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Indução de lactação: uma ferramenta para aumentar a eficiência produtiva

POR LUIZ GUSTAVO PARANHOS

OUROFINO SAÚDE ANIMAL

EM 03/07/2019

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O Brasil é um dos maiores produtores de leite do mundo, ocupando o quinto lugar, segundo a FAO (2016). No entanto, a produção média dos Estados Unidos é de 7.953 litros por vaca/ano enquanto que a brasileira é de somente 1.154 litros por vaca/ano. Isso mostra que a cadeia leiteira nacional apresenta diversos gargalos produtivos. Diante desse cenário problemático, é necessário utilizar estratégias para aumentar a eficiência produtiva.

É comum algumas fêmeas do rebanho acabarem terminando o período de lactação sem conseguir estabelecer uma gestação. Essas falhas reprodutivas podem comprometer o manejo reprodutivo e consequentemente, a produtividade das fazendas. Dessa forma, ocorre o aumento de descarte involuntário das matrizes do rebanho, redução do período produtivo e do número de animais para reposição.

Uma possível solução é utilizar o protocolo de indução à lactação, fazendo com que seja possível iniciar um novo período de lactação em uma vaca que não obteve sucesso na prenhez. Também pode ser aplicado em novilhas que já atingiram o peso e estão aptas a reprodução, mas não emprenham.

Para que o protocolo tenha sucesso, é importante cumprir alguns manejos e atender a alguns critérios para seleção dos animais. As vacas devem ter boa condição corporal (animais escore de condição corporal baixo ou muito alto devem ser evitados), boa produção na lactação anterior e estarem saudáveis. Ainda é necessário evitar animais de idade avançada. Essas fêmeas vazias devem ser secas, receber protocolo de secagem completo e só após 40 dias é iniciado o protocolo de indução à lactação.

Para o desenvolvimento da glândula mamária é necessário o uso de alguns fármacos como progesterona, prostaglandina, estrógeno, somatotropina e cortisol. Esse conjunto mimetiza o perfil hormonal fisiológico presente no final da gestação (colostrogênese), fazendo com que o organismo da fêmea entenda que é o momento de produzir leite. Segue abaixo o protocolo estabelecido por Mingoti (2016).

Figura 1. Protocolo de indução à lactação (Mingoti, et al – ICAR 2016).

Estudos recentes indicam outro benefício importante do protocolo de aleitamento: o retorno à função reprodutiva e consequente prenhez de fêmeas que poderiam ser descartadas.

Pesquisadores avaliaram se a fertilidade de vacas holandesas vazias submetidas ao protocolo de indução à lactação pudesse ser afetada posteriormente. Ao serem inseminadas artificialmente, as vacas apresentaram alta de taxa de prenhez (41,5%) até a terceira inseminação após o protocolo. O mesmo benefício reprodutivo foi observado em outro estudo com novilhas (taxa de prenhez de 76,2%). Dessa forma, o protocolo de indução à lactação pode ser utilizado como estratégia para incrementar a fertilidade de vacas holandesas repetidoras de serviço e novilhas.

A indução à lactação é uma ferramenta reprodutiva, pois possibilita uma nova oportunidade para as fêmeas saudáveis que apresentaram falhas reprodutivas, aumentando a produtividade da propriedade.

Autores

BRUNA MARTINS GUERREIRO E BRUNO GONZALEZ DE FREITAS - ESPECIALISTAS TÉCNICOS EM REPRODUÇÃO ANIMAL

 

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ROBERTO DE ANDRADE BORDIN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 11/07/2019

Bom dia...

Excelente exposição...mas qual seria o custo médio de um protocolo deste??? e se nos estudos foi verificado o perfil lactacional desenvolvido pelas vacas.

abs
LUCIANA GREBOGE JESS

EM 05/07/2019

Ja fiz aqui na minha propriedade e o resultado e bem satisfatorio
RENATO

BRAZILÂNDIA - DISTRITO FEDERAL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/07/2019

Boa Tarde...
Seria muito interessante um outro artigo que citasse o custo médio desse protocolo de indução de lactação (mesmo sabendo da variedade de medicamentos e preços, ao menos uma média de custo feita em alguma região do país)...
E, claro, exemplos de produtores e/ou propriedades que usam esse protocolo e avaliaram o custo/benefício,