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Saiba por que o estresse térmico é tão prejudicial à produção leiteira

Assim como os humanos, os animais apresentam um melhor funcionamento de seu organismo e mais conforto quando o ambiente em que se encontram apresenta determinadas temperaturas. O intervalo de temperatura ambiente no qual o metabolismo dos seres vivos ocorre de forma normal é chamado de zona de conforto térmico, e para vacas em lactação esta zona varia entre 7 e 21°C. Além da temperatura do ambiente, o estresse térmico pelo calor, condição muito comum em todo o Brasil, também é influenciado pela umidade relativa do ar. Ao correlacionar essas duas informações, temos o índice de temperatura e umidade (ITU), que, ao atingir 72 pontos, já considera que os animais estão em desconforto.

Quando o animal se encontra fora da zona de conforto, seu organismo entra em um quadro de estresse térmico, seja pelo calor ou pelo frio, e passa a usar mecanismos para manter a temperatura corporal adequada, que podem gerar impactos negativos em sua performance e em seu bem-estar. As primeiras alterações apresentadas pelo animal em estresse térmico pelo calor são: aumento da temperatura retal e da frequência respiratória; redução do consumo de alimentos; projeção da cabeça para frente e mais tempo em pé. A temperatura retal pode passar dos 39°C, sem que o animal apresente nenhum quadro de doença infecciosa e a frequência respiratória passa dos 60 movimentos por minuto, mesmo quando ele se encontra deitado ou parado.

Uma consequência imediata destas alterações é a queda da produção de leite. Se observarmos a curva de produção anual da maioria das fazendas, a produção de leite durante o inverno costuma ser maior do que durante o verão, com o mesmo número de animais em lactação e o mesmo manejo nutricional. Em muitos casos, essa variação pode ser atribuída totalmente ao desconforto térmico dos animais, causado pelas altas temperaturas e umidade encontradas no verão, quando a fazenda não possui um sistema de resfriamento eficiente.

Infelizmente, os efeitos do estresse térmico não se limitam à queda do consumo de matéria seca e da produção de leite. Estudos nos mostram que vacas que passam pelo desconforto do calor durante o período seco têm maior chance de desenvolverem doenças metabólicas no pós-parto; têm menor proliferação celular na glândula mamária e com isso podem produzir cerca de 5 litros de leite a menos, por dia, ao longo de toda a lactação. Além disso, elas demoram mais a emprenhar e podem apresentar maiores taxas de perda de prenhez.

Outro efeito significativo do estresse térmico durante o período seco ocorre sobre o feto, por interferir no desenvolvimento da placenta. Como o principal momento de ganho de peso do feto é durante o terço final da gestação, o consumo e o metabolismo alterados da mãe durante esse período irão comprometer o desenvolvimento final das bezerras. Com isso, as bezerras nascidas de vacas que passaram por desconforto térmico durante o período seco apresentam menor peso ao nascimento; comprometimento da capacidade de absorver a imunidade passiva advinda do colostro; menor ganho de peso nos primeiros 30 dias de vida e mais chance de desenvolverem doenças. Todos estes problemas podem determinar um menor desempenho desse animal ao longo de toda a sua vida produtiva adulta.

As fazendas que possuem o sistema de monitoramento da Allflex conseguem identificar o grupo de animais em estresse térmico em tempo real, a partir da aferição da frequência respiratória dos indivíduos feita pelos dispositivos. Como o sistema capta informações e as apresenta ao produtor durante 24 horas por dia, é possível identificar quais são os horários críticos de desconforto na fazenda. Assim a equipe pode decidir rapidamente se precisa de um método de resfriamento, em quais momentos do dia o mesmo deve ser utilizado e se o manejo de resfriamento já existente está sendo eficiente.

Os métodos de resfriamento disponíveis podem ser classificados em diretos ou indiretos. Os métodos indiretos consistem em controlar a temperatura do ambiente dentro da zona de conforto dos animais. Esse método pode ser obtido, por exemplo, nas instalações em túnel de vento ou cross ventilation. Já o método direto, mais comumente encontrado no Brasil, consiste em reduzir a temperatura corporal dos animais pela evaporação, por meio da aplicação direta sobre eles de vento e umidade. É importante salientar que neste método apenas molhar os animais não é suficiente para reduzir sua temperatura corporal! É essencial que sejam aplicados ciclos de água e vento sobre o animal por um período que varia de 30 a 45 minutos para que ele possa perder calor durante o processo de evaporação da umidade de sua superfície corporal.

 

Anna Luiza Belli é médica veterinária formada pela Escola de Veterinária da UFMG e pós-graduada pela mesma instituição em zootecnia, na área de produção animal. Coordenadora de território em Monitoramento da Allflex Brasil

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