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Um mês que pode mudar o setor

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 26/11/2007

9 MIN DE LEITURA

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O período que compreende a segunda quinzena de outubro e a primeira de novembro (mais precisamente, entre os dias 22 de outubro e 08 de novembro) pode vir a ser conhecido, no futuro, como um momento de mudanças significativas no setor lácteo nacional e internacional. Quatro fatos importantes ocorreram nesse período.

O primeiro fato - e que acabou obscurecendo os demais - foram os episódios de fraude de leite vindo a público. Pela primeira vez na história recente, o setor se viu exposto na mídia e frente ao consumidor de uma forma muito desconfortável, justamente em uma época em que a primeira está dia após dia mais presente e influente e o segundo se mostra cada vez mais exigente e preocupado com o que consome. Na ausência de uma estrutura (uma entidade ou um consenso de entidades) que permitisse uma rápida e consistente resposta, permitindo tranquilizar o consumidor e apaziguar o interesse da mídia, e na admissão pública do MAPA de que eram necessárias modificações importantes no sistema de inspeção, o setor se viu na incômoda situação de tentar explicar que o problema era localizado e não sistêmico, o que nem sempre foi bem sucedido.

Desse episódio, algumas constatações importantes. Primeiro, cada vez mais se paga, e caro, por erros ou pela negligência dos agentes em relação à qualidade e à conformidade dos produtos. Se alguém ainda tem dúvida, foi-se o tempo em que era possível ou aceitável conviver com conceitos distintos destes. Mais cedo ou mais tarde o consumidor descobre e o prejuízo será enorme. Isso me lembra uma pergunta que ouvi um dia: até que velocidade se pode dirigir na estrada, acima do limite permitido, sem ser multado? Em tese, a qualquer velocidade, desde que não haja policiamento ou radar. Cada vez mais os radares (da mídia, do consumidor, do governo, das ONGs) estarão presentes, tornando inconseqüente qualquer postura nesse sentido.

Segundo, ficou claro a necessidade das empresas em trabalhar o conceito de cadeia de valor. A empresa é responsável por aquilo que internaliza em seus produtos e, por isso, precisa garantir que seus padrões sejam estendidos para seus fornecedores. Afinal, são a sua marca e seu negócio que estão em jogo. São ineficazes, aos olhos do consumidor, argumentos do tipo "somos vítimas". Em um mundo onde cada vez mais se terceiriza a produção e em que o relacionamento entre empresas se intensifica e precede a colocação de produtos no mercado, cabe a elas desenvolver mecanismos de garantia de qualidade e demais práticas. A Nike, com a produção em condições sub-humanas na Ásia, como ocorreu no base, e a Mattel, com as Barbie com tintas tóxicas, exigindo recall milionário, que o digam. O leite, por aqui, também.

Terceiro, veio também à tona o conceito de responsabilidade corporativa e de coordenação setorial. Não basta a empresa "x" ou "y" ter boas práticas e deixar para eventuais concorrentes práticas duvidosas ou ilícitas. As empresas, principalmente as líderes, precisam ter um papel mais ativo, Isso ocorre por duas razões: a matéria-prima transita e cada vez mais transitará entre empresas, necessitando-se de um mecanismo consistente que melhore a qualidade, diminua os riscos de problemas como os verificados agora e aumente a oferta de leite de qualidade; e, ainda que a empresa "x" ou "y" tenha boas práticas, episódios como o verificado em outubro, caso ocorram com freqüência, contribuem para reduzir o valor do setor como um todo, comprometendo tudo aquilo que tem como base a matéria-prima leite.

É preciso, pois, uma ação setorial, ativa, no sentido de fornecer uma resposta da iniciativa privada, do setor de laticínios como um todo, mostrando que se preocupa com a garantia da qualidade e com práticas corporativas responsáveis, não necessitando do "policiamento" público da fiscalização para atingir esse objetivo. Conforme sugerido neste espaço no último mês, uma destas ações poderia ser a criação de um selo de qualidade, incluindo um código de conduta entre as empresas participantes que permitisse denunciar às demais caso detecte-se, no mercado "spot", leite de má qualidade ou suspeito de adulteração, reduzindo as opções de mercado deste produto. O selo não é uma jogada de marketing, como alguns assim o caracterizaram, mas sim um componente efetivo de auto-regulação, em que as empresas participantes concordam em se submeter a análises laboratoriais e auditoria externa que, ao final, são a garantia de que atuam da forma correta e de quem tem em si responsabilidade com o que produzem, independentemente das melhorias mais do que bem-vindas na inspeção federal.

