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A transformação por que passa o leite no Brasil

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 22/08/2013

8 MIN DE LEITURA

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Na palestra de abertura do Interleite Sul, em Passo Fundo, o norte-americano Mark Stephenson deu uma palestra simples, mas brilhante. Nela, abordou as mudanças na produção de leite no mundo e, em especial, nos Estado Unidos.

Um dos pontos que mencionou foi que a produção nos EUA tem crescido, principalmente nas regiões em que o produtor produz o próprio alimento – grãos inclusive. Muitos produtores estão investindo em mais terras para produzir comida para as vacas, com o objetivo de ficar imune às altas de preços das commodities, que minam a competitividade de um sistema com alto custo variável como o norte-americano.

Como contraponto, regiões onde há extrema especialização, nas quais o produtor compra tudo - inclusive parte ou a totalidade do volumoso - têm tido enormes problemas de competitividade. O exemplo mais evidente é a Califórnia que, para complicar, é exportadora de leite e, portanto, estando na costa oeste, tem um preço mais baixo do que os demais estados que estão mais próximos das regiões de maior consumo, no leste.

Esse processo de deterioração econômica do leite californiano tem diversas origens (questão ambiental, por exemplo), mas pode-se afirmar que o fator que vem selando o destino da região é a elevação das cotações dos grãos, seja por problemas climáticos recorrentes, seja pela política de produção de etanol a partir de milho nos EUA.

Questionei o professor Stephenson dizendo que, economicamente, não fazia sentido no longo prazo essa situação – afinal, o custo de oportunidade do milho ou da soja precisa ser considerado. Em outras palavras, há um problema se o que faz o produtor de leite ganhar dinheiro é o fato de produzir a própria soja ou milho – por que não vender essa produção agrícola, já que o que dá dinheiro é a diferença entre o custo de produção do grão e o seu preço de mercado? Não faz sentido transformar o produto em leite para conseguir o resultado que seria alcançado apenas com a agricultura.

Ele concordou comigo, dizendo que em algum momento essa conta teria que ser paga.

Deixemos os Estados Unidos e vamos para Castro, PR. Na semana passada, estive presente na Agroleite, principal exposição leiteira do país, e que cresce a cada ano. Conversando com empresas de máquinas e equipamentos, fica evidente que alguma coisa está acontecendo no país e que vai além do bom momento de preços. Há gente investindo, inclusive empresários de fora do setor lácteo; há novos projetos com escala; há todo um pacote tecnológico que antes era muito raro de ser adotado. A ordenha robotizada do produtor de Castro despertou enorme interesse e é um sucesso. Sinais dos novos tempos!

Estou na atividade há 20 anos e me acostumei com a ladainha de reclamações e com a resignação de que o leite é o patinho feio da agropecuária. Claro que as médias de produtividade ainda são muito baixas, que o módulo médio de produção é insuficiente para proporcionar renda mínima a um cidadão e que o momento atual pode confundir alguma euforia momentânea com mudanças estruturais mais significativas. Mas, arrisco-me a dizer que há uma mudança em curso. Conversando com um cliente nosso de longa data, a impressão é a mesma: finalmente está profissionalizando, disse ele. O que está ocorrendo?

No passado recente, o produtor profissional (com o perdão do termo; entenda-se como aquele que investe na atividade, que procura tecnologia adequada, etc) tinha que competir em um cenário em que 1) qualidade não era valorizada; 2) os custos de oportunidade da mão-de-obra familiar e da terra não existiam (na produção de leite de grande parte do país).

No que se refere ao primeiro item – qualidade – a melhoria ocorreu, embora não ainda na intensidade que deveria. Já no segundo item, o aumento do salário mínimo e da taxa de emprego fez com que o custo de oportunidade do trabalhador se elevasse.

O gráfico 1 mostra a evolução do preço do leite e do salário mínimo desde 1994. De forma aproximada, o salário mínimo subiu o dobro do valor do leite. Isso quer dizer que, um produtor que tem a opção de trabalhar para terceiros, precisará dobrar a produção nesse período para que continue a ganhar um salário mínimo (considerando a mesma lucratividade), caso contrário, será mais negócio exercer seu custo de oportunidade e ir fazer outro negócio.

