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Harmonia na cadeia do leite: até onde é possível ?

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 14/11/2002

3 MIN DE LEITURA

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Um dos temas mais discutidos nos últimos tempos é a relação entre os chamados elos da cadeia do leite, produção, indústria e varejo. A razão desse assunto estar em evidência é o fato de, após a saída do governo da regulamentação da atividade, as relações terem se tornado um tanto intempestivas entre esses elos. O produtor esteve, principalmente a partir de 1991, quando a livre negociação tomou lugar do tabelamento de preços, em conflito constante com a indústria. Já esta última tem travado uma briga de foice com seus clientes, especialmente as grandes redes do varejo, cujo poder de negociação tem aumentado significativamente.

Entre o produtor e a indústria, foco de nosso comentário dessa semana, pode-se dizer que o setor ainda não encontrou uma solução que permita alguma estabilidade de preços ou, ao menos, de relação de parceria entre os elos. As CPIs ainda estão frescas na memória de todos e o temor de manipulação de preços por parte da indústria, forçando reduções quando não há motivo para tal, continua assombrando quem produz leite.

No entanto, alguns fatos relativamente novos ensaiam uma tentativa de aproximação entre esses dois participantes fundamentais da cadeia do leite. O primeiro é a elaboração de contratos entre produtores e indústrias em Goiás, por intermédio de sindicatos e associações de produtores. Embora o que motive a assinatura desses contratos por parte da indústria não seja propriamente a intenção de harmonização na cadeia, mas sim a perda de benefícios fiscais para quem não assinar (ou seja, é meio "na marra"), e embora esteja sendo travada uma queda de braços entre os produtores e a principal empresa compradora de leite, que não quer assinar contratos com grupos de produtores e que, com isso, está emperrando as negociações, não há como negar que se trata de um começo, que pode vir a resultar em uma maior integração à medida que as armas vão sendo baixadas e as relações vão ficando mais transparentes.

O outro fato digno de nota é a formação do Conseleite, no Paraná. Trata-se de um Conselho Paritário entre produção e indústria, com o objetivo de acompanhar o mercado de leite e o custo de produção, visando dar maior transparência às relações entre indústria e produtor no Paraná. Talvez, hoje, o Paraná seja o estado da federação cuja cadeia do leite está mais amadurecida. Pelo menos é o que vem provando com seu crescimento constante na década passada e com iniciativas como essas. Vale notar que o Paraná foi um dos estados onde a CPI do leite foi mais a fundo (aliás, terá esta iniciativa sido um reflexo direto da CPI ?). Também, tem atuação destacada de vários parlamentares que conhecem e participam da cadeia do leite, coisa relativamente rara entre os componentes da bancada ruralista. Enfim, sem participar muito do noticiário, o Paraná vem fazendo a lição de casa e pode servir de exemplo para o país.

Por fim, nota-se cada vez mais nas discussões a necessidade, ou ao menos a oportunidade, de se criar um fórum nacional permanente, onde serão discutidas as grandes questões que afetam a cadeia do leite e onde terão assento representantes dos diversos elos e do governo, este atuando como um mediador.

Certamente tudo isso está em seu início e pode não dar em nada, com as relações entre produtor e indústria permanecendo instáveis por muito tempo ainda. Porém, talvez seja a hora de acreditarmos em avanços. Afinal, a instabilidade e a desconfiança dificultam o planejamento das indústrias e limitam investimentos por parte dos produtores, o que resulta em produção aquém do necessário, retomada das importações e perda de oportunidades no mercado internacional, o que acaba por prejudicar a todos.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ARNALDO BANDEIRA

CURITIBA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/11/2002

A busca dessa harmonia deve ser prioridade para todos os agentes do agronegócio do leite. O objetivo maior deve ser a competitividade da cadeia produtiva no seu conjunto e não necessariamente de um ou outro agente isoladamente. Desde o final de 1999 temos vivenciado uma experiência interessante na comercialização de leite. Mantemos contrato de fornecimento para oito empresas (iniciamos com três) e apesar de altos e baixos neste relacionamento, podemos dizer que estamos construindo um relacionamento muito positivo entre produtores e indústrias. Nosso compromisso principal neste relacionamento é buscar o preço justo (para criar valor para nossos produtores) e ofertar produto com qualidade e com serviços (para criar valor para nossos clientes). Assim, esperamos criar e sustentar relacionamentos comerciais fortes e duradouros. Arnaldo Bandeira - Pool Leite ABC.