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Um breve levantamento sobre a atual situação da recria terceirizada de bezerras e novilhas nos Estados Unidos

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E LUCAS SILVEIRA FERREIRA

CARLA BITTAR

EM 22/04/2009

7 MIN DE LEITURA

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Em 2007, o Departamento Nacional da Agricultura dos Estados Unidos (Animal Health Monitoring System - NAHMS) conduziu um estudo com as 17 principais fazendas de leite do país, o que representava 79,5% do total de leiterias e 82,5% do total do rebanho leiteiro americano. Durante o mês de janeiro de 2007, produtores destas fazendas foram questionados sobre a utilização do sistema de recria terceirizada, gerando um panorama atual.

Recria terceirizada de bezerras de reposição

A criação de animais de reposição, principalmente durante a fase de aleitamento, representa cerca de 20% do total das despesas operacionais em uma fazenda leiteira, onde são investidos recursos com a alimentação, mão-de-obra e alojamentos dos animais, sem retorno financeiro satisfatório.

Dessa forma, é cada vez mais comum a adoção da recria dos animais "fora da fazenda", contratando-se serviço terceirizado. Neste sistema, fazendas especializadas criam um grande número de animais, representando ganhos econômicos em escala que lhes permitam produzir novilhas com um custo inferior ao de uma fazenda leiteira sozinha. As bezerras são transportadas para as fazendas com uma idade determinada, antes ou depois do desaleitamento, e são criadas com base em contratos que especificam as expectativas de cuidados de saúde e desempenho, juntamente com o pagamento de responsabilidades. Vários tipos de contratos são utilizados, por exemplo, os contratos em que os produtores pagam as fazendas por dia ou por quilo de ganho e contratos em que o produtor vende as novilhas para a fazenda de recria na entrega e mantém a opção de comprá-las de volta antes da parição.

Para fazendas com estrutura, mão-de-obra e outros componentes limitados, a adoção deste tipo de recria apresenta inúmeras vantagens. As fazendas de recria de bezerras têm como vantagens a mão-de-obra de funcionários especializados, dedicados ao trabalho só com bezerras, o que pode resultar num aumento da atenção para alimentação e, principalmente, a saúde dos animais. Também, levando a criação de novilhas para fora do local de exploração leiteira, trabalho e espaço físico, anteriormente dedicado a estes animais, podem ser utilizados em melhorias para os animais em produção. Entretanto, a vantagem mais importante da adoção deste sistema, além da redução de despesas, é produzir animais de reposição de forma mais eficiente, com ganhos de peso adequados, permitindo a parição dos animais com 24 meses de idade.

Por outro lado, uma desvantagem de se utilizar a recria terceirizada é a probabilidade de ocorrência de maior risco de introdução de novas doenças, decorrentes da mistura de rebanhos de novilhas de diferentes fazendas. Um estudo anterior mostrou que somente 6 de 57 fazendas de recria de bezerras e novilhas avaliadas mantinham os animais permanentemente separados, de acordo com a fazenda de origem, durante todo o período de criação. Outras desvantagens estão relacionadas com os custos de transporte dos animais e questões relacionadas a obrigações contratuais.

Dados da pesquisa:

Origem de novilhas

Embora 4,7% das fazendas possuam novilhas nascidas na própria fazenda, mas criadas em outro lugar, estas operações representam 11,5% do total de novilhas. Das novilhas restantes, 87,4% criadas na própria fazenda de nascimento, e quase todas as fazendas (96,5%) têm pelo menos algumas novilhas nascidas e criadas nela mesma (Figura 1).


Figura 1. Distribuição das novilhas nas fazendas de acordo com sua origem.

