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Como saber as deficiências da pastagem a fim de definir a suplementação do gado leiteiro?

MARCO AURÉLIO FACTORI

EM 11/11/2015

5 MIN DE LEITURA

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Um sistema produtivo com base em pastagem confere segurança e versatilidade frente aos altos preços de insumos e baixo preço do leite por representar uma forma barata de se produzir. Considerando como base o pasto (volumoso de verão) é de fundamental importância utilizar sistemas mais produtivos (lotação/ha) plantando forrageiras de alto potencial de produção.

No entanto temos no mercado várias opções de gramíneas tropicais que apresentam semelhanças, mas não são iguais e merecem um tratamento distinto. Começamos no plantio que, para haver produção e consequentemente correta utilização da pastagem escolhida, é fundamental que se estabeleçam inicialmente, níveis de fertilidade adequados para cada forrageira em questão. São distintas as recomendações para cada forrageira, mas pode-se considerar que para as forragens do Gênero Panicum e Cynodon os níveis de V% (por exemplo) do solo devem estar ao redor de 75%, sendo que para as Brachiarias, ao redor de 60%. Sendo assim, não podem, desde o início, ser consideradas iguais.

Quanto ao manejo, a altura de entrada e saída dos piquetes são distintas, mas infelizmente são tratadas as vezes igualmente e por fim são prejudicadas intensivamente. A grande deficiência de nossas pastagens, infelizmente, é o desconhecimento do manejo delas. O produtor deve atentar-se, dentre outros, para uma forrageira adequada para o sistema de pastejo adotado. Olhar para a forrageira, muitas vezes é um fato ignorado por muitos e isto acaba decidindo o sistema.

Quando pensamos em produção leiteira, a nossa unidade produtiva, nossa operária, chamada de vaca, precisa e deve comer uma forragem, a melhor possível. A partir deste ponto partimos do princípio de que queremos aquela forrageira milagrosa, “super-forragem”, aquela que suporte altas lotações ou ainda que não precise de adubação e não tenha estacionalidade. Muitas questões também são feitas: Por que minha vaca não produz leite? Por que eu não consigo produzir leite na minha propriedade? Será que no meu pasto falta adubo? Será que esta forragem é boa mesmo?

Vacas Jersey pastejando

Para lembrar, uma vez escolhido o sistema de manejo rotacionado de pastagens, aconselha-se utilizar pastagens mais produtivas, sendo elas do Gênero Panicum (Tanzânia) e Cynodon (Tifton e Coast-cross). As espécies do gênero Brachiaria também podem ser utilizadas (sendo estas mais indicadas para sistemas de lotação contínua), porém apresentam menor produtividade e também podem acometer os animais com problemas de fotossensibilização.

Em sistemas intensivos, o uso de forrageiras do gênero Panicum fará com que o manejo seja prejudicado. Quando a forragem torna-se fora do seu ponto ótimo de manejo, ela “passou do ponto” (isso nunca deve acontecer) as forragens deste gênero lignificam muito o colmo (endurecem muito o caule). No caso da Braquiária, isso ocorre menos e com, isso tem-se o pastejo normal caso ela passe do ponto. Com certeza uma vantagem do gênero sobre um manejo mal feito ou incorreto.

Porém, ainda, cabe ressaltar que embora as forrageiras tropicais apresentem características distintas quanto ao manejo e hábito de crescimento, possuem valores nutricionais semelhantes. Entretanto, não podemos erroneamente confundir idade cronológica com idade fisiológica. Por exemplo, tomando como base o capim Tifton, com ponto ótimo de manejo de 18 dias, ele estará fisiologicamente com a mesma idade quando comparado ao capim Tanzânia, que apresenta ponto ótimo de manejo de 28 dias. Ainda, os capins de clima temperado dentre eles o azevém e aveia, apresentam maior valor nutritivo, porém são menos produtivos como citado anteriormente.

Tudo o que foi dito nos dois últimos parágrafos são com certeza o gargalo da produção. A grande deficiência de nossas pastagens não é a qualidade e sim a quantidade. Parece contraditório, pois disse anteriormente que nossas forrageiras tropicais são mais produtivas e por aí vai... Mas infelizmente, o ponto de frenagem de nossa produção é não sabermos produzir pasto e nossa grande deficiência está na quantidade ofertada. O ajuste de lotação muitas vezes é a grande deficiência.

