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Como os estafilococos coagulase-negativa afetam a contagem de células somáticas?

POR TIAGO TOMAZI

E MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 14/10/2010

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Diversos estudos apontam os estafilococos coagulase-negativa (ECN) como os agentes mais comumente isolados de amostras de leite em diversos países, o que destaca a importância destes microorganismos na sanidade de vacas e novilhas para produção leiteira.

Estafilococos coagulase-negativa são comumente classificados como patógenos menores ou secundários do úbere, enquanto que outros microorganismos como Staphylococcus aureus, Streptococcus sp. e coliformes são considerados patógenos principais. Os ECN são tradicionalmente considerados como parte da microbiota natural da pele dos bovinos causando mastite subclínica como um agente oportunista, o que resulta em elevações moderadas na CCS.

Já foram identificadas dezesseis espécies de ECN isoladas de vacas com mastite, com variações entre rebanhos e países. Espécies como S. simulans, S. chromogenes, S. hyicus e S. epidermidis, são as mais frequentemente isoladas de vacas e novilhas com infecções intramamárias (IIM).

Um trabalho desenvolvido por pesquisadores holandeses avaliou a prevalência e o efeito dos ECN sobre a contagem de células somáticas (CCS) de amostras de leite em nível de animal, quartos mamários e tanques refrigeradores em rebanhos leiteiros da Holanda.

Dois conjuntos de dados foram utilizados neste estudo. No primeiro, de um total de 49 fazendas aleatoriamente selecionadas, 4220 amostras de quartos mamários foram coletadas de 1072 vacas e novilhas. Como critério de seleção, uma análise diária de CCS foi realizada, onde as vacas de segunda cria ou mais deveriam apresentar CCS ≥ 250 000 células/mL e as novilhas ≥ 150 000 células/mL. Além destes, 25% dos animais com CCS abaixo destes limiares também participaram do estudo.

No segundo conjunto de dados foram coletadas 8329 amostras de quartos mamários de 2115 vacas e novilhas originárias de 39 fazendas leiteiras selecionadas. Neste caso, as amostras foram coletadas de vacas com CCS ≥ 250 000 células/mL seguida de duas CCS < 250 000 células/mL consecutivas. Para as novilhas foi definido o mesmo critério de seleção, porém com um limiar de CCS de 150 000 células/mL. Estes animais foram definidos como casos novos de alta CCS.

Coletas de amostras para contagem de células somáticas de leite de tanque (CCSLT) foram realizadas uma única vez. A amostragem foi realizada aproximadamente duas semanas antes das coletas de leite que formaram o primeiro conjunto de dados. As fazendas foram divididas dentro de três categorias segundo a CCSLT: 1) < 150 000 células/mL (baixa CCSLT - 19 fazendas); 2) 150 000 a 250 000 células/mL (média CCSLT - 17 fazendas); 3) ≥ 250 000 células/mL (alta CCSLT - 13 fazendas).

Em ambos os conjuntos de dados, estafilococos coagulase-negativa foram os microorganismos isolados com maior frequência, com 11% no primeiro conjunto e 12% no segundo. Nas duas avaliações, quartos com IIM causadas por ECN apresentaram CCS mais altas que quartos não infectados e quartos infectados com outros patógenos menores (estreptococos e Bacillus spp.). Quando comparadas com patógenos maiores (Staph. aureus, Str. uberis e Str. Dysgalactiae), as médias apresentaram-se mais baixas. Os mesmos resultados foram encontrados em nível de vaca (amostras compostas). Estes resultados indicam que os ECN têm efeito sobre a CCS, resultado da presença de reações inflamatórias no úbere de vacas acometidas.

A prevalência dos patógenos envolvidos em nível de quarto mamário foi mais elevada em animais com alta CCS (≥ 250 000 células/mL para vacas e ≥ 150 000 células/mL para novilhas) que em animais com baixa CCS (Tabela 1). Em animais com baixa CCS, estafilococos coagulase-negativa são relativamente mais importantes que em vacas com alta CCS, o que em parte, pode ser explicado pela alta prevalência de patógenos maiores no grupo de animais com CCS mais elevada (Tabela 1).

Tabela 1. Prevalência (%) de microorganismos em nível de quarto mamário e média geométrica da contagem de células somáticas do quarto mamário (CCSQM) em animais com IIM apresentando baixa CCS (BCCS), alta CCS (ACCS - 1° conjunto de dados) e casos novos de alta CCS (CNACCS - 2° conjunto de dados).