Também, como desdobramento desse episódio, fica evidente a necessidade do setor de se coordenar para se comunicar. Aidan Cotter, CEO da Irish Food Board, colocou em seu último slide, em apresentação no World Dairy Summit, a seguinte frase, de C. Northcote Parkinson, que foi inclusive utilizada em nossa seção para pensar: "A falha em se comunicar corretamente abre um vácuo que é ocupado pela maldade, pela desinformação e pela bobagem". Poucas frases seriam mais adequadas do que essa, para explicar o momento pelo qual o setor passou nesses últimos 30 dias. Portanto, se sairmos desse episódio com ações consistentes da iniciativa privada de compromisso com a qualidade do leite e se, desse episódio, conseguirmos finalmente extrair as razões para a associação em prol da comunicação e do marketing, o episódio terá tido um final mais do que feliz.

O segundo fato relevante e que acabou sombreado pelo primeiro foi a aquisição da Eleva pela Perdigão, anunciado em 31/10. Quando a gigante de suínos e aves adquiriu a Batávia, em 2006, arrisquei uma previsão de que se tratava de um marco no setor (leia aqui), pois a Perdigão dificilmente investiria em lácteos para ficar em uma posição intermediária. Na época, escrevi que "pode não ser exagero dizer que a entrada da empresa do setor é equivalente, em termos de importância, ao próprio crescimento da Parmalat nos idos de 1990". Afinal, as perspectivas de crescimento do setor de lácteos no Brasil e no mundo, a sinergia em distribuição e marca e talvez a presença internacional da Perdigão representavam atrativos muito fortes para novos investimentos da empresa. Hoje, arrisco a dizer que minha previsão foi modesta.

A compra da Eleva, terceira maior processadora de leite do país e os próprios investimentos anteriores da Eleva (compra da unidade da CCL em Itumbiara e prestação de serviços por parte da CCL) colocam a empresa novata na segunda posição do mercado. Resta saber para onde o bicho vai correr. Não me surpreenderia se a Perdigão investisse no segmento de queijos - já possui, pela Eleva, a maior fábrica de queijos do país, sabe trabalhar com marcas fortes em alimentos sinérgicos, como embutidos e possui ampla distribuição, inclusive com cadeia de frio. Se isto ocorrer, arrisco aqui nova previsão: o segmento de queijos seria um antes e outro após a compra da Eleva. É esperar para ver, mas se estiver correto nessa previsão, o Brasil finalmente verificará o que outros já vivenciaram no segmento de queijos: concentração e estruturação crescente de negócios com foco no crescimento do food service, oferecendo soluções para clientes corporativos.

No mercado de longa vida, a compra da Eleva pela Perdigão e a melhoria da qualidade devem intensificar um processo de aquisições que, no final das contas, pode ser a única solução para melhorar a rentabilidade deste segmento que vive espremido entre gigantes extremamente competentes: o da embalagem e o varejista. Muitos segmentos trabalham com margens apertadas e nem por isso deixam de ser atraentes. Há, porém, necessidade de escala/marcas fortes, duas características que costumam faltar às empresas do setor, e um campo de concorrência nivelado quanto à qualidade. Por tudo isso, o crescimento da Perdigão no setor pode mudar o jogo de forças, inclusive forçando concorrentes a se movimentar também, caso queiram acompanhar a aposta da Perdigão. A Nestlé, por exemplo, anunciou logo depois que estaria estudando aquisições. (No exato momento em que escrevo esse artigo, recebo a notícia de que o grupo Bertin, gigante do setor de frigoríficos, anunciou a aquisição da Vigor, sendo mais um grupo de fora a entrar em lácteos).

