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Viabilidade do uso de herbicidas - quando, onde e por quê utilizar?

MARCO AURÉLIO FACTORI

EM 20/07/2016

6 MIN DE LEITURA

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O uso de herbicidas deve ser efetuado de forma correta para evitarmos desperdício do produto, contaminação ambiental e do homem. Pensando dessa forma, decidir quando, onde, como aplicar e porquê, é fundamental para o sucesso. Se nos dias de hoje falamos em eficiência, com certeza ela estará diretamente ligada a este assunto.

Em pastagem nós nos preocupamos mais com as plantas invasoras. Elas são plantas indesejadas na pastagem e competem diretamente com a forrageira da área, com os nutrientes do solo e principalmente pela luz - diminuindo consideravelmente a produtividade de massa verde da pastagem. Acredito que é um momento oportuno para diferenciarmos plantas invasoras de plantas cultivadas. Por exemplo, já ouvi dizer que a braquiária não é uma planta invasora. Se ela estiver em um pasto de braquiária não é mesmo, mas se ela estiver em um pasto de Mombaça, com certeza será. O contrário também é verdadeiro e sempre quando uma planta é diferente da maioria, ela pode ser considerada invasora. Neste caso, quando pensamos no controle dessa invasora, seria conveniente que tivéssemos uma herbicida que aplicássemos na área e controlasse apenas aquilo que queríamos. Mas já afirmo: isso não existe.

Bom, se não existe, como fazemos o controle? Será que perderemos o plantio? Não há possibilidade de controle? O técnico errou? É uma realidade quando chego às propriedades e vejo a realidade nua a crua. Produtores reclamando que tudo está perdido e o trator está pronto para revolver todo o solo. Em alguns casos é uma estratégia, mas antes, quero expor algumas possibilidades.

Ao plantarmos uma pastagem, é claro e evidente que todo processo deve ser bem feito. Caso pensemos em mudar uma forrageira, com certeza devemos pensar em banco de sementes. Isso nada mais é a semente que cai no solo ao longo do tempo na pastagem e fica esperando condições ideais para germinar. Caso complicado quando pensamos em implantar uma forrageira diferente, pois com certeza a original irá aparecer junto com a nova, não pela permanência da anterior (que foi morta pelo preparo do solo) e sim pela germinação do banco de sementes. Bom, e nesse caso, aplico ou não herbicida?

Talvez. Em parte, não necessitamos de herbicida, pois se iremos preparar o solo, devemos pensar que para controlar o banco de sementes devemos primeiramente revigorá-lo por meio de várias gradagens. É um momento custoso, pois a operação com máquinas demanda custo. Com certeza, revolver o solo expõe o banco de sementes. A germinação delas ocorre pela quebra de dormência por meio da alteração da temperatura. As sementes que estão no solo, por estarem em dormência, ficam nessa situação visto que estão a uma temperatura menor da superfície do solo. Quando são expostas ao aumento de temperatura, começam a germinar. Se a germinação ocorre, com certeza a gradagem expõe a semente no solo em camadas mais superiores.

Basicamente o processo é esse descrito acima e é por isso que temos aquela brotação exagerada em áreas oriundas de braquiária por exemplo. Sobre esse primeiro tópico, quero reforçar que nesse caso, o herbicida não é necessário e pode ser suprimido, mas, ele pode sim ser utilizado. Não estou contradizendo o que mencionei a pouco, mas reforço que pode ser suprimido sem nenhum problema. O controle mecânico pode ser adotado sem mais problemas, pois o produtor geralmente tem máquinas e pode fazer o uso de suas próprias ferramentas.

No entanto, há técnicos que recomendam o plantio de uma forrageira dessecando a anterior e plantando sobre plantio direto a nova forrageira. Nesse caso, o banco de sementes fica pouco exposto e o solo será modificado apenas na linha de plantio. Precisamos de máquinas eficientes que por muitas vezes não temos na propriedade. Não gostaria de utilizar este espaço para recomendação, mas este processo pode ser feito com a dessecação da área e posterior plantio por tempo recomendado da nova forrageira. Seria uma boa saída quando pensamos em banco de sementes. Modificar menos a parte superior do solo irá mexer menos com o banco de sementes e com isso a competição entre forragem nova e antiga será menor.

