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Comportamento da vaca de leite em pastagem versus genética e alimentação

VÁRIOS AUTORES

MARCO AURÉLIO FACTORI

EM 01/11/2017

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Nos diversos sistemas de produção, o que buscamos é a produzir. Para tanto, se pensarmos no que precisamos para produzir, nos deparamos com alguns pontos e um deles é a nutrição. Ela é um gargalo, pois se o animal não se alimenta, nada será possível.

O objetivo deste texto é associar alguns pontos importantes na produção de leite, sobretudo, em pasto, pois é um dos pontos mais importantes a serem seguidos. Na pastagem, temos um menor apreço sobre o sistema, pois associamos o pasto com a baixa produção de leite (totalmente de forma oposta quando abordamos a produção de leite em confinamento). 

Como gostamos de jogos de palavras e brincar com histórias, vamos comparar a produção leiteira com o exemplo de um carro. Quando compramos um automóvel, de uma forma ou de outra, adaptamos este carro para nos atender ou nos adaptamos a ele. Como fazer isso? Se precisarmos de um automóvel para o campo, compraremos uma caminhonete e se esta não possuir pneus voltados para andar no barro, colocamos. Se não apresenta um som para escutar música nas viagens, colocamos. Se esta caminhonete for mais alta do chão nos adaptamos para entrar nela, pois ela é diferente do que estávamos acostumados. Não é assim?

Então, porque que na produção de leite isto não é feito? Na produção de leite, a busca por um animal adaptado a o nosso sistema deve ocorrer. Adaptar o animal ao sistema também pode ocorrer. Será que isso é possível? Pois bem, vamos ao exemplo. Será que ao perguntarmos a um profissional qual o melhor animal para produzir leite, ele não terá vontade de sugerir apenas vacas da raça Holandesa? Tenho certeza que sim, não porque ela é mais bonita e sim, por ser mais produtiva. Mas será que ela é a melhor? Definitivamente não. Mas por quê?

Tomando esta mesma vaca como exemplo: se falarmos que ela não é boa produtora de leite, será que estaremos errados? Senhores, acreditem! Isso pode ocorrer. Ao colocarmos uma vaca da raça Holandesa no pasto sobre um sol pleno e calor de 36ºC com certeza esta máquina de produzir leite não passará de uma Ferrari indo para um sítio em uma estrada de terra. Ela não terá como expressar seu potencial.

Na sua origem, o clima é bem mais ameno e por isso, sobreviver em altas temperaturas não é seu forte. Se ela apresentar estresse térmico, passará mais tempo tentando contornar este estresse e não irá se alimentar e não se alimentando, não produzirá leite. Com certeza vocês me perguntarão: mas eu não consigo fazer o pastejo noturno, colocar ventiladores e nebulizadores na sala de ordenha e controlar o problema? Sim conseguimos, mas vamos voltar ao nosso exemplo do veículo.

Conseguimos ir para o sítio, em estradas esburacadas com um carro baixo? Sim. Mas o que devemos fazer? Erguer a suspensão, colocar pneus para barro, trocar os tapetes, forrar os bancos e tudo mais, não é? Mas quanto custará a você isso? Possível é, mas quanto custa? Será que não é mais eficiente trocar de vaca, ou trocar de carro?

Ao produzirmos leite, além da alimentação, que consideramos como primordial, ajustar o animal ao sistema, e o sistema ao animal, tem a mesma importância. Se não fizermos isso, não produziremos. Embora tudo tenha dependências no sistema produtivo, temos que nos orientar quando ao animal que utilizamos. Mas qual eu utilizo?

A genética que você irá utilizar deve ser definida junto ao seu técnico, mas, aqui vão algumas dicas. Não esqueça que animais maiores comem mais e menores menos; nem sempre o maior animal comerá mais e por isso produzirá mais. Isso, claro, considerando que teremos alimento suficiente para qualquer um. Outro ponto: animais de lombos ou dorsos mais claros (citando animais de leite) são mais susceptíveis ao calor e sofrem mais com o mesmo.

