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Hipocalcemia: tratamento emergencial

Na produção de leite, o desafio metabólico é um dos maiores, pois a quantidade de energia e de substrato utilizados é muito grande, além de variável conforme o nível produtivo desejado. Por isso, durante a vida produtiva, temos diversos pontos cruciais a serem observados com o máximo de cuidado e precisão, devido ao fato de estarem sujeitos a um maior número de problemas. Um destes pontos cruciais, com certeza, é o início da lactação, que traz consigo questões que devem ser resolvidas visando minimizar os custos e reduzindo possíveis prejuízos. Um dos problemas recorrentes no início da lactação, sem sombra de dúvida, é a hipocalcemia. Tendo em vista este problema, muitas foram as tentativas de solucioná-lo com suplementação de cálcio durante o período pré-parto, no entanto, sabe se hoje que a questão não está relacionada ao aumento da suplementação deste mineral durante o referido período, mas sim a uma restrição de tal elemento na dieta anterior ao parto, fazendo com que o animal possa mobilizar de maneira efetiva e constante as suas reservas presentes principalmente nos ossos, que são depósitos naturais de cálcio no organismo do animal, através da ação de hormônios específicos.

Devemos lembrar que, devido ao nível de produtividade e manejo nutricional das propriedades, a prevenção tem sido muito eficiente em reduzir este tipo de enfermidade. O problema apresenta necessidade de tratamento rápido e eficiente, pois a consequência máxima é o óbito do animal afetado, devido à falta de cálcio para contração muscular que tem como consequência a falência do diafragma e posterior morte por asfixia. Para termos uma ideia da necessidade de cálcio, somente para produção de leite por parte dos animas, segundo o NRC (2006), são necessários 1,37 gramas deste mineral para cada litro de leite produzido. Tendo como base este número, podemos concluir que os animais de maior produção serão os mais suscetíveis a apresentarem o quadro e, por consequência, terão uma necessidade maior de aporte do mineral durante o tratamento.

Quando levantamos a questão de tratamento, é óbvia a necessidade do aporte via circulação direta, ou seja, a via de eleição sempre será a endovenosa, pois através desta o sucesso do tratamento é praticamente instantâneo garantindo assim a sobrevivência do animal. Em alguns casos, o animal pode ter dificuldade na manutenção dos níveis de cálcio, apresentando um novo episódio de hipocalcemia nos dias subsequentes. Para tentar minimizar tais acontecimentos, podemos utilizar da via subcutânea após o reestabelecimento do animal, como forma de manter uma absorção de cálcio por um período mais prolongado, aumentando a eficácia e a manutenção do tratamento por um período maior, levando em consideração ainda a via endovenosa, a velocidade da aplicação interfere diretamente sobre o resultado a ser obtido, pois se a solução for administrada de maneira muito rápida, aumentaremos a perfusão renal e, consequentemente, a eliminação do mineral sem qualquer absorção ou utilização metabólica eficiente.

Outro ponto importante é a reposição dos níveis de energia do animal, pois em quadros de hipocalcemia, o animal apresenta um aporte energético substancial, comprometendo assim outros sistemas e órgãos. Desse modo é necessária a reposição de glicose ou de seus derivados, para reestabelecimento da homeostase sistêmica.

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