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DeLaval entrevista consultor de referência mundial, Israel Flamenbaum, sobre as vantagens do controle do estresse térmico em fazendas leiteiras

POR DELAVAL

DELAVAL - PRODUÇÃO DE LEITE EFICIENTE

EM 23/06/2015

9 MIN DE LEITURA

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Israelense radicado em Tel Aviv, o Dr. Israel Flamenbaum é referência mundial em sua área de pesquisa. Com mais de quarenta anos de experiência na pecuária de leite, Israel Flamenbaum é especialista em planejamento estratégico de projetos leiteiros em climas quentes com ênfase no alívio do estresse térmico. Tendo sido Diretor da Divisão de Zootecnica no Ministério da Agricultura de Israel até 2008, atualmente Flamenbaum viaja o globo ajudando instituições governamentais, cooperativas e produtores de leite através de suas consultorias.

Israel participou do I Simpósio de Longevidade de Vacas, em maio, em Patrocínio/MG, organizado pela DeLaval, CRV Lagoa e Revenda Leite e Corte apresentando ao público mais sobre o tema resfriamento de vacas leiteiras.

A DeLaval teve um bate-papo exclusivo com o Dr. Flamenbaum. Na entrevista, ele revela detalhes imprescindíveis para uma produção de leite eficiente.

DeLaval: Como o resfriamento das vacas auxilia na melhoria da produção de leite?

O resfriamento das vacas de leite no verão melhora a eficiência da produção, a rentabilidade do sistema de produção, o bem estar animal e a conservação do meio ambiente. O aquecimento global e o constante aumento na produção das vacas causam grandes perdas financeiras ao setor leiteiro no mundo, especialmente aos que estão localizados nas zonas quentes e que utilizam raças europeias em condições de produção intensiva. Esta é praticamente a realidade hoje em muitos países latino americanos.

Os dados apresentados aqui foram estudados durante os últimos 30 anos em Israel e outras zonas quentes no mundo especialmente no Sul dos Estados Unidos. Espero que o conhecimento e as experiências que temos adquiridos possam ser capazes de ajudar as explorações leiteiras na América Latina.



DeLaval: Qual á temperatura ideal para o bem estar térmico das vacas?

A faixa de bem estar térmico das vacas oscila entre -5°C e +22°C. O estresse térmico é uma condição fisiológica e de comportamento, proveniente da incapacidade da vaca de perder o calor que produzem em seu metabolismo. O calor que a vaca gera é igual a de 20 lâmpadas W100. A incapacidade de perder todo o calor produzido para o meio ambiente, causa a ativação de mecanismos de defesa para reduzir a produção de calor por um lado e aumentar a perda de calor por outro. Em ambos os casos, é reduzida a energia disponível para suportar a produção de leite e se reduz a produtividade.

Em condições de calor ambiental, as vacas não podem equilibrar sua temperatura corporal e mantê-la abaixo dos 39°C e se nota um aumento da temperatura corporal, o que é definido como “estresse térmico”. A intensidade e duração do estresse durante o dia, e ao ano, possui alta correlação com as perdas na produção de leite.

DeLaval: Quais são os efeitos do estresse térmico?

Vacas estressadas podem sofrer uma diminuição de aproximadamente 20% no consumo de alimentos e 10% na eficiência alimentar (taxa de conversão). Estima-se uma diminuição de 10% a 20% na produção de leite no verão quando comparado com o inverno. As perdas anuais na produção podem oscilar, em rebanhos de alto rendimento, entre 500 e 1500 kg por lactação. É também estimada uma redução de 0.4 e 0.2 unidades de porcentagem na concentração de gordura e proteína respectivamente. Em paralelo e como resultado do estresse térmico, se aumenta a contagem de células somáticas e se obtém uma taxa de concepção muito baixa, inseminações realizadas no inverno apresenta uma taxa de 40%, enquanto que no verão 10%. Essa condição prolonga o intervalo entre partos e aumenta a porcentagem de refugos por esterilidade, se cria uma sazonalidade na oferta de leite no mercado, uma escassez de leite no verão e outono e uma instabilidade dos preços ao produtor e consumidor.



DeLaval: Ou seja, os efeitos podem ser gravíssimos.

Nos últimos 30 anos foram feitos esforços para desenvolver medidas efetivas para aliviar o calor das vacas. A ênfase foi adaptar essas medidas as condições climáticas e características de instalações e manejo de cada área e torná-las com um custo baixo que permita obter um benefício econômico ao usá-las, tema falarei mais adiante.

DeLaval: Como podemos fornecer aos animais uma temperatura agradável em épocas onde os termômetros estão lá em cima?

Existem duas maneiras de resfriar as vacas no verão. A primeira considerada como “resfriamento direto”, em que a vaca é resfriada pela evaporação d’água em sua pele, com o uso de uma combinação de molhar e ventilação forçada, sem impactar a temperatura do ambiente. O segundo método para resfriar as vacas que é o “resfriamento indireto” em que é feito o uso de meios mecânicos para reduzir a temperatura dentro do ambiente. O uso do sistema de resfriamento indireto requer instalações fechadas. Há várias maneiras para proporcionar o resfriamento indireto, incluindo ar condicionado (método que foi analisado e não demonstrou viabilidade econômica), e a evaporação de água no interior da instalação através de coluna d’água ou de colchões molhados. Esses métodos são mais eficazes em zonas secas, com umidade relativa menor que 30%. Em zonas mais úmidas o resfriamento está limitado somente as horas mais secas do dia.

