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Uma boa notícia

O mercado de leite vive um momento de refluxo das expectativas. O veranico do início do ano, o panorama internacional, o câmbio favorável e a proximidade do final da safra impulsionaram o mercado no início do ano. De acordo com o Cepea/USP, o leite pago ao produtor em abril subiu 6,16%.

Porém, nem bem a informação foi divulgada e o mercado já apresentava sinais de que se tratava mais de um voo de galinha do que uma recuperação consistente dos preços.

No espaço de um mês, o cenário mudou: os preços internacionais caíram cerca de US$ 1.000/tonelada e o câmbio voltou de R$ 2,40 para R$ 2,20; a oferta no Sul do país parece vir com mais força do que no ano passado; o clima no Centro-Oeste/Sudeste melhorou, contribuindo para que a possível queda de oferta não viesse com a intensidade esperada e, fundamentalmente, a indústria não conseguiu, até agora, repassar os preços.

O resultado já foi sentido pelo leite spot na segunda quinzena de abril e, mantendo-se esse cenário, a queda chegará ao produtor de forma mais evidente do que até agora chegou. Isso em um momento bem pouco usual para esse fenômeno.

Se confirmado, será um ano de altos e baixos, pois alguns fundamentos permanecem válidos, mesmo diante da realidade do momento. A produção de volumoso no Centro-Oeste e no Sudeste foi afetada no verão e, apesar da safrinha estar em geral transcorrendo muito bem, foram inúmeras as informações reportadas sobre perda de quantidade e qualidade na produção de silagem, cuja conta virá mais tarde. Além disso, há tradicionalmente redução dos volumes de produção nesta época do ano que, somada a uma eventual queda de preços na boca da entressafra e arroba bovina valorizada, poderá resultar em novo estímulo para recuperação de preços no início do segundo semestre. No panorama externo, após seguidas quedas fortes, os valores parecem ter estacionado pouco abaixo dos US$ 4.000/tonelada, um valor que, se não viabiliza as exportações, também não estimula grandes importações.

Mas o intuito deste artigo não é falar sobre a conjuntura de curto prazo, mas sim procurar analisar o cenário sob o âmbito mais amplo de mercado. Nesse sentido, o mês passado nos trouxe uma notícia interessante e que, talvez pelas incertezas do mercado, não tenha tido a repercussão que merecia.

Trata-se da criação da entidade Viva Lácteos, que reúne inicialmente as principais indústrias de lácteos do país (veja aqui a notícia e comentários dos leitores). Mais uma entidade setorial, muitos irão dizer. Outros, ainda mais céticos, irão ponderar que tal iniciativa aumentará o poder de barganha da indústria junto ao produtor. (Aqui, um parêntesis: cabe ao produtor reforçar também suas entidades de classe!).

Vejo, porém, com bons olhos a iniciativa, em que pese o fato de que o trabalho está apenas começando. Apesar das várias entidades existentes (em grande parte representando produtos específicos quando a maioria dos grandes industriais tem um portfólio amplo), faltava uma entidade que, de fato, falasse pela indústria. Mais do que isso, uma entidade que pudesse liderar questões como a criação da visão de longo prazo do setor. Onde queremos estar daqui a, digamos, 15 anos, e o que é passível de influência para atingir esse objetivo? Em outras palavras, que caminhos podemos escolher para criarmos nosso futuro?

Não é uma questão menor, ainda que questões de longo prazo costumem passar ao largo das discussões setoriais. Nos últimos 10 anos, surfamos uma onda de prosperidade criada por diversos fatores simultâneos: expansão dos programas de aumento de garantia de renda no Brasil; forte aumento do salário mínimo; economias dos países desenvolvidos em crise, favorecendo os emergentes; e crescimento populacional interno. De 2000 até 2013, estimamos que o mercado lácteo, em volume convertido para litros de leite, tenha crescido 62% ou cerca de 13 bilhões de litros – uma enormidade.

