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Quartos com maior abertura de tetos são mais susceptíveis a terem novas infecções intramamárias

POR GRUPO APOIAR

GRUPO APOIAR

EM 07/07/2017

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Muitas vezes somos questionados sobre qual é o impacto do sistema de ordenha sobre a incidência de mastite em rebanhos leiteiros. Esta pergunta é um tanto complexa para se ter uma única resposta, pois além da mastite ser uma doença que apresenta diversos fatores de risco, os sistemas de ordenha, o ambiente e as características das vacas interagem e podem resultar em diferentes respostas para cada rebanho.

Estudos americanos relataram que vacas ordenhadas com sistema de ordenha “regulado” apresentam baixa ocorrência de novas infecções intramamárias causadas pelo sistema de ordenha. Um estudo estimou que menos de 20% das infecções intramamárias são devido ao sistema de ordenha. Porém, outros resultados de pesquisa mostraram que este número pode ser muito maior em sistemas “não regulados”, especialmente quando são considerados efeitos a longo prazo, como o aumento do escore de abertura dos tetos, associado também com a ocorrência de hiperqueratose.

Basicamente, pode-se considerar que o sistema de ordenha afeta a incidência de mastite em rebanhos leiteiros pelos seguintes meios:

1) Mudanças no número de patógenos na pele ou no orifício do teto;
2) Mudanças na resistência do canal do teto em evitar a invasão de patógenos causadores de mastite;
3) Proporcionar forças para quebrar a resistência de entrada de bactérias no canal do teto;
4) Disseminação de patógenos para o interior do úbere;
5) Frequência e/ou grau de esvaziamento do úbere.


O grau de infecção próximo ao orifício do teto (item 1) é pouco influenciado pelo sistema de ordenha quando comparado aos manejos pré-ordenha. Porém, o sistema de ordenha pode ter forte influência na remoção de queratina do teto e aumento da abertura do orifício do teto (item 2), bem como proporcionar condições para o influxo de leite para dentro da glândula mamária (itens 3 e 4), sendo estes considerados os principais efeitos do sistema de ordenha sobre a incidência de mastite.

O aumento do vácuo na ponta do teto aumenta o risco de lesões na pele do mesmo, proporciona fechamento mais lento do canal, maior remoção de queratina, e, consequentemente, aumenta o grau de hiperqueratose dos tetos, resultando em maior risco de infecções intramamárias.

Para avaliar esta hipótese, um estudo foi conduzido por membros do Grupo Apoiar, Laboratório Qualileite FMVZ-USP e a empresa DeLaval. Neste estudo, um total de 4.953 avaliações de escore de condicionamento de tetos foi realizado, sendo que este escore variou de 1 a 5, sendo 1 considerado abertura normal do teto, e 5 extremamente aberto.

Do total de quartos avaliados, 330 (6,7%) apresentaram infecções intramamárias  (NIMI). Foi observado que quartos mamários com escore 5 de abertura de tetos após a ordenha (escore máximo de abertura de tetos) teve 12,5% de NIMI, enquanto que quartos sem abertura de tetos (escore 1) tiveram apenas 1% (Figura 1). O risco de incidência de NIMI aumentou de acordo com o aumento do grau de abertura de tetos, o que prova que fatores como regular o vácuo adequadamente ao sistema de ordenha de cada fazenda e evitar a sobreordenha podem minimizar os efeitos negativos do sistema de ordenha sobre os tetos e o risco de novas infecções intramamárias.

Figura 1 – Representação dos escores de abertura de tetos de 1 a 4.



Figura 2 - Proporção de quartos (±EPM) com novas infecções intramamárias (NIMI) por escore de abertura de tetos avaliados logo após a ordenha, antes da realização do pós-dipping.



Demais efeitos do sistema de ordenha associados com o aumento do risco de mastite:

A regulagem, manutenção e manejo de ordenha também estão associados com demais fatores que podem facilitar a entrada de micro-organismos na glândula mamária. 

Flutuações de vácuo:

As flutuações de vácuo podem ser basicamente classificadas como cíclica ou acíclica. A flutuação cíclica é causada pela pulsação, e a acíclica pelo influxo de ar e leite. Alta flutuação cíclica pode fazer com que de 2% a 12% dos quartos se tornem infectados, e quando ocorre combinação das flutuações cíclicas mais acíclicas estima-se que 30% a 65% dos quartos se tornem infectados. As principais causas de flutuações acíclicas estão associadas com deslizamento e queda de teteiras e pulsação forte (rompe a vedação entre o teto e a borracha da teteira).