Gráfico 1. Preço do leite e salário mínimo, valor nominal (índice 100 para 1994). Fonte: Cepea/USP e IBGE


O mesmo raciocínio vale para a terra. Com o aumento dos preços dos grãos, a partir de 2007, com os investimentos em cana-de-açúcar e silvicultura em algumas regiões, o valor da terra subiu de forma considerável (gráfico 2), gerando custos de oportunidade mais elevados do que antes. Assim, para manter o leite competitivo seria necessário elevar a produtividade da área, aumentando os gastos variáveis (insumos) para que a receita por área fosse compatível com os novos valores da terra, caso contrário, seria mais negócio arrendar a propriedade, desenvolver outra atividade agrícola ou mesmo vender a terra (principalmente quando há problemas de sucessão rural na família).

Gráfico 2. Aumento do preço médio da terra, em R$/ha (fonte: FNP/Estado de S. Paulo)


Vamos pensar em um exemplo prático, supondo 2 produtores, um produzindo 3.000 litros/ha/ano e outro 15.000 litros/ha/ano. Vamos supor 2 preços da terra: R$ 3.000/ha e R$ 10.000/ha. Vamos ainda supor 15% de margem de lucro em ambos as fazendas e nos hectares valorados nas duas situações. Por fim, vamos supor diferentes níveis de investimento por área, incluindo o valor da terra: R$ 7.000 no caso da menor produção e hectare mais barato; R$ 23.000 no caso da maior produtor e terra mais barata; R$ 14.000 no caso da produção mais baixa e terra cara e R$ 30.000 no último caso: alta produção (mais vacas, mais equipamentos) e terra mais cara (hectare mais caro). 

Os dados de rentabilidade estão na tabela 1. Percebe-se que, com hectare barato, mesmo a produção menor dá uma rentabilidade de 5,0% ao ano (obs: dados meramente figurativos, com o intuito de comparar os diferentes cenários); já o produtor com 15.000 litros/ha vai ter uma rentabilidade do capital 52% maior (7,8%), além de lucrar 5 vezes mais por hectare.

O que ocorre, porém, se o hectare vale R$ 10.000? O produtor com 3.000/litros/hectare terá uma rentabilidade pífia – 2,5% ao ano, contra 6,0% do produtor mais produtivo – 233% a mais.

O resultado é que, nessas condições, o produtor extensivo (isto é, alto custo fixo e baixo custo variável) deixará a atividade em algum momento – ou se tornará um produtor intensivo.

Fazendo um paralelo com a palestra do professor Stephenson, refleti que um dos possíveis direcionadores da mudança é que justamente o custo de oportunidade da mão-de-obra e da terra passaram a valer mais.

Explicando melhor: durante muito tempo, o setor cresceu sem remunerar o custo de oportunidade desses fatores. É aquela situação em que a conta econômica dá prejuízo, mas o produtor continua lá – e muitas vezes crescendo. Ele não está remunerando direito seu trabalho (ou o da família), não tem alto custo de oportunidade da terra e, portanto, pode viver com baixa tecnologia, sem investimento em insumos, baixa escala e baixa produtividade. Certa vez, o Dr. Eliseu Alves, da Embrapa, disse algo assim: “se você chega em uma região e ela é atrasada, é porque não teve necessidade ou estímulo para ser diferente”. Pois era o caso de grande parte da pecuária de leite e ainda é o caso de uma parte dela – cada vez menor em volume, mas ainda significativo no total – daí a diminuição do número de produtores e sucessão rural ser um assunto quente de norte a sul.

O gráfico 3, do IFCN, com dados de 2011, ilustra como o custo de oportunidade nem sempre é remunerado. As fazendas brasileiras BR-25SE e BR-100SE representam fazendas com 25 e 100 vacas, respectivamente, no Sudeste. No caso da fazenda de 25 vacas, o preço do leite é maior que o desembolso efetivo, mas não cobre os custos de oportunidade do trabalho, do capital e da terra. Desta forma, considerando que tem (tinha) muita gente nessa situação, representando volume grande de leite, o produtor que remunera tudo isso vai competir em pé de desigualdade. A situação é, na verdade, ainda pior. Se ele tem escala, terá que contratar gente e trocará custo de oportunidade por desembolso, sem choro nem vela – terá alto custo variável. Na prática, é como você querer ganhar dinheiro se tem um monte de gente “disposta” a fazer o mesmo de graça.

