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Utilização de silagem de grãos úmidos na terminação de ovinos

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

PRODUÇÃO

EM 20/12/2006

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Segundo Buchanan-Sjmith et al. (2003) o interesse pelo armazenamento de grãos de cereais úmidos teve seu início em 1960, sendo reflexo do aumento do custo energético dos alimentos e das melhorias impostas às estruturas de armazenamento (silos). No Brasil, está prática foi introduzida em 1981 na região de Castro - PR, por criadores de suínos, sendo posteriormente utilizadas em rebanhos bovinos (Costa et al., 2004).

A ensilagem como forma de armazenar grãos de cereais (no Brasil representado principalmente pelo milho e sorgo) com qualidade e baixas perdas, é uma tecnologia de fácil aplicação e que, normalmente, proporciona resultados satisfatórios em relação à qualidade de fermentação, ao desempenho animal e ao custo, além do que, permite que a colheita do grão seja antecipada, beneficiando a rotação de culturas e reduzindo as perdas no campo.

O ponto ideal de colheita é quando o grão já completou a maturação fisiológica, que no caso do milho pode ser visualizada pela formação de uma camada preta na base dos grãos, apresentando entre 25 a 32 % de umidade. Logo após a colheita os grãos devem ser quebrados ou laminados (quando possível) e devidamente compactados no interior do silo. Uma boa compactação deve proporcionar densidade entre 800 a 1000 kg/m3 de silagem.

A silagem de grãos úmidos de cereais não é substitutiva para a de plantas forrageiras, já que grãos úmidos de cereais são alimentos concentrados energético.

Segundo Reis et al. (2001) alguns problemas na propriedade são conhecidos, decorrente ao armazenamento de grãos de cereais secos, como é o caso do ataque de insetos e roedores com grande desperdício de grãos, devido ao armazenamento inadequado, com conseqüentes perdas no valor nutritivo e aumentos no custo de produção.

A ensilagem apresenta vantagens agro-econômicas em relação ao grão de milho seco, como otimização do uso da terra, redução de perdas nos períodos pré e pós-colheita, economia de mão-de-obra e custos de armazenamento (Jones et al., 1974). Além disso, a ensilagem pode garantir a qualidade sanitária do grão (Jobim et al., 1997) e melhorar a disponibilidade de seus nutrientes.

Na ensilagem do grão úmido, o maior teor de umidade do grão favorece a fermentação no interior do silo, resultando em maior solubilização dos nutrientes e em aumento da suscetibilidade do amido à hidrólise enzimática, causando melhora na eficiência alimentar dos animais e na síntese de proteína microbiana, a qual aumenta linearmente com o uso de grãos úmidos em relação a grãos secos triturados, segundo estudos de Hibberd et al. (1985) e Streeter et al. (1989).

O aumento da produção microbiana contribui muito com a qualidade da proteína que chega ao duodeno, pois o perfil de aminoácidos essenciais das bactérias, principalmente lisina e metionina, é preponderante para a máxima produção de leite e crescimento do animal. Segundo o NRC (1985), a proteína microbiana é responsável por até 80% dos aminoácidos essenciais absorvidos no intestino dos ruminantes submetidos a vários níveis de produção.

O uso de grãos úmidos ensilados garante grande quantidade de energia prontamente disponível, devido à maior fermentação do amido, o que acarreta aumento no fluxo de proteína microbiana para o duodeno, sendo que vários estudos confirmam a importância da sincronização da energia e proteína no rúmen. Em vista disso, o nitrogênio e a energia são necessários em grandes quantidades e devem estar disponíveis para propiciar o máximo crescimento bacteriano e fluxo de proteína para o duodeno.

Reis et al. (2001) trabalhando com silagem de grãos úmidos de milho, silagem de grãos de milho hidratada em substituição ao milho seco para cordeiros em confinamento, concluíram que os animais que consumiram as silagens apresentaram maior eficiência em ganho de peso, atingindo o peso de abate mais rapidamente, atribuindo este fato à maior digestibilidade da silagem de grãos de milho úmidos.

Almeida Jr et al. (2004) em experimento com cordeiros da raça Suffolk, trabalhando com rações contendo 15% de feno, com substituição de grãos de milho seco por silagem de grão úmido de milho, observaram ganho médio diário de 385 e 368 gramas para silagem de grãos úmidos e grão seco, respectivamente. Apesar da não detecção de efeito significativo, os animais alimentados com a silagem obtiveram maior retorno econômico, devido ao fato de menor tempo requerido para atingir o peso ao abate (28 kg).

A inclusão da ensilagem de grãos úmidos dentro do sistema de produção irá depender das condições que o produtor possui dentro da propriedade (disponibilidade de equipamentos, área para o cultivo do cereal, número de animais, etc.), pois a tecnologia auxilia na logística operacional do sistema, permitindo a maximização da mão-de-obra, além de trazer benefícios nutricionais aos animais.

Literatura consultada

ALMEIDA JR et al. Desempenho, características de carcaça e resultado econômico de cordeiros criados em creep feeding com silagem de grãos úmidos de milho. Revista Brasileira de Zootecnia, v.33, n.4, p.1048-1059, 2004.

BUCHANAN-SMITH et al. High moisture grain and grain by-products. In: D. R. Buxton, R. E. Muck, J. H. Harrison (eds). Silage Science and Technology. American Society of Agronomy, p.825-854, 2003.

COSTA et al. Silagem de grãos úmidos de cereais na alimentação animal. In: Simpósio sobre Produção e Utilização de Forragens Conservadas. 2., Maringá, 2004. Anais... Maringá,PR: UEM/CCA/DZO, 2004. p.133-160.

JOBIM, C.C. et al. Presença de microrganismos na silagem de grãos úmidos de milho ensilado com diferentes proporções de sabugo. Pesquisa Agropecuária Brasileira,v.32, n.2, p.201-204, 1997.

JONES, G.M. et al. Organic acid preservation of high moisture corn and other grains and the nutritional value a review. Journal of Animal Science, v.54, n.4, p.499- 517, 1974.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

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HUGO FREIRE DE QUEIROZ

GOIÂNIA - GOIÁS - ESTUDANTE

EM 07/01/2007

De grande importância esse artigo para projeto de faculdade, vida profissional, etc . Venho elogiar e incetivar os autores!! Continuem assim.

Abraço a toda equipe,

Hugo Freire-Estudante de Zootecnia.