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Probióticos: hóspedes temporários

ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

EM 31/07/2015

2 MIN DE LEITURA

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Digamos que você nasceu após 9 meses de gestação, que seu nascimento foi por parto normal, que recebeu apenas leite materno e por ter boa saúde não precisou tomar antibióticos até o primeiro ano de vida. Dentro deste cenário ideal, seu intestino seria colonizado preferencialmente por bactérias do bem como lactobacilos (bactérias que podem ser isoladas do leite materno ou do leite de vaca) e bactérias bífidas (que quando observadas no microscópio têm o formato da letra Y). Garanto para vocês que cada um desses fatores é decisivo para determinar os grupos de bactérias que irão acessar nosso intestino e lá se estabelecerem. Mas mesmo dentro dessas condições ideais de chegada, alimentação e saúde, acontecerá uma diversificação desta comunidade de microrganismos ao longo dos ciclos da vida sendo que alguns “maus elementos” passarão a fazer parte do grupo. Exemplos disso são bactérias que produzem substâncias putrefativas e outras que eventualmente podem causar doenças. Bons e maus irão conviver em um equilíbrio dinâmico que pode ser quebrado em algumas situações e aí observamos problemas de constipação, diarreia e por aí vai... É como um jogo de xadrez, ou de futebol; temos times diferentes se enfrentando o tempo todo...

Ao longo da vida e, mais especificamente, durante o envelhecimento, vamos perdendo soldados bons e eventualmente os maus elementos passam a predominar. A boa notícia é que a indústria de alimentos, mais especificamente a de laticínios, têm agregado bactérias do bem (que chamamos de probióticos) em alguns de seus produtos.

Todos sabemos que se empregam algumas culturas de microrganismos (bactéria, leveduras ou bolores) para obtenção de vários tipos de alimentos (iogurte, vinho, vinagre, pão, chucrute, cerveja, queijos, etc.). Mas vale destacar que “probióticos” são microrganismos específicos, que apresentam capacidade de sobreviver ao processo de digestão e que vão se estabelecer (mesmo que por pouco tempo) em nosso intestino. Essas culturas têm sido estudadas cuidadosamente e acrescidas em alguns produtos, especialmente os lácteos. O carro chefe da adição de probióticos em todo o mundo são os iogurtes e demais leites fermentados, mas outros produtos lácteos também podem ser encontrados no mercado. No Brasil os produtos lácteos probióticos estão mais restritos aos iogurtes e demais leites fermentados, certos tipos de queijos e algumas fórmulas lácteas infantis; mas no mercado internacional outros lácteos probióticos são comercializados, como leite não fermentado, sorvetes, manteiga, buttermilk, kefir (em base leite).

Desta forma, existem produtos lácteos que são bons aliados de nossa saúde geral por aportarem bactérias do bem ao nosso intestino. Porém, é importante saber que tais culturas de microrganismos não se tornarão hóspedes permanentes, pelo contrário. Depois do consumo de um produto contendo probióticos, essas culturas ficarão conosco por no máximo 2 semanas. Por isso a recomendação é que se faça um consumo regular (de preferência diário) de produtos probióticos o que garante um aporte constante de bons soldados. Muitos destes produtos são comercializados na porção certinha de consumo, o que chamamos de “dose diária”. Isso significa dizer que é mais interessante para nossa saúde consumir aquela porção diariamente do que consumir uma quantidade grande de uma só vez e fazer um grande intervalo até consumir novamente.

Ficam as dicas: escolha bons hóspedes para seu intestino! Renove as reservas constantemente! 

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ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas-FCA/UNICAMP. Graduação em Nutrição (UFPEL), Mestrado em Ciência e Tecnologia Agroindustrial (FAEM/UFPEL), Doutorado em Alimentos e Nutrição (FEA/UNICAMP), Pós Doutorado no TECNOLAT/ITAL.

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JULIANA S W

SÃO PAULO - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 26/04/2017

Boa tarde!

Poderia informar as culturas que têm capacidade de sobreviver nas condições extremas do corpo humano?
ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

LIMEIRA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 10/08/2015

Obrigada Sr. Jair!



Suas palavras me motivam ainda mais!



Cordialmente



Adriane
JAIR JORGE LEANDRO

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 10/08/2015

Texto limpo, conciso, claro e objetivo. Parabéns, Adriane.
CIRO ARAUJO FOGAÇA

GOIÂNIA - GOIÁS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 10/08/2015

Parabéns pelo trabalho.

Curiosidade, na época da escola, os professores diziam que os "Lactobacillus" não sobreviviam por muito tempo no nosso organismo e que os benefícios não eram tão grande ao ponto de incluirmos na dieta tais produtos. A que ponto isso tem fundamento?

Quais bactérias benéficas poderia ser incluídas na dietas dos bezerros?
ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

LIMEIRA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/08/2015

Obrigada Sr. Paulo!



Suas palavras me dão renovado incentivo neste trabalho.



Cordialmente



Adriane
PAULO R.C.CORDEIRO

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 07/08/2015

Adriane

Parabéns, pela simplicidade/didática do texto e otimas informações a respeito de uma boa alimentação.
ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

LIMEIRA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/08/2015

Olá Tito



Sim, dois exemplos:

Yakult - Lactobacillus casei Shirota

Activia - Bifidobacterium animalis 173 010



A informação está no rótulo dos produtos.



Cordialmente



Adriane
TITO

CAMPINAS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/08/2015

Olá, poderia nos dar um exemplo de algum produto e o probiotico correspondente? Como ter essa informação?
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