Novilhas criadas "fora da fazenda" - recria terceirizada

Cerca de 1 a cada 10 fazendas (9,3%) cria suas novilhas de forma terceirizada. Menos de 5% das pequenas fazendas cria suas novilhas fora da fazenda, em comparação aos 15,5% das fazendas médias e 46,0% das grandes. Aproximadamente um terço das grandes fazendas (35,3%) realiza a recria de seus animais em outra fazenda especializada. Também foram observadas diferenças nas porcentagens de fazendas que criam novilhas fora do local de nascimento entre as classes avaliadas - em aleitamento, desaleitadas, prenhes (Figura 2).


Figura 2. Porcentagem de fazendas que cria novilhas de forma terceirizada, por categoria e tamanho do rebanho.

Idade das novilhas enviadas às fazendas de recria

Os produtores que enviam qualquer classe de novilhas para recria foram convidados a identificar as principais classes enviadas para as fazendas especializadas. Metade das fazendas (50,1%) envia bezerras ainda em aleitamento, com animais com idade média de 4,9 dias, ou seja logo após o período de colostragem. As bezerras desaleitadas foram a principal categoria de novilhas enviada para recria em 44,1% das fazendas, sendo enviadas com uma idade média de 189,8 dias (aproximadamente 6 meses de idade). Apenas 5,8% das fazendas enviam novilhas com idade e peso de inseminação para recria, com uma média de 413,8 dias de idade (13,5 meses). A idade média em que todos os animais, independentemente de classe, são transportados para uma fazenda de recria é de 110,3 dias (3,6 meses).

Em relação ao tamanho das fazendas, aquelas de pequeno porte enviam para recria as bezerras desaleitadas (54,3%); as de porte médio enviam bezerras em aleitamento e desaleitadas em igual proporção (45,6 e 49,7%, respectivamente); enquanto as de grande porte enviam bezerras em aleitamento para recria (77,2%) (Figura 3).


Figura 3. Distribuição, em porcentagem, por categoria de idade e tamanho do rebanho para as fazendas que criam suas novilhas de forma terceirizada.

Idade das novilhas no retorno às fazendas de origem
Das fazendas que enviam novilhas ou bezerra para recria, cerca de dois terços (67,6%) recebe estas novilhas já prenhes, com uma idade média de 21,6 meses, de volta a fazenda. Cerca de uma a cada três fazendas (30,3%) trazem as novilhas de volta as suas fazendas de origem após o desaleitamento, com uma idade média de 7,0 meses. Apenas 2,1% das fazendas trazem de volta novilhas já paridas. A idade média em que todas as classes de novilhas retornam às fazendas de origem é 17,3 meses. Uma maior porcentagem de grandes fazendas (53,4%) traz de volta as novilhas desaleitadas, quando comparadas com as médias e as pequenas fazendas (27,3 e 15,1%, respectivamente) (Tabela 1).

Tabela 1. Porcentagem de novilhas quando retornavam a fazenda de origem, por categoria e tamanho do rebanho.


Distância entre a fazenda de origem e a de recria

A maioria das pequenas e médias fazendas transporta suas novilhas para propriedades a menos de 30 km para recria terceirizada, enquanto a maioria das grandes fazendas transporta suas novilhas entre 8 e 80 km. Cerca de 1 a cada 10 fazendas (10,6%) transporta novilhas a 80 km ou mais
(Tabela 2), distantes da fazenda de origem, entretanto, poucas transportam os animais para outros estados (4,1%).

Tabela 2. Distância entre a fazenda de origem e a e recria de acordo com o tamanho do rebanho, em porcentagem.



Neste levantamento, os produtores foram convidados a escolher o fator mais importante na escolha da fazenda para qual enviam seus animais. Para a grande maioria, o mais importante é a transmissão de doenças. Cerca de um terço das fazendas (36,2%) envia seus animais para fazendas onde estes não tenham contato com bovinos provenientes de outras fazendas; 27,7% destas fazendas enviam suas novilhas a uma única fazenda, e 8,5% enviaram suas novilhas a fazendas diferentes. No entanto, quase dois terços das fazendas que envia novilhas para recria (63,8%) as enviam para prestadoras de serviço onde estas tem contato com animais de outras fazendas (Figura 4).