O terceiro fato relevante, este a nível global, foi o anúncio da provável abertura de capital da Fonterra, líder absoluta com 30% das exportações mundiais de lácteos, que publicamos em 08/11. Tudo indica que a cooperativa neozelandesa irá abrir o capital e ter ações negociadas em bolsa, ainda que mantendo o controle com os produtores de leite. Com o tamanho atual da empresa e a necessidade de capitalização ainda superior para crescer, a cooperativa parece admitir que necessita de fontes externas para ter a musculatura necessária para continuar liderando no futuro. Esse episódio é relevante por dois aspectos: primeiro, analisando globalmente, se isso realmente se tornar realidade, teremos a líder mundial em exportação de lácteos - e que já tem presença global - sendo turbinada por mais recursos. No que isso pode resultar, ninguém sabe, mas possivelmente a empresa investirá em diversos países que tenham com condições de abastecerem os mercados mundiais nos próximos 20 ou 30 anos, considerando que as possibilidades de crescimento da produção na Nova Zelândia são limitadas em termos globais. Segundo, o porte da Fonterra e a possível abertura de capital remete à necessidade das cooperativas brasileiras de modernizar sua gestão e ganhar força, através de alianças ou do estudo de alternativas como a que está sendo estudada pela gigante neozelandesa, sob o risco de ficarem para trás, à medida que a barra de corte se eleva. Os investimentos da Perdigão, quando analisados sob essa ótica, colocam pressão adicional no setor cooperativista, que tem diante de si a necessidade de se revitalizar e investir para manter a participação.

O quarto fato foi a capitalização da Integralat (em 31/10), empresa criada pelo fundo Laep para investir em um sistema de integração no Pará, Maranhão e Rondônia, à semelhança do que existe em suínos e aves. A empresa conseguiu captar pouco mais do que a metade dos R$ 1 bilhão previstos, muito provavelmente fruto do lançamento de ações ter coincidido com os episódios de fraude envolvendo indiretamente o nome da empresa, certamente a mais prejudicada em termos econômicos nessa história toda. De qualquer forma, os valores captados são consideráveis e, caso seu projeto dê certo, poderá resultar em mudanças significativas no relacionamento entre os elos e na forma de gerar valor a partir da rede de fornecedores de empresas de laticínios. Os concorrentes certamente estão acompanhando de perto.

É realmente curioso. No espaço de pouco mais de 17 dias, o setor lácteo se viu perante a quatro fatos que, analisados sob a ótica do futuro, podem estar redefinindo aspectos cruciais no cenário dos negócios. Quais desses fatos realmente se converterão em mudanças significativas? É impossível dizer, mas uma coisa é certa: o setor lácteo intensificará o ritmo de mudanças, à medida que as perspectivas de crescimento se tornam favoráveis, mais capital de fora do setor é investido, mais o mundo se globaliza e mais o consumidor se torna exigente.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ANTONIO CLARET TORRES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 07/12/2007

Prezado Marcelo,

Sua análise é muito interessante e sugere conclusões acertadas em pressões diferentes via novos pesos para além das questões de "pura" logística da cadeia.

Porém, quando se fala na cadeia do leite não podemos esquecer a parte "primo pobre" - a porteira pra dentro -é lá que está o substantivo da oferta (seja em número ou qualidade ou regularidade). E não adianta desenharmos as "belezuras" de novos tempos e novos arranjos locais ou até internacionais. Se a produção (cotidiana, com chuva ou sem ela; que se "assenta" em dimensão biológica, natural, a qual não podemos controlar ao limite...etc...) não remunerar efetivamente e com sistematicidade (não só preços resultantes de conjunturas especificas) a cadeia continuará manca na sua estrutura, parte central da sua coluna não pode ficar excluída da acumulação de excedentes econômicos gerados no seu "continuum economico"...

Leite, no Brasil ainda se consome, pelo preço mais barato, pela facilidade da oferta massiva nas gôndolas etc.. E aqui não vou me esquecer da renda do brasileiro...

As mudanças do e no setor (como ocorre muito no Brasil - aqui para se regular ou fazer mudar alguma "coisa" operacional, faz uma nova lei) não podem continuar a vir via superestrutura; as verdadeiras mudanças, as mais consistentes, devem vir de dentro para fora... da produção... do lado de lá da porteira.

Meus parabéns pelas análises.

