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Incidência de endometrite subclínica em vacas holandesas secas e vazias

POR RICARDA MARIA DOS SANTOS

E JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

JOSÉ LUIZ M.VASCONCELOS E RICARDA MARIA DOS SANTOS

EM 19/09/2011

5 MIN DE LEITURA

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Por Bárbara Slywitch Noronha, Lorena Ferreira Borges, Luísa Cunha Carneiro, Thiago Bernardino de Almeida, Ricarda Maria dos Santos
FAMEV - Universidade Federal de Uberlândia


Introdução

Em vacas leiteiras após o período voluntário de espera, o desempenho reprodutivo depende de vários fatores, sendo estes, o escore da condição corporal (ECC), a detecção de cio, a técnica de inseminação utilizada, a qualidade do sêmen e um ambiente uterino saudável (NOAKES et al., 2002). O desempenho reprodutivo é um dos componentes chaves da gestão na produção leiteira. O diagnóstico e o tratamento de uma doença uterina no pós-parto e seu impacto no desempenho reprodutivo do animal exige bastante atenção de veterinários e produtores (LeBLANC et al., 2002).

A endometrite subclínica é uma patologia que se caracteriza por uma inflamação do endométrio e que não produz material purulento na vagina, sendo dessa forma, geralmente diagnosticada por citologia endometrial (GILBERT et al.,1998). De acordo com Gilbert et al. (2005) a endometrite subclínica é caracterizada pela ausência de sintoma clínico diagnosticável e citologia endometrial com proporção de neutrófilos maior ou igual a 5%, após 40 a 60 dias pós-parto.

Objetivou-se avaliar a incidência de endometrite subclínica em vacas secas e vazias da raça Holandesas no momento pré descarte.

Material e Métodos

O estudo foi realizado numa fazenda comercial, situada no município de Uberlândia, MG. O rebanho era constituído de aproximadamente 450 vacas em lactação, mantidas confinadas recebendo silagem de milho e suplementação concentrada devidamente balanceada. O calendário zoosanitário do Estado de Minas Gerais foi seguido regularmente.

Foi realizada coleta de dados de um grupo de vacas secas e vazias, com mais de 300 dias pós-parto, pré descarte por reprodução, as mesmas não tinham histórico de nenhum outro problema clínico que tivesse impedido as mesmas de ficarem gestantes durante a lactação.

No dia da colheita de material uterino foi realizado exame ultra-sonográfico, para avaliar as características da parede uterina e a atividade ovariana. Também a foi avaliado o escore de condição corporal (1 = muito magra, 5 = muito gorda) segundo Edmondson, et al. (1989).

A secreção vaginal foi avaliada pela técnica da mão enluvada segundo Pleticha et al. (2009), em que a mão com uma luva de palpação retal foi inserida na vagina do animal, e logo após, o orifício cervical externo e as paredes laterais, dorsais e ventrais da vagina foram palpados. Depois de retirar a mão com a luva, o muco aderente foi inspecionado e classificado em: grau 0 (sem descarga), grau 1 (muco cristalino), grau 2 (muco com flocos de pus), grau 3 (descarga mucopurulenta) grau 4 (descarga purulenta) e grau 5 (descarga purulenta com odor fétido) (McDOUGALL et al., 2007). Foi considerado caso de infecção uterina clínica as vacas que apresentaram descarga vaginal muco-purulenta (endometrite clínica) ou presença de conteúdo uterino de aspecto ecogênico (piometra) no exame ultra-sonográfico (adaptado de LeBlanc et al., 2002).

Nos animais com ausência de muco ou com presença de muco cristalino, foi realizada a coleta de material para realização de citologia endometrial. O método utilizado para o diagnóstico de endometrite subclínica foi a técnica do "cytobrush", que consiste numa escova ginecológica modificada não estéril, que foi introduzida pela vagina até o corpo do útero para depois ser girada no sentido horário aproximadamente um quarto de volta para a obtenção do material celular a partir do endométrio.

Após colhidas amostras endometriais, as lâminas foram identificadas e preparadas rolando o material colhido sobre as lâminas microscópicas limpas, estas posteriormente, transportadas para o laboratório da Universidade Federal de Uberlândia e coradas utilizando o método de May-Grunwald Giemsa (VALLADA, 1999), depois de naturalmente secas foram submetidas a uma avaliação microscópica.

