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Probióticos nos fazem engordar?

Como todos sabemos o sobrepeso e a obesidade representam importante problema de saúde pública com números cada vez mais expressivos de pessoas acometidas por essa condição como uma bola de neve que só sabe aumentar. São muitos os fatores relacionados ao acúmulo de gordura tais como alimentação muito calórica, sedentarismo, metabolismo lento, fatores genéticos entre outros. Até aqui, nada de novo. Mas pesquisas relativamente recentes acrescentaram um elemento a mais: a microbiota (ou flora) intestinal.

Primeiramente, a microbiota intestinal é uma comunidade muito diversificada e populosa de micro-organismos que convivem conosco em delicado equilíbrio dinâmico. Cada um de nós apresenta um padrão único de microbiota, assim como nossa impressão digital. Acontece que dependendo dos micro-organismos que aí habitam pode ser observada uma maior capacidade de obter energia através da dieta, pela habilidade de quebrar fibras e extrair essa energia que poderá ser acumulada no nosso corpo na forma de tecido adiposo.

Imagine uma pessoa que já ingere muitas calorias e ainda por cima tem uma flora (ou microbiota) capaz de quebrar fibras de forma muito eficiente? O que aconteceria? Ganho de peso! Além desse mecanismo existem outros mais complexos para explicar o papel da flora intestinal no ganho de peso. É o que chamamos de “microbiota obesogênica”, traduzindo de forma engraçada, poderíamos dizer “flora engordativa”. Por outro lado, algumas pessoas não apresentam esse padrão de flora. Em estudo interessante foram transplantados flora de gêmeos magros e obesos em camundongos e observado que os que receberam flora de pessoas magras se mantiveram magros e os que receberam flora de pessoas obesas se tornaram obesos! Culpa de quem? Da “flora engordativa”!

Mas onde os probióticos entram nessa história? Acontece que na comunidade científica foi levantada uma pergunta: será que os probióticos não poderiam fazer parte desta comunidade de micro-organismos que ajuda a extrair energia ao máximo da dieta? Um exemplo disso seria a melhora no ganho de peso de animais de criação tratados com probióticos. A resposta veio de outro grupo de pesquisadores que afirmaram não haver link entre probióticos e obesidade. Segundo eles na pecuária os probióticos são empregados para promover ganho de peso resultante da melhora da função intestinal e resistência a infecções e não por desequilíbrio metabólico que resulta em obesidade.

Então temos duas boas notícias. A primeira é que probióticos não engordam. A segunda é que agora podemos colocar a culpa na “flora engordativa” pelos quilinhos a mais...

Referências bibliográficas:

Delzenne & Reid. No causal link between obesity and probitics. Nature Reviews Microbiology 7, 901 , 2009.

Turnbaugh et al. An obesity-associated gut microbiome with increased capacity for energy harvest . Nature 444, 1027-1031 2006. 

Ridaura et al. Gut microbiota from twins discordant for obesity modulate metabolism in mice. Science 341: 1079. 2013. 
 

ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas-FCA/UNICAMP. Graduação em Nutrição (UFPEL), Mestrado em Ciência e Tecnologia Agroindustrial (FAEM/UFPEL), Doutorado em Alimentos e Nutrição (FEA/UNICAMP), Pós Doutorado no TECNOLAT/ITAL.

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