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Manejando os animais no período das águas - aspectos a serem considerados

POR COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

COWTECH

EM 01/11/2001

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O período chuvoso está começando na maioria das regiões brasileiras. Com ele chega também o calor e a umidade relativa do ar (UR%) aumenta. Este é um quadro típico de regiões tropicais e bastante indesejado para a produção de leite. Quem mais sofre são os animais, cujo principal sintoma causado por este problema é a queda na produção de leite, particularmente em função da redução no consumo de matéria seca, pela tentativa do animal de reduzir a produção interna de calor.

Uma série de medidas devem ser tomadas para evitar essa queda no consumo e conseqüente redução na produção. Com a crise financeira do setor, torna-se ainda mais difícil convencer o produtor a tomar algumas medidas preventivas que num primeiro momento podem aparentar uma elevação nos custos de produção, mas que são essenciais para a saúde e otimização do desempenho animal. Na realidade, mais uma vez, independente do sistema de produção adotado, temos que trabalhar com uma série de fatores em conjunto. A resolução de um aspecto isolado no manejo, sem que haja uma avaliação conjuntural do problema dentro do sistema de produção, pode apenas aumentar o prejuízo do produtor.

No presente artigo, estaremos abordando uma série de problemas que envolvem o manejo dos animais no período chuvoso, e possíveis soluções e alternativas para amenizá-los.

Sombreamento natural

Procure aproveitar ao máximo os recursos arbóreos disponíveis na sua propriedade. De acordo com estudos, este seria o melhor tipo de sombreamento para o animal. Não confunda sombreamento natural com a presença de uma única árvore em seu pasto, onde todos os animais se abrigam nas horas mais quentes do dia. O ideal seria uma fileira de árvores no piquete, no sentido norte-sul, de modo que se minimize o problema de barro embaixo das árvores. Estes cuidados, destacamos, não devem ser tomados apenas com os animais em lactação, mas também com os animais secos, principalmente aqueles que já se encontram no período de transição (21 dias antecedentes ao parto). A foto abaixo demonstra uma seqüência de árvores localizadas num piquete de animais em transição, sendo as mesmas cercadas, no sentido norte-sul. Os animais no momento estão se alimentando junto ao cocho, e posteriormente podem buscar a sombra junto as árvores.



O croqui abaixo mostra a disposição deste piquete:



Sombreamento artificial

Antes de construir, pense! É realmente necessário? Para que estou realizando esta construção? Este é o local mais adequado? A pergunta principal seria:

Qual será o retorno esperado com um possível investimento, como por exemplo, a construção de um barracão?

Como dito anteriormente, diante da atual situação, a palavra investimento causa ainda mais arrepios do que em momentos econômicos mais favoráveis. Este trauma deve ser eliminado. Para isso, devemos fazer a seguinte pergunta:

Como e em que investir?

Soluções inteligentes e baratas apresentam bons resultados com baixo custo. Um bom sombrite, bem manejado, com constante e adequada manutenção (reformas), tende a ser eficiente e funcionar por muitos anos, sendo uma solução satisfatória e de baixo custo de implantação e manutenção. A sua orientação deve ser a mesma no caso das árvores, ou seja, no sentido norte-sul, contrário à orientação do sol, fazendo com que a sombra não se acumule apenas embaixo do sombrite. Um detalhe importante, consistindo num erro bastante comum, deve ser considerado: não devemos construir sombrites pequenos, ou quadrados. O ideal seria a construção de sombrites retangulares com o maior comprimento possível (este por sua vez teria que se adaptar às dimensões do piquete), para evitar a concentração de animais, diminuindo a formação de barro, garantindo também maior conforto individual. Pequenos bosques são também soluções interessantes que devem ser utilizadas numa propriedade. É importante que o produtor tenha sempre em mente o bom senso e tenha vontade acertar! Isso deve ser destacado porque muitos produtores tendem a se acomodar depois de algum tempo. É comum visitarmos fazendas que acabaram de construir sombrites, todos muito bem confeccionados e funcionais. Depois de um intervalo de tempo, não muito longo, realizamos nova visita e encontramos os mesmos em condições precárias, perdendo, desta maneira, sua função. A foto abaixo apresenta um sombrite bem instalado e funcional.



