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O inseticida não funcionou: entenda por que as pragas se tornam resistentes

POR LARISSA ELIAS

DECOY - CONTROLE SEGURO, COM O PODER DA NATUREZA

EM 17/07/2020

3 MIN DE LEITURA

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Atualizado em 17/07/2020

Suponha que você é produtor de soja e esteja enfrentando problemas com infestação de percevejos. Você faz uma aplicação de inseticida. A maioria dos percevejos morrem, mas depois de um tempo aparecem novamente. Então você faz uma nova aplicação. Desta vez você observa que menos percevejos morreram, então faz a próxima aplicação um pouco antes do programado. Mas desta vez, um susto! Menos da metade dos percevejos morreram. Este ciclo se repete algumas vezes e você percebe que o controle químico com esse produto não está mais sendo eficaz.

Esta é a realidade de vários produtores no Brasil e no mundo, que não conseguem um controle eficaz devido à resistência das pragas. Resistência é a capacidade que alguns indivíduos da população da praga apresentam em sobreviver a doses do inseticida que são consideradas letais à maioria dos insetos da população. Mas como as pragas se tornam resistentes? Por que alguns indivíduos apresentam resistência e outros não? Para entendermos este processo, é preciso pensarmos na dinâmica populacional das pragas que atingem uma determinada região.

Voltando a nossa história inicial, dentre os vários percevejos que infestam a cultura da soja, uma pequena porcentagem de indivíduos são naturalmente resistentes a determinado produto químico. Ou seja, a resistência de pragas é um processo natural, alguns indivíduos são suscetíveis, outros são resistentes. Este fenômeno é genético, ou seja, por uma diferença no DNA desses insetos, eles se tornam diferentes dos demais, o que permite que sobrevivam ao inseticida. Essas diferenças estão presentes em todas as espécies de seres vivos, ou seja, cada indivíduo tem naturalmente características específicas em seu código genético. Quando o defensivo é aplicado, a maioria das pragas daquela espécie morrem, mas as que são “diferentes” não sofrem com o efeito tóxico do produto e continuam vivas. Estes indivíduos se reproduzem, passam seu código genético aos descendentes, e estes apresentam a mesma característica que permite sobreviverem ao químico. Na figura abaixo, mostramos mais detalhadamente como este processo ocorre na lavoura.

O principal desafio é que os insetos se reproduzem muito rapidamente e o processo descrito acima ocorre repetidas vezes em um pequeno espaço de tempo. Em um determinado momento, a minoria de pragas resistentes se torna a maioria da população daquela área. Este é um enorme problema para o produtor, tão grande que atualmente aproximadamente 800 espécies de insetos e ácaros já foram declaradas resistentes a algum composto químico. Quase todos os grupos de pesticidas (DDT, ciclodienos, organofosforados, piretróides, etc.) já têm alguma praga resistente relatada tanto em lavouras quanto na produção animal.

Mas se é um processo natural, como podemos resolver essa questão? O ponto é que o desenvolvimento da resistência é intensificado pelo mal uso dos produtos químicos no controle das pragas, como número e doses exageradas de aplicações. Ou seja, quanto mais aplicações de um mesmo produto, menos indivíduos daquela praga morrerão. O produtor acaba entrando em um ciclo de aplicações e resistência de pragas, e isso interfere no manejo da cultura e produtividade. Parece um erro de matemática, mas é só usar o que acabamos de aprender sobre o desenvolvimento de resistência que essa equação se torna clara: quanto mais aplicações são feitas, maior o número de pragas resistentes que permanecem na área e menor a mortalidade, até que todos os indivíduos sejam resistentes.       

O Manejo Integrado de Pragas (MIP), já descreve a rotação de inseticidas e redução de aplicações como uma das formas de retardar o desenvolvimento de populações resistentes. Entretanto, essas medidas nem sempre são adotadas pelos produtores, o que torna a dificuldade de controle uma realidade em diversos cultivos no Brasil e no mundo O problema se torna mais sério quando avaliamos o número baixo de moléculas químicas disponíveis para desenvolvimento de novos produtos, o tempo que estes produtos levam (em média 10 anos) para serem produzidos e os custos altíssimos envolvidos.

O MIP também prevê como o uso de ferramenta efetiva no manejo de pragas o controle biológico. Os bioprodutos não induzem a resistência, além de apresentarem eficiência de controle comprovados. Como o manejo biológico faz uso de usa organismos vivos (inimigos naturais), que também apresentam variabilidade genética, as próprias interações que acontecem na natureza se encarregam de “atualizar” as formas de combate da praga, reduzindo drasticamente o desenvolvimento da resistência. Entendendo esse poder da natureza, podemos utilizá-lo na medida e momento certo para um desenvolvimento mais produtivo e sustentável.

 

Referências:

COMITÊ DE AÇÃO À RESISTÊNCIA A INSETICIDAS. https://www.irac-br.org/  Acesso em 06 de julho de 2020.

FRAGOSO, D.B.; GUEDES, R.N.C.; LADEIRA, J.A. 2003. Seleção na evolução de resistência a organofosforados em Leucoptera coffeella (Guérin-Mèneville) (Lepidoptera: Lyonetiidae). Neotropical Entomology 32(2), p. 329.

FRAGOSO, D. B. 2004. Duro de matar: os superinsetos resistentes a inseticidas da agricultura! Fronteira Agrícola 5, p.2.

 

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