Se adubarmos menos a pastagem, teremos com certeza um decréscimo no teores de proteína, mas, isso não quer dizer que se adubarmos mais, teremos uma "super forrageira". Teremos uma forragem com teores ao redor de um a dois pontos percentuais a mais de proteína (o que não é significativo para aumentar a produção), mas com certeza teremos mais forragem. Deste ponto, pensaremos então em um aumento no número de animais nas estratégias de suplementação.

Na produção leiteira, pensamos que em pasto, uma vaca em condições normais de manejo e lactação produzirá ao redor de 10 a 12 kg de leite. Após isso, a suplementação deve ocorrer em função da produção de leite. Claramente que aquela vaca que produz mais leite comerá mais ração. Então, a ingestão da forragem bem manejada imprimirá, junto com a ração, uma produção ao redor de até 25 a 30 kg de leite.

Já fui questionado do porque da propriedade do seu Zé ser mais produtiva que a do seu João se as vacas comem a mesma ração. O pasto de um é mais eficiente que o outro? Será deficiência de que? Prefiro pensar que a deficiência não está no pasto em si, pela sua qualidade e sim pode estar no manejo dele, na adubação para imprimir quantidade (produtividade) e com certeza no uso do concentrado. Neste ponto, os ingredientes, a forma de fornecimento e a formulação do concentrado podem ser fatores decisivos. O uso de produtos melhores ou ainda de forma bem superficial (pensando nas frações de seus carboidratos e proteínas) poderão afetar a produção.

Ainda, mesmo que superficialmente, quero aqui discorrer sobre um ponto importante quanto as manchas em folhas ou ainda ataques de pragas em pastagens. Volto a dizer, isto afetará principalmente a produtividade. Pragas em pastagens existem sim e dão trabalho. Plantas invasoras também. Ambas afetam a produtividade principalmente e, por isso, diminuem a produção leiteira. Em resumo, a forrageira não cresce satisfatoriamente quando doente ou sofrendo competição.

Aquela vaca que produz leite em pastagem precisa ser observada diariamente. Se faltar pasto à noite, ela precisa ser suplementada, se não ela não produzirá. Ela não é mágica. A forrageira, em função da estacionalidade diminui seu valor proteico sim. Ela precisa se defender do período seco e sobreviver. Ela floresce (isso ocorre normalmente, mas pode ser controlado e minimizado) e direciona toda sua vitalidade para suas sementes e diminui seu valor proteico. Desta forma precisamos pensar em aumento da qualidade do suplemento, ou seja, aumentar o teor de proteína bruta, basicamente. O contrário também ocorre. No verão, os pastos estarão verdejantes e por isso o teor proteico do concentrado pode ser menor. Em caso de geadas também podemos pensar em diminuição de sua qualidade. Estresse hídrico também. Ainda, períodos longos de chuva e com baixa luminosidade poderão mudar o crescimento da forragem, fazendo-a alongar demais e por isso mudar sua composição química (mais fibra) e afetar a produção.

Senhores, repito e esclareço, que tudo pode ser contornado com o manejo e 95% do déficit produtivo é em função da produtividade do capim. O suplemento deve sim andar ao lado da forrageira fechando uma dieta diária balanceada para a vaca. Por isso o próprio nome esclarece tudo – suplemento.
 

MARCO AURÉLIO FACTORI

Consultor, Factori Treinamentos e Assessoria Zootécnica.

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MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/01/2016

Herinan



Sobre sua duvida, no caso de invasoras que mencionou de folhas redondas, ou folhas largas que nós chamamos, poderá controlar utilizando um herbicida seletivo que não prejudica o capim. No caso de outras invasoras de folha estreita, não tem muito o que fazer a não ser manejar seu capim para que ele cresça e abafe a invasora. Utilize um manejo que favoreça o crescimento rápido do capim como uma adubação nitrogenada e manejo com pastejo respeitando o manejo do capim, com correto intervalo de pastejo. Att. Marco Aurélio Factori
HERINAN

PETROLINA DE GOIÁS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/01/2016

professor Marcos estou formando tiquetes com grama giggs mais no meio da grama nasceu muito braquearia e mato (folha redonda e tiririca ) o que devo usar para matar esses sem prejudicar a grama ? que devo usar? estou no aguardo desde já obrigado.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/11/2015

Prezado Roney



O teor proteico de ração é um fator que decresce a produção de leite. Outro fator interessante é a genética pois animais que não possuem genética satisfatória não chegarão a esta produção e ainda o momento em que estes animais estão em relação a curva de lactação ou ainda quantos dias estão depois de paridas. logicamente animais no final da lactação produzirão menos e não atingirão a produção. Veja com relação ao teor de proteína que pode ser um fator limitante. Com relação ao pasto, o fato de não rapar o piquete não significa que as vacas comeram o que precisam pois mesmo com forragem lá, em função da altura de manejo de cada uma, os animais poderão se alimentar de forragem com menor teor de proteína e assim faltar mais ainda na dieta, bem como também energia. Veja em que mais posso ajudar. Se preferir entre em contato pelo e-mail mafactori@yahoo.com.br Estamos a disposição. Att. Marco Aurélio Factori
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/11/2015

