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A IN 51 e a China

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

EM 29/06/2005

8 MIN DE LEITURA

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Conheci, enfim, a tão falada China. A China do crescimento vertiginoso, da ocidentalização, dos investimentos maciços e da competitividade imbatível. A China da Costa Leste, onde se destacam Hong Kong, Guangzhou (Cantão), Shenzen, Shanghai, Beijing. A China de 400 milhões de habitantes, responsável por um fenômeno que, sem muito exagero, se assemelha ao que ocorreu na Revolução Industrial, na Inglaterra. Não conheci a China do interior, onde ainda habitam 900 milhões de pessoas em condições que pouco mudaram nos últimos anos e que ainda não estão participando da festa. Afinal, não há espaço ainda para todos e os convites são contados e cuidadosamente distribuídos.

Em menos de 15 dias, certamente não é possível entender de fato como funciona esse país que tem sido o motor da economia mundial. Sua história muito particular, o fato de ser um país oriental, portanto distante das nossas referências ocidentais e o governo comunista são ingredientes que dificultam uma análise coerente em tão pouco tempo.

Porém, alguma coisa foi possível captar. Um ponto de partida básico é o planejamento da economia por parte do governo, indicando quais investimentos devem ser feitos, como devem ser feitos, como devem ser gerenciados, que resultados se esperam e em que grau a iniciativa privada poderá participar. A interferência do governo, no entanto, vai além disso. A Embraco, empresa brasileira líder do mercado mundial de compressores, tem como sócia simplesmente a prefeitura de Beijing. Isenção de impostos, apoio político e institucional, financiamentos atrativos, são exemplos de ações do governo chinês com o intuito de promover o desenvolvimento. Claro que isso pode abrir um perigoso espaço para corrupção e favorecimentos, mas é impossível negar que os resultados até então alcançados sejam consideráveis. Também, não se pode diminuir o fato de não haver democracia e liberdade de expressão, mas esta é uma área cuja análise vai além dos objetivos desse artigo.

Voltando aos aspectos econômicos, para se ter uma idéia dos números, alguns exemplos: até pouco tempo, cerca de 15% das gruas existentes no mundo (aqueles guindastes utilizados em construções) estavam em Shanghai; hoje, 350 milhões de chineses têm telefone celular; já são 72 milhões de usuários de internet, e assim por diante. Números chineses.

Outro aspecto básico é o custo de mão-de-obra, de menos de US$ 1 por hora, calcado em um contingente quase que interminável de pessoas que se sujeitam a trabalhar 60 ou 70 horas semanais, muitas vezes em condições aos nossos olhos desagradáveis, porém muito melhores do que a alternativa de permanecer no campo, ganhando ainda menos e em condição ainda pior. Visitamos uma empresa que produz ar condicionado, a Chigo, em Guangzhou, cuja fábrica mostrava baixo grau de automação e utilização de grande quantidade de mão-de-obra. Ao ser questionado como competir com modelos ocidentais altamente automatizados e eficientes, o diretor da empresa, com MBA na Lingnan University, foi direto: "o custo de mão-de-obra para montagem de cada aparelho é de menos de US$ 1. Dessa forma, acreditamos ser possível competir com sistemas mais automatizados". Lógico que a conversa acabou aí. Às favas com a automação...

Engana-se quem acha que a China será o celeiro dos produtos de baixa qualidade, sem marcas fortes e com produção ancorada apenas em vantagens comparativas (algumas que provavelmente não durarão para sempre, como o uso dos recursos naturais e as condições de trabalho da mão-de-obra). Os chineses estão aprendendo, e rápido. A Lenovo, fabricante chinesa de computadores, comprou a divisão de PCs de ninguém menos do que a IBM. Com isso, ganha espaço no mercado global, expertise de marketing e acesso aos mercados ocidentais. O plano é fazer a transição da marca e estabelecer a Lenovo como a marca principal. Sem dúvida, ousado.

