FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Utilizando o confinamento como estratégia eficiente de terminação

POR DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

PRODUÇÃO

EM 16/10/2012

18
0
O processo de valorização da terra, a alta nos preços dos insumos e o maior nível de exigência do mercado tem colocado a pecuária ovina em uma posição delicada diante das diversas alternativas de uso da terra e de investimento financeiro, exigindo a implementação de estratégias - relacionadas a processos tecnológicos, gerenciais e comerciais - que possibilitem obter rentabilidades satisfatórias para quem se encontra dentro da atividade e ao mesmo tempo, atrativas para potenciais investidores.

Diante da valorização continua da terra e do montante considerável de capital imobilizado na mesma, a ovinocultura tradicional, de perfil extrativista e de baixa produtividade, vem, ao longo dos anos, se tornando cada vez menos competitiva, tendendo a sucumbir diante das novas demandas de produção e das outras opções existentes de investimento.

Em função disso, processos de intensificação geralmente precisam ser conduzidos, ao menos em alguma fase do ciclo produtivo, a fim de elevar a taxa de desfrute da propriedade e de aumentar os níveis de produtividade (quilos de cordeiro/ha/ano), o que, consequentemente, resulta em incrementos positivos nos índices econômicos.

Neste contexto, tecnologias de efeito sistêmico, como o confinamento, podem ser utilizadas de forma estratégica na fase de terminação para alavancar os resultados da empresa, viabilizando a produção de uma maior quantidade de carne com qualidade, no menor espaço de tempo e a custos competitivos.

Dentre os impactos que a terminação em confinamento apresenta sobre o sistema de produção como um todo, encontram-se, sobretudo, o aumento na escala de produção, devido à liberação de áreas de pastagens para o rebanho de cria, e o melhor retorno sobre o capital investido, especialmente a terra, em função dos incrementos em produtividade.

Para demonstrar os efeitos benéficos do uso estratégico do confinamento foi realizada uma simulação, tendo como referência orçamentos e custos vigentes em agosto de 2012 e uma escala base de 500 cordeiros terminados por ano. Para tanto, foram comparados três sistemas de terminação, de acordo com os parâmetros apresentados na Tabela 1: PAST.EXT.: terminação extensiva a pasto, com lotação continua; PAST.INT.: terminação intensiva a pasto, com lotação intermitente, correção e adubação de produção, aplicação de 450 kg de N ha ano e irrigação; e CONFIN.: terminação em confinamento com ração de alto grão. O confinamento foi dimensionado para operar o ano todo, apresentando capacidade estática de 100 cordeiros por ciclo de terminação.



A Tabela 2, abaixo, apresenta os resultados econômicos de cada um dos três sistemas de terminação considerados. A princípio, é possível observar que o capital inicial, referente ao total investido para viabilizar a atividade, é quase 12 vezes inferior para o confinamento em relação ao sistema extensivo a pasto, devido a este último possuir um elevado montante de capital imobilizado em terra, considerando que para terminar um lote de 500 cordeiros seriam necessários 83 hectares de pastagens em função da baixa taxa de lotação alcançada por esse sistema.



Os valores de capital inicial se refletem no investimento inicial por cabeça, que para os sistemas a pasto são sempre maiores, em função da maior quantidade de terra utilizada. Enquanto que para engordar um cordeiro em confinamento é necessário desembolsar apenas R$ 76,24, no sistema intensivo a pasto esse valor sobe para R$ 92,40 e, no sistema extensivo, chega ao patamar dos R$ 1.038,10 por cabeça.

Embora a relação entre a receita e os componentes de custos possam ser usados como referencial da saúde econômica de uma empresa, essas variáveis são apenas meios e não fins. O que interessa, de fato, são o lucro operacional por hectare e a rentabilidade.

