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Dicas e cuidados com o manejo da alimentação visando o aumento da produção de leite - parte II de II

POR COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

COWTECH

EM 10/07/2019

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João Paulo V. Alves dos Santos, Engenheiro Agrônomo da Cowtech Consultoria e Planejamento Ltda.

Confira a primeira parte deste artigo aqui.

4) Produção, consumo e conforto animal

Gostamos muito da combinação e associação das palavras, acima. Para produzirmos leite precisamos garantir o quê?

Consumo > para termos consumo precisamos garantir o quê?

Conforto > por ser multidisciplinar a produção de leite é intrigante e desafiadora para todos. No entanto, é prestando atenção em conceitos simples e, extremamente importantes, que garantimos e aumentamos a chance de sucesso na maioria dos sistemas de produção em vigor.

O produtor de leite tem uma característica natural de ser competitivo e inovador, porém fazendo uso das palavras de um grande amigo produtor de leite e muito reconhecido no Brasil:

“Quem inventa é inventor!”

Para produzirmos leite de forma eficiente não precisamos inventar. Precisamos garantir a aplicação dos conceitos básicos. Não é necessário complicar. As escolhas precisam ser inteligentes e deve haver um raciocínio lógico na tomada de decisões. Somos constantemente abordados e questionados por produtores em nossas visitas:

“Estou pensando em comprar um vagão novo e trocar a minha ordenha porque do jeito que está não dá mais! Fulano ali comprou 2 vagões, trocou o trator, mudou a ordenha, fez vários investimentos. Estava produzindo 2.000L por dia e agora está com quase 5.000L.... Você acha que vale à pena comprar um vagão desses aí? Tipo TMR?”

Quem está certo e quem está errado? Ninguém. Cada fazenda tem o seu momento e a ordem certa para investimentos. A compra de um vagão TMR pode ser um grande salto, de fato, evolutivo, dentro do manejo da alimentação de um sistema de produção de leite. Porém, requer cuidados. Se os animais são alimentados em cocho a céu aberto, com fornecimento de volumoso variável ao longo do ano, tanto em quantidade como qualidade, se o perfil genético-produtivo do rebanho é de nível médio, torna-se complicada a indicação destes equipamentos. Obviamente que o salto de uma “carretinha” de alimentação para um vagão auto-carregável é significativo e trará melhorias, porém num sistema caracterizado conforme o exemplo (não padronizado) nem sempre é possível obtermos bons resultados frente o investimento realizado.

"Obviamente que o salto de uma “carretinha” de alimentação para um vagão auto-carregável é significativo e trará melhorias, porém num sistema caracterizado conforme o exemplo (não padronizado) nem sempre é possível obtermos bons resultados frente o investimento realizado"

O que recomendamos e analisamos em primeiro lugar não é o que vai ser usado para veicular o alimento mas sim se há oferta boa de alimento (volumoso e concentrado) e se há condições do alimento ser consumido, portanto, o raciocínio correto é de trás para frente.

Anote:

a) invista sempre antes de tudo em conforto. Garanta que suas vacas possam consumir o alimento que você oferece;

b) investir em conforto promove sempre ganhos diretos e indiretos (produção e reprodução, respectivamente, dentre outros como sanidade geral do rebanho, maior imunidade, etc);

c) Comece, sempre, pela sala de espera e ordenha (projeto de climatização);

d) Avalie a sua instalação de confinamento e verifique qual sistema de conforto você oferecerá para seus animais consumirem o alimento fornecido;

e) Invista em equipamentos de alimentação que otimizem o consumo de alimento depois que você ajustou as condições aumento de consumo.

Hoje em dia é discutida a questão do tipo de instalação ou sistema de produção. Não é o tipo de instalação ou galpão que devem ser discutidos, mas sim qual o “sistema de conforto” que oferecemos aos nossos animais. Quanto mais sensíveis forem nossas vacas, demandaremos sistemas mais intensivos para que tenhamos as respostas esperadas adequadas. Realize um projeto. Saiba onde você quer chegar e porque precisa ou deve atingir uma dada produção. Uma vez estabelecido estes critérios, quais serão os próximos passos. É importante ter uma visão global e compreender que determinadas ferramentas são imprescindíveis ao processo. Recomendamos o trabalho com TMR, porém, verifique antes se há a possibilidade de se trabalhar, adequadamente, com os conceitos recomendados e consagrados.

5) Alternativas inteligentes para otimizar o rendimento do manejo da alimentação

Qual é o melhor equipamento a ser adquirido? Quais são as ferramentas disponíveis em termos de máquinas que podem nos auxiliar, significativamente, no nosso dia a dia e que podem gerar excelentes respostas? Vale à pena investir em tecnologia para alimentação de rebanhos? Estas são apenas algumas perguntas interessantes, dentre muitas outras que podemos realizar que devem ser respondidas.

Além de vagões TMR’s auto-carregáveis e auto-carregáveis auto-propelidos (para fazendas maiores), existe no mercado a possibilidade do emprego e uso de softwares específicos para o gerenciamento das balanças dos vagões e o controle “do quê?” está sendo realizado na fazenda em termos de manejo de alimentação. Alguns sistemas (softwares) são fabricados e disponibilizados por alguns fabricantes de vagões TMR’s e existem programas (softwares) independentes que podem ser adaptados (upgrade) a alguns tipos de balanças.

