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Utilização da cama de frango como adubo orgânico de pastagens

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 13/08/2009

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O uso integrado e racional dos recursos disponíveis dentro da propriedade rural aliado a introdução da tecnologia, permite aumentar a estabilidade dos sistemas de produção com a redução de custos e aumento da produtividade. Segundo a EMBRAPA Milho e Sorgo (2008), a associação dos diversos componentes em sistemas juntamente com a preservação do meio ambiente, estabelece o princípio da reciclagem, onde o resíduo de um sistema passa a ser o insumo para que o outro produza.

Os sistemas agropecuários dão origem a vários tipos de resíduos orgânicos, os quais quando corretamente manejados e utilizados fornecem nutrientes para a produção de alimentos melhorando as condições físicas, químicas e biológicas do solo. Quando inadequadamente manuseados e tratados, constituem fonte de contaminação e agressão ao meio ambiente, especialmente quando direcionados para os mananciais hídricos.

As produções viáveis, tanto de grãos quanto de pastagens, pressupõem a oferta de nutrientes às plantas em quantidade e qualidade compatíveis com a obtenção da produtividade que se pretende. Os diversos sistemas de produção animal recebem seus alimentos por meio dos concentrados e das forragens, sejam estas, cultivadas ou nativas. Somente uma parte destes resulta em ganho de peso e crescimento, sendo a maior parte eliminada por meio das fezes e urina. A transformação dos resíduos em insumos agrícolas exige adoção de adequados processos de tratamento, dentre eles, o armazenamento e manejo de aplicação.

Nos sistemas de produção de leite e carne em pastagem, o uso da cama de frango como adubo orgânico é uma saída atrativa encontrada pelos produtores, por tornar a produção mais rentável em virtude da substituição de parte ou totalidade do adubo químico, principalmente a uréia, além do potássio e até mesmo o fósforo. Segundo Benedetti et al. 2009, a substituição do adubo químico na forma de uréia pelo uso da cama de frango pode ser utilizada em pastagens com capim Panicum maximum cv. Mombaça, em sistemas de lotação rotacionada. De acordo com Kiehl (1997), o efeito da matéria orgânica sobre a produtividade pode ser direto por meio do fornecimento de nutrientes ou pelas modificações das propriedades físicas do solo, melhorando o ambiente radicular e estimulando o desenvolvimento das plantas.

Com baixo custo e rica em nutrientes, a cama de frango é feita normalmente, com maravalha ou casca de arroz, café e palhadas. Nos galpões avícolas, a cama tem o objetivo de evitar o contato direto da ave com o chão, além de favorecer a absorção da água e a incorporação de fezes, urina, penas, descamações da pele e restos de alimento. Portanto, calcular custos e benefícios com as proximidades dos galpões produtores de cama e sua composição, é muito importante em virtude de sua baixa densidade em relação a custos com transporte e também com as quantidades a serem aplicadas nas áreas de cultivos.

A utilização dos resíduos depende do conhecimento de sua qualidade. A maioria dos sistemas de produção de suínos gera dejetos com o conteúdo de matéria seca variando de 1,7 a 3,5%, os de bovinos confinados, de 5 a 16% (EMBRAPA, 2008) e as camas de frango, entre 70,7 a 78,7% (Tabela 1), mesmo sendo esta, de uma mesma granja. Esses conteúdos poderão variar dependendo do manejo, composição da alimentação e desperdício dos comedouros e bebedouros. Assim, o conhecimento desses valores é a base de cálculo da reposição de nutrientes exigida pelas culturas.

Tabela 1. Parâmetros e composição química da cama de frango com casca de café no município de Amparo/SP, em função do número de criadas. Propriedade são José, galpões semi-automatizados.



O uso da cama de frango como adubo orgânico está sendo muito difundido, não somente como adubação de pastagens, mas também para hortaliças, milho, algodão e café. É de grande importância que o produtor utilize um material de excelente qualidade, livre de produtos químicos e de certa forma, padronizado quanto à composição química. O sistema produtivo Brasileiro de frango permite a reutilização da cama com variação de uma a oito criadas, segundo especialistas. Assim, deve-se atentar com a qualidade da cama a ser utilizada a fim de se alcançar os objetivos quanto à reposição de nutrientes nas mais variadas culturas.