A capacitação intelectual é outro aspecto importante. Cerca de 6-8% dos alunos de MBA nos Estados Unidos e Europa são chineses. Como a procura é extremamente elevada, a seleção é intensa e apenas os melhores são selecionados. O resultado é um contingente respeitável de profissionais altamente qualificados, que aprendem os conceitos de gestão empresarial ocidentais, aprendem o modo de vida ocidental, e retornam para a China. Conhecem bem a si mesmo e ao inimigo, como se receita em "A Arte da Guerra". O inverso também acontece. Para ficar em um único país, são cerca de 2.000 canadenses de origem caucasiana estudando hoje na China. Segundo informações que obtivemos, o número de brasileiros na mesma condição não chega a uma dúzia. É para pensar.

A China, por fim, conhece muito bem seu papel no mundo. Sabe do seu poder de barganha e da importância para a economia mundial. São os primeiros negociadores do mundo. Comprar nas pequenas lojinhas na cidade velha de Shanghai é uma verdadeira aula de negociação. Você acaba comprando sem precisar, até como reconhecimento pelo talento do vendedor. Os chineses utilizam sua condição de locomotiva da economia mundial a seu favor. Querem, por exemplo, que fique na China a principal bolsa de negócios envolvendo commodities agrícolas, hoje em Chicago, nos EUA. Querem comprar soja diretamente dos produtores mais eficientes, seja no Brasil, na Argentina, ou outro lugar.

Ao retornar ao Brasil, é impossível não pensar no desperdício de recursos e talentos que teimamos em produzir, como se por aqui estivessem sobrando. As discussões em torno da implantação ou não da Instrução Normativa 51 são um exemplo. Independentemente da factibilidade da implantação ou não nesse momento, da necessidade ou não de adiamento, é lamentável pensar que dez anos de discussões sejam superficialmente resumidos nos dias que antecedem à sua tão esperada oficialização. É lamentável pensar nos recursos, nas expectativas desperdiçadas, no trabalho que precisava ser feito e não o foi, por diversas razões, na falta de infra-estrutura que sempre se soube existir, na supressão do importante programa de treinamento e capacitação, sem o qual o PNMQL fica capenga, na esperada pressão, política ou não, que poderia se desenvolver nesse cenário às vésperas da implantação. Tudo isso, de certa forma, era previsível.

Não há culpados, senão todos. O governo? Sabe-se da dificuldade de recursos, da falta de apoio, da boa vontade que existe no âmbito técnico, nas armadilhas políticas que fazem parte do contexto. As indústrias? Vem fazendo a sua parte, pelo menos as de grande porte, que têm mais recursos e condições de pensar em mais longo prazo. Os produtores? Precisam garantir o seu, melhorar a eficiência, ter mais competitividade. O que vem faltando no processo, enfim, é o planejamento e a implementação chineses, um projeto que permita que, ao cabo de 10 ou 15 anos sejam alcançados os resultados esperados. Talvez esteja faltando um pai para a criança.

O problema não é o adiamento ou o não adiamento. O problema é fazer o que precisa ser feito. De nada adianta adiar para 2008 se a lição de casa não for feita. Pode-se, por outro lado, não adiar e colocar a mão na massa imediatamente, criando as condições para que os resultados sejam alcançados.

Um ponto que passa despercebido - e que é positivo - é que mesmo os grupos contrários falam em adiamento e ajustes, não em supressão. Ou seja, há consenso da necessidade e da inevitabilidade, o que reflete uma importante convergência, que vem sendo pouco explorada. Outra convergência é que ninguém considera que, do dia para a noite, a IN 51 estará implantada e todos os problemas superados. Outra convergência. A questão, no meu modo de ver, é se criar as condições para que se evolua como desejado. E, para isso, é necessário planejamento, execução e correção de rumos, se necessário.

Uma possível solução, considerando o impasse em questão, seria não adiar a IN 51, mas criar um período tampão de, digamos, 12 meses, período em que a IN 51 seria educativa. É como quando se instala radar nas cidades. Por um período, não haverá punição. Nesse período, os ajustes seriam feitos: seriam cadastrados os produtores, os laboratórios receberiam os ajustes finais, seriam definidas as políticas de ação em relação àqueles cujo leite estivesse fora dos padrões, seriam feitas palestras de esclarecimento pelo país inteiro, seria estruturar o programa de capacitação e treinamento, seria alterar e aprovar o RIISPOA. Enfim, seria fazer aquilo que precisava ser feito, sem abdicar da implantação imediata da lei.