Um abraço e até mais ver;
Claret
CLARI PIEREZAN PEREIRA

VICTOR GRAEFF - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/12/2007

Caro Marcelo:

A perspicácia da abordagem e a tempestividade da mesma, são elementos importantes de subsídio para todos os segmentos envolvidos com a cadeia produtiva.

Não há dúvida que a entrda de uma empresa do porte da Perdigão, com sua logística extremamente eficiente, reflete um novo patamar no negócio lácteo. É plausível esperarmos que os padrões de qualidade do produto fornecido pelos produtores, seja aumentado? Afinal o mercado externo é a grande meta da empresa?

Parabéns pela síntese da análise.

Clari Pierezan Pereira
Técnico em Agropecuária
EMATER/ASCAR - RS

<b>Repsosta do autor:</b>

Olá Clari,

Obrigado pela carta comentando meu artigo. Acredito que sim, que a entrada da Perdigão pode contribuir para elevar os padrões de qualidade no setor, não só pela questão da exportação (afinal, a empresa terá no mercado interno seu principal objetivo), mas pelo fato de trabalhar com indústrias - aves e suínos - onde os padrões de qualidade já evoluiram muito.

Um abraço,

Marcelo
JULIANO SIMIONI

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 05/12/2007

Prezado Marcelo, você captou bem os acontecimentos em torno da cadeia de lácteos. Para mim isso é no mínimo preocupante na cadeia do leite. São transformações muito significativas que aniquilarão em pouco tempo muitas pequenas indústrias e os produtores ficarão na dependência de 3-4 empresas dominando a cadeia (os suinocultores e avicultores que digam o quanto isso é bom)

Soma-se mais um fato recente e importante, anunciado hoje: a possível compra da Perdigão pela Kraft.

Serão 3-4 gigantes (todas de capital estrangeiro) explorando os "brasileirinhos" produtores de leite. (E tem quem acha que isso vai ser bom).

JOSÉ DE RIBAMAR DA SILVA PIMENTEL

REDENÇÃO - PARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/12/2007

Se o produtor de leite fosse mais instruído sobre os benefícios do cooperativismo, talvez existissem mais cooperativas sérias beneficiando o produtor do que empresas o explorando.
MARCELO PASSOS SALES

EXTREMOZ - RIO GRANDE DO NORTE - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2007

Marcelo, o artigo é esclarecedor e segue como dito a tendência da verticalização observada na economia como um todo. O que é de impressionar é o fato de que todos os eventos não materializam ganhos concominantes junto à classe produtora no longo prazo e que a cada dia, nós produtores, perdemos a capacidade de investir e propriamente sobreviver com dignidade em uma atividade que requer dedicação 24 horas.
JOÃO FRANCISCO S. VAZ

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 03/12/2007


Olá Marcelo.
Parabéns pela qualidade do artigo.
Fica evidente que poucas atividades Agropecuárias poderão proporcionar lucro e rentabilidade para pequenos,médios e grandes produtores em grande parte do Brasil,como o Leite.
O que se dizia agora está se consolidando: o Brasil vai incomodar muita gente no Mercado Mundial de Lácteos.
Precisamos perseguir "qualidade e seriedade".
O Rio Grande do Sul já comprou a idéia e as ações já começaram.
Ganharemos todos.
Nem tudo está perdido.
Abraço
CHRISTINO AUREO DA SILVA

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 01/12/2007

Prezado Marcelo,

Parabéns pela abordagem. Isenta e muito bem focada. A profissionalização e a segmentação de todos os elos dessa cadeia são elementos fundamentais para que se demonstre a existência de espaços para todos os portes de empreendimentos, desde o produtor (elo fundamental) até os grandes conglomerados (frutos das estratégias referidas), passando pelas cooperativas e laticínios de portes intermediários.

Aproveito para reforçar o convite a todos os amigos apaixonados como nós pelo leite para estarem presentes no Congresso Internacional do Leite promovido pela EMBRAPA Gado de Leite, com o apoio do Governo do Estado do Rio e de vários outros parceiros (inclusive e especialmente MilkPoint), nos dias 4, 5 e 6 de dezembro (esta semana, portanto), na nossa querida cidade de Resende (sul do estado do Rio de Janeiro). Aguardamos a todos de braços abertos.