Prezado Edivan



Estamos a disposição. Qualquer coisa entre em contato pelo e-mail: mafactori@yahoo.com.br

Att. Marco Aurélio Factori
CLEVERSON FLAUZINO GOMES

PITANGA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/11/2015

Bom no manejo geral a necessidade de observar a disposição de agua aos animais e qualidade da mesma para bom funcionamento ,tanto na pastagem como suplementação ao adequar isso obtivemos um aumento d 3a 6 litros a mais em umas das propriedades q atendo parabéns pelo entrevista.
EDIVAN QUEIROZ

PIEDADE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/11/2015

Professor marcos, gostaria de saber se você da assistência na propriedade?  Estou querendo implantar um sistema rotacionado, mas talvez o meu conhecimento não seja o suficiente.
IRAUTO GOMES DE MELO

GARANHUNS - PERNAMBUCO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/11/2015

Muito boa a matéria  estar de parabéns.
RONEY JOSE DA VEIGA

HONÓRIO SERPA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/11/2015

Professor Marco obrigado pelo retorno e atenção!

Sempre na procura por aperfeiçoar, gostaria muito de ajuda especializada!

Como relatei anteriormente, minhas pastagens são compostas de diversas forrageiras, sorgo, papuã, áries, e milheto; pela observação dos piquetes (um por dia) não falta forragem, pois os animais não chegam a "rapar" o piquete.

A ração eu faço na propriedade, tendo milho como base e adiciono farelo de soja e farelo de trigo ( 70/15/15 , baixa proteína 14% ).

Em relação a genética posso dizer que minhas vacas não são P.O., mas também não são pelo duro, é uma gado oriundo de inseminação.

De antemão faço mea-culpa em relação ao teor de proteína da ração, mas corrigir isso é fácil, (vou inclusive) , assim sendo, arriscaria apontar algumas outras possíveis e prováveis falhas de manejo que posso estar cometendo?

No aguardo, obrigado, Roney!

EDIVAN QUEIROZ

PIEDADE - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/11/2015

Parabéns, ótima matéria!   
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/11/2015

Prezado Roney



Em função da nossa vivência em propriedades visitadas, afirmo sem duvida que esta produção em pastagem é 100% possível. Com certeza, a genética animal influencia muito, além da qualidade do próprio pasto e do concentrado. Posso ate arriscar em afirmar que seus animais estão ingerindo uma dieta desbalanceado ou ainda a quantidade de pasto ou ainda o manejo pode estar equivocado. Fico a disposição para tentar ajudar.

Att. Marco Aurélio Factori
JOSÉ ANÍBAL DO AMARAL

ITAPERUNA - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 12/11/2015

Parabéns professor pelas colocações à respeito de manejo, realmente com um bom manejo de pastagem associado a um bom manejo do rebanho  o que inclui naturalmente boa suplementação com concentrado, conforto animal associado ao manejo reprodutivo , ´ja acompanhei diversos currais com média de 18 a 22 l/vaca/dia, com essa média tinha animais produzindo 35/l/dia com duas ordenhas e animais em final de lactação com 8 à 10/l/dia, todos à pasto e é claro em função da época do ano recebiam suplementação de matéria seca  levando em consideração a qualidade do volumoso .Portanto temos experiência  de que tudo que foi dito é a mais pura verdade.

JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DOS REIS

ROLIM DE MOURA - RONDÔNIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/11/2015

Show de matéria. Parabéns professor!!!
RONEY JOSE DA VEIGA

HONÓRIO SERPA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/11/2015

Desculpe não sei se entendi direito, mas acredita mesmo que uma vaca em regime de pasto pode chegar a 25 Kg leite por dia apenas com suplementação de ração adequada?

Até onde sei a média de produção em tambos onde a vaca fica estabulada recebendo comida + 10 KG ração é de 28 kg!

Meus animais aqui ficam em regime de pasto,  ( sorgo + milheto + àries + papuã ) recebendo, 4 kg ração por dia, no verão minha média fica em torno de 14-15 kg, no inverno fica entre 16-17 kg/vaca/dia, com a mesma quantidade de ração!

Será genética? Tipo de ração?

Abraço!



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