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Benefícios da antibioticoterapia pré-parto em novilhas

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 24/04/2003

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Muitos produtores e técnicos assumem que as novilhas antes do primeiro parto são totalmente livres de infecções intramamárias. No entanto, desde a década de 80 diversos trabalhos de pesquisa em todo o mundo alertaram para o fato de que existem, em diversos rebanhos, elevadas proporções de novilhas com quartos infetados durante a gestação, parto e início da lactação. Freqüentemente, os estudos têm isolado uma grande porcentagem de quartos infectados com estaficolocos coagulase-negativa, os quais normalmente constituem a maioria dos isolamentos, ainda que outros agentes patogênicos também sejam encontrados.

Em resposta a alta ocorrência de infecções intramamárias em vacas de primeira cria, estes animais apresentam maior CCS, o que prejudica o crescimento normal do tecido secretor da glândula mamária e, consequentemente, afeta negativamente a sua produção de leite futura. De maneira a contornar ou reduzir os prejuízos causados pelas mastites em novilhas, vários estudos anteriores apontam para o efeito benéfico do tratamento intramamário pré-parto sobre o nível de infecção após o parto. Os resultados, de forma geral, indicam que a antibioticoterapia é eficaz na redução das infecções, entretanto, não havia informações sobre os efeitos desta estratégia ao longo da lactação e as suas conseqüências econômicas em termos de produção de leite e a sua relação custo:benefício. Para estudar estes efeitos de longo prazo na produção de leite, foi realizado um estudo na Universidade do Tennessee, EUA, avaliando-se um total de 115 novilhas.

As novilhas foram divididas em 3 grupos: sem tratamento pré-parto, 200 mg de cloxacilina sódica aos 7 dias pré-parto, ou 200 mg de cefapirina sódica aos 7 dias pré-parto. Numa segunda fase foi avaliado o uso da infusão de 200 mg de cafapirina sódica aos 14 dias antes do parto em relação a um grupo não tratado. Após o parto foi monitorado o status de infecções intramamárias e a produção de leite até o final da lactação.

Foram isolados agentes causadores de mastite no pós-parto em cerca de 75% das amostras do grupo não tratado, enquanto que apenas 4-8% dos quartos estavam infectados nos grupos que receberam um dos tratamentos intramamários pré-parto. Ao longo da lactação, em média 30% dos quartos permaneceram infectados no grupo de animais não tratados, enquanto que apenas 11% encontraram-se infectados no grupo que recebeu o tratamento com antibiótico. Esta diferença em termos de porcentagem de quartos infectados permaneceu durante toda a lactação, conforme mostram as figuras 1 e 2.


Figura 1 - Isolamento de agentes causadores de mastite durante a lactação para animais tratados (7 dias antes do parto) e não tratados (controle).



Figura 2 - Isolamento de agentes causadores de mastite durante a lactação para animais tratados (14 dias antes do parto) e não tratados (controle).


Em termos de produção de leite, as novilhas tratadas com antibiótico produziram cerca de 531 kg de leite a mais durante a lactação que aquelas não tratadas, apresentando menor CCS, o que é o resultado da menor taxa de infecções intramamárias. Os efeitos benéficos, em termos de produção leiteira aumentada, justificam economicamente a aplicação da infusão intramamária de antibiótico para tratamento de vacas em lactação, aos 7 ou 14 dias antes do parto, para rebanhos que tenha identificado a ocorrência de mastite de novilhas. Na medida em que rebanhos leiteiros identifiquem infecções intramamárias em novilhas é provável que esta prática seja cada vez mais estimulada como medida de controle de mastite.

Fonte: J.Dairy Sci. 86:1187-1193, 2003.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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