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Como o sistema de pagamento afeta a qualidade do leite ? Parte 2

POR BRUNO BOTARO

E MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 23/04/2008

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A CCS de todo leite captado pela cooperativa sofreu redução média de 22.000 céls./mL durante o período de estudo em que a maior bonificação foi adotada (US$ 1,00 - entre agosto de 2001 e julho de 2002). A Figura 2 apresenta a CCS média dos produtores e a previsão da CCS média durante este período de maior premiação, juntamente com o comportamento da variação da CCS no ano anterior (entre agosto de 2000 e agosto de 2002). A figura mostra claramente essa variação da CCS média durante o período compreendido entre agosto de 2001 e julho de 2002 quando comparada ao mesmo período do ano anterior. A média de CCS para o período da maior bonificação é bastante próxima à média prevista pelo estudo, para o período em questão.

Figura 1: Médias da CCS dos produtores (■) e da CCS prevista (□) durante o ano de máxima bonificação (agosto de 2001 e agosto de 2002), comparadas com a média da CCS dos produtores durante o mesmo período do ano anterior (). (Adaptado de Nightingale et al. 2008)


Apesar de ter ocorrido uma redução da CCS abaixo da esperada pelo estudo, tanto no início do programa de bonificação, em abril de 1998 (com prêmios de US$ 0,15/100 kg para CCS<100.000 células/mL), quanto em agosto de 2001 (quando se adotou premiações de US$ 1,00/100 kg para CCS<100.000 células/mL), ainda assim houve redução significativa da média da CCS dos produtores.

Os resultados do estudo demonstraram que a maior premiação dobrou a probabilidade da cooperativa de captar leite com CCS<100.000 céls./mL, passando de 4 para 8%, e um aumento de 10% para a obtenção de leite com <200.000 céls./mL, passando de 28 para 38% de probabilidade. A Figura 3 ilustra esse incremento da probabilidade de ocorrência de propriedades que produziam leite com CCS<100.000 células/mL e <200.000 células/mL (sendo 0 a menor probabilidade e 0,5 a maior probabilidade).

Figura 2: Porcentagem de propriedades com CCS<100.000 céls./mL (□) e <200.000 céls./mL (■), e as respectivas premiações adotadas durante o período de estudo. (Adaptado de Nightingale et al. 2008)


Apesar do subseqüente decréscimo da bonificação para US$ 0,60/100 kg leite com CCS<100.000 céls/mL, ainda pôde-se observar a tendência do aumento da probabilidade de captação de leite com baixas CCS, muito embora a mesma probabilidade que se obteve durante o período de maior premiação não fora mais observada, particularmente em relação ao leite de CCS<200.000 céls./mL.

A partir dos resultados, os pesquisadores puderam observar que uma bonificação equivalente a 7% do preço do leite recebido pelo produtor, permitiu à cooperativa a captação de um leite com contagens médias 6% menores, aproximadamente. De acordo com o estudo, pode-se concluir que políticas de premiação por qualidade podem ser ferramentas importantes para o técnico de captação e, sobretudo a indústria, uma vez que as bonificações podem ser estabelecidas conforme as necessidades e objetivos de processamento da matéria-prima.

Ainda, segundo os pesquisadores, relativo aos programas que unicamente penalizam ou excluem o produtor cujo leite exceda os limites de CCS adotados pela indústria, as premiações e bonificações têm a vantagem adicional de não serem potencialmente prejudiciais à imagem da empresa. Por outro lado, a aplicação de premiações unicamente, sem nenhuma política de penalização, também se mostrou pouco efetivo, e, portanto, uma combinação entre os programas de bonificação e penalização pode ser mais significativa em reduzir os níveis de CCS, melhorar a qualidade da matéria-prima fornecida à indústria e atender os anseios do produtor que produz um leite de melhor qualidade.

Fonte:

Nightingale et al. Journal of Dairy Science, 2008.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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JOÃO APARECIDO CORRÁ

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/12/2008

Gostaria de saber os fatores que fazem dar um ponto de crioscopia abaixo de -0,530C.
Fatores de alimentação animal, manejo do leite.
Obrigado pela atenção.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado João Aparecido Corrá,

A crioscopia do leite depende basicamente dos componentes solúveis do leite, principalmente da lactose e dos minerais. Entretanto, existe sim uma faixa de variação normal entre rebanhos, sendo as causas de variação mais comuns: raça, estação do ano e alimentação. Em um estudo que fizemos em amostras de leite de rebanhos do estado de São Paulo, houve efeito significativo da estação do ano, mas dentro da faixa exigida pela legislação (<0,530ºH). Sugiro uma leitura do artigo abaixo que traz mais informações sobre esse tema.

http://www.laticinio.net/inf_tecnicas.asp?cod=68

Atenciosamente, Marcos Veiga
FERNANDO BUENO SIMÕES PIRES

SANTANA DO LIVRAMENTO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/05/2008

Muito boa a matéria sobre qualidade do leite. Sou produtor de leite em Livramento-RS - média de 53.000 litros de leite por mês. Continuo achando que a bonificação do leite produzido, por qualidade, é uma piada. Recebo uma "bonificação" pela qualidade, de R$0,0525/litro. Pois bem, este valor, é extamente 7% sobre o preço bruto do litro do leite, mesmo da pesquisa.

Produzir com qualidade, é obrigação do produtor; entretanto, já que há "bonificação" pela qualidade, este valor é uma piada, ou não? Se a qualidade vale só 7%, é certo dizermos que o "branco" (leite), vale 93 %, não? Se a indústria bonifica desta maneira, o que vale mesmo é o volume - branco - e não a qualidade. Se a qualidade vale tão pouco (e a própria indústria estimula isto), o consumidor, que toma qualquer "branco", jamais vai apreender a conhecer o verdadeiro leite.

E nós, que nos preocupamos em produzir também qualidade, continuaremos a "tapar" o furo do "branco" que as indústrias coletam Brasil a fora. Volume também é interessante, para quem produz e para quem coleta, mas a "bonificação" pela qualidade, além de ser piada, deveria ter como contraponto a punição, o que não acontece.

Fernando Bueno S. Pires
Livramento-RS
ANTONIO VIEIRA FILHO

AFOGADOS DA INGAZEIRA - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/05/2008

Boa Materia.
BRUNO LACERDA DENUCCI

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/05/2008

Em rebanhos omde se utiliza hormônio para maior ejeção do leite, como ocitonina sintética, tendem a ter CCS mais baixa?

<b>Resposta do autor</b>

Não tenho nenhuma informação científica sobre a relação entre o uso de ocitocina injetável e a CCS. No entanto, não é recomendável o uso rotineiro de ocitocina para auxiliar na ejeção do leite. A recomendação seria somente usar a ocitocina para situações em que se deseja uma ordenha mais completa ou a esgota completa do quarto ou úbere, como por exemplo em casos de mastite aguda.

Atenciosamente, Marcos Veiga