Animais meio sangue são mais rústicos, mas ao mesmo tempo, se o grau de sangue for mais voltado ao zebu (Gir) a vaca necessitará do bezerro ao pé para produzir leite e isto também é ruim, pois poderá dificultar o manejo na ordenha.

Animais de algumas raças como a Jersey são menores e produtivos, apresentam maior teor de gordura no leite e aumentam a gordura total do leite vendido, mas segundo alguns cruzamentos, eles apresentam certos problemas no periparto. Será que devo levar em consideração? Raças holandesas puras produzem muito leite, mas não toleram o calor: imaginem um animal de 30 kg de leite que não gosta do calor, produzir leite na ordenha da tarde em uma sala de ordenha quente, com 38ºC. É possível?

Levando em consideração o quesito dieta x genética x produção de leite, será que temos como minimizar os problemas do carro, ou melhor, da vaca, utilizando informações de dieta e instalações?

Sim, temos e devemos. Uma vaca bem alimentada só produz leite, ou melhor, expressa seu potencial se tiver condições para isso. Uma vaca que pasteja sobre um sol quente, pode ser a melhor vaca para a produção de leite, mas não produzirá este leite. Com estresse ninguém faz nada de forma correta, muito menos a vaca.

Uma instalação mal feita não permite que ela expresse seu potencial, muito menos. Salas de ordenha adaptadas ao calor e ao frio, pastejos noturnos, dietas balanceadas com energia e proteína adequadas são fundamentais. Utilizando produtos adequados na alimentação das vacas, genética adequada e instalações propícias, talvez eu consiga adaptar minhas condições para produzir leite.

Resumo: se algum desses pontos falharem, não reclame da vaca! Para finalizar, será que em uma temperatura de 38ºC, alguém comeria dois pratos cheios de feijoada, colocaria os pés em uma bacia com água quente e depois jogaria um futebolzinho? Fica a dica.

MARCO AURÉLIO FACTORI

Professor na UNOESTE - Presidente Prudente
Zootecnista, Dr. em Zootecnia pela FMVZ/UNESP - Botucatu SP. Manejo de Pastagens, Conservação de Forragens e Nutrição Animal com foco em nutrição de Ruminantes.

JULIANA APARECIDA MARTINS FACTORI

Técnica Contábil - Assistente Financeiro

ELCIO RICARDO JOSÉ DE SOUSA VICENTE

Professor na UNOESTE Presidente Prudente/SP. Zootecnista, Me em Agronomia pela UNOESTE - Presidente Prudente/SP. Produção Vegetal.

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MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/11/2017

Prezado Hamilton Lara



Obrigado pelos seus comentários. Tudo é válido. Mas opiniões são opiniões. Raças são raças e manejos são manejos. No entanto não estamos criticando raças, manejos, nem produtores e sim alertando que o sistema não é engessado, ou seja, tudo deve ser adaptado. Para tanto, tudo tem um propósito e para tudo deve existir uma solução. É neste ponto que concordamos. Mas oque eu não concordo é utilizar a raça holandesa como única. Tem outras compatíveis e funcionais para todos os tipos de sistemas, produtores e técnicos. Att. Marco Aurélio Factori
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/11/2017

Prezado João Henrique



Sobre as características que não me agradam no pardo suiço é apouca rusticidade com relação ao clima do pais. No entanto, muitos produtores possuem esta raça e obtêm bons índices com ela. O que sempre digo é que temos que ter animais produtivos. Esta raça permite em alguns pontos a dupla aptidão. No entanto esta dupla aptidão (carne e leite) podem prejudicar o sistema em fazermos duas coisas e com isso não fazermos uma delas de forma correta. Como regra, não há impedimento de utilizar a raça, mas como sempre digo temos outras melhores. Não são críticas e sim que temos raças mais adaptadas ao Brasil e ao nosso sistema. Att. Marco Aurélio Factori
HAMILTON LARA

SÃO TIAGO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/11/2017

Gostaria de parabenizar o Sr.