Há vários indícios de que a forte onda surfada já tenha perdido vigor e, para frente, a tendência é de um ambiente de negócios mais desafiador por vários motivos:

a) A população crescerá cada vez menos. No início dos anos 2000, crescíamos a uma taxa de 1,4% ao ano, o que nos fez pular de 173 milhões de habitantes para os mais de 200 milhões atualmente. Hoje, o crescimento é de 0,8% ao ano e, em 2024, a previsão do crescimento é de 0,6% ao ano. Nos 10 anos anteriores, adicionamos 20 milhões de consumidores; nos próximos 10, serão 14, 5 milhões.

b) Nosso consumo per capita já não é tão baixo. Pulamos, em 13 anos, de 122 kg de leite/pessoa para 171 kg. Cada brasileiro consome hoje quase 50 kg a mais de leite por ano (na forma fluida e de derivados) do que consumia no ano 2000. É um salto muito grande. Ainda que exista espaço para novos crescimentos, não temos mais 13 milhões de famílias para entrar no Bolsa-Família. A tendência é que o crescimento per capita seja menor nos próximos 10 anos, não alcançando mais os 3,4% ao ano dos últimos 6 anos.

c) O consumidor será cada vez mais exigente. Questões que têm sido recorrentes como fraudes e produtos contaminados serão cada vez mais prejudiciais ao mercado, demandando ações importantes do setor público e também do privado para que o joio seja sempre rapidamente separado do trigo (e gradativamente eliminado do sistema), e que o mínimo que devemos fazer, que é produzir um produto isento de contaminantes, seja cada vez mais a realidade. Porém, a exigência do consumidor não se limita à questão da qualidade, mas estende-se à necessidade de desenvolvimento de novos produtos com base láctea que atendam aos diversos nichos de mercado, cada vez mais sofisticados. De um lado, se a população cresce menos, de outro surgem oportunidades interessantes de agregação de valor, que devem ser buscadas pelas empresas. Há, porém, questões relevantes de regulamentação nutricional junto a órgãos como a ANVISA, nas quais uma entidade dessa natureza tem a credencial de atuar, sem falar em impulsos à pesquisa e desenvolvimento e o próprio marketing institucional, esquecido enquanto o consumo crescia vigorosamente.

d) A complexidade do ambiente de negócios tende a ser maior. Pressões ambientais, bem-estar animal, saúde, entre outros itens, estarão cada vez mais na pauta dos setores de produção animal, demandando ações de coordenação por parte das indústrias uma vez que são elas quem se expõem ao consumidor. De outro lado, o grande varejo está cada vez mais concentrado, com 4 grupos internacionais (Pão-de-açúcar, Carrefour, Walmart e Cencosud) tendo mais de 50% das vendas de alimentos, gerando um ambiente desafiador para o elo processador.

e) A competição será mais global. A União Europeia removerá as cotas de produção em 2015, seguindo um planejamento feito há vários anos. Os gastos com subsídios vêm diminuindo: hoje, a UE gasta percentualmente pouco mais da metade do que gastava de seu orçamento anual com subsídios agrícolas há 15 anos e o montante vem caindo em valores absolutos. A Farm Bill americana também veio bem mais liberal. O Mercosul alinha um acordo comercial com a Europa. Tudo isso sugere que teremos um mercado mais aberto no futuro, demandando aumento da competitividade. Nesse sentido, provavelmente seremos mais cobrados em relação a nossas políticas comerciais e é possível que estejamos mais expostos ao mercado internacional do que hoje. Teremos que decidir, em algum momento, se nosso principal intuito é resguardar o mercado interno ou criar as bases para a competitividade internacional, onde residirá sem dúvida alguma a maior possibilidade de crescimento do mercado.