Gráfico 3. Preço, custo-caixa e custo de oportunidade (fonte: IFCN, 2012)

Pois essa era a realidade do leite. Arrisco-me a dizer que houve uma grande mudança e que, hoje, não tem mais tanta gente disposta a trabalhar de graça, ou quase isso. 

O que ocorre é que, com a alta do salário mínimo, com a urbanização crescente, com a taxa de emprego em níveis elevados, com as comodidades da vida moderna como internet e baladas que atraem o jovem, o custo de oportunidade passou a valer mais. Se não for remunerado adequadamente, não haverá leite. É justamente essa a realidade crescente em diversas regiões do país, para não dizer em todo o país.

Em resumo, o fator por trás da referida profissionalização é que os preços têm sido mais altos ao longo dos anos, resultado dessa transição silenciosa que ocorre no campo, chamada custo de oportunidade da terra e do trabalho (gráfico 4 – preços do leite corrigidos pela inflação – tendência de alta).

Nesse cenário, independentemente de momentos de alta ou baixa, investir no leite compensa quando explorado de forma profissional, utilizando com eficiência os recursos produtivos. Diante disso, é possível que estejamos assistindo ao início de um processo que irá transformar a atividade.

Gráfico 4. Preços médios do leite, corrigidos pela inflação (Fonte: MilkPoint, a partir de dados do Cepea/USP)


Tabela 1. Simulação de rentabilidade de dois produtores com produtividades e e valor da terra distintos



 

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ADIR FAVA

MURIAÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/09/2013

Parabéns, Marcelo. Gostei muito do seu texto.

Um artigo como este é o que o setor de leite precisa. Trata-se de uma enorme contribuição porque mostra como se deve fazer as contas, como obter resultados que possam nos mostrar onde estamos e para onde devemos ir.

Estou altamente convencido que o produtor de leite deve fazer o possivel para melhorar a qualidade do leite que produz, mas deve também melhorar muito a sua forma de trabalhar. Uma coisa depende da outra. Isto você mostrou com muita clareza e sabedoria. Parabéns!!!
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/09/2013

Prezado Marcelo Pereira de Carvalho: Parabéns por mais esta brilhante lição. Meu olhar sobre o setor mais se solidifica quando, analisando suas belas anotações, descubro o que já venho pregando, há longo tempo: o produtor do futuro que não for profissional, não tiver escala de produção, qualidade e volume individual alto (rebanhos pequenos e com capacidade produtiva individual alta são o futuro), não ficará no setor, a não ser por diletantismo (e, caro, diga-se de passagem).

Deflui daí que, com  o encarecimento natural das terras e o aumento do preço da mão de obra, a concentração de rebanhos confinados tenderá a ser, cada vez mais, acentuada e exigirá mais e mais leite por unidade de produção.

Este não é um fenômeno nacional, outras potências mundiais do leite, como os Estados Unidos da América, já passaram por isso. Agora, parece que chegou a nossa vez.

Não se olvide, no entanto que, se para nós que já nos encontramos em regime de escala de produção, muito embora incipiente, já se tem tornado difícil a caminhada, imagine para aquele que ainda teima em produzir pouco, com muito rebanho e muito pasto?

É hora de acordar, antes que seja deveras tarde (e, não se iludam, já está entardecendo).

Um abraço,





GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

http://www.fazendasesmaria.com

MARCELO DE REZENDE

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/09/2013

Caro Marcelo,



Parabéns pelo artigo!



Para os técnicos que atuam no campo é difícil mensurar o quanto impactos relacionados aos mercados, especialmente naquilo que acontece fora do país, interferem no dia a dia do produtor comum, ou seja, aquele que vive da atividade e que depende de seu esforço e eficiência para continuar a atividade. Obviamente que estes impactos existem e de alguma forma terão consequência sobre a vida destes produtores.

Na prática sabemos que todo bom produtor de leite é também um bom agricultor, essa lógica se faz cada vez mais necessária frente as necessidades de se alimentar vacas com comida boa e de preço compatível com os preços de leite pagos pelo mercado.