Figura 4. Porcentagem de acordo com o manejo em relação ao contato com outros animais nas fazendas de recria.

Cerca de 8 a cada 10 fazendas que enviam novilhas para outra fazenda (81,1%) retiram seus próprios animais na propriedade de recria. Porém, cerca de 9,4% das fazendas vendem seus animais e recompram os mesmos animais no momento de sua retirada e 9,5% das fazendas vendem seus animais e compram, na retirada, animais provenientes de outras fazendas (Figura 5).


Figura 5. Formas de entrega e retirada dos animais, em porcentagem.

Referências

NAHMS-USDA Off-site heifer raising on U.S. dairy operations, 2007. Info Sheet, U.S. Department of Agriculture's, 4p., 2007.


Comentários

Em radares técnicos passados (novembro e dezembro de 2006) tratamos dos diferentes tipos de contratos utilizados e das vantagens e desvantagens econômicas e técnicas na recria terceirizada. A decisão de utilizar a recria de bezerras de forma terceirizada deve ser feita com base nas necessidades e objetivos de cada produtor. Além disso, o produtor deve considerar quanto a recria terceirizada pode representar em economia e vantagens para alcançar índices ótimos de criação de animais de reposição. O levantamento e descrição do cenário atual da contratação de serviço para recria de novilhas nos Estados Unidos pode servir como tomada de decisão para a criação e oferta deste tipo de serviço no Brasil.

Como mostra o levantamento, a maior parte das bezerras é criada na fazenda de nascimento. Assim, mesmo onde este tipo de contrato é comum, a maior parte dos fazendeiros ainda prefere criar suas próprias novilhas de reposição. A porcentagem de animais recriados em terceirizadas aumenta com o tamanho do rebanho, de forma que aproximadamente 1/3 das fazendas de grande porte envia bezerras ainda em aleitamento para serem criadas em outras fazendas. Entre animais recriados em fazendas especializadas, a maior parte é proveniente de fazendas de grande porte (mais que 500 vacas). Enquanto fazendas de grande porte enviam animais em aleitamento para recria terceirizada, fazendas de pequeno e médio porte encaminham os animais somente após o desaleitamento, quando as taxas de mortalidade são menores. Um dado importante também é que a maior parte das prestadoras de serviço se encontra a no máximo 30 km da fazenda de origem das novilhas.

Estes dados sugerem que a oferta deste tipo de serviço no Brasil deve ser feita em bacias leiteiras que possuam fazendas de médio e grande porte e oferecer serviços para recria de bezerras desde a fase de aleitamento até a prenhez.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

LUCAS SILVEIRA FERREIRA

Engenheiro agronômo formado pela UFSCar e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ - USP na área de nutrição e avaliação de alimentos para bovinos. Atualmente exerce a função de Nutricionista de Ruminantes na Agroceres MMX Nutrição Animal

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JUAREZ RIBEIRO LEITE

PIRANHAS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 25/07/2009

Esse estudo mostra o quanto é importante a especialização no setor de produção, e que no Brasil ainda estamos necessitando muito e muito de melhor qualificação para posteriormente nos especializarmos.
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/04/2009

Caro Fábio,

Peço que dê uma olhada no radar de 16/11/2006 (Planilha de Custo de Produção de Novilhas de Reposição: criação própria vs. Terceirização), onde vários leitores citaram experiências de terceirização realizadas por cooperativas ou mesmo fazendeiros. Lá você poderá encontrar possíveis contactos com pretadores deste tipo de serviço.
Um abraço,
Carla Bittar
FABIO LEANDRO NARESSI

RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 23/04/2009

Prezados Carla e Lucas!

Parabens pela pesquisa. Gostaria de saber se aqui no Brasil existe alguma fazenda que ofereça serviços de recria de animais como nos EUA?
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