Tudo somado, ainda que existam significativas oportunidades, tanto no ambiente interno quanto externo, tudo indica que o ambiente será mais desafiador do que até então fora. Esse ambiente exigirá representação setorial forte e unificada para lidar com estas questões, bem como para melhor coordenar a cadeia do leite – não se espera que essa iniciativa deva partir do produtor, muito mais fragmentado e que não transaciona com o varejo e nem dialoga diretamente com o consumidor. Cabe à indústria essa missão, sem dúvida trazendo o produtor para junto das discussões.
A missão não é fácil, mas como escreveu o poeta Horácio, “o começo é metade da obra”, ainda mais em se tratando de reunir concorrentes do dia-a-dia, muitas vezes pressionados pelos resultados de curto prazo, para começar a criar a agenda futura.

 

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 15/05/2014

Caro Luís Einar;



A VIVA LÁCTEOS não é um órgão para cabide de empregos de pessoas com tempo para arrumar uma "bengala";



Ela é uma entidade integralmente custeada pelas indústrias que a constituíram. Aliás, estou acreditando muito no sucesso dessa entidade exatamente por esse detalhe: É a primeira entidade representativa do setor que tem um aporte considerável e corajoso de alguém.



Temos mania de reclamar das entidades que não tiveram a devida representatividade no passado, mas a verdade é que NINGUÉM nunca se dispôs a pagar essa conta, por menor que fosse.



Portanto, política nesse país sempre se fez com dinheiro e esse é o primeiro tiro certeiro da VIVA LÁCTEA.


RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/05/2014

A indústria é uma onça pintada parida, a viva láteos é mais um filhote para ela tratar.
SANTIAGO

LAVRAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 14/05/2014

A notícia é sim ótima, tomara que a Viva Lácteos se torne a primeira entidade realmente representativa nesse país;



Infelizmente continuamos com a nossa visão rasa de que o vital são os centavos que sobem e descem.



Ora amigos, eles sempre vão subir e descer, esse é o mercado.



Precisamos de representatividade para sermos competitivos. Quanto mais ineficientes e quanto mais caro e mais sem qualidade for o nosso produto para o mundo pior para o setor como um todo;



Chegou a hora de abrir os olhos,
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/05/2014

Bom Dia Marcelo

Li atentamente seu comentário e dos demais leitores.

Também acho que há uma meia verdade em tudo isso.

O nosso setor está sem líderes ativos, pois numa entidade como a que foi criada, deveríamos ter voz ativa.

O que vejo nos apartes acima é mais um grito de repúdia a criação de mais um órgão para cabide de empregos promovido por uns sujeitos que posuem tempo para pensar em como ter uma bengala para se apoiarem na grana dos outros, do que de verdade refletirem e ajudarem a cadeia láctea.

É muito facil o setor de laticínios se unirem, são poucos, com nível de instrução melhor que a média dos produtores, muitissímos mais capitalizados e com poder de levantar finaciamentos imensos comparativamente ao nosso, etc... e sendo assim minha opinião é de não teremos boas notícias para o homem que trabalha na produção de leite.

Vc. sabe que vivo diretamente ligado ao setor e aqui no Goiás, e quando se observa como os órgãos que reunem cooperativas ou as próprias, tratam seus associados através dos preços pagos, assusta companheiro! Há poucas exceções por estas "bandas".

Assim, discordo, mesmo que a medio ou londo prazo, possamos vislumbrar que tenhamos órgãos realmente representativos dos interesses do nosso setor.

Parafraseando, seu comentário final, a frase não sei de quem é, mas diz que: - Politica é uma coisa muito séria, se assim for encarada, infelizmente aqui no Brasil temos nela a escória incrustrada. Salvando uns poucos visionários.

Abraço
DAVI MOREIRA PINTO

CAMPO BELO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 12/05/2014

O maior sábio não é aquele que fala o tempo todo, e sim aquele que fala no momento certo, algo coerente e com embasamento sobre o assunto. O maior sábio é aquele que houve mais do que fala, e aquele que tem a capacidade de filtrar o que foi ouvido e absorver o que é válido. A " Viva Lácteos" vem com um propósito de melhorias para o setor, e como muito bem salientado nesta matéria, melhorias futuras, que certamente proporcionarão bons frutos a TODOS.