Ressalto a aplicação de herbicidas em pastagem já implantada. Recebo quase diariamente pedidos de recomendações de herbicidas para controle de plantas invasoras em pastagem. De fato, existem dois casos bem distintos, ou diria três. O primeiro ocorre com a invasão de plantas que chamamos de folhas largas ou estreita e temos no mercado herbicidas que as controlam. Assim, quando ocorre, por exemplo, invasão de uma área de soja, por braquiária, temos a soja (folha larga) e a braquiária (folha estreita). Pois bem, nesse caso aplicaremos um herbicida para folha estreita (para matar a braquiária) e tudo está resolvido. Se o contrário acontece, também é fácil de manejar. E se a situação é a invasão de uma pastagem de Tifton por braquiária? Nesse caso, o herbicida seletivo não funciona. E o que fazer? Revolver todo o solo e acabar com tudo? Não. O que sempre falo é que cada caso é um caso e precisamos ver e analisar. No entanto, já temos no mercado alguns herbicidas que matam a braquiária e não interferem no Tifton ou ainda outras combinações.

Um exemplo é o que ocorre com a cana (folha estreita) e braquiária (também folha estreita). Hoje já temos no mercado herbicidas que matam a braquiária e não matam a cana. É uma excelente forma de controle, porém, em alguns casos não funciona, pois podemos penalizar algumas combinações. Há algumas dicas importantes sobre o que podemos fazer:

- controle mecânico cortando ou arrancando as invasoras em locais localizados e em pequenas áreas (controlar dessa forma em grandes áreas seria inviável);
- avaliação da área e recuperação de algumas faixas ou reboleiras (áreas localizadas). Dessa forma, se viabiliza o controle e favorece todo o processo;
- ainda, se o controle for localizado, herbicidas dessecantes podem ser aplicados matando a forrageira e reformando somente o local desejado – até mesmo pelo plantio de mudas da nova pastagem (mesmo esta se propagando por sementes);

Quero finalizar elucidando o terceiro caso que mencionei. Algumas vezes recebo chamados para áreas totalmente invadidas e a primeira coisa que vem na mente do produtor é aplicar algo para reformar aquele espaço, controlando apenas a invasora. O melhor controle nessa situação é o manejo e a reforma total, pois não merece a aplicação de herbicida para salvar aquilo que não tem. Aqui a reforma total é indicada, mas, a invasão das áreas de pastagem ocorre por implantação mal feita ou por mau manejo.

O mau manejo é um sinal que não reconhecemos a devida importância da forragem e não estamos concedendo a ela o devido respeito – pois não damos condições à ela para crescer e produzir. Com isso, ela fica em desvantagem com uma invasora que se utiliza de poucos recursos e foi selecionada para crescer com pouco – deixando a disputa desleal.

Uma pastagem deve receber todos os nutrientes necessários e por isso qualquer fator que a comprometa dá abertura para uma planta invasora. Um pasto bem manejado não permite a invasão de forrageiras, pois crescerá mais que a invasora e a controlará por sombreamento. Toda planta precisa de luz e se uma cresce mais que a outra, uma delas não crescerá e não invadirá a área. Ressalto que na maioria dos casos o controle de plantas forrageiras ocorre pelo controle mecânico (roçagem) e adubação nitrogenada pesada. Essa ação faz com que a pastagem cresça, faça sombra para a invasora e reine sozinha vigorando a pastagem.

Quero terminar escrevendo que um pasto bem manejado dura eternamente. Não há invasora, pois não tem espaço para ela. Quando o produtor rural perceber isto não irá perder eficiência com esse processo e muito menos custear o alto preço de herbicidas. Deixe a aplicação de herbicida para casos extremos. Todo mundo ganha, o meio ambiente, o produtor e, sobretudo, a sua forrageira.
 

MARCO AURÉLIO FACTORI

Consultor, Factori Treinamentos e Assessoria Zootécnica.

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LUIZ

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 22/02/2017

Boa tarde

Quero aplicar volcane em área de tifton, plantada em dezembro.

Pergunta: em abril quero plantar azevém na área e gostaria de saber se há alguma restrição?

Luiz
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/07/2016

Prezado Alexandre.



No seu caso, favoreça o manejo para  Bbraquiária e o Mombaça, deixando uma altura de resíduo maior (respeitando a altura de cada espécie de capím) que sombreará a grama estrela, por ser mais baixa. Outro ponto, seria a dessecação da estrela em locais mais diretos, como menciono no texto, fazendo o controle localizado. Att. Marco Aurélio Factori
GABRIEL CARDOZO DE ALMEIDA LARA

SÃO GONÇALO DO RIO ABAIXO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/07/2016

Bom artigo, parabéns!
ALEXANDRE PEREIRA DA COSTA

POTIRENDABA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/07/2016

Gostaria de uma orientação para a invasão de grama estrela em pastagem de braquiarão e mombaça sendo que a de braquiarão esta tota tomada pela grama estrela, ou qual seria o manejo adequado para a grama estrela
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