É importante sabermos que um vagão básico, equipado com balança pode:

a) pesar ingredientes de forma acumulada;

b) pesar ingredientes de forma programada: você programa a dieta na balança e, mediante o número de cabeças a serem alimentadas a mesma realiza o cálculo da quantidade total de cada alimento a ser carregada;

c) ter a programação de suas balanças realizada por meio softwares capazes de emitir relatórios gerenciais de controle de carga e descarga de forma automatizada por meio de pendrive (ou dispositivo similar) que realiza a transferência dos dados programados e “conversa” com o notebook ou o desktop e a balança do equipamento.

Os equipamentos mais básicos efetuam as etapas “a” e “b”, acima. Os sistemas mais avançados realizam as etapas “a”, “b” e “c”.

De acordo com o tamanho da propriedade e número de animais a serem alimentados, diariamente, há sempre uma melhor opção. A partir de 200 animais em produção o emprego de sistemas gerenciados por softwares traz excelentes resultados.

Como funciona e quais as vantagens do uso de um sistema de alimentação gerenciados, dessa forma, em propriedades?

A primeira indicação para esse tipo de sistema é: aumentar o nível de controle e facilitar o manejo como um todo. Muitos produtores consideram o software como algo mais complexo ou indicado para larga escala porém esse é um paradigma que deve ser quebrado. Acreditamos que o futuro seja o emprego 100% de sistemas de alimentação controlados por softwares. A segunda indicação seria aumentar a margem de segurança das operações e permitir uma carga e descarga de melhor qualidade (controlada). A terceira indicação é a possibilidade de gerenciarmos os erros de perdas no sistema.

Como funciona?

Num sistema de alimentação via TMR com software programável é possível:

a) Plotar diferentes dietas da propriedade, com infinidade de diferentes ingredientes;

b) Realizar alterações na dieta (como por exemplo, teor de matéria seca dos ingredientes, particularmente de forragens; que oscilam mais), a qualquer momento;

c) Programar a distribuição da dieta em diferentes lotes (cochos) e de forma diferenciada. Exemplo: Lote 1 recebe a Dieta A, 3 vezes por dia, Lote 2, recebe a Dieta B, 2 vezes por dia e Lote 3 a Dieta C, 1 vez por dia.

d) Aumentar ou reduzir de forma percentual o consumo de cada lote no momento desejado. Exemplo: lote de alta produção de uma dada fazenda, consumindo 3 tratos por dia. Eu posso aumentar em 10% a quantidade fornecida no trato da manhã, 5% no trato do meio dia e 10% no trato da noite. Ao todo esse lote estará consumindo 8,3% acima da dieta-base predicada, porém distribuída de forma individualizada no transcorrer do dia.


Além das opções acima, com um software de gerenciamento de sistemas de alimentação TMR podemos impor distribuições proporcionais de uma dada dieta para diferentes categorias. Exemplo: dieta de vacas secas é utilizada para a recria. Uma vaca seca consome 12 kg de MS/cab/dia e um determinado lote de recria deve consumir 6 kg de MS/cab/dia. É possível programar o sistema para realizar o carregamento de 50% da Dieta X (=Vacas Secas), para o Lote Y de recria.

Relatórios gerenciais:

Por meio de relatórios gerenciais disponibilizados por estes sistemas podemos avaliar:

a) Consumo médio mensal de cada ingrediente;

b) Controle de estoque;

c) Controle de carga: hora em que um determinado carregamento teve início e hora em que cada ingrediente foi carregado, além do comparativo entre quantidade predicada de alimento a ser carregada e quantidade efetivamente, carregada;

d) Controle de descarga: hora em que um determinado descarregamento teve início e hora em que cada lote recebeu alimento, além do comparativo entre quantidade predicada de alimento a ser descarregado em cada cocho e quantidade, efetivamente, descarregada, no cocho;

e) Controle financeiro do sistema de alimentação: ao cadastrarmos ingredientes no sistema e preços do insumos comprados, cadastramos a dieta-base predicada de cada lote a ser alimentado. O sistema é inteligente e amarra os dados com as operações de carregamento de descarga. Nos relatórios de carga de descarga conseguimos visualizar:

- Quantos kg de alimento um dado ingrediente foi programado para ser carregado
- Quantos kg a mais ou a menos foram, efetivamente, carregados e quanto isso representou em termos financeiros
- Qual foi a margem de erro média de cada carregamento e a conversão deste erro em capital (em R$)
- Quantos kg de alimento foram programados para serem distribuídos em cada lote, se houve descarga a mais ou a menos e a quantificação desse erro (em R$)

Além desses recursos, existem sistemas que operam com rede própria e hoje, já é possível por meio de aplicativos acompanharmos, em tempo real a operação de carga e descarga ou mesmo realizarmos alterações nas dietas em uso, na propriedade.

Nas propriedades que temos oportunidade de trabalhar com estes sistemas, promovemos reuniões semanais com operadores do trato para apresentações debate dos relatórios gerenciais como forma de controle e estímulo para operações cada vez melhores.

Se você tem interesse em conhecer um pouco mais sobre programas intensivos de sistemas de alimentação de bovinos de leite, realizar projeto ou debater suas dúvidas, entre em contato conosco! Será um prazer atendê-lo.

COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

Espaço para artigos e debates técnicos expostos por especialistas e equipe de consultores.

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