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Benefícios do consumo de produtos lácteos para a saúde humana - Parte 2

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 07/05/2004

6 MIN DE LEITURA

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Por Marcos Veiga dos Santos, Ygor Vinícius Real de Lima e Gustavo Braga Sanvido1

Leite: sinônimo de fonte de cálcio

Sem o consumo de produtos lácteos, é muito difícil atender os requerimentos de cálcio de crianças em crescimento e de adultos. As recomendações para a ingestão de cálcio vêm aumentando consideravelmente, na medida em que os conhecimentos sobre sua importância na saúde avançam. Estas recomendações refletem o aumento da expectativa de vida e o sedentarismo da vida moderna.

O cálcio é um nutriente essencial para o funcionamento normal do metabolismo de todas as células, participando de inúmeras funções vitais. Cerca de 99% do cálcio corporal encontra-se nos ossos, que se configuram uma verdadeira reserva deste elemento, fornecendo cálcio para as demais funções quando a ingestão não é suficiente para atender as necessidades.

Ainda que pareçam um tecido estático, os ossos estão em constante transformação, por meio da reabsorção e da formação constante de novo tecido ósseo. Os ossos se desenvolvem durante a infância e alcançam o seu pico de desenvolvimento no adulto jovem. Desta forma, a dieta deve fornecer quantidades adequadas de cálcio para formar maior estoque deste mineral nos ossos, e o hábito do consumo de alimentos ricos em cálcio evita o aparecimento da osteoporose em idades mais avançadas. A osteoporose ocorre pela diminuição da quantidade de massa óssea abaixo dos níveis normais para a adequada função do esqueleto, resultando em ossos mais frágeis e susceptíveis a fraturas.

A osteoporose acomete ambos os sexos após os 40-50 anos, sendo mais comum nas mulheres após a menopausa. Estima-se que até 1 em cada 2 mulheres com idade acima de 50 anos pode estar acometida pela doença. Depois a menopausa ocorre um balanço negativo de cálcio, o que significa que as perdas deste elemento são maiores que a sua ingestão, resultando em perda líquida de massa óssea corporal. Com o passar do tempo, as mulheres com osteoporose podem perder até metade de sua massa óssea. Os estudos têm mostrado que mesmo uma perda de 10% da massa óssea na coluna pode dobrar o risco de fraturas na coluna (vertebrais), e uma perda de 10% no quadril aumenta em 2,5 vezes o risco de fratura no quadril.

Quando a expectativa de vida é aumentada, o que tem sido observado em todo o mundo, uma parcela significativa da população corre o risco de ser acometida por esta doença, gerando um elevado custo social e de saúde pública pela ocorrência de fraturas na terceira idade, dor, além do impacto negativo na qualidade de vida. Desta maneira, quanto mais cálcio for incorporado nos ossos antes dos 50 anos de idade, mais fácil será balancear as perdas que começam a partir desta idade. A adequada ingestão de cálcio durante a infância e idade adulta, associada à atividade física regular, garante a formação de massa óssea mais densa, o que se constitui numa das mais eficazes medidas para prevenir a osteoporose.


Muitos alimentos possuem cálcio na sua composição, entretanto, a quantidade e bio-disponibilidade deste mineral nestes alimentos variam consideravelmente.


Vale lembrar que para a absorção do cálcio, é necessária a ingestão conjunta de fósforo, e isto faz com que o consumo de lácteos, alimentos com uma adequada proporção de cálcio e fósforo (Ca:P = 1,25:1), favoreça a maior absorção.

Grande parte da estrutura óssea é formada por proteína, aproximadamente um terço da massa óssea, sendo assim, torna-se novamente necessário o consumo de alimentos capazes de suprir mais esta demanda nutricional.

Diversos fatores afetam a ocorrência de osteoporose, como fatores nutricionais (ingestão deficiente de cálcio e vitamina D), hormonais (deficiência de estrógeno em função da menopausa) e genéticos. Logo, a osteoporose é uma doença multi-fatorial, e, desta forma, a alimentação isoladamente não deve ser a única estratégia de prevenção. Para alcançar o objetivo de uma boa saúde óssea, é necessária a prática de exercícios regulares e a adequada exposição à radiação solar (visando à produção de vitamina D, responsável pela absorção de cálcio).

