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Conceitos envolvendo o fotoperíodo no período de transição

POR JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

COWTECH

EM 02/07/2004

3 MIN DE LEITURA

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O aumento do número de horas de brilho solar (fotoperíodo), de acordo com experimentos recentes, tem sido correlacionado positivamente com a produção de leite. Segundo dados médios de pesquisas envolvendo o tema, o fornecimento de luz extra (artificial) em instalações como a exposição de 14 a 18 horas de luz/dia tem gerado um incremento na produção de leite ao redor de 2,3 kg/vaca/dia. Tal fato está correlacionado a maior ingestão de matéria seca (IMS) dos animais submetidos a maior exposição de luz (estímulo ao consumo). Assim, o fornecimento de luz extra para vacas em lactação pode ser considerado como uma ferramenta de manejo para o aumento da produção de leite, mas no caso de animais secos, este comportamento se mantém? Um maior fotoperíodo seria, também, benéfico para este grupo de animais? O artigo a seguir abordará resultados de trabalhos acadêmicos envolvendo este tema, em particular.

As pesquisas realizadas nos últimos anos envolvendo um maior fotoperíodo em vacas secas encontraram correlação positiva com a produção de leite, entretanto, diferentemente de vacas em lactação. Resultados recentes apontaram que dias mais curtos (menos horas de luz) durante o período seco resultaram em vacas com melhores lactações subseqüentes. Pesquisadores da University of Ilinois e University of Maryland (EUA), conduziram diversos experimentos envolvendo o tema nos últimos anos. De acordo com os dados coletados pelos pesquisadores daquelas entidades, a limitação do fotoperíodo de 14 a 18 horas para 8 horas diárias durante o período seco foi benéfica para a produção de leite, resultando em aumento de 3,2 kg de leite/vaca/dia. Segundo os autores das pesquisas, o aumento na produção de leite pode estar associado a um aumento no número de células secretoras de leite (epiteliais) na glândula mamária desenvolvidas durante o período seco. Tal fenômeno está, por sua vez, correlacionado com a produção de diversos hormônios associados ao desenvolvimento e crescimento dessas células (o menor fotoperíodo atuaria na produção/regulação destes). A redução do fotoperíodo gerou outros benefícios, segundo os pesquisadores, como uma menor incidência de doenças como mastite antes e pós o parto em função de uma melhoria no quadro imunológico destas vacas. De acordo com algumas pesquisas divulgadas, dias mais curtos apresentam correlação positiva com aumento na atividade imunológica de algumas espécies de animais.

Num estudo envolvendo 39 vacas, dois tratamentos foram realizados: dias curtos (8 horas de luz) e dias longos (16 horas de luz) em animais pré-parto (transição). Segundo os dados apresentados, os animais submetidos a menos horas de luz diária apresentaram uma redução significativa no quadro de retenção de placenta, ou seja, o grupo dos dias curtos apresentou uma incidência de 11% de casos de retenção de placenta contra 20% de retenção para os animais submetidos a dias mais longos. Da mesma forma, a incidência de mastite foi de 16% nos animais tratados com dias curtos e 30% para vacas no grupo de maior fotoperíodo.

Ainda é cedo para podermos definir, claramente, conceitos envolvendo o fotoperíodo associado ao manejo de animais secos. Desta forma, os dados apresentados acima servem apenas de "base" para o estabelecimento de uma nova frente de pesquisa e busca de novos conhecimentos. Um maior número de experimentos seriam necessários, principalmente em solo brasileiro. Partindo do pressuposto de que os dados iniciais envolvendo o tema estejam corretos, uma série de desafios teriam de ser superados. Como poderíamos controlar a duração da luminosidade (no caso de animais secos, a sua limitação). Tanto para animais em lactação (oferecimento de luz extra) como para vacas secas (redução da luz) a saída pode ser encontrada na utilização de instalações/infra-estruturas adaptadas, entretanto, por motivos econômicos a adoção desta tecnologia (ferramenta de manejo) pode ser inviável. Países quentes e úmidos como o Brasil requisitam instalações abertas e ventiladas. Desta forma o bloqueio da luz nestas estruturas certamente comprometeria resultados, principalmente nos meses mais quentes e úmidos do calendário. Existe ainda a possibilidade/tentativa de se corrigir dificuldades através da concentração de partos em dias mais curtos (inverno) através do uso de recursos tecnológicos associados ao manejo reprodutivo (estação de monta/sincronização). Da mesma forma, o emprego desta tecnologia também poderia encontrar adversidades no seu uso por questões econômicas na opinião de muitos produtores.

Fonte: Hoard's Dairyman, vol 149, n. 1 (2004)

JOÃO PAULO V. ALVES DOS SANTOS

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