A condição de conforto oferecida, pelo sombrite acima:



Manejo de piquetes

Em muitas fazendas, os animais são alojados em piquetes, recebendo o trato (alimentação) em cochos, muitas vezes descobertos. A cobertura dos cochos é um fator a ser considerado, pois a chuva pode acelerar o processo de deterioração do alimento, causando desperdício e, conseqüentemente, aumentando os custos por ineficiência. Outros fatores devem ser avaliados para se decidir pela cobertura, como os riscos com uréia, seja com fornecimento de concentrado independente do volumoso, ou com mistura ineficiente de ambos. Nas horas mais quentes do dia, os animais tendem a se recolher, buscando sombra e ventos dominantes, limitando o consumo de MS. Com o cocho coberto, tal comportamento também seria notado, porém amenizado, com estímulo maior ao consumo, principalmente no caso dos animais de maior produção e, portanto, com maiores necessidades em nutrientes para atenderem sua produção.

É importante que o cocho seja coberto e bem ventilado e não podemos esquecer de avaliar o tipo de cobertura utilizada (material) e altura do pé direito. A cobertura deve ter no mínimo 3,5 metros de altura de pé direito e materiais como cimento-amianto (calhetão), apesar de mais baratos, não são bons isolantes térmicos, sendo muitas vezes prejudiciais. Quando não existe a possibilidade financeira de se investir, usando-se a criatividade, com consentimento e orientação técnica, pode-se chegar a bons resultados. As fotos abaixo, em diferentes fazendas em SP, apresentam a solução encontrada pelos produtores para amenizar este tipo de problema, também com o uso de sombrites.

Fazenda 1:



Fazenda 2:



Com as chuvas constantes, a formação de lama passa a fazer parte do dia-a-dia do produtor causando danos consideráveis, principalmente no aspecto sanitário (aumento de mastite, problemas de casco) das vacas. Uma possível solução, e barata, para este tipo de problema, seria o manejo do piquete com cerca elétrica, isolando as áreas com maior formação de lama. Está é uma solução de baixo custo que requer vontade e disciplina, pois o isolamento pode ser uma rotina constante, muitas vezes diária. Para tal é necessário, porém, que o piquete não seja pequeno, com elevada lotação (neste caso tal saída passa a ser inviável, restando o desconforto dos animais).

Não podemos deixar de mencionar fatores como a presença de piso de concreto, na linha do cocho, para facilitar a remoção do esterco. Nas fazendas que não possuem piso, é comum deparamos com cenas desagradáveis como animais enterrados na lama, muitas vezes submergidos até os tetos na fétida e contaminada massa orgânica formada pela combinação: urina + água das chuvas + fezes + terra. Convenhamos, alguns cuidados não podem deixar de ser lembrados. A confecção do piso é de extrema importância para a sanidade dos cascos dos animais. O produtor não pode se esquecer que aquele piso vais ser submetido à constante carga dos animais que por ali circularão, além da ação corrosiva dos dejetos e da carga do maquinário utilizado na limpeza, geralmente a combinação trator+lâmina. A rotina de limpeza deve ser avaliada quanto à sua freqüência (número de vezes ao dia) sendo recomendado que este processo seja realizado quando os animais estão sendo ordenhados. O implemento utilizado exerce também um papel fundamental dentro deste processo. Sempre que possível, o fazendeiro deve adaptar ou confeccionar uma "lamina especial", que nada mais seria do que protegê-la com uma tira de borracha resistente, para evitar o desgaste do cimento e também do implemento.

Fonte: MilkPoint (diversos)

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