Forte abraço,

Christino Aureo.
ANTONIO DIMAS CABRAL

CAMPINA GRANDE - PARAIBA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/12/2007

Muito bom seu artigo, parabéns. Aqui no Nordeste e mais precisamente na Paraíba estamos engatinhando, mas precisamos crescer, e é com estas análises que acreditamos sobrará um pouquiho para nós.
MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/11/2007

Parabéns, Marcelo, pelo brilhante artigo.

Nosso setor nessecita de pensadores e colaboradores deste gabarito, as mudanças são muito repentinas para qual a grande parte dos nossos produtores não está preparada.

Está aqui acontecendo o mesmo que na Europa, fica muito difícil o cooperativismo concorer no mercado com indústrias e grupos de capital aberto, pios a maior cooperativa está abrindo as portas para o capital aberto.

Podemos somente nós, produtores, sermos, como tenho repetido, altamente profissionais para poder permanecer fornecendo produto e ótima qualidade.

Tenham todos do MilkPoint e seus leitores um Feliz Natal e Um Próspero Ano Novo.
ZANONE CAMPOS

LAGOA SANTA - MINAS GERAIS

EM 29/11/2007

Marcelo,

Você foi de muita felicidade com os seus comentários e conceitos e com coerência retratou o momento do mercado , do setor, da opinião pública e, sinalizou , com muita propriedade os novos rumos possíveis do setor.
Como acredito que as previsões são otimistas ou pessimistas e, sei pelos meus próprios erros que não se acerta sempre; Resoví adotar o cenário otimista.
Um abraço e parabéns

Zanone Campos

ANDRE LUIZ ALVES DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/11/2007

Caro Marcelo,

Sempre leio os seus artigos e mais uma vez estou aqui, após esta boa leitura, refletindo,pensando e acreditando que o nosso BRASIL tem tudo para ser um grande produtor de ALIMENTOS. Vamos continuar a trabalhar com seriedade e exigir o mesmo das empresas e do governo.

PARABÉNS...

André Luiz - ALAS
ANDRÉ LUIZ COKELY RIBEIRO

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/11/2007

Marcelo,
Como você sabe sempre elogiei seus artigos, não será diferente com este. Quero neste momento compartilhar a felicidade de estarmos vivendo estas MUDANÇAS no setor. Desde 1999 presto consultoria na pecuária leiteira na região de Frutal-MG, e sempre acreditei num momento com este, com modernização da cadeia, mercadologicamente falando, aplicando índices como CONSELEITE, CEPEA, MILKPOINT, SCOT, etc., para comercializarmos o produto e fugirmos da "mortal incerteza do amanhã", como comentou o caro leitor Helvécio Vaz de Oliveira. Estamos hoje nesta realidade, paralelamente a 2,5 anos de Projeto Educampo com um grupo sólido, profissional, consciente e principalmente comprometido com o CRESCIMENTO, individual e global. Parabéns a este grupo de produtores, o qual eu tenho um enorme prazer e orgulho de coordenar.
Para você desejo que continue nesta caminhada firme, forte e rígido. Precisamos de gente assim. Obrigado.
Abraços e uma excelente passagem de ano.
André Cokely.
JUAN IGNACIO PEYROU SOARES DE LIMA

MONTEVIDEO - MONTEVIDEO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/11/2007

Marcelo: muy buen informe. Felicitaciones. En Uruguay asistimos a un fuerte desembarco de empresas brasileñas que se intensificó en el último año. Frigoríficos, molinos arroceros, bancos, supermercados, etc. Conocer las estrategias y las modalidades de desarrollo de esas empresas resulta muy necesario para posicionarse en Uruguay. En ese sentido, encontré muchas pistas y muchas motivaciones para seguir investigando, sobre esas empresas como Bertin, o Sadía, que desde la carne van para la industria láctea.
Un abrazo
EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/11/2007

Parabéns, Marcelo Carvalho,

Que o próximo passo seja a transformação do leite em um commodity de peso, tal como ocorre com outras commodities como a soja, o milho, o petróleo dentre outras, cujos valores são negociados em bolsas de mercadorias e futuros, bolsa de valores.

O primeiro passo já foi dado pela gigante FONTERRA com sua abertura de capital ainda que limitada a 30%. Estamos vendo grandes conglomerados como Bertin e Perdigão ingressarem pesado no setor lácteo, empresas que não jogam para perder e que só irão contribuir para acelerar o processo de profissionalização e expansão de nosso setor.