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA pelo seu comentário. Nem sempre devemos condordar fielmente com quem escreve. Somente seremos potencialmente granda na produção de leite quando nos debruçarmos em cima do problema e pensar em soluções para resolver e não para contornar a situação. Eu acredito que devemos sim apurar cada vez mais a raça holandesa e adequar ao sistema de produção de cada propriedade. Acho que ficar misturando a raça holandesa com a zebuina com propósito de rusticidade é trabalhar preguiçosamente sem querer se esforçar para realmente melhorar a produção de leite e ter resultado prático. Acho que cada um deve refletir em seu sistema de produção particularmente nunca ouvi um produtor que tenha raça puramente holandesa ficar reclamando de tudo. Aqueles que reclamam são porque não fazem o diferente. Se fazem tudo igual náo devem querer resultado diferente.

Abraços.
HAMILTON LARA

SÃO TIAGO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/11/2017

Boa noite !!!



Somente li críticas às vacas holandesas. Falar mal é muito fácil e pode influenciar alguem com menos conhecimento. Gostaria que tivessem um perfil de falar dos problemas e sugerir soluções e isto eu não vi nesta escrita. Ou melhor dizendo poderiam traçar um paralelo financeiro das raças em cada sistema de produção expondo-as nas mesmas condições deixando como parâmetro variável simplesmente a raça.

Pode ser ?
JOÃO HENRIQUE VELOSO CUNHA

ARCOS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/11/2017

Caro Marcos,

Quais as características que não lhe agradam no pardo-suiço?
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/11/2017

Prezado João Henrique



A raça Pardo Suiço (embora não seja uma raça que me agrade)...  é sim possível sua criação em pastagem, no entanto sempre pense que para todas as raças deve existir comida adequada, bem como sombra e água fresca. Atendendo estes requisitos, o sucesso ocorrerá. Att. Marco Aurélio Factori
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/11/2017

Prezado Derlei



Todo lugar conseguimos produzir leite desde que atendamos os requisitos do animal, como sempre digo, comida, sombra e água fresca. Sendo assim, se atendermos estes requisitos, nada nos impedirá de produzir leite. Uns mais outros menos, mas sempre haverá condições de produção. Mas, nestas temperaturas que citou a produção é possível sim, apenas se preocupe com estas 3 coisas que mencionei. Att. Marco Aurélio Factori
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/11/2017

Prezado Luis Einar



Permita que eu lhe faça uma consideração.

Não obrigado a cruzar raças e sim escolher a que atende melhor o produtor. Por isso temos várias no mercado. De outra maneira, você utilizaria uma ferraria para ir para o campo. Antes que diga algo, eu consigo ir de Ferrari ao campo mas demoro mais e gasto bem mais. Isso que foi o intuito do nosso texto. Mas enfim, muito obrigado pleas suas considerações. TUDO enriquece nossos conhecimentos e nossa cultura. Att. Marco Aurélio Factori
SAMUEL SILVA BASTOS

JACAREÍ - SÃO PAULO

EM 07/11/2017

Bom dia Leitores. Nos atualizar, é uma obrigação dos extensionistas frente a sua área de atuação. Hoje, me deparo com afirmações pelos autores, mais do que concretas, colocando o vocabulário claro e objetivo na interação entre nutrição x genética x produção. Mas acrescento que, o sistemas de produção, ambiente e mão-de-obra, também irão definir a implantação da Leiteria.

Frente aos cruzamentos citados (Gir x Holandês), posso lhes afirmar que muito se tem para pesquisar, sobre esta Raça em formação. No entanto, o dia a dia nas visitas para inspeção do serviço de registro, me deparo com várias primíparas em sistema semi-extensivo com produções acima de 30 kg/L/dia...É este número que paga a conta...Dúvidas sobre a Raça Girolando, http://www.girolando.com.br
JOÃO HENRIQUE VELOSO CUNHA

ARCOS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/11/2017

Estou colocando touro pardo suiço no meu rebanho, li alguns artigos que é uma raça bem resistente, mas estou um pouco inseguro, alguém tem algum material sobre essa raça criada a pasto?
DERLEI JOSÉ BRANDAO