Como foi citado mercado atual de leite dentre os comentários. O que se pode dizer é: Indústrias tenham juízo, produtores tenham cautela. Dias difíceis chegaram para o setor.

E antes que sejamos questionados, já fica uma observação... Mercado de leite não se resume em regiões, ele é global!  
ALBERTO DUQUE PORTUGAL

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/05/2014

Prezado Marcelo,

Excelente artigo. Concordo que é um avanço termos organizações com a Vivalacteos. O desafio é termos  organizações que vejam as cadeias de valor  com um todo, envolvendo todos os segmentos. Logicamente, cada segmento, principalmente o da produção que é o mais frágil e mais difícil de ser organizado por razões bem conhecidas, precisa ser proativo e buscar seu lugar ao sol.

Há exemplos de organização no mundo que podem servir de referência. Cito especificamente os "CHECKOFF PROGRAMS" americanos, como o "Dairy Producer Checkoff Program" , coordenado pelo AMS- American Marketing Service do USDA- United States Department of Agriculture" (http://www.ams.usda.gov). Basta também entrar no google. Na minha opinião este é o único caminho para termos poder de barganha e termos cadeias de valor bem equilibradas e competitivas. Esta é uma discussão que precisa ser colocada na pauta e na qual a CNA pode ter um papel crucial e decisivo.


EDUARDO FONSECA PORTUGAL

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/05/2014

Marcelo,bom dia.

Ponderei todas as observações acima e tb sua réplica.Longe de ser um "expert' em mercado do leite pelo menos vivo as nuances do campo à indústria. Em plena entre safra nós nos deparamos com a possível estabilidade dos preços em maio e penso até que nesta terça o Conseleite-Pr deva apresentar um decêndio de poucas expectativas de preço, onde o longa vida ainda respira! O leite 'Spot ' tem grande influência nesta tendência de preço e vale aqui salientar,que a maior captadora e compradora de leite "spot" em nosso país, fechou um "pacotaço" com a Argentina na importação de leite em pó. Resultado: Suspensão(segundo a "boca maldita") da compra diaria de 1.000.000 de litros de leite do mercado nacional. Algumas empresas que abortaram seu "mix" para migrar nesse mercado instável ou mesmo apostaram na exportação do leite em pó...deverão ter dificuldades,pois a calculadora faz conta igual para todos. Vamos aguardar! Sds, Portugal.
RHUDSON CARLO DE SOUZA

PRESIDENTE KENNEDY - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/05/2014

Sr Marcelo

Vc esta com toda razão sobre a boa notícia, pois a notícia só e boa quando e contra o produtor. O presidente do Banco Central q tem nome de circo o tal de tromboni disse em rede nacional q ia controlar a infração estabilizando os preços do alimento e fez jogou na mídia a adulteração de leite q ocorreu anos atrás e fez esfriar o mercado só para tentar maquiar essa política podre do PT e esquecendo q nos produtores estamos entrando no inverno com uma seca ocorrida na primavera e no verão e temos compromissos e empregados para pagar. Tenho certeza q o mal q esses indivíduos do governo estão fazendo seja refletido na produção futura aonde desistimule os produtores e tenha uma falta de produto no M ercado , aí quero ver eles arrumar a solução para o Pb

Obs: que venha o fim do mundo com a passagem bíblica
GERALDO APARECIDO MOREIRA

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/05/2014



Náo entendi esta boa noticia. Pra quem? Para os laticios que terão mais ofertas que demanda e com isso poderão pagar ao produtor por um litro de leite o preço que quiserem?
ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/05/2014

A noticia é ótima se, de alguma forma, o produtor também fizer parte da Viva Lácteos e os elos puderem explorar pontos convergentes do setor, papel que a Láctea Brasil não conseguiu cumprir em seus 10 anos de existência. Essa é uma nova e proativa oportunidade para alinharmos os envolvidos em um jogo de ganha-ganha.  
MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/05/2014

Prezado Marcello



Como disse na minha colocação, a Viva Láctea pode ser uma boa medida se o fim for diminuir capacidade ociosa, reduzir custos industriais, aumentar produtividade e aumentar o poder de negociação com o varejo, pois também me preocupa a fragilidade da nossa indústria de lacticínios.



