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Aspectos positivos e negativos do uso de superlotação em sistemas confinados

POR COWTECH - CONSULTORIA E PLANEJAMENTO

COWTECH

EM 16/03/2001

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João Paulo V. Alves dos Santos

Uma questão bastante polêmica, sempre levantada por pesquisadores, técnicos e produtores é a superlotação das instalações, independentemente do sistema de produção adotado e da categoria animal em questão. Até que ponto podemos superutilizar um estabelecimento sem causar prejuízos sob o aspecto nutricional, ambiental (conforto) e sanitário num plantel leiteiro? No presente artigo, abordaremos o problema da superlotação, durante a lactação, particularmente no caso de rebanhos confinados em instalações do tipo free-stall.

O aumento do número de animais dentro de uma mesma área, teoricamente, representa maior ganho, uma vez que o custo fixo por animal, ou por litros produzidos, é reduzido. Em recente estudo realizado nos EUA, pela University of Wisconsin, a redução do custo por vaca, em projetos de expansão, foi de $390,00 (valor médio), com um aumento de 30% na taxa de lotação. A tabela 1 revela mais alguns detalhes:

Tabela 1

Tabela 1


Fonte: adaptado de Wisconsin Dairy Modernization Project (1999)
** valores em dólar


Cabe notificar que o levantamento acima foi realizado em 302 rebanhos que tiveram um crescimento no seu tamanho de pelo menos 40%. Podemos perceber que não ocorreu decréscimo significativo na produção de leite nas instalações superlotadas e, mais importante, o custo por vaca diminuiu.

Um outro dado interessante relatado no trabalho norte-americano, foi a avaliação da superlotação sob o ponto de vista do produtor, com relação aos quesitos: conforto animal e consumo. A tabela 2 retrata o resultado:

Tabela 2

Tabela 2


*score com escala variando de 1 a 5, sendo 1 para o grau de menor satisfação e 5 para o grau de maior satisfação
Fonte: Wisconsin Dairy Modernization Project


É interessante observarmos a unanimidade dos produtores com relação à lotação adequada, ou seja, uma cama por animal foi considerada a melhor situação tanto para conforto quanto para consumo. Fica claro, também, na opinião do produtor, que a superlotação é mais prejudicial (na média) em termos do comprometimento do consumo do que em relação ao bem estar das vacas.

De acordo com especialistas, o crescimento do rebanho deve ser analisado e planejado, havendo necessidade de especial atenção em aspectos importantes do manejo diário como nutrição, conforto e sanidade do rebanho. A seguir, alguns cuidados importantes a serem considerados, em cada um dos três fatores mencionados:

Conforto

De acordo com especialistas em conforto animal, para que o mesmo seja maximizado, não deve haver nunca superlotação. Em outras palavras, 1 vaca = 1 cama. De qualquer forma, caso encontremos uma situação de superlotação, alguns detalhes e medidas devem ser certificados, de modo que venham a amenizar o problema, como:

* adequada ventilação

* maior espaço disponível de cocho por animal

* adequado suprimento de água (quantidade, qualidade e localização de bebedouros)

* manutenção/higiene e perfeita reposição do material das camas

* dimensionamento correto do barracão (pé-direito, comprimento, largura)

* fluxo adequado dos animais, de modo que permaneçam o menor tempo possível na sala de espera (máximo de 1 hora).

Um recente experimento realizado pela Cornell University, ressaltou a importância em se otimizar o conforto animal em sistemas free-stall. Foram separado dois grupos de animais em barracões contendo 20 camas à disposição. Num barracão, foram colocados 20 vacas e no outro, 26. A tabela 3. resume o arranjo experimental:

Tabela 3

Tabela 3


Os animais foram observados a cada 15 minutos durante 24 horas, por um período de 3,5 semanas. Na média dos resultados, o barracão 1, a qualquer momento do dia apresentou 66% de suas camas ocupadas, ao passo que o barracão 2 apresentou 91% das suas camas utilizadas.