O objetivo, ao trazer essa sugestão à mesa, é melhorar as condições para o sucesso da IN 51. A lei, se existe, precisa ser cumprida. Para tal, é necessário criar as condições para que seja cumprida. A lei não pode ser educativa, a não ser que sua própria redação comporte essa possibilidade por um período de tempo. O risco, ao não se fazer isso, é a lei "não pegar", como se costuma dizer. O risco de adiar mais uma vez é matar o programa pelo cansaço e descrédito. É o momento, talvez, de se espelhar no que a China tem de melhor: o planejamento, o foco na execução, a visão de longo prazo, o não-desperdício de recursos, tempo, pessoas.

PS1: O tema é polêmico e, dentro disso, gostaria que os leitores se manifestassem, enviando comentários, críticas e sugestões para nossa redação.

PS2: Leia artigo anterior sobre o tema: Instrução Normativa 51: Somente uma "boa idéia"?

PS3: a seguir, algumas fotos da China
 


Região de Pudong, em Shanghai (16 milhões de habitantes!), um campo de arroz há apenas 15 anos

 


Lácteos em gôndolas do Carrefour em Beijing. O leite UHT custa cerca de R$ 1,70-1,80 o litro

 


Escritório da Chigo, empresa que produz ar condicionado em Guangzhou

MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP), Mestre em Ciência Animal (ESALQ/USP), MBA Executivo Internacional (FIA/USP), diretor executivo da AgriPoint e coordenador do MilkPoint.

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ALTAIR ANTONIO VALLOTO

CURITIBA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/12/2005

Dr. Marcelo,



Gostaria de parabenizá-lo pelo artigo e dizer que realmente o que precisamos e é escrever mais, ler mais e ouvir mais.



No dia 12/12/2005, em Audiência Pública sobre Qualidade de Leite, na Assembléia Legislativa do Paraná, apresentamos (Laboratório APCBRH) os relatórios de Outubro de 2005 que mostram uma realidade em que muitos criadores estão fazendo a lição de casa. Do total de amostras analisadas apenas 15% apresentaram valores diferentes dos estabelecidos pela IN 51 para gordura e proteína, 12% ficaram fora dos padrões para CCS e 27% acima do estabelecido para Contagem Bacteriana.



Muito se fala, mas os números não estão mentindo e fica fácil de dizer que, mesmo com muitos políticos querendo adiar a IN 51, o criador está fazendo, sem governo e sem polícia, novamente seu trabalho.



Um abraço.
ANDRÉ SARTURI

CAMPOS NOVOS - SANTA CATARINA - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 03/08/2005

Prezado Sr. Marcelo Pereira de Carvalho, primeiramento gostaria de cumprimentá-lo pelo excelente editorial. Me chamou atenção um item que o Sr. aborda na questão da IN 51, referente a necessidade de um Programa de Treinamentos e Capacitação. Reforço esta grande necessidade e talvez uma das mais importantes, a nível de campo (esclarecimento e informação ao produtor rural). Porém, gostaria de complementar, que este Programa já existe, ao menos no Estado de Santa Catarina, através do SENAR/SC, que desenvolve treinamentos aos produtores rurais do Estado, mais especificamente, através de Capacitação do produtor, mediante treinamentos de Formação Profissional Rural, através de recursos do FUNRURAL. Neste caso, com Treinamentos de QUALIDADE DO LEITE, de 08/16 horas.