O lucro operacional é a diferença entre a receita total e o custo operacional total, e quando demonstrado em função da área total utilizada para produção - lucro operacional ha - permite a comparação de uma atividade agropecuária com outras opções de culturas. O confinamento, por necessitar de um espaço relativamente pequeno para operar (0,5 ha), consegue obter valores muito superiores, o que está diretamente vinculado ao nível de produtividade, que é cerca de 11 e 225 vezes maior quando comparado aos sistemas intensivo e extensivo a pasto, respectivamente.

Por sua vez, a rentabilidade (lucro operacional/capital médio) mede a remuneração dos capitais próprios investidos na empresa, e logo, a capacidade da atividade de gerar rendimentos em relação ao capital total investido, sendo considerado um dos índices econômicos mais relevantes por permitir comparar o rendimento obtido com outras opções de investimento, sejam essas produtivas, financeiras ou especulativas.

Em função do investimento significativamente menor, o confinamento estratégico possibilita altas rentabilidades (22,25%), mesmo com o lucro operacional sendo quase a metade do sistema extensivo a pasto que, por sua vez, apresentou uma rentabilidade de apenas 2,5%, valor irrelevante diante do rendimento de 7,1% obtido na caderneta de poupança nos últimos 12 meses, o que o torna uma opção de muito baixa atratividade econômica.

Dessa forma, o confinamento se apresenta como uma ferramenta valiosa de terminação, e quando utilizado estrategicamente dentro do sistema de produção, pode garantir a melhoria dos resultados econômicos da empresa, principalmente, por meio do aumento da escala de produção, uma vez que, a cada 5 cordeiros terminados em confinamento abri-se espaço na propriedade para ampliar o rebanho de cria em cerca de 3 ovelhas.

Além disso, o confinamento permite: a) o abate de animais mais jovens, possibilitando adiantar receitas e acelerar o giro de capital da empresa; b) ofertar animais de alta qualidade o ano todo, com agregação de valor no período seco; c) distribuir melhor as receitas da propriedade ao longo do ano, proporcionando flexibilidade na comercialização da produção, principalmente em regiões onde o período seco é muito prolongado; e d) concentrar a produção de esterco, permitindo seu manejo integrado e o uso em áreas de produção de volumosos.

DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

Médico Veterinário, MBA, D.Sc., especializado no sistema agroindustrial da carne ovina. Consultor da Prime ASC - Advanced Sheep Consulting.

Facebook.com/prime.asc

Twitter.com/prime_asc

18

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

VINÍCIUS DE SOUZA CHAVES

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - ESTUDANTE

EM 05/04/2019

Boa noite, Daniel. Belo artigo.
Gostaria de saber como vc determina se usa a relação 40:60 ou 20:80.

Obrigado
DANIEL SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/02/2017

Muito obrigado Francisco!



Abraços,



Daniel
FRANCISCO CAETANO LIRA

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/02/2017

Excelente artigo Dr. Daniel, muito oportuno esse trabalho apresentando.
LUIZ CARLOS

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 16/08/2015

.....
EDVALDO S. NASCCIMENTO

DIADEMA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 04/11/2013

Olá, Daniel, Boa noite!

É viavel financeiramente trabalhar com confinamento somente para a produção de carne de cordeiro, ou seja, adquirir o borrego pós desmama e confinr posteriormente enviar para o frigorifico. Não quero trabalhar nem cria, nem recria. só parceria para obter o borrego, (COMPRAR).



Grande Abraço.

Edvaldo - São Paulo.
TIAGO PIMENTA

OLÍMPIA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE OVINOS DE CORTE

EM 04/11/2013

GOSTARIA DE SABER SE O CONFINAMENTO PARA OVINOS DE CORTE ESTA SENDO BEM VISTO POIS QUERIA SABER MAIS SOBRE ALTO GRAO OU SEJA MILHO INTEIRO COM CONCENTRADO..QUAL O RESPOSTA ALGUEM PODERIA ME ESCLARECER...
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 10/01/2013

Olá Juvenal,



Fique a vontade para entrar em contato pelo e-mail: jjdan@ig.com.br .