Os trabalhos de pesquisa sobre a relação entre consumo de cálcio e saúde dos ossos apontam que o aumento do consumo de cálcio pela alimentação ou suplementação pode reduzir ou interromper o avanço da osteoporose. Nestes estudos, sugere-se que a ingestão de 1.400 a 1.600 mg de cálcio é necessária para maximização do crescimento durante a adolescência e que entre 880 e 1.600 mg são necessários para manter a boa saúde dos ossos durante a fase adulta. Desta forma, considerando que os produtos lácteos são as principais fontes de cálcio na maioria das dietas, pode-se concluir que sua inclusão na alimentação humana é uma forma eficaz na prevenção da osteoporose.

Consumo de leite, obesidade e pressão arterial

Em função das alterações no estilo de vida, hábitos alimentares e devido ao componente genético, a obesidade é considerada atualmente uma enfermidade endêmica, em particular nos países desenvolvidos, e tem sido motivo de grande preocupação por parte dos órgãos de saúde pública. A despeito da sua característica multi-fatorial, a obesidade é o aumento da massa corporal acima dos limites normais, em função do consumo de excesso de calorias em relação aos requerimentos de energia.

Atualmente, evidências científicas apontam que o consumo de cálcio, e em particular de derivados lácteos com baixo teor de gordura, pode ter um papel importante na prevenção da obesidade. Estudos clínicos, tanto em crianças quanto em adultos, associam o consumo de lácteos a um menor risco de obesidade. A ação do cálcio sobre a perda de peso, ainda não se encontra totalmente elucidada, porém o que se conhece hoje é que níveis elevados de cálcio na dieta aumentam os níveis de cálcio na corrente sanguínea, que por sua vez suprimem a ação da 1,25-dihidroxivitamina D, levando a redução da quantidade de cálcio no interior das células do tecido adiposo, facilitando a quebra e diminuindo o acúmulo de gordura. Em resumo, diversos estudos de pesquisa apontam que o cálcio apresenta um importante papel na regulação do metabolismo de energia e uma maior ingestão deste elemento pode resultar em redução do tecido gorduroso e aceleração da perda de gordura durante períodos de restrição calórica. Os produtos lácteos têm demonstrado ser melhor fonte de cálcio quanto aos efeitos sobre o metabolismo de energia do que os outros suplementos ou alimentos fortificados.

Outro fator importante é que a ingestão de lácteos proporciona sensação de saciedade o que leva a um menor consumo de alimentos e por sua vez a uma redução do peso. Novos estudos apontam também para o fato de que mesmo em pessoas com pequeno aumento de peso, a ingestão de lácteos possui um efeito protetor, reduzindo a possibilidade de estes indivíduos se tornarem obesos e de desenvolverem a síndrome de resistência à insulina. Estes dois quadros são importantes fatores de risco para se desenvolver problemas cardíacos e diabetes tipo II. O aumento da ingestão de cálcio pela inclusão de leite e produtos lácteos, como queijo e iogurtes na dieta, é um comportamento alimentar com potencial de reduzir a obesidade, o que tem sido apontado em estudos experimentais com animais e estudos epidemiológicos em humanos.

A hipertensão (pressão arterial alta) é um fator de risco para doenças cardíacas, infarto e doenças renais e pode estar associada a diversas causas. A prevenção e tratamento da hipertensão incluem alterações na dieta, perda de peso corporal, redução do consumo de álcool e fumo e aumento da atividade física. Diversos trabalhos de pesquisa clínica e estudos epidemiológicos apontam que o consumo de cálcio entre 1.000 e 1.500 mg/dia está associado com a redução da pressão arterial. O aumento do consumo de cálcio pela ingestão de produtos lácteos parece ter maior efeito na redução da pressão arterial do que os suplementos de cálcio. As pesquisas realizadas, comparando o efeito da suplementação de cálcio na dieta e a inclusão de lácteos, apontam que a alteração de hábitos alimentares, passando a incluir lácteos nas refeições, resulta no dobro do benefício proporcionado pela simples suplementação de cálcio. Desta forma, a inclusão de produtos lácteos na dieta tem uma ação específica em termos de fornecimento de determinados nutrientes e tem também o efeito mais geral da alteração de hábitos alimentares.

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1Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP - Campus de Pirassununga, SP

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