Para o Sr. e os demais leitores terem uma idéia, somente eu, como Instrutor do SENAR/SC, realizei entre Julho/2003 e Agosto/2005, cerca de 130 treinamentos específicos em Qualidade do Leite, com um público na faixa de 13 a 16 produtores, num total de 1.850 produtores capacitados (é uma gota d'água no oceano). Treinamentos estes, realizados pelo SENAR/SC em parceria com os Sindicatos dos Produtores Rurais do Estado e as Agroindústrias, Prefeituras, Laticínios, Cooperativas, Associações. Estas empresas parceiras do Setor Lacteo, tomaram a iniciativa de levar aos seus produtores a informação, muito antes que a IN 51, entrasse em vigor; sem dúvida, elas não terão grandes dificuldades em se enquadrar na normas. Porém, vejo a campo, que os Setores, Empresas, Entidades que estão contra a Lei, são, justamente aqueles que não tem iniciativa, nem projetos, não tem conhecimento sobre os padrões do produto leite, talvez até nem leram a IN 51, ou seja, simplesmente são "do contra". Para este tipo de Empresa ou Entidade, não adianta adiar ou prorrogar prazos por 6 meses, 1 ou 2 anos. É gente que não conversa com o produtor. Pois, destes 1.850 produtores que treinei, até o momento, deixo uma frase de um produtor no final do treinamento : " A lei é simples, é só mudar a rotina, ter mais capricho, resfriar o leite mais ligeiro, lavar com água quente, melhorar o manejo, cuidar da saúde das vacas; eu vou fazer isso e acho justo receber a mais por isso e quem achar que isso é dificel de fazer, tem que ganhar pouco mesmo, não merece ser produtor de leite."



Atenciosamente,

Eng. Agrônomo André Sarturi - Instrutor SENAR/SC - Xanxerê - SC

JOSÉ EDUARDO PEREIRA MAMEDE

AGUAÍ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/07/2005

Neste exato momento, em meu sítio, estamos "tentando planejar" as nossas atividades para a safra/ safrinha 2005-2006.



Neste sítio estamos tentando aprender a "produzir o leite" e não "entregar o leite", como é comum ouvirmos entre os produtores. "Produzir leite", até onde pude aprender, significa implantar boas práticas de reprodução, alimentação e cuidar da sanidade do rebanho, levando em consideração os requisitos da nossa IN 51, por exemplo.



Para tomarmos a decisão de continuar nesta atividade e investir na "produção de leite" precisamos praticar o chamado "planejamento estratégico".



Planejar estrategicamente significa "saber onde estamos" e "onde queremos chegar", definindo metas de longo prazo (5, 10 ou 15 anos), identificando "oportunidades" e "ameaças" ao nosso negócio e, principalmente, estabelecendo planos de ação de curto e médio prazo para assegurar o alcance das metas de longo prazo.



O seu artigo deixa clara a capacidade do governo chinês de planejar estrategicamente, com um horizonte de 15 a 20 anos integrando, ainda, as diversas atividades econômicas que compõem a sua vocação.



Resta saber se o governo brasileiro, também, tem esta capacidade de pensar estrategicamente o nosso país no longo prazo, definindo e implementando políticas públicas e planos de ação coerentes com as metas de longo prazo.



Gostaria de "ouvir" do nosso editor, aproveitando a sua recente experiência naquele país, uma análise comparativa entre o nosso país e a China com as "oportunidades" e "ameaças" de cada um na agricultura (cana de açúcar e grãos) e pecuária (corte e leite).



Com certeza a sua análise poderá nos ajudar a tomar decisões e planejar as nossas atividades para o próximo ano.



José Eduardo Pereira Mamede

Produtor de Leite e Agricultor em Aguaí/ SP
RENATO FONSECA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/07/2005

Prezado Marcelo,



Artigo bem escrito e interessante. Porém, francamente, em relação à IN 51, já passou da hora de ficar procurando convergências aqui ou acolá. O Ministro da Agricultura tem que chamar para si a responsabilidade de implementar o que prevê a lei, que já foi exaustivamente discutida e adiada por inúmeras vezes. Até para a nossa falta de seriedade tem que haver limites.



Renato Fonseca

IRACEMA C.P.FOZ

OUTRO - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 03/07/2005

O editorial "A IN 51 e a China" coloca importantes pingos nos is. Mais que isso, o autor, Marcelo Pereira de Carvalho, mostra grande sensibilidade diante do panorama que se abre com a entrada da China no universo exterior às suas fronteiras, reconhecendo seus pontos fortes e seus grandes desafios. Com certeza, o mundo não será mais o mesmo daqui para frente. Podemos esperar por mudanças nos modelos de soluções, impulsionadas pelo Planeta China, muito além da concorrência nos mercados internacionais e mais que um ambicionado alvo para fornecedores.