DeLaval: Quais destes resfriamentos consegue ser mais eficiente: o direto ou indireto?

O resfriamento direto é o método mais comum hoje em dia no mundo, por ser relativamente barato para instalar e para operar, e pode ser adaptado em todo tipo de clima. O resfriamento através de uma combinação de molhar mais ventilação forçada foi implementado e testado pela primeira vez em Israel no início dos anos 80. O resfriamento se aplica em diferentes seções das instalações, entre elas sala de espera e na pista de alimentação. Em um estudo realizado em Israel em meados dos anos 80 mostrou que vacas resfriadas diretamente várias vezes por dia, durante 30 minutos cada uma, mantiveram durante todo o dia a temperatura corporal normal (abaixo dos 39°C). As vacas sem resfriamento, obtiveram ao mesmo tempo temperatura corporal acima dos 40°C. Devido à sua alta produção de calor, é necessário resfriar as vacas várias vezes por dia. Examinamos a relação entre a duração do resfriamento, a produção e a fertilidade. A produção diária média de vacas resfriadas no verão se reduziu apenas 0.5 kg/dia (98.5% da produção no inverno). Nas instalações sem resfriamento, se obteve uma diminuição na produção de 3.5 kg/dia (manteve apenas 90% da produção do inverno).

DeLaval: Fale mais sobre o índice “Relação Verão: Inverno”. Como o mesmo otimiza o uso do sistema de resfriamento nas instalações?

A análise de dados no estudo anterior nos levou ao desenvolvimento de um novo índice chamado: “Relação Verão: Inverno”, que permite avaliar o grau do dano causado pelo calor e para otimizar o uso do sistema de resfriamento da instalação. Em 35% das fazendas de leite em Israel se registrou uma relação de 96% (as que manejam bem o sistema de resfriamento), mas em 25% das fazendas a relação foi menor que 90% (fazendas sem sistema de resfriamento ou mal utilizadas). Estudando a relação Verão: Inverno com média nacional, vimos que esta melhorou significativamente nos últimos 15 anos. De 1994 a 2008, aumentou a produção diária por vaca em Israel nos meses de inverno em 2.3 kg (6%),enquanto que no verão foi de 7.3 kg (23%). A média nacional da relação V:I aumentou de 82% em 1994 a 96% em 2008, uma significativa melhora na produção no verão, que nós relacionamos diretamente ao uso dos sistemas de resfriamento pelos produtores.

DeLaval: Todos os animais precisam de um resfriamento efetivo durante temperaturas mais altas como no verão, por exemplo. Mas existe alguma prioridade?

Todas as vacas do rebanho requerem resfriamento no verão, incluindo novilhas e vacas no terço final da gestação, e vacas produzindo em todas as fases, dá-se prioridade as vacas recém-paridas e de alta produção. O resfriamento das vacas que estão no início da lactação no verão impacta positivamente em toda sua persistência de lactação e pode aumentar a produção em até 2000 kg por lactação. Uma pesquisa com milhares de vacas resfriadas demonstrou que a produção média anual resfriadas de forma intensiva (relação V:I >96%) superou em 800 kg as vacas resfriadas de forma mínima (relação V:I<90%), produzindo 11.800 e 11.000 respectivamente e um aumento de 6.5% da produção anual. Junto com o benefício relacionado ao resfriar novilhas e vacas no final da gestação, se espera um incremento anual na produção de aproximadamente 10%.

DeLaval: O sistema de resfriamento é rentável?

Para responder essa pergunta temos desenvolvido um programa em Excel, que calculamos a relação custo/benefício e o aumento da receita que ocorreram devido ao sistema de resfriamento. O software considera os custos de resfriamento (equipamentos e operação), e receitas adicionais (mais leite e melhora na eficiência nutricional).

Até agora analisamos os aspectos produtivos e econômicos do resfriamento, mas temos mais efeitos positivos com a melhora no bem estar das vacas e a sustentabilidade da produção. Existe sempre o pensamento que ao resfriar as vacas causamos danos aos animais devido à necessidade de movê-las e mantê-las durante um longo tempo nas áreas de resfriamento. Porém, um estudo recente realizado em Israel analisou a produção e a duração do período de descanso e de ruminação das vacas que receberão cinco tratamentos de resfriamento por dia em relação a outras que receberão 8 tratamentos por dia (225 e 360 minutos acumulados por dia, respectivamente). Vacas resfriadas mais tempo consumiram 8% mais comida e aumentaram a produção em 10%. Surpreendentemente, as vacas resfriadas que foram obrigadas a ficar paradas mais tempo foram monitoradas deitadas significativamente por mais tempo (480 e 430 minutos por dia) e ruminaram significativamente mais tempo (445 e 415 minutos por dia).

