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Balança comercial de lácteos: importações em equivalente-leite têm recorde no ano

postado em 07/10/2016

9 comentários
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Em setembro, a balança comercial do setor lácteo prosseguiu em queda, representando déficit em volume de mais de 22 mil toneladas, redução de 13,2% sobre o déficit apresentado em agosto/16. O saldo da balança de lácteos foi de US$57,2 milhões negativos.

 Tabela 1. Exportações e importações por categoria de produto.
 
O volume de exportação de lácteos foi maior em 9,9% que o mês anterior, e o valor, 15,9% maior. Contudo, quando comparado a este mesmo período de 2015, o volume é 25,3% inferior, visto que em agosto de 2015 foi representado por 9,42 mil toneladas ante as 7,03 mil toneladas atuais.

Referente às importações, o volume foi elevado em 12,4%, resultando em 29,13 mil toneladas. O valor, também superior ao último mês, foi de US$80,9 milhões. O leite em pó integral teve volume importado de 14,9 mil toneladas em setembro (22,1% superior ao mês de agosto); 4,8 mil toneladas de leite em pó desnatado (9,5% x agosto); 2,7 mil toneladas de soro de leite (volume 23,6% inferior em relação a agosto, e 146,4% superior que setembro de 2015) e 4,8 mil toneladas de queijos (10,8% x agosto).

As importações de leite em pó tiveram principal origem no Uruguai, totalizando 12,2 mil toneladas em setembro, e na Argentina, que enviou pouco mais que 6 mil toneladas. Chile e Estados Unidos, com representações menores, também enviaram leite em pó ao Brasil neste mês, sendo as quantidades de 625 toneladas e 859,6 toneladas, respectivamente.

Ao analisar as quantidades em equivalente-leite (o quanto de leite é utilizado para fabricar cada produto), a quantidade importada foi de 224,9 milhões de litros em setembro, superior em 16,7% em relação a agosto. No comparativo com setembro de 2015, o aumento nas importações em equivalente-leite é de 170%.

As exportações em equivalente-leite também foram maiores em setembro do que no último mês, com volume de 43,3 milhões de litros (9,1% x agosto). Entretanto, quando comparado a este mesmo período de 2015, o volume total é ainda muito inferior, sendo 34,10% abaixo.

Seguindo em atenuação, o saldo da balança comercial de lácteos para setembro de 2016 foi negativo em 183,16 milhões de litros, cerca de 30 milhões a menos que o mês anterior. Até o mês vigente, o ano de 2016 apresentou déficit na balança comercial de lácteos representado por 1,18 bilhões de litros.

Gráfico 2. Saldo mensal da balança comercial de lácteos em equivalente-leite (milhões de litros/mês).


 

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Comentários

claudir jorge kuhn

Toledo - Paraná - Produção de leite (de vaca)
postado em 07/10/2016

Ainda está valendo a autorização de transformar leite em pó, em leite, para vendê-lo ao consumidor? Alguém sabe informar? Aqui no oeste do paraná os preços ao produtor estão despencando, um dos motivos, seria excesso de leite. Produção de 650 litros dia, recebi R$ 1,50 pelo leite produzido em julho; para receber agora pelo leite de setembro R$1,20. Não entendo porque de tanta importação. Alguém está ganhando em cima do sofrimento do produtor.

Roberto Jank Jr.

Descalvado - São Paulo - Produção de leite
postado em 07/10/2016

É um belo estrago na perspectiva de melhorar  produção Brasileira.  Infelizmente isso sequer é falta de leite. Trata-se apenas de vender com lucro. Não importa se há necessidade. O mais curioso é que boa parte desse leite certamente será vendida com prejuízo já que o atual preço doméstico é francamente  inferior aos preços praticados na importação de setembro.  Essa exposição desmedida da cadeia láctea Brasileira aos traders não beneficia  ninguém,  sequer o consumidor.

vitor augusto silveira

Viçosa - Minas Gerais - Pesquisa/ensino
postado em 10/10/2016

é muito desanimador este cenário da atividade leiteira no Brasil......quem perde realmente somos todos nós brasileiros. Umas das atividades que mais emprega no país sendo desestimulada por ações um pouco estranhas e obscuras... esse e o nosso país...

será que a proposta dessas ações seja o fato de  tornarmos importadores e deixar de produzir ??

Luís Otávio da Costa de Lima

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
postado em 10/10/2016

Tenho visto muito barulho em torno de "bloquear as importações" e penso que estas proteções são políticas protecionistas e desnecessárias, pela curta duração e porque entendo que somente compensam uma série de outras dificuldades que temos..