Abraços,



Daniel
GABRIEL SILVA ALVES

SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2012

Muito grato pelas informações sr. andré.

Ao meu ver estão tendo prejuizo no meu negocio.

Pois hoje tenho 17 cabeças e 2 reprodutores o que na verdade era para ter somente 1 e posteriormente colocar o outro para começar a produção de carne que é o dorpler.

Atualmente faço da seguinte forma.

Deixo os 2 reprodutores confinados , fornece volumoso feno da propria fazenda e concentrada.

Matrizes a pasto durante todo o dia e concentrado de cevada a 0,17kg fornecendo 28kg durante todo cocho para as 15 ovelhas.

Avaliando desse relato no meu caso o sistema está sendo feito de forma errada não é isso?

grande abraço pelo ajuda
GABRIEL SILVA ALVES

SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/10/2012

Bom dia

Alguém da farmpoint poderia ajudar e responder as questões!?

abraço a todos
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 21/10/2012

Olá Saulo,





Complementando sua resposta.





A simulação apresentada contempla apenas a fase de terminação, isoladamente, e sob os mesmos parâmetros de peso corporal dos cordeiros, preço de compra e de venda dos cordeiros e valor da terra, a fim de permitir a comparação adequada entre os sistemas.





Se contabilizarmos os efeitos do confinamento estratégico em um sistema de ciclo completo, os resultados tendem a ser mais favoráveis pelo aumento do rebanho de cria (no exemplo dado, com base em 500 cordeiros, o rebanho de ovelhas teria espaço para crescer em pelo menos 300 cabeças) e pela possibilidade de redução dos custos do cordeiro desmamado como resultado da melhoria nos índices reprodutivos, no manejo da pastagem e de estratégias pontuais de suplementação, por exemplo.





Obrigado pela participação!!





Abraços,





Daniel
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 21/10/2012

Olá Nelson,





O consumo de silagem em um sistema de terminação em confinamento, com base em cordeiros na faixa de peso colocada na simulação da Tabela 1 do artigo, vai depender do tipo de silagem e do perfil da ração total utilizada no confinamento.





Geralmente, para terminação de cordeiros utilizamos rações totais com perfis variando de 40:60 a 20:80 (relação volumoso:concentrado com base na matéria seca).





O consumo diário de matéria seca (MS) pelos cordeiros fica na faixa de 3,5% a 4% do seu peso corporal. Vamos nos basear em 4% para dar um exemplo utilizando a silagem de milho como volumoso.





Vamos supor que o cordeiro entre no confinamento com 20 kgs e saía com 38 kgs. Seu peso médio ao longo do confinamento será de 29 kgs ((20+38)/2=29). Multiplicamos os 29 kgs por 4% (consumo de matéria seca por dia), o que nos dá um valor de 1,16 kgs de matéria seca por dia. Ou seja, ao longo de todo o período de confinamento, os cordeiros tendem a ter um consumo médio por dia de 1,16 kgs de MS.





Se usarmos uma ração total com relação volumoso:concentrado de 40:60 (40% de volumoso e 60% de concentrado) teremos que fornecer 0,696 kgs de matéria seca via concentrado (1,16 X 60%) e 0,464 kgs (1,16 X 40%) de matéria seca via volumoso.





A silagem de milho geralmente apresenta cerca de 30% de MS (os 70% restante é água), então, para fornecermos os 0,464 kgs MS teriamos que ofertar aproximadamente 1,546 kgs (0,464/30%=1,546) de silagem de milho.





Então, para saber o consumo potencial de seus animais você precisa ter algumas informações básicas: 1) peso médio dos animais; 2) relação volumoso:concentrado da ração total; e 3) teor de MS da silagem e do concentrado.





Obrigado por sua participação!! Quaisquer dúvidas basta entrar em contato!!!





Abraços,





Daniel
DANIEL DE ARAÚJO SOUZA

FORTALEZA - CEARÁ

EM 21/10/2012

Caros Gabriel, Saulo, Manoel e Carlos,





Antes de qualquer coisa, obrigado pelo interesse e participação de vocês.