Uma ordenha sem pulsação:

- Remove cerca de 10 a 20% da queratina

Uma única ordenha mecânica com pulsação normal:

- Remove cerca de 40% da queratina

Figura 3 – Flutuação cíclica de vácuo em aproximadamente 40 kPa (Fonte: Ortega, 2013).



Figura 4
– Flutuação acíclica causada principalmente por influxo de ar e leite (Ortega, 2013).



Figura 5
– Esquema de deslizamento de teteira associado com flutuações acíclicas e aumento do risco de infecções intramamárias (Adaptado de Ortega, 2013).



Recomendações de regulagem de sistemas de ordenha

Limite de saque das teteiras:

Durante muito tempo o limite de retirada das teteiras, em equipamentos em que este processo é automático, foi estabelecido como 200 g/min. Porém, estudos mostraram que aumentar este limite, de 200 para 400 g/min, não reduz a produção de leite da vaca e nem aumenta o risco de mastite, muito pelo contrário, o aumento deste limite auxilia na manutenção da integridade da abertura dos tetos e consequentemente na prevenção de novas infecções. Há algumas recomendações em rebanhos de vacas de alta produção, ordenhadas três vezes ao dia, de utilizar o limite de extração de 600 a 1000 g/min, também obtendo resultados satisfatórios na integridade dos tetos sem redução da produção de leite.

Regulagem de vácuo:

O nível de vácuo na ponta do teto é considerado alto quando alcança 42 +/- 2 kPa; moderado com 38 +/- 2 kPa e baixo: 34 +/- 2 kPa. Alto kPa é recomendado no pico de fluxo de leite.

Nível de vácuo do sistema de ordenha:

Linha Baixa: 42 a 44 kPa
Linha Média: 45 a 47 kPa
Linha Alta: 48 a 50 kPa

Vale ressaltar que o nível de vácuo do sistema de ordenha pode ser mais alto quando são utilizados conjuntos de ordenha com ventilação na cabeça da teteira.

Características da pulsação:

A pulsação recomendada é de 57 a 63 pulsos/min, mas, tão importante quanto a frequência de pulsação, é o tempo de cada fase da pulsação, chamadas de fases A, B, C e D. A fase A é onde a teteira começa a se abrir, na fase B ela está totalmente aberta (fase de extração do leite), na C a teteira começa a se fechar e na D ela está totalmente fechada (considerada também como fase de massagem). Ou seja, durante o pulso, a maior parte do tempo o teto está sendo ordenhado, porém, a recomendação mínima da fase de massagem (fase D) é de 220 ms e 12 kPa de vácuo.
 

Recomendações de tempo para cada fase de pulsação (considerando 60 pulsos/min):

Fase A: 110 a 180 ms.
Fase B: 370 a 470 ms.
Fase C: 120 a 180 ms.
Fase D: 220 a 280 ms.

Este assunto é discutido em uma das videoaulas do curso “Influência do ambiente na ocorrência de mastite”, ministrado pelo Médico Veterinário Eduardo Pinheiro, consultor em qualidade do leite e controle de mastite. Confira o conteúdo completo!

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Referências bibliográficas

Gentilini, M., M. L. Benavides, E. S. C. Pinheiro, C. M. M. R. Martins, and M. V. Santos. 2016. Quarters with high teat end condition scores are more likely to have new intramammary infections. Pages 124–125 in NMC 55th Annual Meeting Proceedings, Glendale, AZ.

Mein, G. A. 2012. The role of the milking machine in mastitis control. Vet Clin North Am Food Anim Pract. Jul;28(2):307-20. doi: 10.1016/j.cvfa.2012.03.004.

Ortega, R. 2013. Resultados da Investigação Mais Recente em Qualidade do Leite - Curso Internacional de Mastites. Palestra. Pirassununga, SP.
 

GRUPO APOIAR

O "Grupo Apoiar" foi criado com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento da pecuária leiteira, através de trabalhos de pesquisa e de consultoria em diversos segmentos da cadeia agroindustrial do leite.

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GRUPO APOIAR

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/07/2017

Corrigindo: Sr Valdimir.
GRUPO APOIAR

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 17/07/2017

Bom dia, Sr. Valdir. Se for linha baixa, o vácuo de trabalho deve estar entre 42 e 44 kpa, já em linha média 46 a 48 kpa. No entanto, o mais importante é sempre checar o vácuo médio no coletor durante a ordenha, que precisa estrar entre 36 a 40,5 kpa. Qualquer outra dúvida que tiver é só perguntar! Abraços do Grupo Apoiar!
VALDIMIR

LIMEIRA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2017

qual o nível de vácuo que devo trabalhar na ordenha no fosso.