A reposição dos nutrientes do solo deve se basear na extração ou na produtividade desejada. Certamente, as culturas de maior produção requerem maiores reposições de nutrientes com distintas recomendações de adubações. Assim, não somente a quantidade e sim a qualidade do adubo orgânico utilizado é de grande importância para o sucesso. Dados da Tabela 1, em relação à composição química de quatro camas de frango com casca de café retiradas de uma mesma granja, pode-se observar diferenças percentuais em relação ao número de criadas para os parâmetros analisados.

Considerando aumento significativo nos preços dos diversos insumos agrícolas e pecuários, trabalhar com diminuição dos custos torna-se no momento, obrigação para permanência em qualquer que seja a atividade agrícola ou pecuária. Assim, com os altos preços dos adubos químicos, o uso da cama torna-se uma saída viável. Para tanto, usá-la de forma compulsiva, sem prévia recomendação implicará em grande erro. Assim, como ocorre com as diversas formulações de adubo no mercado, com diferentes concentrações de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), além dos micronutrientes, como o zinco e outros, ocorrem também, diferenças com a cama de frango (Tabela 1).

Tomando-se como exemplo a percentagem de nitrogênio das camas com uma e quatro criadas, pode-se dizer que houve aumento de 42%, enquanto que na relação (nitrogênio/matéria orgânica) para as respectivas camas de frango, o valor chegou a 50%. Pode-se inferir que em tese o produtor rural poderia utilizar menor quantidade de adubo se optasse pela cama com maior número de criadas, para este nutriente. Todavia, a consideração de valores tabulados poderia também, inferir a erros.

Em tese, com o uso da cama de frango, o produtor poderá minimizar ou zerar seus custos com adubação, dependendo da cultura utilizada. De acordo com Lima et al. (2007) avaliando a influência da adubação orgânica nas propriedades químicas de um Latossolo Vermelho Distrófico, concluíram que a adubação orgânica com cama de frango pode ser considerada uma importante fonte de nutrientes.

Como já ressaltado anteriormente, quanto mais perto do sistema produtor da cama de frango, menores serão os custos com transporte e, quanto maior o número de criadas, consequentemente, poderá ser maior a concentração de nutrientes por unidade de peso, viabilizando os custos com transportes, pois menor será a quantidade de cama a ser colocada na área de cultivo para atender as recomendações.

É importante que seja ressaltada a necessidade de mais estudos com maiores variações de amostras, regiões e tipos de cama, para uma melhor interpretação e maior confiabilidade dos dados. Porém, atentar-se com a composição química do adubo orgânico utilizado é de fundamental importância para a viabilidade do processo. Ser eficiente não está somente em produzir maiores quantidades e sim, pelo fato de se ter a maior produtividade a um menor custo possível, com a menor produção de resíduo.

Referências bibliográficas

BENEDETTI, M.P.; FUGIWARA, A.T.; FACTORI, M.A.; COSTA, C.; MEIRELLES, P.R.L. Adubação com cama de frango em pastagem. Águas de Lindóia. Anais... Águas de Lindóia. ZOOTEC. 2009. CD Rom.

EMBRAPA MILHO E SORGO. Sistemas de Produção, 2 ISSN 1679-012X Versão Eletrônica - 4ª edição, Set./2008.

KIEHL, J.C. Adubação orgânica de culturas forrageiras. In. SIMPÓSIO SOBRE ECOSSISTEMAS DE PASTAGENS, 3., 1997, Jaboticabal. Anais... Jaboticabal: FCAV/Unesp, 1997. p. 208250.

LIMA, J.J.; MATA, J.V.D.; PINHEIRO NETO, R. ; SCAPIM, C.A. Influência da adubação orgânica nas propriedades químicas de um Latossolo Vermelho distrófico e na produção de matéria seca de Brachiaria brizantha cv. Marandu Acta Sci. Agron. Maringá, v. 29, supl., p. 715719, 2007.

MARCO AURÉLIO FACTORI

Professor na UNOESTE - Presidente Prudente
Zootecnista, Dr. em Zootecnia pela FMVZ/UNESP - Botucatu SP. Manejo de Pastagens, Conservação de Forragens e Nutrição Animal com foco em nutrição de Ruminantes.