A China tem uma demanda latente de 900 milhões de chineses muito pobres, que representam também um limite perigoso para a realização de suas expectativas positivas potencializadas. Estes 900 milhões de chineses são componentes de um imenso barril de pólvora com pavio curto. Contudo, também são capazes, pela própria cultura, de encarar sacrifícios e aguardar a vez em programas de longo prazo. Milhares de anos sustentam esta estrutura humana que já caminhou um longo caminho, já fez a grande marcha, e sabe o significado de cada tiquinho a mais que puder conquistar na própria qualidade de vida. Tudo isso está permitindo à China avançar a largos passos sem a ocorrência de conflitos, um feito magistral diante das conhecidas dificuldades que enfrentam.



Sobram-nos muitas lições, bom exemplos e certo desconforto, quando olhamos para o nosso Brasil, não só nesta questão do IN-51, mas também diante de todas as reformas necessárias que se arrastam com Congresso Nacional anos a fio, sem chegar a lugar algum, enquanto os setores produtivos e o próprio país prosseguem perdendo oportunidades e resultado positivos, permanecendo à margem do direito ao desenvolvimento.



Tudo fica mais lamentável quando comparamos nossos desafios aos desafios da China. Estamos mais ou menos em uma situação oposta. Temos espaço, água, clima, densidade demográfica generosa. A China sofre as conseqüências de uma devastação ambiental que reduziu perigosamente seus espaços para a produção de alimentos, contaminou rios e lagos, acabou com as florestas. Em comum, temos os excluídos, mas mesmo assim, nossa quantidade de excluídos é muito pequena diante da quantidade de chinês de excluídos.



Creio que, diante disso e muito mais (que não cabe aqui comentar) precisamos sim falar mais alto, tornar amplamente públicas as mazelas derivadas da falta de eficiência daqueles que deveriam estar resolvendo a sua parte nestas exaustivas questões. Isso, porque os políticos brasileiros só têm uma preocupação, que é o voto. Qualquer ameaça neste sentido os fará funcionar com mais eficiência, ou encarar uma volta para casa nas próximas eleições.



Parabéns Marcelo, pela lucidez com a qual expôs o que viu em sua breve visita à China. Temos muito a aprender com esta "onda amarela" que invade o mundo. Temos urgência em cobrar do governo às soluções que merecemos. E em levar aos setores produtivos programas de educação e inclusão social ,dentro da farta potencialidade disponível, com vistas ao desenvolvimento contado em todos os prazos.
JARDYR SILVA

IPATINGA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/07/2005

A idéia é implantar a IN 51 em 1<sup>o</sup> de julho e dar um tempo para as adaptações. A não implantação seria um desestímulo aos produtores que já fizeram investimentos para se adequarem a IN 51.



Além disso, cada dia mais o mercado externo está exigindo qualidade.

EDSON GONÇALVES

FLORIANÓPOLIS - SANTA CATARINA

EM 02/07/2005

Caro Marcelo,



Como sempre, você consegue nos seus editoriais deixar claro sua experiência de vida e seus princípios técnicos e filosóficos.



Parabenizo-o mais uma vez pelo excelente editorial como também pelo progresso do MilkPoint e do seu, em particular.



No entanto, está mais do que na hora de provarmos o gosto amargo do remédio. Instrução normativa 51 já, sem adiamentos e nem "periodo tampão". Seria mais um paliativo que abriria mais uma vez portas para que os detratores da idéia encontrassem sempre uma razão para adiar o inevitável.



Se quisermos atingir mercados importadores potenciais e em igualdade de condições com países exportadores líderes nesse setor, é imperativo a vigência da IN 51 já.



O momento, uma vez que a sua implantação é consenso, é criarmos condições para que os produtores e toda a cadeia beneficiem-se de fato.



Entendo que o momento sugere discussões e ações que propiciem condições especiais de financiamentos de tanques de expansão, de ordenhadeiras e de tanques rodoviários isotérmicos, assim como de recursos disponíveis e de fácil acesso para produção de alimentos volumosos de qualidade e quantidade e de melhoramento genético do nosso rebanho direcionando-o para produzir leite com maior quantidade sólidos totais.



