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Descubra como a mastite pode impactar sua produtividade

EDUCAPOINT

EM 21/05/2019

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A mastite é considerada a doença que mais causa prejuízos para a produção leiteira mundial. Estima-se que a redução da produção de leite responda por 70% de todos os custos da mastite, que vão desde os custos com medicamentos, descarte de leite, efeitos negativos sobre a reprodução e qualidade do leite, descarte de animais, entre outros.

Essa doença traz grandes prejuízos tanto para o produtor quanto para a indústria leiteira. E essa talvez seja uma das principais razões pelas quais a mastite é uma das doenças mais estudadas mundialmente.

Uma das principais razões pelas quais a mastite traz prejuízos é devido à menor capacidade de produzir leite dos animais acometidos pela doença. A vaca com mastite tem uma menor produção de leite, seja porque a glândula mamária não consegue produzir a quantidade de leite produzida por uma vaca sadia, seja porque o leite produzido tem alterações em sua composição.

Assim, a principal razão pela qual a mastite deve ser controlada e prevenida dentro dos rebanhos leiteiros é reduzir as perdas de produção de leite.

Confira no gráfico abaixo resultados de um estudo feito no Canadá, que mostra a redução na produção de leite em vacas com mastite:


Gráfico 1: Redução na produção de leite por causa da mastite

O gráfico mostra que uma vaca de primeira lactação que tenha a média de contagem de células somáticas (CCS) de 500 mil células/ml tem uma estimativa de perda de produção em comparação com as outras vacas do rebanho sob as mesmas condições de alimentação, instalação, genética, de aproximadamente um litro de leite por dia. Quando a CCS chega a 1 milhão, a perda de produção chega a quase dois litros de leite.

Já as vacas que não são primíparas, o impacto na produção de leite gerado pela CCS de 500 mil células por ml é da ordem de dois litros de leite por dia em comparação com os animais saudáveis. Quando a CCS chega a próximo de 1 milhão, a perda é de quase 3 litros de leite por dia.

Assim, um rebanho com uma CCS média de 400 mil células por ml, que é a média do Brasil, a estimativa de perda é de aproximadamente 500 litros por lactação por vaca, conforme mostra o gráfico abaixo:


Gráfico 2: Perdas de produção por mastite subclínica

Isso dá uma boa ideia do impacto da mastite na produção de leite. Considerando um rebanho com uma média de 30% a 40% dos animais com mastite, isso significa que essas vacas estão tendo todos os custos associados à produção de leite (alimentação, funcionários, saúde, equipamentos), mas não estão retornando a quantidade de leite que têm potencial de produzir.

Tipo de microrganismo causador da mastite

Um outro nível de perdas relacionadas à mastite varia de acordo com o tipo de microrganismo que está causando a doença. O gráfico abaixo dá uma ideia dessas diferenças:


Gráfico 3: Perdas na produção de leite causadas por diferentes microrganismos causadores de mastite

Nota-se que o agente que mais causa prejuízo em termos de produção de leite é o Streptococcus agalactiae, que gera maior resposta de produção de células somáticas. Essa alta CCS, por sua vez, gera a grandes perdas de produção de leite.

Por outro lado, agentes chamados de secundários, como Staphylococcus coagulase negativa e corynebacterium, causam mastite, mas com uma menor resposta inflamatória, de forma que as perdas são menores.

Impacto sobre a qualidade e preço

A maioria dos laticínios que compram leite pagam pelo produto com base na qualidade, ou seja, leite com baixa CCS recebe uma bonificação, que pode variar de 3 a 4 centavos por litro, enquanto, por outro lado, rebanhos com uma CCS alta terão uma penalização no preço do leite, que também pode variar de 3 a 4 centavos.

Assim, considerando um produtor que tenha CCS abaixo de 200 mil células por ml, que recebe a maior bonificação, e produtores acima de 500-600 mil células por ml, que recebem as maiores penalizações, a diferença do preço do leite pode ser de 6 a 7 centavos, o que implica em maior lucratividade ou não do produtor.

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