Mas ainda que não tenhamos a percepção exata do que estas mudanças causam efetivamente na vida destes produtores, é inegável que vivemos um período de transformação na pecuária leiteira do Brasil, talvez pouco sentida para aqueles produtores cujas possibilidades de melhoria dependem basicamente de preços (de leite e de insumos), mas de grande impacto sobre a vida da grande maioria dos produtores brasileiros, cuja atividade demanda escala, conhecimento e eficiência, e que estão cada vez mais pressionados pela necessidade de remunerar o capital investido na atividade frente a nova realidade econômica do país.

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 29/08/2013

Obrigado Jair, Luziano, Murilo e Roberto,



Dois aspectos relevantes colocados pelo Roberto: a conjuntura afetando a análise estrutural, de mais longo prazo; e a dependência e descolamento de preços entre os insumos (grãos principalmente) e o preço do leite.



Momentos de alta e baixa irão sempre ocorrer (mesmo nos EUA, com produção mais tecnificada, há momentos em que a rentabilidade cai muito); acho, porém, que existe uma mudança estrutural. Estamos finalizando um levantamento com a Leite Brasil, junto a 45 laticínios, e o número de produtores representando uma amostra de 30% do leite inspecionado é muito diferente dos 1,1 milhão. Esse processo que vem sendo delineado há quase 20 anos, desde o Censo de 1995/96, passando por momentos de crise, de euforia, de estabilidade, etc. Por isso, acho que a análise é consistente mesmo no momento de certa euforia, embora reconheça que há o risco de um refluxo quando as coisas esfriarem.



Em relação ao descolamento de preços entre grãos e leite, esse é um ponto muito relevante e vimos no ano passado como isso pode afetar a rentabilidade. À medida que aumentamos a dependência de grãos, esse risco aumenta; na produção a pasto, o risco maior é climático; no confinamento, é de preços (do leite e insumos). Novamente os EUA seguem na frente nisso: é possível que aprovem aquela nova política pública que garante uma rentabilidade mínima ao se considerar não mais o preço mínimo, mas a receita menos o custo de alimentação. Além disso, o produtor em tese poderia comprar um seguro maior.



Além disso, mercados futuros para leite (embora ainda pouco utilizados por lá), contratos de longo prazo, e contratos futuros de soja e milho fazem parte do pacote para reduzir esse risco, além, claro, da mencionada produção de grãos na fazenda.











ROBERTO JANK JR.

DESCALVADO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/08/2013

Marcelo, voce fez uma ótima análise do momento atual e tendencias futuras.

Preocupa-me apenas o fato dessa análise surgir nesse contexto de custos e preços de leite, muito favorável, e que pode nos levar a uma euforia infundada.

É verdade que seu custo de oportunidade está aumentando mas, ao contrário da pequena produção, com o aumento da escala a mão de obra torna-se um custo pouco importante, que representa entre 5 e 8% do custo total.

Porém muito mais grave me parece ser a interdependencia que  a produção mundial de leite  tem, hoje, do "drought monitor " e suas consequencias na bolsa de Chicago para milho e soja, inclusive pela atuação dos fundos especuladores em derivativos. Todas as outras commodities seguem amarradas nessa referencia de preços e os reflexos positivos ou negativos são amplos e globais, como vimos em 2012.

O efeito das commodities (que representam entre 50 e 60% do custo), principalmente considerando-as no valor de mercado e não de custos, como voce bem colocou ao palestrante, é muito mais relevante que o custo de oportunidade da mão de obra e acredito que isso tambem seja verdade nos EUA..

Por essa ótica, uma situação de preços baixos e custos altos como foi o segundo semestre de 2012, inviabiliza qualquer viés profissional, tecnologico ou de eficiencia em qualquer sistema de produção, excluso o totalmente amador ou de subsistencia, já que estes não fazem investimentos ou utilizam recursos comprados, seja alimentos ou mão de obra.

