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Genômica: por que usar? - Parte 3

No artigo anterior, discutimos sobre as principais vantagens da seleção genômica. Vimos que ao a examinar o DNA de um animal conseguimos decidir se este é ou não bom o suficiente para ser mantido no rebanho. Adiantamos assim nossas decisões de seleção, sendo possível saber, de forma acurada, o valor genético de um animal com quatro ou cinco anos de antecedência. A CRV já usa a seleção genômica rotineiramente em alguns países grandes produtores de leite (Holanda, EUA, Nova Zelândia), e o interesse por este no Brasil cresce a cada dia. Como o assunto ainda provoca muitas questões, estamos explicando nessa série de artigos as principais questões relacionadas à seleção genômica.

Para esse artigo, vamos começar relembrando um pouco das bases da genética. Sabemos que nosso corpo é construído por inúmeras células e que no interior destas (núcleo) temos nosso material genético, o DNA. As moléculas de DNA ficam condensadas e organizadas em cromossomos, sendo que os bovinos apresentam 30 (sendo um sexual) pares (uma cópia materna e outra paterna) destes. As informações contidas no DNA é que fazem com que cada animal seja único, existindo inúmeras possibilidades de combinações das bases nitrogenadas, constituintes do DNA representados pelas letras A, T, C e G (Figura 1).

Figura 1 – Ilustração de uma molécula de DNA existente no interior de uma célula.

O genoma bovino é formado por uma sequência de aproximadamente três bilhões desses pares de bases (A,T,C,G). Mudanças nessa sequência de DNA geram os marcadores moleculares, os quais estão espalhados por todo o genoma (todos os cromossomos) e podem servir como marcadores de importantes regiões do genoma. Dentre esses marcadores, os SNPs (Single Nucleotide Polymorphism) se destacam por serem os mais comuns e os mais utilizados nas avaliações genômicas. Os SNPs nada mais são do que uma mudança de uma única base em determinado local do DNA, como demostrado na Figura 2.

Figura 2 – Ilustração demonstrando a mudança de uma única base (SNP) em determinado local do DNA.

Tradicionalmente, as avaliações genéticas eram realizadas somente com base nas informações de pedigree e de desempenho. Com o advento da genômica, milhares desses marcadores do tipo SNP passaram a ser incluídos nas avaliações, proporcionando maior confiabilidade aos resultados. Temos que considerar o fato de que a genômica também é uma previsão, mas com uma confiabilidade claramente maior do que os valores gerados por avaliações tradicionais (sem genômica).

A genômica também nos proporciona verificar as informações de pedigree dos animais, verificando se realmente aquele animal é filho de quem pensamos ser. Erros de pedigrees acontecem por inúmeros motivos, causando confusões nas avaliações genéticas.

Portanto, é de suma importância termos um pedigree correto e, em caso de dúvida, sempre optar por um teste genômico de parentesco. Além de verificarmos os verdadeiros pais dos animais, também conseguimos estimar o nível de parentesco real entre animais. Animais que inicialmente pareciam ser totalmente desconectados, podem apresentar algum grau de parentesco genômico. Toda essa informação é benéfica às avaliações genéticas, trazendo maior confiabilidade aos resultados.

Autores

Gerson A Oliveira Júnior – Médico Veterinário com Doutorado focado em Melhoramento Genético Animal pela USP – Pirassununga. Atua como Supervisor Técnico em Genômica na CRV Lagoa.

Victor B. Pedrosa – Zootecnista com Doutorado focado em Melhoramento Genético Animal e atualmente Professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

CRV LAGOA

A CRV Lagoa é integrante da CRV. Maior central de genética bovina da América Latina, localizada em Sertãozinho (SP), oferece desde 1971 produtos e serviços de melhoramento genético animal, comercializando mais de 2 milhões de doses por ano.

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