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Avaliação experimental de sistema de produção de novilhas (G.P.D) e sua interação com diferentes graus de sangue Holandês

POR COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

COWTECH

EM 21/03/2003

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Nos dias atuais, cujos preços dos insumos, independentemente do sistema de produção adotado (pasto ou confinamento), estão limitando, cada vez mais, o espectro de ações envolvendo melhoria e intensificação no manejo em propriedades leiteiras, a análise de medidas que possam gerar economia são sempre pertinentes e importantes para a manutenção do produtor de leite na atividade. Diante deste foco abordaremos, no presente artigo, a questão do grau de sangue europeu (holandês) em animais mestiços x desempenho de animais jovens.

Há muito tempo na pecuária leiteira presenciamos discussões a respeito do melhor sistema de produção a ser adotado ou melhor raça e/ou cruzamento a ser realizado para obtenção de resultados positivos na atividade. No Brasil, a grande maioria das propriedades de leite tem na pastagem o principal meio de alimentar seus animais, havendo predominância do gado mestiço nestes sistemas de produção (leite a pasto).

Alguns aspectos conceituais, entretanto, apresentam pontos de congruência entre diferentes produtores, técnicos e demais envolvidos na atividade (por exemplo, o fato de que touros de raças especializadas para leite devem ser utilizados como "alavancas", para a melhoria do rebanho em termos de produção). A grande polêmica surge quando se discute que nível de inserção de sangue europeu (ex: holandês), devemos buscar para obtermos resultados satisfatórios em termos de produção de leite, rusticidade, ganho de peso, entre outros.

Mediante tal questão (inserção de sangue holandês em fêmeas zebu), abordaremos dados experimentais de uma pesquisa realizada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais - EPAMIG que, ao longo de 16 anos, analisou e coletou dados de ganho de peso de fêmeas com diferentes graus de cruzamento entre holandês e gir, alternado, com repetição do holandês. Foram avaliados 3 tratamentos (T1, T2 e T3), representados da seguinte forma:

T1 - 53 a 62,5% de sangue holandês;
T2 - 62,5 a 81% de sangue holandês;
T3 - 84 a 94% de sangue holandês

As pesagens foram feitas mensalmente para avaliação do ganho de peso diário (GPD), com as seguintes subdivisões quanto à idade:

- GPD de 0 a 2 meses;
- GPD de 2 a 6 meses;
- GPD de 6 a 12 mese;
- GPD de 12 meses a 330 kg.

Manejo dos animais:

As fêmeas recém-nascidas (80) foram separadas da mãe logo após o parto, sendo mantidas em baia coletiva com acesso a um piquete sendo este manejo substituído posteriormente (16 anos de pesquisa) por abrigos individuais (casinhas tropicais). Após período de colostro, foi fornecido concentrado a vontade e 3 litros de leite/cabeça/dia, uma única vez ao dia (período da tarde), até os 56 dias idade (desmama abrupta). Dos 56 dias aos 6 meses, as bezerras foram mantidas em pastagem de estrela africana, recebendo 2,2 kg concentrado/dia. No período da seca, tal categoria recebeu suplementação à vontade de silagem de milho. As bezerras de 6 meses a 1 ano de idade receberam um mistura de silagem de milho + capim elefante picado + 600 g de concentrado no período de inverno, permanecendo também o ano todo em piquete de estrela. No verão, tal categoria foi manejada apenas na estrela e mineral à vontade. As novilhas de 1 ano a 330 kg foram manejadas, igualmente a categoria anterior, ou seja, pastagem de estrela + mineral à vontade, entretanto no período seco a suplementação foi realizada com o fornecimento de 15 kg de cana picada + uréia (na forma nitro-mineral/proteinado).



A análise estatística dos dados apresentados acima, apontou apenas diferença significativa para novilhas entre 1 ano e 330 kg de peso, havendo um menor ganho de peso para animais com maior presença de sangue holandês (T3). Mesmo não havendo diferença estatísca (P>0,05) na avaliação dos animais de 2 a 6 meses, podemos observar uma leve tendência de melhores resultados para animais mais azebuados nesta fase (T1). Tal tendência também foi mantida na categoria seguinte (6 a 12 meses), cujos animais do T3 apresentaram tendência de menor GPD que os tratamentos T1 e T2. Na fase seguinte, com maior período de observação, com diferenças estatísticas significativas, foi possível comprovar a tendência das categorias anteriores com piores resultados para animais mais holandeses.

Comentário do autor: os dados apresentados, apesar do longo período de avaliação (16 anos), devem servir apenas como referência, uma vez que um maior número de experimentos semelhantes podem traduzir resultados mais seguros. Apesar dos resultados inferiores para animais mais holandeses, permanece a dúvida a respeito de ganhos com uma possível intensificação do manejo, traduzida pela possível manifestação de ganhos promovidos pela precocidade do sangue europeu (menor tempo para primeira parição). Todavia, tal experimento apresentou um manejo nutricional bem próximo à realidade das propriedades nacionais. Sendo assim, percebemos que em sistemas mais rústicos, a presença do sangue zebu pode representar economia de capital. Logo, o produtor que trabalha com animais mestiços e não possui condições de maiores investimentos em sistemas mais intensivos de criação deve atentar para a manutenção do padrão genético de suas fêmeas, procurando trabalhar em valores de inserção de sangue holandês próximos aos tratamentos T1 e T2.

Fonte: Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2001 - Piracicaba (SP), ref. 0348

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