Mas também me preocupa o fato da finalidade ser apenas um meio de pressão para reduzir preços aos produtores quando perdem margem para o varejo, como tem acontecido nos últimos anos, uma vez que não são os produtores  ( que trabalham com margens muito pequenas quando não tem prejuízo ) responsaveis pela perda de margem da indústria.



A minha preocupação é reforçada quando vejo na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados a indústria ser contra a criação de um grupo de trabalho envolvendo especialistas do governo, do varejo, da indústria e de produtores para estudar os problemas do setor e tentar buscar soluções para que possamos caminhar para um cenário melhor para o setor leiteiro, onde sejamos capazes de caminhar  para sermos capazes de abastecer o mercado interno e nos tornarmos exportadores de leite e lácteos. Minha preocupação aumenta quando vejo a pressão da indústria e do varejo contra a possibilidade de colocar a fraude no leite como crime hediondo, o que levou o promotor do Rio Grande do Sul considerar a possibilidade do mercado ( indústria e varejo ) ser conivente com a fraude.



Quanto a democracia, de fato o Governo costuma ouvir quem está mais organizado. Você sabe o quanto é difícil organizar milhares de produtores em associações sem lideranças que efetivamente estejam próximas dos produtores e possam efetivamente representa-los. Do lado da indústria, organizar  um grupo relativamente pequeno é fácil e pode facilitar o abuso de poder econômico com relação aos produtores e por isso a Viva Láctea também causa preocupação.



Com relação à democracia eu acredito que ela só existe realmente quando além de considerar a maioria e os mais fortes forem respeitados os legítimos direitos das minorias e dos mais fracos.



Mas como você diz, a Viva Lácteos terá que provar suas intenções e ações no tempo, no dia a dia, para sabermos se foi uma boa notícia para o setor de forma geral ou apenas para a indústria..



Aproveito para manifestar minha admiração por seu trabalho e o do Milkpoint  em prol do desenvolvimento do setor leiteiro nacional.



Grande abraço



Marcello de Moura Campos Filho
ANTÔNIO MARIA SILVA ARAÚJO JÚNIOR

CAJURI - MINAS GERAIS

EM 09/05/2014

Tudo envolve política e não produção
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 09/05/2014

Caros Marcello e Ronaldo,



Diante dos comentários, creio que não deixei claro o suficiente que a boa notícia não se refere a situação de mercado, de curto prazo, mas sim a criação da entidade Viva Lácteos, que pode ser um importante interlocutor no setor.



Marcello, acredito que há sempre formas de analisar a situação sob distintos ângulos. Podemos pensar que a indústria não deva se fortalecer sob o risco de pressionar preços ao produtor. Podemos pensar que a indústria deva se fortalecer para melhorar a coordenação da cadeia, influenciar o governo, negociar com o varejo. Eu prefiro que meus clientes estejam bem financeiramente. Não me sinto confortável quando vejo que os clientes estão em dificuldades. Entendo que o produtor deveria ter a mesma visão. Isso não quer dizer que o produtor não deva estar bem representado e equalizar forças. O fato da indústria se reforçar associativamente deveria inclusive ser um bom argumento para o produtor fazer o mesmo. A alternativa é a organização não ocorrer e ficarmos sempre na mesma, reclamando de não ser ouvidos.