Concordo com o Marcelo, estamos diante de um divisor de águas ou melhor diante de um "divisor de leite". Que assim seja, e que os bons ventos deêm ao nosso setor a importância que merece e que toda a cadeia leiteira ganhe com estas mudanças que estão ocorrendo.

Eduardo Amorim
ALAN ISSA RAHMAN

CARAZINHO - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/11/2007

Muito bom artigo, realmente relata uma revolução no mercado do leite, em termos empresariais, industriais, negócios, enfim, muitas vezes até dificil de acreditar, pois quando convivemos com a realidade do campo com produtores ganhando em média R$ 0,45, fica difícil de conceber esses negócios de bilhões na mesma cadeia produtiva. Espero que com o aumento do números de indústrias no mercado o preço do leite pago ao produtor tenha um preço que permita investimentos e a viabilidade a longo prazo na atividade, e que a renda não fique retida apenas na indústria, que possamos trabalhar com um preço estável e seja garantido um preço minimo para a feição de investimentos a serem pagos a longo prazo. Até porque este aumento na produção do país irá para fora, exportação, e certamente as exigências em termos de qualidade e barreiras sanitárias irão acontecer e o produtor só poderá trabalhar de maneira mais técnica e usando tecnologias se tiver renda para isto.
GUILHERME TOSETTO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 28/11/2007

Ótimo artigo. Retrata muito bem a realidade do setor no país. Parabéns!!
HELVECIO OLIVEIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 28/11/2007

Aos moldes do que ocorre com a abertura na bolsa de empresas imobiliárias, o capital, que não necessita pátria, incentiva adeptos de investimentos uma vez que representa garantias de execução dos pleitos. Se desejo um apartamento e uma firma construtora me apresenta o projeto e mostra o dinheiro provando que eu terei o apartamento na época certa será um grande estímulo para a compra.
Se uma grande indústria de laticínios está capitalizada, pode incentivar o produtor e sua cooperativa a ampliarem seus negócios, e por sua vez, estes poderão pleitear CONTRATOS de fornecimento e deixar de lado a mortal incerteza do amanhã. É um estímulo para projetos bem feitos e aprimoramento de gestão. Vejo com bons olhos.

Parabéns pela análise Marcelo.
ARLINDO JOSÉ MOURA DE ALMEIDA

ALEGRIA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/11/2007

Tem fundamento falar em Normativa 51, etc, como forma de garantir qualidade do leite já na propriedade, quando empresas "x" e "y" no processo industrial, não tem escrúpulos?

Até é de estranhar que essa briga "de lobos" tenha sido externalizada! Certamente os interesses comerciais são parte desse fato. Ouve-se: "foi bom pro consumidor"!

Bom seria se cada consumidor que adquiriu qualquer volume de leite ou derivado, tivesse como processar essas empresas que adicionaram produtos químicos e, inconsequentes, colocaram a vida das pessoas sob risco.

Mas quanto maior a empresa, menor o controle. Por dificuldade de fiscalizar, ou mesmo pelo seu poder econômico, influente.

De qualquer forma, valeu a experiência vivida e ficou a lição de que (grande) quantidade (tamanho de empresa) não é sinônimo de qualidade. Aliás, pode ser inversamente proporcional.

Então, Marcelo, parabéns pela análise e visão do mercado, mas especialmente pela abordagem sobre a fraude no leite e outros absurdos de grandes empresas.
Abraço!
AIRDEM GONÇALVES DE ASSIS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 27/11/2007

Prezado Marcelo,

Excelente o seu editoral! Ao mesmo tempo que alerta para os riscos do amadorismo no agronegócio do leite, sinaliza para os novos investimentos e oportunidades que exigirão maior profissionalismo do setor de leite & derivados nacional.

Parabéns.

Airdem
FERNANDO AFFONSO FERREIRA

ITABUNA - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/11/2007

Parabens Marcelo, muito lógico e coerente seu raciocinio. Dinheiro novo no mercado do leite é sempre bem vindo. Infelizmente o produtor não terá como capitalizar suas cooperativas.
MilkPoint AgriPoint