Entendo que ambas as situações que vivemos recentemente são pontuais, extremas e temos que fazer contas com as "médias"; porém essas experiencias nos mostram que remunerar o patrimonio adequadamente na pecuaria leiteira me parece um desafio maior do que apenas ganhar profissionalismo e escala. Claro que isso faz parte do processo, mas a volatilidade que estamos vivendo nos mercados tambem nos indica uma luz amarela na administração do risco e do futuro. Não estou pessimista com o futuro, mas sei que poucas vezes vamos viver novamente um momento ímpar como o atual. No fundo, o grande divisor de aguas, além das secas nos EUA em 2012 e sua contrapartida na NZ em 2013, foi o cambio, que inviabilizou a importação e nostrouxe a competitividade de volta. Isso, a meu ver, foi o fato mais relevante para o atual contexto, desde 2005.     

abraços

Roberto

MURILO SHIBATA

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/08/2013

Todos estes aspectos abordados devem fazer parte da nossa reflexão diária, seja como extensionistas rurais ou consultores técnicos. Afinal de contas, o que diríamos para nossos produtores caso hoje fosse nossa última oportunidade de lhes orientar em algo?



Excelente análise. Parabéns pelo artigo!


LUZIANO VALERIANO

IPORÁ - GOIÁS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 28/08/2013

parabens marcelo pelo artigo. muito bom mesmo.
ENG. AGR. JAIR S. MELLO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 28/08/2013

Marcelo, parabéns, excelente artigo!

As relações que interferem na produção de leite estão realmente mudando. Somente produtores que adotarem tecnologias e sistemas de produção rentáveis, com escala e profissionalismo, ficarão no mercado. Com terra cada vez mais cara, com custo de oportunidade alto em função das commodities, mão de obra escassa

e sem sucessão nos negócios, as mudanças serão rápidas. Seu artigo e

as palestras e discussões no Interleite Sul, só reforçam que a oportunidade de produzir leite realmente é no Brasil, mas muita coisa precisar evoluir e resolver os diversos gargalos existentes. Abraço.
HENRIQUE BENFICA VILELA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/08/2013

Parabéns pelo artigo! Realmente representa bem o que já passamos e o que sempre esperávamos que acontecesse. Como produtores rurais que de certa forma temos uma grande contribuição para o crescimento do nosso país, infelizmente não temos o reconhecimento e o estímulo que merecemos. Mesmo assim acreditamos e continuamos investindo, profissionalizando e intensificando para que, mesmo enfrentando todas essas situações adversas, consigamos melhores índices de retorno financeiro.

Beatriz Vilela Pacheco

Produtor de leite em Boa Esperança-MG
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 24/08/2013

Olá Eliziário e Michel, obrigado pelos comentários. Vocês estão no caminho certo e certamente farão parte desse futuro lácteo do Brasil!
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 24/08/2013

Olá Wandell, pode reproduzir citando a fonte.
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/08/2013

Caro Marcelo,

Quando questionei no final da rodada de perguntas o Sr. Mark Stephenson sobre a situação da Califórnia e ele respondeu que por lá as coisas estão muito complicadas uma luz veio a minha mente. O estado americano com as melhores condições de ser um grande exportador (localização frente aos mercados asiáticos) é incapaz de sobreviver a cotação dos preços internacionais (a política de preços na Califórnia foge um pouco ao sistema de regulamentação de preços baseada no mercado consumidor local americano e mais se aproxima dos preços internacionais. O resultado disso é que o estado recebe a menor cotação do leite do país) então até aonde este grande produtor mundial será capaz de atender o crescente mercado global por lácteos?

A elevação do valor pago para o produtor, dentro dos valores internacionais, tem mostrado uma capacidade de geração de lucro elevada perante as opções de exploração agrícolas. A desvalorização do cambio tende a elevar ainda mais a nossa competitividade. Vendo isso empresas como a Fonterra tem investido no Brasil, coisa que não ocorre na Califórnia.

Pensando que vivemos e produzimos em um país tropical que pode diluir seu custo fixo da terra com maior produção por área devido a uma capacidade elevada de produção de biomassa e consequentemente maior lotação, temos insumos disponíveis para a produção, os serviços necessários a produção encontram-se em expansão, temos ociosidade na indústria, além de novas plantas estarem sendo implantadas, o custo da mão de obra tem sofrido elevação, mas ainda é relativamente menor comparado a outros países produtores.

Com tudo isso tenho convicção em afirmar. Investir, de modo profissional e empreendedor, na atividade leiteira é um ótimo negócio e com reduzido risco a curto e médio prazo. É por isso que continuaremos a investir e acreditar neste setor para muito em breve o patinho feio da agricultura sofra sua metamorfose e se torne mais pujante setor produtivo da grande agropecuária brasileira.