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MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/08/2012

Caro Renato,

Existe muita variação. Depende de quantos lotes foram alojados, qual o material da cama, a dieta dos animais, etc.

Se tu quer realmente saber o que esta usando colete uma amostra multipla do material que ira usar e envie para a Unithal. Eles cobram 120,00 pela amostra e lhe darão o resultado do que realmente tem de nutrientes.



Abraço



Michel Kazanowski
PAULO LUÍS GONÇALVES CAMPELO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/08/2012

Prezado Renato, boa tarde.


Também sou de BH e já estive algumas vezes na sua região, que por sinal é uma região agrícola que ocupa uma posição de destaque em âmbito nacional, como se produz por alí. Quanto à composição química da cama de frango, pelo que já observei nos vários trabalhos já publicados em diversar regiões do País, a composição química é bastante variável, em função de vários fatores como, o material utilizado na cama, a quantidade de lotes, entre outros, por isso eu aconselho a você fazer uma análise da cama de frango que você for utilizar como adubo, assim, confrontando o resultado da análise da sua cama com o resultado da análise química do solo, sabendo a necessidade da cultura para cada um dos nutrientes, você saberá quantificar exatamente a quantidade de cama de frango que poderá utilizar e se haverá necessidade de complementação de algum elemento químico a partir de outras fontes.


A vantagem da utilização da cama de frango é a sua contribuição na melhoria da extrutura física do solo, como acontece quando se utiliza qualquer adubo orgânico. Isso melhora a capacidade de retenção de água do solo, contribuindo sensivelmente na produtividade de qualquer cultura, sem contar outros fatores desejáveis.
RENATO ORDONES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 31/08/2012

Boa tarde, gostaria de saber os componentes quimicos da cama de frango, quantidade, etc... existe algum livro tecnico que fala sobre o assunto? Qual o valor atual na regiao de Goias da tonelada? Sou de BH mas tenho fazenda perto de Rio Verde/GO. Obrigado.
IDELVANDO CESAR DE MORAIS

ITABERAÍ - GOIÁS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 28/02/2012

a diferença entre a cama de frango (adubo organico) e adubo quimico e que o quimico é absorvido mais rapido porem seu efeito tambem acaba mais rapido. como se fosse fogo de palha, ja o adubo organico quanto mais se usa vc enriquece o solo aumentando a produtividade, porem a lavoura nao dispensa o adubo quimico, porem nescessita de uma quantidade bem menor. com o uso do adubo organico vc deixa de ter um solo esgotado, doente, o solo precisa se alimentar bem.  
PAULO LUÍS GONÇALVES CAMPELO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/01/2012

Vocês não entenderam a razão pela qual os políticos tentam impedir o uso da cama de frango ? lobby dos fabricantes de adubo.. assim como o lobby dos fabricantes de ração impediram a utilização como alimentação do rebanho.


Manda quem pode, obedece quem tem juízo..


Eduardo Hara, por acaso você é parente do Tetuo Hara ?


Abraços a todos
WALTER JARK FLHO

SANTO ANTÔNIO DA PLATINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/04/2011



Existe legislação especifica sobre utilização da cama de frango. ´Sòmente pode ser utilizada quando incorporada 40 dias antes da entrada dos animais . Acho um absurdo porque na prática (já utilizei com bons resultados ) não há risco do animal ingerir a cama . Mesmo aplicada na superficie de pastagem formada , após uma chuva a cama ficará distribuida  na superficie do solo. A exigência da incorporação , conforme legislação , impede seu uso em pastagens formadas. Há necessidade de rever a legislação
MARCOS PAULO BENEDETTI

AMPARO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/05/2010

Prezado Arno Ricardo Goelzer,

Agradecemos a sua participação e o elogio pelo trabalho.