DeLaval: Estas conclusões também podem também ser aplicadas na realidade das fazendas leiteiras brasileiras e latino-americanas?

Nos últimos cinco anos, calculei a relação de custo/benefício em Israel e mais 20 países, entre eles cinco países da América Latina. Calculamos o aumento da receita por vaca/ano, assumindo um aumento de 5 e 10% na produção e eficiência nutricional. Confira os resultados na tabela 1, abaixo:

Tabela 1 – O aumento da receita (U$S/vaca/ano) devido ao resfriamento de vacas no verão em diferentes países da América Latina.



Os resultados nos ensinam que o resfriamento além de aumentar a produtividade e as receitas oferece valor adicional relacionado ao bem estar animal.



DeLaval: Como é a interação do resfriamento e o aumento da produção com o meio ambiente?

É bem conhecido que a produção de leite implica em liberação de gases do efeito estufa (GEI) a atmosfera (metano CH4 e dióxido de carbono CO2). A emissão de GEI é inversamente correlacionada com os altos rendimentos de leite devido aos gastos alimentícios para a manutenção se dividir em mais litros. A emissão da GEI por litro produzido em Israel, com produção anual por vaca de 12.000 kg, é de 40% das vacas da Nova Zelândia, produzindo 5.000 kg por ano e aos 80% das vacas europeias com 9.000 kg por ano. O aumento na produção por vaca devido ao resfriamento contribui também ao aspecto ambiental, pela redução na emissão de GEI em cada litro de leite produzido.

Em resumo, foram desenvolvidos e estão disponíveis aos produtores de leite da América Latina as formas de resfriar bem as vacas e reduzir as perdas econômicas que ocorrem devido ao estresse térmico no verão. É importante instalar e operar estas medidas de forma apropriada. Ao montar o sistema, espera-se um aumento de 10% na produção anual e na eficiência nutricional reduzindo os custos de produção de leite. Aumenta-se consideravelmente a receita anual por vaca e a rentabilidade da propriedade ao mesmo tempo em que o resfriamento melhora o bem estar das vacas, permitindo que elas permaneçam mais tempo deitadas e ruminando. O resfriamento e seu efeito no aumento da produção reduzem as emissões de gases do efeito estufa a atmosfera por cada quilo de leite produzido no verão.

Para saber mais entre em contato pelo box abaixo:

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DELAVAL

JAGUARIÚNA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 16/07/2015

Olá Leonel, agradecemos seu contato! Os resultados apresentados são de uma situação momentânea em um determinado período de tempo quando o estudo estava sendo desenvolvido. Eu não colocaria muita atenção em tal número, mas veria o retrato por completo, isto mostra que em todos os países estudados, existe um significante aumento nos resultados produtivos das vacas (após cobrir todas as despesas relativas ao resfriamento das vacas). Em todo caso, o investimento da instalação deste sistema de resfriamento pode ser pago em menos de dois anos (não existem muitos investimentos no agronegócio com tão alta taxa de retorno). Qualquer outra dúvida, entre em contato conosco. Att., Equipe DeLaval
DELAVAL

JAGUARIÚNA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 16/07/2015

Prezado João Paulo, agradecemos pela pergunta! O sistema de resfriamento descrito na entrevista é voltado para vacas em total confinamento, onde os máximos resultados podem ser alcançados. De qualquer maneira, também podemos instalar uma área de resfriamento especial num sistema a pasto (ou usar um sistema de resfriamento na sala de espera se as distâncias não foram grandes). O resfriamento deve consistir de uma boa velocidade do vento (3 metros/segundo) e boa umidade. É claro, há a necessidade para espaço suficiente para sombra (2 metros/vaca). De acordo com nossa experiência, vacas de alto rendimento (com mais de 35 litros/dia) necessitam ser resfriadas por 30 a 45 minutos para que permaneçam com uma temperatura corporal normal. Qualquer dúvida, entre em contato conosco. Att., Equipe DeLaval
LEONEL FIRPO LUCAS

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/07/2015

gostaria de saber por qual motivo na tabela 1      na primeira coluna os resultados de Peru e Brasil são iguais e na segunda são tão diferentes.
MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 29/06/2015

Olá pessoal,



Para quem quiser saber mais sobre como reduzir os prejuízos causados pelo estresse térmico em bovinos leiteiros, temos um Curso em DVD com o prof. Israel Flamembaum .

O curso  "Manejo do estresse calórico para aumentar a produção leiteira " está disponível no site:

http://www.agripoint.com.br/dvd/manejo-calorico/



Para mais informações, entre em contato com nossa equipe: cursos@agripoint.com.br ou (19) 3432-2199.


JOÃO PAULO JELONSCHEK

SÃO JORGE D'OESTE - PARANÁ - MÉDICO VETERINÁRIO

EM 27/06/2015

Muito bom esse trabalho, e em relação a um sistema semi intensivo, onde o animal passa boa parte do dia na pastagem, podem ser obtidos resultados produtivos semelhantes aos que se consegue com esse manejo de resfriamento direto, desde que se usem técnicas de conforto térmico, como sombreamento e disponibilidade de água nos piquetes?
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