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Alterando a composição do leite usando animais transgênicos

Por Ygor V. Real Lima1 e Marcos Veiga dos Santos2

O consumo de produtos transgênicos, também conhecidos como alimentos geneticamente modificados, é um assunto bastante discutido e polêmico devido a ausência de algumas respostas principalmente sobre a sua segurança, e que atualmente envolve a produção mundial de alimentos. O principal argumento dos pesquisadores envolvidos nesta área de pesquisa é a crescente necessidade mundial de aumentar a produção de alimentos pelo aumento de produtividade, além de tornar os produtos mais resistentes e com características diferenciadas que facilitem o seu processamento e uso.

Atualmente, o leite representa uma expressiva e importante fonte de alimento consumido mundialmente, não somente na sua forma natural, como também em uma grande variedade de produtos processados. Sendo assim, a necessidade de aumento da disponibilidade de matéria-prima e eficiência produtiva, associados à conveniência da alteração de algumas de suas propriedades em termos de composição, objetivando melhorias no processamento e aumento do rendimento industrial, fez do leite o novo alvo de pesquisas genéticas.

De toda a proteína presente no leite, a caseína responde por cerca de 80% do total, sendo esta um dos principais componentes do leite, não somente pelo seu alto valor nutricional, mas também por suas características para processamento. A fração de caseína do leite compreende quatro diferente classes de proteínas (αs1-,αs2-, β-, e κ-caseína) que estão dispostas em forma de micelas coloidais, responsáveis pela manutenção de diversas propriedades físico-químicas do leite. Destas proteínas, uma de particular importância é a κ-caseína, pois esta se dispõe na superfície da micela e o aumento da sua concentração no leite está associado à redução do tamanho das micelas, e, consequentemente, à melhoria da estabilidade do leite, facilitando seu processamento. Portanto, a caseína, entre os diversos componentes do leite, é alvo freqüente de pesquisas que visam melhorar a composição e características do leite.

Um dos últimos avanços que envolve esta área de pesquisa foi obtido pelos pesquisadores do Ruakura Research Centre, na Nova Zelândia, que conseguiram aumentar a concentração de proteína total do leite, através do aumento da caseína, melhorando assim, além do valor nutricional do produto, as propriedades de processamento. Esse aumento foi obtido através da introdução de cópias adicionais de códigos genéticos para ß-lactoglobulina e ĸ-caseína (CSN2 e CSN3) em fibroblastos coletados de fêmeas bovinas que serviram como doadoras para a produção de bezerros transgênicos.

Os pesquisadores utilizaram a técnica de transferência de núcleo através de microinjeções, um método que tem sofrido recentes aperfeiçoamentos e apresenta-se como um dos caminhos mais eficientes para se produzir animais transgênicos. Através desta técnica foram coletadas células de quatro doadores independentes e após a inserção dos genes adicionais, obteve-se 11 bezerras transgênicas. A partir de então, foram analisadas amostras de leite produzido por estes animais, os quais apresentaram substanciais quantidades de leite contendo caseína derivada dos genes transgênicos adicionados, chegando a aumentos da ordem de 8 a 20% de ĸ-caseína em relação ao leite normal.

Estes resultados preliminares, segundo os pesquisadores, mostram que é possível alterar os principais componentes do leite utilizando-se animais transgênicos, melhorando assim as propriedades nutritivas e funcionais de derivados lácteos. Esta pode vir a se tornar uma ferramenta importante para o melhoramento genético e para as pesquisas visando aumento do valor dos componentes do leite. Entretanto, a produção do primeiro rebanho leiteiro transgênico vem resultando uma série de discussões a respeito da utilização de animais geneticamente modificados para a melhoria da produtividade de rebanhos e composição do leite. Considera-se que devido à baixa eficiência na produção de animais transgênicos, utilizando-se a técnica de microinjeções, e do seu alto custo, muitas pesquisas têm sido conduzidas nesta área, visando estritamente a produção de proteínas de alto valor farmacológico, necessárias às industrias farmacêuticas.

Fonte: Brophy, et al. 2003. Nature Biotechnology.

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1Aluno de mestrado do Programa de Nutrição Animal, FMVZ-USP.
2Médico Veterinário e professor da FMVZ/USP

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