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Controle dos fatores ambientais associados à prevenção da mastite, qualidade do leite e segurança alimentar na cadeia produtiva do leite - Parte 1

Por Bruno Botaro1 e Marcos Veiga2

A mastite ambiental é definida como uma infecção intramamária ocasionada por bactéria de origem ambiental. Diferentemente da mastite contagiosa, cujo patógeno é transmitido entre animais, as bactérias causadoras da mastite ambiental são consideradas patógenos oportunistas, que se valem de uma falha do sistema imune do animal para o estabelecimento da doença na glândula mamária. Em geral, essa doença tem menor duração que a mastite de origem contagiosa.

Os prejuízos causados pela mastite ambiental são estimadas em US$ 107,00 por caso clínico, sendo que 88% desse custo ocorre em razão da quebra de produção e descarte do leite (453 kg de leite a menos, e 260 kg de leite descartado por caso de mastite ambiental, respectivamente). O custo restante recai sobre o aumento da mão-de-obra inerente, tratamentos e serviço veterinário, além da secagem prematura de animais. Além disso, estima-se que as perdas em vacas adultas são duas vezes maiores que àquelas geradas por animais de primeira lactação.

As bactérias comumente consideradas de origem ambiental são as Gram negativas e os estreptococos não-agalactiae (todas as demais espécies com exceção do S. agalactiae). Entretanto, essas generalizações nem sempre são aplicáveis de uma forma estrita em todos os rebanhos ou em todas as cepas bacterianas de uma mesma espécie. Mais recentemente, exceções à essa dicotomia entre mastite contagiosa e ambiental vêm se tornando mais evidentes desde a introdução de modernas técnicas de identificação de patógenos causadores de mastite.

Mastite causada por bactérias Gram negativas

Escherichia coli

E. coli é considerada um dos principais patógenos ambientais, pois é largamente distribuída no ambiente da produção leiteira e por ser uma das mais oportunista dentre todos os outros patógenos causadores de mastite, uma vez que a sua incidência é maior nos animais com balanço energético negativo no início da lactação.

A incidência e gravidade de uma mastite aguda causada por E. coli pode ser reduzida pela menor exposição da vaca ao patógeno ou pelo aumento da resistência imune do animal. Um ambiente limpo associado ao manejo nutricional adequado (energia, vitamina E e selênio) e vacinação podem contribuir para o controle desse patógeno.

Contudo, a partir de 1995, um grande número de relatos de casos de infecções intramamárias crônicas causadas por E. coli foi publicado. O uso de técnicas de identificação por DNA permitiu comprovar a reincidência de casos de mastite clínica em um mesmo quarto mamário de um mesmo animal, pois é pouco provável que o isolamento repetido de uma mesma cepa em um mesmo quarto mamário seja decorrente de novas infecções que se repetem durante um período determinado de tempo.

Esses resultados levaram os pesquisadores à conclusão de que E. coli está se adaptando ao ambiente da glândula mamária. Por causa disso, pode-se esperar que as infecções intramamárias crônicas por causadas por E. coli sejam observados mais freqüentemente nos próximos anos.

Klebsiella spp.

As mastites causadas por Klebsiella respondem de forma insatisfatória ao tratamento, e a maioria dos animais acometidos por esse patógeno é secada prematuramente por causa das altas contagens de células somáticas e sinais de mastite clínica. Essa bactéria geralmente está no ambiente, particularmente na serragem úmida ou verde, utilizada como material de cama para as vacas.

Recentemente, mesmo rebanhos norte-americanos bem manejados que não utilizam serragem como cama para animais vêm apresentando casos de mastite por Klebsiella. Esse microrganismo também se encontra no sistema gastrintestinal de humanos, além de estar disperso no ambiente. A reutilização de areia como cama para animais, contaminada com Klebsiella, de origem fecal ou ambiental pode estar associada com a ocorrência desses casos de mastite em rebanhos que usam materiais inorgânicos como cama.

Além disso, há relatos de transmissão do patógeno entre animais, caracterizando uma forma contagiosa da infecção. Estudos recentes sobre o comportamento deste microrganismo no ambiente e sua interação com o hospedeiro conduzirão a melhores recomendações de manejo para o controle da mastite por Klebsiella.

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1 Mestrando da FMVZ/USP
2 Médico veterinário e professor da FMVZ/USP

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MARCELO ANDRÉ BORGES

CÁCERES - MATO GROSSO - ESTUDANTE

EM 09/09/2006

Ola, estudo em uma escola agricola e no setor de bovinocultura; há muitas incidências de mamite nas mesmas vacas. Estou realizando testes de CMT, mas não tenho muito domínio deste teste, gostaria que o Sr. me dasse uma sugestão sobre o assunto.

No mais, obrigado.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Marcelo,

O CMT é um teste para o diagnóstico da mastite subclínica que depende muita da avaliação de cada pessoa que faz o teste. Sendo assim, eu recomendo que você procure um veterinário com experiência nesse teste que possa te passar as informações sobre quais os resultados possíveis. Infelizmente, a interpretação e diferenciação entre os resultados não dá para ser feito por uma mensagem.

Espero poder ser útil de uma outra vez.

Atenciosamente, Marcos Veiga