Quando se fala em CRIAÇÃO de ovinos, você pode criá-los como você desejar!!!





Quando se fala em PRODUÇÃO de carne ovina, a coisa muda radicalmente. É outro mundo!!!





Considerando que temos um ciclo produtivo que pode ser dividido em cria, recria (para reposição) e terminação, o uso do confinamento ao longo de todo o ciclo é completamente inviável. Tendo como base apenas a alimentação das ovelhas nesse esquema e índices reprodutivos ótimos para a pecuária ovina nacional, cada cordeiro nascido com 4 kgs já valeria ao nascimento 75% mais do que o próprio cordeiro terminado de 40 kgs (a R$ 4,00/kg).





Então, ciclo completo em confinamento para produção de carne ovina não existe!! Esse sistema só trás retorno significativo para a pecuária leiteira utilizando vacas de produção superior a 12.000 litros/cabeça/ano, ou para produção de suínos e frango.





Além disso, se o confinamento for utilizado apenas para terminar um único lote de cordeiros por ano, mesmo com a fase de cria sendo executada 100% a pasto, sua rentabilidade cai drasticamente e, em geral, se torna inviável, pois os custos fixos (relacionados à infra-estrutura e área) iriam se elevar bastante, aumentando a quantidade de capital imobilizado.





Por isso que o confinamento deve ser utilizado de forma estratégica ao longo do ano, em vários ciclos de terminação, para poder ser uma ferramenta que melhore os resultados econômicos da operação pecuária.





Espero ter esclarecido as dúvidas de vocês!!





Abraços,





Daniel
MARCELO GOMES

SANTA MARIA - RIO GRANDE DO SUL

EM 20/10/2012

Parabens Daniel pelo artigo publicado, tambem gostaria de ver seus comentarios sobre as duvidas dos demais leitores.

Obrigado
CARLOS FRANCISCO GEESDORF

CAMPINA GRANDE DO SUL - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE CORTE

EM 18/10/2012

Gostaria tambem de receber as respostas das perguntas feitas pelos demais leitores pois são muito interessantes e pertinentes ao assunto, ate porque tenho uma criação de 350 cabeças de BOER, entre femeas, filhotes e reprodutores em sistema de ciclo completo confinado e gostaria imensamente de reduzir o meu custo de produção que e alto.
MANOEL JOÃO RAMOS

TOLEDO - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 17/10/2012

Muito interessante este estudo, mas assim como o Gabriel e o Saulo, também gostaria de saber sobre estudos de viabilidade para a produção em confinamento - ciclo completo. A viabilidade ocorre somente para terminação ou também é possivel com produzir no ciclo completo auferindo estes mesmos ganhos, ou ao menos algo próximo a isto?
SAULO RIBEIRO CARDOSO

MATOZINHOS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 17/10/2012

Sr. Daniel, uma reflexão a fazer também é que temos que considerar o custo do ciclo completo, uma vez que não há no mercado cordeiros de 20k para comprar, portanto precisamos pensar também na cria, desta forma como isso irá afetar os resultados economicos apresentados nas planilhas?
NELSON CARNEIRO DA CUNHA MOREIRA

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 17/10/2012

Qual o consumo de silagem por cabeça/dia em um confinamento?
GABRIEL SILVA ALVES

SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/10/2012

Sr.  Daniel, lendo muito artigos e conversado com alguns amigo no ramo, surgiu uma grande duvida.

O confinamento só é viavel para terminação ou é viavel como todo?

Ví em uma reportagem do globo rural onde é possivel criar ovinos somente no confinamento, mais até onde sei a viabilidade do negocio está focada na terminação e não do processo como todo.

Pergunto isso , pois o produtor não pode ter muita area verde para pastagem, mais ter espaço para contruir galpão de confinamento de animais desde matriz, reprodutores e cordeiros aproveitando essa pequena area para o plantio de forrageira tais com o capim elefante e outros e alta produção.