Para que haja esta comparação, seria necessária uma análise química desse esterco líquido de suínos, para que assim pudéssemos analisar o caso da forma mais correta. Mesmo assim, cabe ressaltar que a utilização de dejetos de suínos, poderá causar, se utilizado em grande quantidade, recusa do pastejo pelos animais em virtude de odores, por ser líquido e aplicado sobre as plantas. Já para as culturas de milho, sorgo e milheto este problema não ocorrerá. Se achar oportuno mande uma amostra deste material para análise e assim poderá comparar sua composição com adubos químicos utilizados nessas culturas e assim dimensionar a quantidade necessária para suprir a demanda de nutrientes por essas culturas.

Iremos nos aprofundar mais nesse assunto e em breve estaremos elaborando um artigo para ser publicado neste site.

Abraços, Marco e Marcos.
MARCOS PAULO BENEDETTI

AMPARO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/05/2010

Prezado Michel Valter Kazanovski,

Agradecemos sua participação.

A utilização do adubo orgânico, em tese, pode sim alterar o pH do solo. Porém, este assunto é mais amplo que apenas observado sobre o item pH. Quando se fala em calagem, utilizamos como base o V%, que é a soma de base do solo, dividido pela CTC. Assim, a grosso modo, a CTC nada mais é que os colóides do solo, dentre eles a matéria orgânica. Assim observando-se de modo geral, adubando-se com cama de frango (matéria orgânica), aumentamos o colóide do solo, com isso, diminuímos o V%. Dessa forma, em termos científicos, com estas recomendações de adubação com cama, acreditamos que não seriam consideráveis estes aumentos da acidez e se forem, podem ser temporários. Porém, caso haja este aumento da acidez, podemos concluir que é pequeno seus custos de controle (calagem), em comparação ao montante geral dos benefícios que trará a adubação com cama, dentre eles a melhora do aspecto físico do solo, bem como reposição de nutrientes.

Abraços, Marco e Marcos.
MARCOS PAULO BENEDETTI

AMPARO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/05/2010

Prezado Laert Rabelo Brandão,

Agradecemos sua participação.

A utilização de adubos de uma maneira geral pode alterar o pH do solo, portanto, caso haja este aumento da acidez, podemos concluir que é pequeno seus custos de controle (calagem), em comparação ao montante geral dos benefícios que trará a adubação com cama cujo substrato seja o pó de serra, dentre eles a melhora do aspecto físico do solo, bem como reposição de nutrientes.

Abraços, Marco e Marcos.
EDUARDO HARA

RIO VERDE - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/05/2010

Caro Michel Kazanovski,

Pelo que sei e que tenho acompanhado nas análisesa cama de frango aqui em Rio Verde, algo tem PH superior a 7,00 tendendo a alcalinidade e não tem pelo menos até hoje efeito de acidificação do solo.

att,

Eduardo Hara
eng. agrônomo
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/05/2010

Caro Marcos,
Tenho uma pergunta que envolve crendice e conhecimento técnico juntos.
A utilização de grandes quantidades de cama no solo acidificam o mesmo?
Isso pode ser explicado pela decomposição desse material que demanda grande quantidade de N do solo e nesse processo ha liberação de H, levando realmente a essa acidificação.
Ha relatos de redução da Saturação de Bases de 72% para 51% de um ano para outro com a utilização de 12ton/ha.
Isso é veridico? Quais são os dados de pesquisa neste assunto?

Obrigado!

Abraço

Michel Kazanovski
ARNO RICARDO GOELZER

QUINZE DE NOVEMBRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/04/2010

Prezado Marcos Benedetti,
Sou produtor de leite com produtividade de 21lts / vaca/dia, tenho 24 hectares e possuo uma parceria na área da suinocultura, gostaria de saber em um comparativo de cama de aviário com 5 criadas e esterco líquido de suínos, o que seria melhor para utilizar em áreas de cultivo de tiftons, milho, sorgo, milheto e capim sudão no verão, aveia e azevém no inverno. Desde já lhe parabenizo pelas exposições.Obrigado
MARCOS PAULO BENEDETTI

AMPARO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/04/2010

Prezado Pedro Sérgio Neiva Junqueira,

Primeiramente agradecemos o elogio pelo artigo.

Em relação a utilização do esterco de carneiro na pastagem, primeiramente, aconselhamos que este sofra sim uma decomposição ("compostagem") em virtude da possível presença de larvas de parasitas neste esterco que poderia infestar a área de pasto aumentando ou agravando o problema de verminose na sua propriedade. Porém, esta decomposição eliminará todo este problema.