BOM REPOUSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/11/2017

Eu sou produtor de leite em Bom Repouso MG,altitude de 1500m,as temperaturas aqui chegam no máximo 30 graus em pleno verão,essa temperatura prejudica a produção de leite?
PAULO MAURICIO B BASTO DA SILVA

CASCAVEL - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/11/2017

Bom dia. Muito bom artigo para reflexão. Muitos buscam vacas holandesas, pois elas em tese são mais produtivas. Dependendo do sistema elas podem produzir mais litros no dia com custos mais altos e trazer resultados por litro menores. O clima, o sistema de alimentação, entre outros deve ser levado em consideração. Inclusive custos com veterinários e medicamentos, etc.
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/11/2017

Bom Dia Professores.

Com vossa permissão, discordo que tenhamos que cruzar.

Antes disso há que pensar que ao incorporar o sangue zebuíno vc estará colocando uma genética muito menos produtiva no seu rebanho.

Vacas especializadas na produção de leite, como as citadas jerseys, holandesas e se me permitem as boas pardo suíças, e muitas outras que ficaram pelo caminho devido ao pequeno números de indivíduos pelo mundo como a lindas guernseys, aishyres, normandas, etc. Particularmente, a holandesa, é a única raça cosmopolita, portanto não vejo nenhuma dificuldade em criá-la pura no Brasil.

Por sua vez, o cruzamento com zebuínos de baixa produção, é uma "invenção" bem tupiniquim, fazendo jus a aquele ditado do "jeitinho brasileiro" ou da "lei de Gerson" de levar vantagem sobre quem pudermos.

Vacas cruzadas possuem muito menor seleção, provas de progênie pífias, não confiáveis e muitas vezes mentirosas.

Me respondam qual o progresso genético observado numa raça, onde um touro permanece como top 1 por 12 anos?

Touros holandeses não seguram este troféu por mais de 6 meses lá nos EUA.

Como pensar em vacas cruzadas onde as que são teoricamente "controladas" , as melhores, apresentam média de 4 mil e poucos Kgs e nos EUA a média das vacas 2017 aproxima-se 11000 Kgs.

Deixemos de buscar chifres em cabeça de cavalo e passemos a ser mais profissionais na arte de tirar leite.

Leite não é para amadores e para quem quer "tirar leitinho". Veja se um criador de frango fala em 15 mil aves. Vivemos de centavos assim como a avicultura e suinocultura, e mais recentemente a bovinocultura de corte. necessitamos de escala e vacas boas para chegar lá. Deixemos de sustentar o troféu de 4,5 litros/vaca/dia por 30 anos mais.

Por favor, permitir que persista esta cultura do cruzado é tiro no pé.

Talvez eu tenha mais tempo em medicina veterinária que vcs , desde minha formatura, vejo estas cifras ridículas de 1200 litros vacas/ano para o Brasil, lá se vão 30 anos.

Vejo uma raça de zebú ( mídiática ) a estragar com a já não tão boa genética taurina do país,

Pensemos que vacas taurinas possuem no mínimo 20% a mais de tecido secretor na glândula mamária , isto é genética, e não mudará ao trocar pneus ou levantar o feixe de molas.

Percebo sim, que esta cultura do cruzamento infestou até os conceitos de nobres colegas.

Lembrando nosso tempo de ginásio ( 7a,8a e 9a séries atualmente ) as Leis de Mendell falavam claramente sobre Atavismo e Herança Quantitativa, não sei se ainda com o pobre ensino que ministram depois da reforma do ensino de 1972, estas preciosas leis são mostradas aos nossos alunos. Enfim, quem era daquela época, nunca vai esquecer das Ervilhas Lisas e Rugosas.

A incultura do nosso produtor permite que emprenhemos eles pelo ouvido, o que é lamentável, mas possível.

Abraço
AMAURY MACHADO

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 02/11/2017

Sem clima, nada se compartilha.