Nesse ponto, respeito muito sua atuação em prol do setor, mas acredito fortemente que, em uma democracia, o governo ouvirá quem está mais organizado, quem tem mais poder de fogo. É muito diferente junto ao setor público um único produtor levar um pleito ou uma forte associação que reúne e representa todos eles, concorda? Nesse sentido, acredito que a Viva Lácteos tem pelo menos a prerrogativa (claro que terá de provar suas intenções e ações no dia-a-dia) de ser esse interlocutor.



Prefiro ver o copo meio cheio: ter uma visão positiva da iniciativa, e correr o risco de errar, do que de antemão criticar. Acho que os potenciais benefícios valem os riscos.


MARCELLO DE MOURA CAMPOS FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/05/2014

Prezado Marcelo



Qual a boa notícia e para quem é a boa notícia?



No meu entender preço ao produtor reagiu pois o "a grande oferta" que levou à queda dos preços a partir de setembro de 2013 não era tão grande, os estoques também não, o que era natural em função da adversidade climática ocorrida de setembro até fevereiro, o que judiou do gado e do pasto, o que levou a industria disputar leite num ambiente de oferta restrita.



No meu ver a queda do preço no mercado internacional, nesse momento estabilizada um pouco abaixo dos US$ 4.000,00/T  não deve afetar muito o mercado brasileiro, pois a demanda maior é da China, e até a Argentina, nosso maior fornecedor dirigiu para lá suas exportações. Não creio que haja volume de leite disponível para importar no caso de queda significativa na produção nacional e o câmbio também pode ser uma restrição.



A adversidade climática de setembro de 2013 a fevereiro de 2014, além de afetar a produção de verão, afetou a produção de alimento para a entresafra de 2014 e o estresse térmico afetou a reprodução, o que deverá atrasar as parições que deveriam ocorrer de setembro de 2014 até o final do ano.



A Seca continua em muitas regiões produtoras, de forma que não podemos ter certeza até que ponto poderemos que poderemos contar com a produção da safrinha.



Esse quadro me leva a crer que de maio até novembro a perspectiva da continuidade da elevação dos preços aos produtores, e nesse período acredito que os preços oscilarão entre R$ 1,10 e R$ 1,20 por litro.



A indústria passa por dificuldades e enfrenta problemas de margens. A criação da  Viva Lácteos favorece o poder de negociação da indústria. Pode ser bom se for para fortalecer a negociação com o varejo, principalmente com relação ao leite UHT que no meu ver é talvez o maior problema do setor leiteiro nacional. Pode ser ruim se for dirigido para pressionar os preços ao produtor para baixo o que não permite investir para uma pecuária de leite mais produtiva e competitiva.



A nossa economia está fragilizada e o poder de compra do consumidor poderá cair se não houver recuperação significativa no início do próximo governo.



Por essas razões ponho a barba de molho com relação a boas notícias.



Para mim boa notícia mesmo seria o Governo e a cadeia produtiva reconhecer as dificuldades setoriais, e criação de um grupo de trabalho com especialistas para equacionar soluções  de forma a minimizar os problemas de curto prazo e criarem condições para um futuro mais promissor no médio e longo prazo.



Mas pela rejeição que teve a proposta de criação de um grupo de trabalho na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Leite e Derivados, estamos muito longe disso.



Marcello de Moura Campos Filho
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 09/05/2014

Marcelo,



Onde está a boa noticia?
CINCINATO MENDES FERREIRA FILHO

MONTANHA - ESPÍRITO SANTO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 09/05/2014

Bom dia, Marcelo muito bom artigo como outros de sua autoria, mas realmente as indústrias terão muitos desafios pela frente sem contar que o Brasil esta em um momento delicado politicamente e economicamente o que pode ser mais um fator para aumentar este desafio. Quanto ao fator qualidade vejo que temos que evoluir muito acredito que o melhor para setor seria uma política única de (Pagamento por Qualidade)qualidade, onde todos as empresas teriam os mesmos critérios.