Eu gostaria apenas de que existisse transparência na questão de QUEM e QUANTO estão importando, em relatórios individuais, pois as grandes indústrias atualmente são traders do mercado, flutuando a compra entre leite importado, spot ou diretamente de produtor, de acordo com a margem de lucro do momento...

Como produtor, escolher a quem vender seu produto, optando por quem realmente nos representa, é a única forma de dar um sinal claro dos seus interesses...

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - postado em 11/10/2016

Estas importações tem um lado perverso porque minam nossos negócios, tanto de quem vende leite como quem presta serviços ou vende insumos ao produtor, assim como quem tem indústria e não teve envolvimento com importações.

Por outro lado, são um mal necessário. Do jeito que vinha, íamos nos auto-implodir. A própria autorização da reconstituição do pó para "UHT" era uma medida corretiva anti-inflacionária. Já estávamos por ser apedrejados pelos consumidores.

Qualquer sistema dinâmico, para não implodir, precisa de mecanismos de auto-regulagem.

As importações teriam acontecido muito antes, caso o dólar não estivesse tão alto como no primeiro trimestre deste ano. Não vamos esquecer que temos 28% de TEC que freou a entrada de qualquer coisa fora do Mercosul por um bom tempo.

Depois, a diferença do importado de fora do Mercosul com o nacional passou a valer apena também e é aí que sentimos uma pitadinha do que é fazer parte de um mercado onde os preços e os custos dos outros nos afetam diretamente.

As históricas barreiras que temos montado precisam ser vistas como muletas para quem torceu o pé. Temos que querer caminhar sem elas. Vamos usar? Vamos! Mas vamos fazer o tratamento para não precisar?

De nossa parte estamos muito além do discurso, com produtores muito abaixo do custo de qualquer um de nossos concorrentes. Precisamos difundir ainda mais e os demais elos também precisam fazer a sua parte.

Momentos como esse, se formos inteligentes, servem para aprendermos, pensarmos, bolarmos um plano e nos unirmos na solução. Qualquer outra coisa é retroalimentar uma nova decepção logo à frente.



Sávio Barros

Lavras - Minas Gerais - Indústria de laticínios
postado em 11/10/2016

Muito boa a intervenção do Wagner;

As importações são em geral perversas quando acontecem de forma desenfreada e sem regulação alguma, uma vez que a cada negócio realizado a burocracia brasileira impõe um prazo de 60 a 90 dias para a conclusão;

Ocorre que o Varejo adota uma linha mais coerente de gestão de margens, e muitos oportunistas do setor produtivo adotaram uma postura de ganho imediatista;

As importações só aconteceram com tanta intensidade em função do desequilíbrio que se criou na formação de preços do UHT para o restante da cadeia. Muitos agentes tiveram que buscar soluções de matéria prima mais barata para conseguir alguma competitividade naquele cenário de leite UHT totalmente descolado da cadeia;

Alguns agentes da cadeia produtiva: fábricas de UHT, "Spoteiros" e até grandes produtores, forçaram demais os preços criando uma bolha especulativa que só podia dar no que deu;

De qualquer forma, sou a favor de mecanismos de controle que evitem importações muito desproporcionais com o que realmente é necessário. O difícil é convencer o governo que só pensa em abaixar inflação;  

Ilor Trevisan

Chapecó - Santa Catarina - Revenda de produtos agropecuários
postado em 12/10/2016

O mercado voltará a estabilidade no curto prazo, desde que os atores da cadeia produtiva (produtor, indústria, governo, e principalmente a revenda) sabem aonde querem chagar! O consumidor é um mero assistente da política de abastecimento do leite.

Ilôr Pedro Trevisan
Médico Veterináro
Chapecó - SC

Roberto Jank Jr.