Isso sem considerar o mais importante, que é a geração de recursos para investir no treinamento, capacitação e comprometimento de todas as "pessoas" que estão direta e/ou indiretamente envolvidas em toda a cadeia do leite, da fazenda ao mercado. Este tipo de discussão parece-me no momento, muito mais inteligente e necessário.



Atenciosamente,



Edson Gonçalves
JORGE LEON PEREZ

OUTRO - PESQUISA/ENSINO

EM 01/07/2005

Muy agradable el articulo y la posicion sobre nuestros paises y las demoras en los procesos urgentes y que no toleran si son o no discutibles: son urgentes y necesarios, el mundo no da espera. Felicitaciones, soy un gran lector de sus magnificas posiciones.



jorge leon perez p

colombia
ADRIANA MASCARENHAS BRAGA

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL

EM 30/06/2005

Marcelo,



A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite de Mato Grosso do Sul apóia a implantação da IN 51 na data prevista (01/07/05), dessa forma, enviamos uma carta de apoio ao Ministério da Agricultura. Parabenizarmos você pelo excelente artigo e acreditamos que o adiamento da IN 51 será um retrocesso ao setor lácteo brasileiro.



Grata

Adriana Mascarenhas Braga

Coordenadora da Câmara Setorial de MS

JOSÉ LUIZ BELLINI LEITE

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 30/06/2005

Caro Marcelo,



Em primeiro lugar gostaria de parabenizá-lo pela sua viagem à China. Lembro-me de uma conversa nossa, na presença do amigo comum Ricardo Cotta, quando discutíamos a respeito da importância da China no cenário mundial. Parabéns pela iniciativa de conhecer esse país que tantas lições têm mostrado notadamente para aqueles que querem e tem a coragem de ver.



No que se refere à IN 51, também quero parabenizá-lo pela forma lúcida com que tratou o assunto no seu artigo. Faço coro com você na importância do não adiamento de sua implantação. A idéia do período de tampão parece muito boa mas isto lembra aquela história de colocar pitada de açúcar na colher de menino que teima em não receber remédio necessário para sua recuperação.



Na verdade, a IN 51 já de longa data é esperada. Em outras palavras, a data de sua entrada em vigor já havia sido anunciada a tempos. Contudo, parece que setores do agronegócio insistem em não mudar, defendendo-se por meio da criação de cenários funestos. Lembro-me bem das catástrofes anunciadas quando da liberação dos preços do leite, O mundo iria acabar! Os produtores seriam massacrados, tudo estaria perdido. No entanto, o preço do leite foi liberado, o mundo não acabou,e pelo que se sabe, está muito melhor. Agradeço quem lutou pela liberação.



Parece que esse filme já foi passado antes, não é mesmo! Temos que provar aquilo que a primeira vista parece ser um remédio amargo, que na verdade é condição sine qua non para um país que diz querer participar no mercado mundial de lácteos. Seria bom ainda lembrar que um país de cultura milenar como a China, tem mais coragem de experimentar o novo do que um país jovem como o nosso.



No mais é só lembrar que 51 é sempre uma boa idéia!! Não é mesmo?!! Açúcar em colher de menino teimoso.
DIONISIO CAPRONI

MACHADO - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 29/06/2005

Quero parabenizar esta atitude do Marcelo por ter a coragem de escrever este editorial, pois se os nossos governantes tivessem esta disposição que o ilustre colega teve,com certeza a IN 51 iria muito nos ajudar.



Falar em adiamento desta normativa é voltarmos no tempo e por a perder tudo aquilo que levamos anos para conquistar-mos, seria muito frustrante para um setor onde ano após ano se debate temas de tamanha importância como:



* Brasil Celeiro do Mundo do Seculo 21: Expomilk em 2004

* Brasil Maior exportador de Lacteos do Mundo: Expomilk em 2005



Por isso que devemos estar atentos e espero que os nossos políticos parem e pensem que o adiamento desta normativa seria um descrédito enorme para um país que tem um grande potencial de ser com certeza o ``Brasil celeiro e maior exportador de lácteos do mundo``





Dionisio Caproni

Funcionario da Cooperativa Agraria de Machado
MilkPoint AgriPoint