Com relação ao uso da palha de arroz para aumentar o volume de esterco, pode sim ser utilizado, porém a adição de mais que 50% deste material no esterco poderá alterar a qualidade deste composto e assim, aumentar as quantidades necessárias para o adubo da pastagem, ou seja, proporcionar um composto mais pobre. Porém, o uso de palha de arroz juntamente com o esterco, facilita o processo de decomposição, juntamente com o uso da água em períodos espaçados de uma semana, para que esta decomposição se acelere, juntamente com a viragem deste material ou breve revolvimento deste composto para uniformização da compostagem. Sobre os níveis de NPK deste composto, só poderá ser dito com certeza perante análise química deste material, método mais indicado neste caso.
Na escolha dos materiais deve-se atentar para a relação carbono/nitrogênio (C/N), que na mistura inicial deve ficar entre 25/1 a 35/1. Uma compostagem feita com matéria muito rico em C e com baixos teores de N aquecerá muito devagar e ter uma fermentação lenta. Neste aspecto, compostos feitos a partir de serragem de madeira (alta C/N) apresentam em geral fermentação demorada. Quando o material é rico em N e pobre em C, ocorrerá o desprendimento de amônia, exalando cheiro característico. A palha de arroz é um material interessante para produção de compostos, pois apresenta uma relação C/N de 39, sendo está bem próxima da ideal.

Abraços, Marcos e Marco.
MARCOS PAULO BENEDETTI

AMPARO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/04/2010

Prezado Jovelino Rezende,

Obrigado pela participação e pela excelente colocação.
Num primeiro momento, acredito sim que realmente possa ocorrer o sequestro de N, mas com o tempo passa a ser cíclico com liberação contínua. No entanto, a relação C/N só trará problema quando estiver muito alta, ocasionando o sequestro de N. Normalmente, a relação de C/N de camas de frango, na umidade natural está entre 11 e 13 e na matéria seca está entre 18 e 20. Agora, a compostagem é interessante também para eliminar possíveis doenças e sementes de ervas daninhas. Já quando se tem alta relação C/N é que nestes materiais há muito Carbono para os microrganismos atacarem e pouco N, então eles seqüestram o Nitrogênio existente no solo, o que pode induzir uma deficiência.
Em compostagem feita com matéria muito rica em C e com baixos teores de N aquecerá muito devagar e ter uma fermentação lenta. Neste aspecto, compostos feitos a partir de serragem de madeira (alta C/N) apresentam em geral fermentação demorada. Quando o material é rico em N e pobre em C, ocorrerá o desprendimento de amônia, exalando cheiro característico.

Abraços, Marcos.
MARCOS PAULO BENEDETTI

AMPARO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/04/2010

Prezado Alcindo Lorenzi,

Obrigado pela participação.
Segundo a legislação em vigor é permitido o uso da cama de frango na adubação de pastagem. Lembrando sempre que em pastagem, deve-se esperar no mínimo por trinta dias para que não haja mais risco de que os animais se alimentem da cama depositada na área. Após este período, praticamente todo o material estará decomposto ou impossibilitado de ser apreendido pelos animais e consequentemente ingerido, por se encontrar incorporado ao solo.
Para não ficar repetitivo, aconselho a leitura das cartas anteriores, onde o assunto em questão foi amplamente discutido.

Abraços, Marcos.
MARCIO MERHEB DE OLIVEIRA COSTA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/04/2010

Quero saber se eu utilizar cama de frango como adubo, que quantidade devo jogar equanto tempo devo esperar para colocar vacas. Obrigado!!!! Aguardo resposta.
PEDRO SÉRGIO NEIVA JUNQUEIRA

AÇAILÂNDIA - MARANHÃO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/04/2010

