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Dairy Partners Americas sinaliza os novos tempos no setor de lácteos

Estamos há 1 mês do início formal da DPA - Dairy Partners Americas, a joint-venture entre Nestlé, líder mundial em alimentos, e a Fonterra, que processa quase a totalidade do leite da Nova Zelândia, tem grande experiência e penetração no comércio internacional de lácteos e é uma das empresas com maior tecnologia na área de ingredientes lácteos de alto valor agregado. O assunto tem sido comentado na mídia, mas sem muita profundidade, mesmo porque as informações disponíveis ainda não permitem uma análise mais aprofundada do que a DPA pode vir a representar para o setor no Brasil e nas Américas, além do fato da joint-venture ainda não ter começado a operar, o que obviamente limita as análises a projeções e expectativas.

A nova empresa, cuja atuação inicial se dará na Argentina, Venezuela e no Brasil, pretende faturar R$ 1 bilhão em seu primeiro ano de operação no Brasil, através do seu braço brasileiro, a Dairy Partners Americas Brasil (DPAB). Para se ter uma idéia do porte da empresa, basta dizer que a Parmalat, no ano passado, teve faturamento de cerca de R$ 600 milhões. Ou seja, a DPAB já nasce 67% maior do que a Parmalat e, inclusive, já sinalizou que a briga de mercado será forte com a multinacional italiana.

A DPAB ficará responsável pela captação de leite, fabricação de alguns produtos lácteos, como leite em pó, achocolatados prontos para beber e creme de leite, além da produção, comercialização e distribuição de produtos refrigerados (iogurtes, sobremesas e leite fermentado). Queijos e manteiga não fazem parte do acordo. A Fonterra incorporará à sociedade parte de sua tecnologia na produção de ingredientes lácteos e sua presença internacional nesse mercado, ao passo que a Nestlé repassará sua captação e utilizará seus canais de distribuição.

Com isso, no Brasil a Nestlé deixa a captação (deverá transferir 2 mil funcionários para a DPAB, bem como as fábricas de Ituiutaba (MG), Itabuna (BA), Araras (SP), Barra Mansa (RJ), além de Goiânia, Rialma e Jataí, em Goiás) e se concentra no que realmente lhe interessa: o relacionamento com o mercado, a construção de marcas ainda mais fortes e a ampliação do seu market share nas diversas áreas de atuação.

A Dairy Partners Americas deverá usar leite fresco comprado localmente, mas deve utilizar ingredientes adicionais vindos da Nova Zelândia. Esses produtos serão fornecidos pela NZMP, braço da Fonterra que vende leite em pó, ingredientes lácteos especiais e leite em pó especialmente formulado para ser usado em outros produtos, como iogurtes.

Com a DPA, a Fonterra se estabelece definitivamente em uma das regiões mais promissoras para o crescimento da produção e do consumo de lácteos, tendo como carro chefe o Brasil. A empresa neozelandesa, que tem feito investimentos estratégicos em diversas regiões do mundo (EUA, Índia, Europa) não poderia observar de longe a região que, provavelmente, apresentará o maior dinamismo nos próximos anos em produção de leite. Além do potencial de crescimento da produção e do consumo, a iminente formação da ALCA, reorganizando o comércio entre os 34 países das Américas, faz com que a Fonterra, cuja pretensão é se tornar um dos 3 maiores players globais de lácteos, agilize seus planos para o continente e evite ficar de fora da festa.

O acesso aos mercados é ponto-chave dessa jogada. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, disse recentemente que "o acordo é uma forma de permitir que a Fonterra passe as barreiras tarifárias para trás na América já que, como um fornecedor "local", a empresa conseguirá os mesmos benefícios das empresas que já atuam neste mercado". Em mercados altamente protegidos e com grande potencial, como os EUA, essa questão ganha importância, mas claro que os benefícios se estenderão a todos os países da região, Brasil incluído. Parece lógico que, a partir da captação da produção de leite local, a Fonterra ganhará um canal garantido para comercializar ingredientes lácteos, que possuem alto valor agregado e que viriam da Nova Zelândia, por exemplo.

A Nestlé, por sua vez, ganha um parceiro de peso, que complementa sua atuação e, ao mesmo tempo, deixa de ganhar um concorrente, que vem ensaiando sua entrada no mercado brasileiro há tempos (lembrem-se da compra mal sucedida da Vigor).

É necessário aguardar para ver o que de fato acontecerá a partir do funcionamento efetivo da DPA. Porém, pela dimensão, atuação global e agressividade comercial das empresas envolvidas, tudo indica que a DPA marcará definitivamente o setor lácteo brasileiro. Os concorrentes que se cuidem.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2002

...os concorrentes que se cuidem... e os produtores de leite também.
Os custos de produção do leite na Nova Zelândia, da ordem de US $0.13, não diferem muito dos obtidos pelos melhores produtores no Brasil (R$ 0,47). Desta forma, não haveria o risco da importação de uma grande quantidade de leite para o mercado brasileiro em detrimento da produção local.

No entanto, com relação à estratégia de comércio internacional, existe uma grande diferença entre a importância do leite para o Brasil e para Nova Zelândia. Para este último, o leite é o principal produto da sua pauta de exportações, ao contrário do Brasil, que por parte das autoridades governamentais, nenhuma atenção dedica à produção de leite.

Nesta diferença está a potencial ameaça aos produtores de leite brasileiros, advinda da criação da DPAB.