A avaliação microscópica citológica foi determinada pela percentagem de neutrófilos (células PMN) presentes em cada lâmina corada. Dois examinadores, independentes contaram 200 células, utilizando um microscópio óptico com aumento de 40X em cada lâmina, classificando as células em: epiteliais, células PMN (neutrófilos), células mononucleares grandes (presume-se que são os macrófagos) e células mononucleares pequenas (presume-se são os linfócitos). Considerou-se caso de endometrite citológica, todos aqueles animais que apresentaram 5% ou mais de neutrófilos (número de neutrófilos em relação ao número total de células) em cada lâmina (GILBERT et al., 2005).

O efeito da presença de corpo lúteo e do escore de condição corporal no momento da coleta na incidência de endometrite subclínica foram avaliados por regressão logística (MINITAB).

Resultados

Foram diagnosticadas sete vacas (18,42%) com problemas clínicos, sendo que uma (3%) apresentou cisto ovariano, outra (3%) endometrite clínica e as cinco restantes (13,16%) foram diagnosticadas com piometra, e, por isso, foram descartados das coletas de amostras de material uterino, para diagnóstico de endometrite subclínica. Foram colhidas amostras para citologia endometrial de 31 vacas.

Foi detectado 25,81% (8/31) de endometrite subclínica. Não foi detectado efeito da presença do corpo lúteo e do ECC na incidência de endometrite subclínica em vacas Holandesas secas e vazias.

Dessa forma, pode-se sugerir que por erro no manejo reprodutivo, parte das vacas avaliadas não ficaram gestantes durante a lactação devido à ocorrência de endometrite subclínica, que provavelmente foi consequência de problemas pós-parto não tratados adequadamente.

Este texto é parte do trabalho de conclusão de curso apresentado à Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia, pela aluna Bárbara Slywitch Noronha.


Referências Bibliográficas

EDMONSON, A.J., LEAN, I.J., WEAVER, L.D. 1989. A body condition scoring chat for Holstein dairy cows. J. Dairy Sci., v. 72(1), p.68-78,1989.

GILBERT, R. O.; SHIN, S. T.; GUARD, C. L.; ERB, H. N. Incidence of endometritis and effects on reproductive performance of dairy cows. Theriogenolgy, v. 49, p. 251, 1998.

GILBERT, R. O.; SHIN, S. T.; GUARD, C. L.; ERB, H. N.; FRAJBLAT, N. Subclinical endometritis. Prevalence of endometritis and its effects on reproductive performance of dairy cows. Theriogenology, v. 64, p.1879-1888, 2005.

LEBLANC, S. J., DUFFIELD, T. F.; LESLIE, K. E.; BATEMAN,K. G.; KEEFE, G. P.; WALTON, J. S.; and JOHNSON, W. H.; 2002. The effect of treatment of clinical endometritis on reproductive performance in dairy cows. Journal. Dairy Science. v. 85, p.2237-2249.

McDOUGALL, S.R.; MACAULY, R.; COMPTON, C. Association between endometritis diagnoses using a novel intraveginal device and reproductive performance in dairy cattle. Animal Reproduction Science, v.99, p.9-23, 2007.

NOAKES, D.E; PARKINSON, T.J; ENGLAND, G.C.W.; ARTHUR, G.H. Arthur´s veterinary reproduction and abstetrics, 8th ed., Elsiever Science, Ltd, London, 2002.

PLETICHA, S.; DRILLICH, M.; HEUWIESER, W. Evaluation of the Metricheck device and the gloved hand for the diagnosis of clinical endometritis in dairy cows. Journal of Dairy Science, v.92, p.5429-5435, 2009.

VALLADA, E.P. Atheneu, Manual de Técnicas Hematológicas, São Paulo: 1999.

RICARDA MARIA DOS SANTOS

Professora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia.
Médica veterinária formada pela FMVZ-UNESP de Botucatu em 1995, com doutorado em Medicina Veterinária pela FCAV-UNESP de Jaboticabal em 2005.

JOSÉ LUIZ MORAES VASCONCELOS

Médico Veterinário e professor da FMVZ/UNESP, campus de Botucatu

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