula mamária. Estes produtos são aplicados aos tetos e apresentam a capacidade de formar um filme protetor no teto, podendo ou não apresentar na sua composição um agente desinfetante como o iodo e a clorexidina. Outra forma conhecida de proteção tipo barreira á a aplicação intramamária de um material viscoso que bloqueia o canal dos tetos, sendo, entretanto, mais invasiva e menos usadas atualmente. O objetivo destas práticas é o de reduzir o número de novas infecções intramamárias causadas por agentes ambientais que passam do ambiente para dentro da glândula mamária.

É importante destacarmos que os principais fatores que afetam a eficácia do uso dos desinfetantes de tetos do tipo barreira são a duração e a capacidade de aderência do material ao teto, o que resulta em variação do grau de proteção obtido. A aderência do produto ao teto afeta diretamente a sua eficácia na proteção contra a entrada de patógenos. No entanto, além da formulação em si, diversos outros fatores podem afetar a aderência, como tamanho e forma dos tetos e a ocorrência de lesões. Alguns estudos que avaliaram a aderência de desinfetantes tipo barreira em condições de campo, atestaram que a grande maioria dos produtos permaneceu nos tetos por pelo menos 5 dias após a sua aplicação, com variação entre 3 e 8 dias. No entanto, quando foram avaliadas as diferenças de manejo em várias fazendas testadas, foi verificado que o tipo de alojamento das vacas secas apresentou impacto importante sobre o tempo de aderência dos produtos avaliados.

Para conhecer se o uso de selantes de tetos durante o período seco apresenta efeito protetor extra quando utilizado associado ao tratamento de vaca seca foi realizado um experimento no Canadá utilizando 401 vacas em dois rebanhos diferentes. Os resultados demonstraram que a contagem de células somáticas (indicar de mastite subclínica) após p parto foi praticamente a mesma entre os quartos tratados com antibióticos + selante de tetos e os quartos tratados exclusivamente com antibiótico no momento da secagem, o que indica que o uso do selante não teve efeito sobre a mastite subclínica logo após o parto. No entanto, os quartos tratados com antibiótico + selante de tetos apresentaram menor incidência de novas infecções intramamárias causadas por Staphyococcus aureus e estreptococos ambientais.

Quando foi feita a comparação entre quartos tratados com antibiótico na secagem (tratamento de vaca seca) e quartos em que foi aplicado somente o selante para tetos, foi verificado que o uso do selante quando aplicado por duas vezes (no momento da secagem e durante o período seco) teve resultados similares aos obtidos com o tratamento de vaca seca quanto ao controle de mastite, enquanto que os quartos nos quais o selante de tetos foi aplicado apenas uma vez apresentaram maiores riscos de desenvolver infecções intramamárias logo após o parto.

Em resumo, atualmente já existe uma razoável quantidade de trabalhos de pesquisa sobre o uso de desinfetantes tipo barreira, os quais, em diversos experimentos de campo, têm demonstrado que a estratégia pode ser benéfica no controle de mastite durante o período seco. Nunca é demais lembrar, porém, que fatores relacionados com a vaca, as condições ambientais e a condição dos tetos devem ser consideradas para a aplicação ou não desta prática. É do nosso entendimento, entretanto, que o uso destes novos produtos deve ter como objetivo principal a prevenção de novos casos de infecção intramamária e que o tratamento de vaca seca continua a desempenhar papel central no controle e na prevenção da mastite durante o período seco.

Figura 1 - Formação de filme protetor com o uso de desinfetantes tipo barreira em comparação com desinfetante a base de iodo

Foto


fonte: Pacific Congress on Milk Quality and Mastitis Control. Japão, p.369-376, 2000

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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