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O sexo da cria pode influenciar a produção de leite da mãe?

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 28/08/2015

2 MIN DE LEITURA

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Este texto é parte do artigo: Holsteins Favor Heifers, Not Bulls: Biased Milk Production Programmed during Pregnancy as a Function of Fetal Sex, publicado por Katie Hinde e colaboradores, na PLOS, em Fevereio de 2014 (DOI: 10.1371/journal.pone.0086169). 

As fêmeas dos mamíferos pagam altos custos energéticos para a reprodução, e o maior deles é imposto pela lactação. A síntese de leite requer, em parte, a mobilização de reservas corporais da mãe para nutrir a cria. Inúmeras hipóteses têm sido levantadas para predizer como a mãe diferenciamente investe na cria macho ou fêmea, porém poucos estudos têm abordado o efeito do sexo da cria na produção de leite da mãe.

Neste estudo foi usado a vaca de leite para avaliar esse fenômeno. Nas vacas de leite como o bezerro é separado da mãe dentro de poucas horas após a parição, esse sistema permite investigar o efeito do sexo da cria pré-natal independente do efeito pós-natal, e como a vaca de leite tem gestação concorrente com a lactação, pois tipicamente estão gestante em cerca de 200 dias dos 305 dias da lactação, a influência do sexo da feto que esta sendo gestado durante a lactação também pode ser avaliado.

A hipotese do estudo foi que a produção de leite na primeira lactação seria afetada pelo sexo da cria produzida e pelo sexo da cria da gestação durante a lactação. E também que o efeito do sexo da cria iria persistir nas lactações subsequentes.


Figura 1: Representação esquemática do estudo.

Foram avaliadas 2.390.000 lactações, de 1,49 milhões de vacas. Foi demonstrado que o sexo do feto influencia a capacidade da glândula mamária em sintetizar leite durante a lactação subsequente. Vacas favorecem as filhas, produzindo significativamente mais leite durante a lactação para as filhas do que para os filhos.

Usando uma sub-amostra deste conjunto de dados (n = 113.750 vacas) foi possível demonstrar que o sexo do feto interage dinamicamente com a paridade, o sexo do feto que esta sendo gestado pode aumentar ou diminuir a produção de leite durante a lactação estabelecida. E ainda o sexo do feto da primeira gestação tem efeito nas lactações subsequentes. Vacas que no primeiro parto pariram fêmeas produziram 445Kg de leite a mais nas duas primeiras lactações, em comparação com as que pariram machos. Esses resultados demonstram que o sexo do feto programa a função da glândula mamária.


Figura 2: A gestação de filhas confere vantagens na produção de leite pós-natal, durante a gestação e entre as lactações. Vacas (n = 113.750) com dados da primeira e da segunda lactação, sem distocia ou aplicação de bST, foram usadas para avaliar os efeitos do sexo da cria na produção de leite nas duas primeiras lactações. S = gestação de macho e D = gestação de fêmea.

A) Vacas de primeira lactação que pariram fêmeas produziram mais leite do que as que pariram macho. A gestação de fêmea na segunda gestação aumenta a produção das vacas que pariram macho no primeiro parto.

B) A produção na segunda lactação é maior nas vacas que pariram fêmea no primeiro parto. E vacas que pariram macho no primeiro parto, produziram mais leite na segunda lactação quando pariram fêmea no segundo parto.

Uma questão que ainda permanece é como na condição natural o macho bovino se desenvolve mais rápido se sua mãe produz menos leite? Um explicação seira que a produção de leite é influenciada também pelo comportamento de sucção da cria, comportamento esse que não pode ser avalidado nas fazendas leiteiras que separam as crias das mães logo ao nascimento.

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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TARCÍSIO MARANIN

PEDREIRAS - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/11/2015

Parabéns pelo estido, temos que explorar mesmo esses tipos de estudos nessa área maravilhosa que é a bovinocultura leiteira.. Abraços
DIOGO GOMES CAMPOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/11/2015

Bom Dia professora Ricarda!!!

Parabéns pelo excelente estudo!!!

Abraços
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/11/2015

Prezada Jessica,

Infelizmente não existe uma explicação clara para esse fato.

No inicio do texto tem a referencias do artigo completo, vale a pena ler.

Obrigada pela participação,

Ricarda
JESSYCA CAROLINE ROCHA RIBAS

PONTA GROSSA - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 12/11/2015

Ola, gostaria de saber mais detalhes desse acontecimento, sobre a fisiologia.. Seria influencia da testosterona do feto que poderia diminuir a produção de leite da vaca na lactação?
JESSYCA CAROLINE ROCHA RIBAS

PONTA GROSSA - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 12/11/2015

gostaria de saber mais detalhes sobre a explicação fisiologica para esse acontecimento. Seria por conta da testosterona do feto??? obrigada
ALESSANDRO MACHADO

CATU - BAHIA - ESTUDANTE

EM 08/09/2015

Parabéns pelo estudo, muito interessante.  
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 01/09/2015

Prezado Juliano,

Obrigada pela participação!

Você tem razão. Os pesquisadores também pensaram nesse efeito. A hipotese deles era de que parte do efeito do sexo da cria na produção de leite da mãe estaria relacionado com a distocia, pois machos são maiores e aumentam o risco de distocia, e a ocorrência de distocia esta associada a menor produção de leite na lactação. Porém quando eles avaliaram um subgrupo de vacas sem distocia, as vacas mães de fêmeas continuaram produzindo mais leite.

Até mais,

Ricarda
JULIANO BANISKI

CARAMBEÍ - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/08/2015

Sabendo-se que com machos temos mais problemas em relação ao parto(metrite,distocia,etc.), o que acarreta uma menor produção na lactação, este também seria um fator limitante nesta diferença entre o sexo da cria para produção de leite da mãe?
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 31/08/2015

Prezado Mateu,

Obrigada pela participacao!

Esse estudo so avaliou as 2 primeiras lactacoes.

Ate mais,

Ricarda
RICARDA MARIA DOS SANTOS

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 31/08/2015

Prezado Mauro,

Obrigada pela participacao!

Concordo com você! Os resultados desse estudo mostram um motivo a mais para usarmos semen senado nas novilhas.

Ate mais,

Ricarda
ANDREW JONES

CANOAS - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 29/08/2015

Prezados Zequinha e Ricarda, sempre aprendendo muito com vocês, interessante artigo.....
DANIEL VIEIRA BATISTA

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/08/2015

Muito interessante esse estudo.
MATEU

XAXIM - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/08/2015

Ola

Parabéns pelo estudo!!!

Mas se a vaca parir somente machos, até em que gestação isso pode ra afetar a sua produçaõ ?
MAURO WELLINGTON G PEREIRA

OURO FINO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/08/2015

Dra. Ricarda e dr José Luiz,

Parabéns pelo estudo e publicação deste artigo.

Considerando o que foi estudado, seria precipitado propor que vale a pena fazer a inseminação artificial com sêmen sexado pelo menos na 1ª gestação?

(Caso não seja possível fazer com sêmen sexado em todos animais).
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