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Uso de cipionato de estradiol em programas de inseminação artificial em tempo fixo em vacas em lactação

POR JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 21/12/2001

4 MIN DE LEITURA

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Os resultados apresentados no radar anterior “Uso de cipionato de estradiol para inseminação em tempo fixo”, permitem concluir que 1mg de cipionato de estradiol (ECP) para vacas secas e 0,5 mg de ECP para novilhas foi efetivo para induzir o pico de LH, e de sincronizar a ovulação com fase lútea subsequente normal e também taxa de prenhez normal em novilhas, potencialmente viabilizando o seu uso em protocolos de sincronização de ovulação em tempo fixo.

Gostaríamos de salientar que estes estudos iniciais e pioneiros com ECP, visando a sincronização da ovulação e IA em tempo fixo, foram parte do trabalho de tese da brasileira Flavia Lopes, médica veterinária, atualmente aluna de PhD na Universidade de Montreal, Canadá.

Continuando os estudos com ECP e visando a sua utilização em programas de IA em tempo fixo em vacas em lactação, o grupo do Prof. W.W. Thatcher, Universidade da Flórida, fez mais alguns estudos para avaliar as possibilidades de utilização de cipionato de estradiol em protocolos de sincronização em tempo fixo em vacas em lactação (Use of ECP in a timed insemination program, J. Dairy Sci., vol. 84, suppl. 1/2001, pg. 460).

O Experimento 1 avaliou a taxa de prenhez quando o ECP foi usado para substituir o 2º GnRH do protocolo Ovsynch, com IA em horário pré determinado em vacas lactantes.

Vacas multíparas (n = 170) foram pré-sincronizadas com duas injeções de PGF2a (Lutalyse, 25mg; IM), 40 ± 3 e 54 ± 3 dias pós parto e as vacas primíparas (n = 201) foram pré-sincronizadas, 62 ± 3 e 76 ± 3 dias pós parto.

As vacas multíparas receberam o primeiro GnRH (Cystorelin, 100 mcg, IM) com 68 ± 3 dias e as primíparas com 90 ± 3 dias pós-parto.

Os protocolos utilizados foram:

Ovsynch (n=179) = PG---14d---PG---14d---GnRH---7d---PG---48h---GnRH---16h---IA

ECPsynch (n=192) = PG---14d---PG---14d---GnRH---7d---PG---24h---ECP---48h---IA

As taxas de prenhez foram determinadas com 46 ± 3 dias pós IA.
 

 


Conforme pode ser observado na Tabela acima, foi detectado efeito de número de partos (P<0,01) e interação número de partos e tratamento (P<0,01) na taxa de prenhez.

No Experimento 2 o início do estro e o momento da ovulação foram determinados em vacas lactantes submetidas ao protocolo ECPsynch.

O estro foi detectado por “HEATWATCH” e o momento da ovulação por exames ultra-sonográficos realizados a intervalos de 8h, começando 18h após o início do estro ou 48h após a injeção de ECP.

A freqüência de detecção de estro e ovulação foi de 75,7% (28/37) e 89,2% (33/37), respectivamente.

A média do intervalo da aplicação de ECP para a ovulação foi de 58,5 ± 4h (n=33) e de 27,1 ± 1,1h (n=28) após o início do estro.

O estro ocorreu 33,6 ± 4,4h (n=27) após a aplicação de ECP.

A porcentagem de ovulação no intervalo ótimo de ³42h e £70h após o ECP foi de 75,8% (25/33)

Os resultados de sincronização da ovulação e de fertilidade obtidos nestes estudos indicam que o ECP pode ser utilizado para indução da ovulação em programas de IA com tempo fixo em vacas em lactação, porém deve-se lembrar que houve efeito de interação número de partos e tratamento na taxa de prenhez.

Segue abaixo alguns comentários feitos pela autora dos experimentos citados no radar anterior “Uso de cipionato de estradiol para inseminação em tempo fixo”, a brasileira Flávia Lopes, médica veterinária, atualmente aluna de PhD na Universidade de Montreal, Canadá.

O grupo do professor William Thatcher, na Universidade da Flórida, testou o desenvolvimento folicular, ovulação, perfil hormonal pré e pós ovulação e prenhez em novilhas holandesas (Lopes et al., 2000, J Animal Sci 78 (suppl.1:216) e também em vacas lactantes (Pancarci et al.) em publicação. As doses de cipionato usadas foram muito menores (0.5 mg para novilhas e 1mg para vacas) e os resultados de prenhez foram os mesmos comparando o uso de cipionato em reposição ao GnRH ovulatório (segunda dose do Ovsynch), como protocolo de Ovsynch. Em novilhas, nenhuma diferença foi observada em desenvolvimento folicular e lúteo ou secreção de progesterona após ovulação em resposta ao cipionato ou GnRH exógeno, apesar da concentração de estradiol permanecer significativamente elevada por alguns dias durante o período pós ovulatório O uso de cipionato em um protocolo de inseminação programada parece ser comparável ao Ovsynch, no entanto a avaliação de resultados de prenhez em um número maior de animais se faz necessária. Outro ponto importante a ser levado em consideração é o uso indevido de cipionato para inseminação em fazendas que irão checar cio. É extremamente importante saber que o cipionato induz cio em quase todos os animais em proestro, mas que os sinais de cio induzidos por ele não ocorrem necessariamente ao mesmo tempo que o pico pré-ovulatorio de LH, isso significa que, na grande maioria dos casos, a inseminação dos animais em cipionato com detecção de cio, resultará em prenhez baixa devido a uma inseminação muito adiantada em relação à ovulação. O uso de cipionato para induzir ovulação deve ser reservado para os protocolos com inseminação em tempo fixo, onde a ovulação é programada e a inseminação ocorre no momento ideal para a maioria dos animais.

 

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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ELMAR HACKBARTH JUNIOR

LAGES - SANTA CATARINA - ESTUDANTE

EM 13/03/2019

Após aplicação do ECP em vacas secas, em 24 hrs elas entram no "cio", digamos que um cio artificial. Essas vacas continuaram ciclando até serem cobertas? Ou o medicamento perde a ação se elas não forem cobertas no segundo cio?
O ideia seria no terceiro cio, minja dúvida é se elas continuaram entrando no cio apos a aplicação do ECP?
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