Parabens pelo artigo!
Marcos tenho uma propriedade onde uso o esterco de carneiro na quantidade de 5 kg por metro quadrado mas, como o volume de esterco é pequeno poderia inriquecer ou aumentar o volume de esterco dos carneiros colocando uma camada de palha de arroz ou serragem de 10 a 15 cm e após a cobertura total desta colocar uma nova camada de palha ou arroz sendo que só usarei este produto em outubro ou seja a ultima camada deixaria uns 2 meses para que possa ter uma certa decomposicao deste material e se haveria alguma alternativa para acelerar esssa decomposicao como molhar de vez enquanto essa cama.
Em relacao ao esterco de carneiro quais seriam os niveis medios de NPK.
No caso do subtrato palha de arroz ou serragem se poderia estar jogando no curral dos bovinos para aumentar esse volume de materia organica ou isso nao enriquecera em nada meu esterco.
Desde ja agradeço,
Pedro Junqueira
JOVELINO REZENDE

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL

EM 27/03/2010

O aumento do uso da adubação orgânica em nosso país tende a aumentar devido ao baixo teor de argila em algumas regiões, tendo assim baixa CTC.

No entanto, estou procurando os efeitos adversos do uso da cama de frango in-natura no solo, ocasionando a compostagem no solo, e consequentemente o sequestro de N, devido sua relação C/N.

Espero resposta
ALCINDO LORENZI

IPORÃ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 27/03/2010

Recentemente ouvi uma reportagem proibindo o uso de cama de frango na aduabação de bastagens. Se alguem tiver alguma informação segura, pode informar...
MARCOS BIANCONCINI TEIXEIRA MENDES

SERRA NEGRA - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 15/03/2010

"Prezado Alípio Magalhães de Oliveira"

Por solicitação do autor, respondo ao seu questionamento.

A produção de limentos orgânicos no Brasil é regulada atualmente por uma lei específica (10.831/03) bem como seus respectivos decretos e Instruções Normativas. Uma dessas INs, a de número 64/08 aprova o Regulamento Técnico para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal, bem como as listas de Substâncias Permitidas para uso nos Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal.
A IN 64/08, em seu anexo VI estabelece as substâncias e produtos autorizados para uso em fertilização e correção de solo em sistemas orgânicos de produção, e também as condições gerais e específicas para esse uso. Algumas dessas substâncias podem ser assim definidas:
1) Composto orgânico, vermicomposto e outros resíduos orgânicos de origem vegetal e animal;
2) Excrementos de animais e conteúdo de rumem e de vísceras;
3) Biofertilizantes obtidos de componentes de origem animal.
Em todos os casos as substância somente podem ser utilizadas com a autorização da certificadora (OAC - Organismo de avaliação da Conformidade) e também com as seguintes condições gerais e específicas, respectivamente às substâncias listadas acima:

1)
- Definição da quantidade a ser utilizada em função do manejo e da fertilidade do solo tendo como referência os parâmetros técnicos de recomendações regionais, de forma a evitar possíveis impactos ambientais;
- Desde que os limites máximos de contaminantes não ultrapassem os estabelecidos no Anexo VII;
2)
- Proibido aplicação nas partes aéreas comestíveis quando utilizado como adubação de cobertura;
- Permitidos desde que seu uso e manejo não causem danos à saúde e ao meio ambiente;
- Definição da quantidade a ser utilizada em função do manejo e da fertilidade do solo tendo como referência os parâmetros técnicos de recomendações regionais;
- Permitidos desde que compostados e bioestabilizados;
- O produto oriundo de sistemas de criação com o uso intensivo de alimentos e
produtos veterinários proibidos pela legislação de orgânicos só será permitido quando na região não existir alternativa disponível, desde que os limites de contaminantes não ultrapassem os estabelecidos no Anexo VII. O produtor deverá adotar estratégias que visem a eliminação deste tipo de insumo num prazo máximo de cinco anos a partir da publicação desta Instrução Normativa.
3)
- Permitidos desde que seu uso e manejo não causem danos à saúde e ao meio ambiente;
- Permitidos desde que bioestabilizados;
- O uso em partes comestíveis das plantas está condicionado à autorização pelo OAC ou pela OCS;
- Permitidos desde que a matéria-prima não contenha produtos não permitidos
pela regulamentação da agricultura orgânica.

Em resumo, a utilização deve ser autorizada antes da aplicação e somente se a cama tiver sido compostada e bioestabilizada. Se cama "verde" significar sem tratamento, não será permitido.

Cordialmente, Marcos