No primeiro conjunto de dados, 121 (21,9%) de 553 animais com alta CCS tiveram IIM causadas por ECN sem que houvesse acometimento dos outros quartos por patógenos maiores concomitantemente. Por outro lado, 197 (35,6%) dos 553 animais foram positivos para patógenos maiores (Tabela 2). A média geométrica de CCS das vacas positivas para ECN foi 392 000 células/mL, a qual foi mais baixa que a CCS de vacas com IIM causadas por patógenos maiores (614 000 células/mL). No segundo conjunto de dados a prevalência de ECN entre vacas de alta CCS foi maior que a prevalência de vacas positivas para patógenos maiores, 27,6 e 24%, respectivamente (Tabela 2).

Tabela 2. Prevalência (%) de agentes causadores de IIM e média geométrica de CCS em nível de vaca (CCSNV) em dois conjuntos de dados avaliando quartos mamários em vacas de alta CCS (Conjunto de dados 1) e novos casos de alta CCS (Conjunto de dados 2).



Em ambos os conjuntos de dados, vacas e novilhas com CCS acima dos níveis estabelecidos foram amostradas. No primeiro, no entanto, o leite de todas as vacas e novilhas com alta CCS foi analisado, independentemente da cronicicidade da IIM. No segundo conjunto de dados apenas vacas e novilhas com seu primeiro aumento de CCS foram amostradas. Isto pode explicar a maior prevalência de IIM por patógenos maiores no primeiro conjunto e a maior prevalência de amostras com culturas negativas no segundo conjunto de dados.

Estafilococos coagulase-negativa foram isolados com maior freqüência de quartos mamários apresentando médias de CCS ≥ 200 000 células/mL em rebanhos leiteiros com uma CCSLT < 150 000 células/mL. A prevalência de IIM por ECN em vacas e novilhas com alta CCS foi maior em fazendas leiteiras com CCSLT < 150 000 células/mL quando comparada com fazendas com uma média ou alta CCSLT: 30, 19 e 18%, respectivamente. Isto indica que IIM causadas por ECN como causa de mastite subclínica é relativamente mais importante em fazendas com baixa CCSLT, podendo ser um fator importante para manutenção da sanidade do úbere de vacas neste tipo de propriedade.

Fonte: Sampimon et al. J. Dairy Sci. 77 318-324, 2010.

TIAGO TOMAZI

Médico Veterinário e Doutor em Nutrição e Produção Animal
Pesquisador do Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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EDUARDO SILVEIRA DA SILVEIRA

LAJEADO - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/01/2011

ótima matéria Marcos,

gostaria de saber se tens encontrado casos de infecção IM por baccillus ssp e por prototheca, encontrei alguns quartos crônicos. Gostaria de saber se tens alguma sugestão de tratamento além da infalível tramontinomicina?Abraço.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Eduardo Silveira da Silveira,

Temos sim identificado vacas com Prototheca, no entanto, não tenho boa experiência com tratamento para estes casos. A nossa recomendação tem sido a identificação e segregação imediata dos animais positivos e descarte.

Atenciosamente, Marcos Veiga
RONALDO MENDONÇA DOS SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 23/10/2010

Excelente explanação Dr. Marcos Veiga dos Santos!

Qual sua opinião sobre trabalhar com melhoramento genético e dietas ricas em selênio e vitaminas antioxidativas na prevenção ou até mesmo no controle dessa patologia.


Um forte amplexo,

____________________________________________________________
(34) 9932-9140 - Ronaldo Mendonça dos Santos

Colaborador: www.embryosys.com.br bovine reproduction


<b>Resposta do autor:</b>

Prezado Ronaldo Mendoça Dos Santos",



Acho que as duas estratégias são importantes para o controle da mastite. No entanto, acho que somente tem sucesso quando associadas a um bom programa de controle preventivo (manejo de ordenha, pré-dipping, pós-dipping, tratamento de vaca seca, entre outros).



O uso do melhoramento genético, por meio do uso de touros melhoradores, deves ser usado, mas tem resultados somente no longo prazo. Já a nutrição, pelo emprego de micronutrientes com função anti-oxidante, como selênio, cobre, zinco também tem resultados positivos, desde que associados com um programa preventivo. Minha opinião é de que são estratégias auxilaires em termos de prevenção e controle de mastite.



Atenciosamente, Marcos Veiga