Nutrição

Os dados de pesquisa têm demonstrado que os animais realizam três grandes refeições diárias, gastando, em cada uma delas, por volta de 20 a 25 minutos. A superlotação aumenta a competição entre os animais, sendo que os dominantes acabam por eliminar uma ou mais das três importantes grandes refeições, de animais passivos e novilhas mais leves.

O experimento de Cornell acima relatado, demonstrou também que animais submetidos a superlotação realizaram refeições em diferentes períodos do dia, não concentrando o consumo no momento do trato ou após a ordenha. O trabalho demonstrou que somente 30 a 38% das vacas no barracão 2 (30% de superlotação) comeram dentro do intervalo de 1 hora após a ordenha e que 21 a 27% consumiram a dieta na primeira hora após o trato. Contrastando com estes números, os animais com lotação adequada, ou seja, do barracão 1, apresentaram comportamento significativamente distinto. Na primeira hora após a ordenha, 45 a 65% dos animais realizaram refeições e logo após o trato (primeira hora) 32 a 43% dos animais freqüentaram o cocho de alimentação. A tabela 4 resume o desenvolvimento:

Tabela 4

Tabela 4


A importância da observação do comportamento apresentado pelos animais no sistema superlotado é bastante relevante, uma vez que, na maioria das fazendas, a recomendação em termos de manejo de cocho é o fornecimento de alimento fresco sempre após a ordenha, visando a maximização do consumo de matéria seca/vaca. Como podemos observar na tabela 4, a porcentagem de animais que freqüentaram o cocho, logo após a ordenha, foi bastante superior para o lote com número igual de vacas e camas.

Sanidade

Com relação à sanidade de rebanhos submetidos a superlotações, medidas preventivas no tocante ao manejo sanitário devem ser tomadas, a fim de evitar maiores problemas em função do acúmulo de animais. A aglomeração de animais facilita a transmissão de possíveis doenças infecto-contagiosas, além de elevar a quantidade de esterco e urina nas instalações, sendo necessário maior cuidado com a higienização e limpeza das camas, bem como nos corredores existentes. Vale ressaltar que a presença de maior volume de esterco facilita o desenvolvimento de sérios problemas de casco, como por exemplo dermatite interdigital, além de facilitar e agravar possíveis casos de laminite.

Devemos sempre lembrar que a qualidade do piso de concreto é de suma importância, sendo que o mesmo não deve apresentar elevada rugosidade e nem deve ser liso o suficiente, a ponto de provocar constantes quedas nos animais que, por sua vez, não se sentem seguros ao movimentar-se, reduzindo a ingestão de MS. Um outro fator que consideramos é que o excesso de animais faz com que os mesmos venham a permanecer mais tempo de pé, aumentando injúrias nos cascos.

A recomendação é que sejam realizadas medidas preventivas como:

* vacinação correta

* uso de programas especiais para animais no período de transição, visando conforto e correta alimentação

* uso de programas de prevenção à mastite

Comentário MilkPoint: de acordo com a primeira tabela deste artigo, podemos perceber que a superlotação não interferiu na produção e diminuiu o custo por vaca diante de uma simulação experimental americana. De acordo com a opinião dos produtores que utilizam a superlotação, os animais não são severamente afetados em termos de conforto, o mesmo acontecendo com relação ao consumo. No entanto, é preciso cautela nestes dados, que vieram do estado de Wisconsin (EUA), de clima propício à produção leiteira. Por aqui, com clima bem mais quente, a situação talvez não seja esta.

Chama a atenção o experimento comportamental da Universidade de Cornell, cujos resultados apresentados na tabela 4 vão ao encontro da opinião dos produtores. Isso demonstra a importância da realização de pesquisas e divulgação de pesquisas para informação e orientação correta dos mesmos. Apesar da pesquisa da Universidade de Wisconsin apresentar resultados interessantes, diversos são os fatores que afetam o desempenho animal no aspecto nutricional, ambiental e sanitário do mesmo. Isso indica que uma avaliação criteriosa e particular de cada propriedade deve ser realizada para a tomada de alguma decisão, sendo o presente artigo uma referência para ser unida ao bom senso.


fonte: Dairy Herd Management, novembro 2000.

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