Abraço



Michel Kazanowski
ELIZARIO PEDROZO

ENÉAS MARQUES - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/08/2013

Parabéns pelo Artigo, retrata a minha realidade, sou novo na atividade 13 anos, minhas dificuldade alto custo de mão de obra, pouca terra tenho para produção 11ha meu, mais 05 ha  com possibilidade de perder essa arrendada, em meu Município é composto por pequenas propriedades custo do ha mecanizado +- R$ 30.000,00 e não acho ao redor de minha propriedade, tenho 46% dos animais em produção (40 animais) estou mudando essa situação reduzindo plantel  por falta de terra, dificuldade da sucessão, minha filha formou-se e vai trabalhar em outra atividade, meu filho esta cursando Veterinária não mostra intenção  de continuar com a atividade, trabalho fora, eu e minha esposa estamos chegando aos 50 anos, saúde comprometida, Pontos positivos tenho uma boa genética média dos animais ano 27,4 litros dias, e 23.400 litros hectares ano, produção de volumoso próprio, custo litro 2012 de R$ 0,7170,  eu e minha esposa amamos a atividade e se dedicamos ao estremo, teria que fazer investimentos a médio e longo prazo informatizar a ordenha e estrutura para confinamento total teria que pensar em 03 ordenhas dia, e ai a mão de obra? preciso ganhar em escala de produção, qualidade média dos últimos 05 anos CCS menos de 20.000, por essas e tantas outras com um aperto no coração devo abandonar a atividade. Passei essas informações mostrando que o tema esta de acordo com a minha realidade.

abraço a todos e mais uma vez parabéns.
HENRIQUE COSTA FILHO

CAMPINAS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 23/08/2013

Marcelo

Parabéns pelo artigo! Estou no segmento mais ou menos no mesmo tempo que você, e espero que essa profissionalização venha mesmo para ficar (não acho que exista outra alternativa). É preciso remunerar bem à cadeia e ser competitivo, PONTO FINAL. Só espero que essa profissionalização seja definitiva e não uma "moda", como a que tínhamos nos anos 90, onde empresários de sucesso na cidade, tinham suas "vaquinhas" para visitar nos finais de semana, tentaram implantar algo de profissional, mas a sua ausência e parcos conhecimentos do segmento, fizeram naufragar quase todos esses projetos...
WANDELL SEIXAS

GOIÂNIA - GOIÁS - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 23/08/2013

Desejamos inserir o artigo no site da SGPA (Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura). Pedimos devida autorização, respeitando o nome do autor e naturalmente do MilkPoint.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 23/08/2013

Obrigado Nelson, Sidney e Paulo! Abraços
PAULO MARTINS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/08/2013

É isso mesmo, Marcelo. Parabéns pelo artigo! Estamos diante de uma nova realidade. Terra e mão de obra estão mais caras e a tendência é só crescer. A primeira é inelástica pelas regras ambientais e competição com outras commodities. A segunda, pela elevação do salário mínimo, como você coloca, mas também pelas transferências de renda como bolsa família e acesso ao ensino universitário pelos filhos do meio rural.



Com terra mais cara e com mão de obra mais cara todos os nosso conceitos começam a ficar velhos. Isso inclui as tecnologias, que precisam estar em consonância com os novos preços dos fatores para serem economicamente viáveis. Por exemplo, será que faz sentido indicar cana-de-açúcar para qualquer produtor? Será que faz sentido defender uma raça para qualquer tipo de propriedade? Claro que não. Estas e outras escolhas tecnológicas precisam estar atreladas ao preço da terra e ao preço da mão de obra, que cada vez serão mais caras...
SIDNEY

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/08/2013

Realmente, abordou muito bem o assunto.
NELSON JESUS SABOIA RIBAS

GUARACI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/08/2013

Muito boa analise, parece que é isso mesmo, eu vou ainda ficar no leite mas estas contas tem de ser feitas, na minha região o arrendamento da terra é uma boa opção.

Parabéns pelo artigo, um dos melhores que tenho lido nos últimos tempos.
MilkPoint AgriPoint