Descalvado - São Paulo - Produção de leite
postado em 12/10/2016

Wagner, bom dia.
Comparado a outros países relevantes em leite como NZ, EUA, Canada  e UE o Brasil é extremamente liberal em seu modelo contratual. Não temos federal orders, anuncio de preço prévio, retorno de dividendos ou cotas. Ótimo para nós, ainda que retorno de dividendos seriam bem vindos e significariam uma consagração da eficiência industrial e comercial de uma marca. Talvez o melhor exemplo sejam os retornos da Friesland Campina aos seus associados.
Mas na prática enfrentamos 100% de variação no preço do leite em poucos meses. Viemos de U$ 0,50 para U$ 0,25 de forma assustadora. Isso esconde o horizonte do produtor que poderia investir em eficiência e profissionalismo. Ele não tem as referencias do mercado para o seu plano de negócios e se retrai. Isso é a fotografia do Brasil: crescemos 5% ao ano sem ganhar escala ou eficiência; traduz o artigo do Marcelo sobre o porque do leite não ter dado certo até agora.
Identificado o problema - inserção artificial 1 bilhão de litros em 6 meses - como resolver?
Acredito que não podemos ficar 100% expostos aos traders, já que esse agente e também o varejo não tem amarras na necessidade ou não de leite, como têm os produtores e as industrias, e sim apenas no lucro. A consequência é a derrocada do mercado, que atinge também as industrias de forma violenta, e o imediato aumento da margem operacional do varejo.
Também não gosto de regulação mas analisando o estrago da importação na evolução da cadeia ao longo dos anos, o melhor caminho trilhado pelo Brasil foi o das cotas de importação. Deveríamos impor cotas para o Uruguai e administrar a entrada de leite por esse mecanismo. Evitaríamos os danos causados pela apreciação do Real e as compras excessivas oriundas da exposição à fome dos traders.
O objetivo final é o consumidor, porém esse só será plenamente atendido se o produtor tiver estabilidade e puder evoluir. Temos que enxergar isso e ajustar, do contrario, desde a cadeia láctea como o consumidor, todos vamos continuar vivendo de solavancos e , pior, com evolução medíocre.
abraços.      

Wagner Beskow

Cruz Alta - Rio Grande do Sul - Pesquisa/ensino
MyPoint Pro - postado em 13/10/2016

Perfeito, Roberto. O que argumentas é verdadeiro, mas o problema crônico do Brasil tem sido buscar proteções, no Estado, e se acomodar. Isso é nefasto e tem ajudado a prolongar nossa insignificância no mercado internacional.

A solução de nossos dramas domésticos do leite passa por assumirmos papel não só proativo, mas ousado frente a nossos potenciais clientes, lá fora. Essa viagem que Maggi e Serra fizeram com Temer à ásia, com ações sobretudo do SINDILAT (RS) que os acompanhou e foi cavar espaço, na pessoa de seu diretor executivo, nunca havia acontecido. Havia na soja, não no leite.

Mas só que isso não é nada. Nós precisamos nos instalar na casa do cliente estrangeiro. Estudar suas preferências, cavar oportunidades que ninguém viu, nos adequar ao que eles exigem. Essa cultura simplesmente não existe no Brasil.

É como se fôssemos produtores de botinas rústicas de lona e sola de pneu e, de repente, saturados nacionalmente, decidíssemos ser "exportadores de calçados". O que daria é no que deu o leite: meia dúzia de pobres coitados de pés descalços comprariam de nós e o resto do mundo daria risada de nossa competitividade. E pior, por fazermos uma botina cara, seguiriam colocando sapatos de todos os tipos aqui dentro.

Pedir barreiras, nesse caso, não criaria nada novo. Só premiaria nossa incapacidade geral (de todos nós) de fazermos algo melhor, mais competitivo e que o mercado queira.

Bem, conhecemos o que eram nossos veículos "nacionais" e nossos computadores antes do Collor abrir o mercado. Estes setores melhoraram ou pioraram para o país?

Eu gostaria muito de fazer o discurso contra importações frente ao produtor, porque me renderia grande popularidade com meus clientes. No entanto, eu os estaria enganando. Prefiro colocar isso assim, como há anos repito, assumir uma posição impopular, mas de alguma forma, ajudar a sairmos do lugar.

Vamos ser bem práticos. O que vai acontecer como consequência dos limites previstos na antiga IN 51 terem sido levados com a barriga por pressão política do setor, que resultou na IN 62?

É evidente que chegaremos nas datas previstas sem mal termos avançado. Somos acomodados. É de nossa natureza. Buscamos o caminho de menos atrito, menos trabalho, menos incomodação e menos mudança. O brasileiro foge disso tudo e, inclusive, paga para não ter que enfrentar.

Aumentamos barreiras agora, geramos uma falsa sensação de conforto e estabilidade, mas o que teremos feito é erguer o dique da barragem e, com o tempo, só aumentar o potencial de estouro.

O que tentei dizer antes foi: vamos brigar por barreiras como medida emergencial? Vamos! Estou junto e já me pronunciei assim em palestra na EXPOJUC semana passada. Só tem uma coisa: qual o plano para não precisarmos dessas muletas logo à frente? Eu não vejo plano algum.

Temos que ser estrategistas. Mercado de leite, quando entra o componente internacional é coisa para gente grande. Nós somos pintinhos passeando longe da galinha para fora das telas do galinheiro.

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