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Terminação de cordeiros com dietas contendo grão de soja desativado ou in natura

PRODUÇÃO

EM 17/05/2013

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*Autores:
-Luis Gustavo Castro Alves, Mestre em Zootecnia pela Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD, Dourados, MS;
-Keni Eduardo Zanoni Nubiato, Doutorando em Zootecnia pela Universidade de São Paulo - USP (FZEA), Pirassununga, SP;
-Márcio Rodrigues de Souza, Mestre em Zootecnia pela Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD, Dourados, MS;
-Fernando Rossi Camilo, Doutorando em Zootecnia pela Universidade Federal de Góias – UFG, Goiânia, GO.

Nos últimos anos na ovinocultura brasileira, a terminação de cordeiros passou a ter destaque em função dos bons preços praticados. Como consequência verifica-se intensa busca de tecnologia para otimização do processo produtivo e para colocar no mercado, cada vez mais exigente, carne de alta qualidade (Osório et al., 2012).

A escolha do sistema de terminação, no caso do confinamento, é uma estratégia que pode melhorar a eficiência da propriedade. O confinamento possibilita maior produtividade, ou seja, maior quantidade de carcaças produzidas por unidade de área, além disso, como o aporte nutricional é mais controlado estas carcaças apresentam, de forma geral, melhor conformação e grau de acabamento.

A alimentação em sistema intensivo se torna o componente com maior custo na terminação dos cordeiros, sendo assim fundamental a escolha de alimentos com características desejáveis ao melhor desempenho animal. Com a expansão da ovinocultura na região Centro-Oeste do Brasil e a consolidação desta região na produção de grãos faz com que esta associação seja uma alternativa importante para o sistema de produção.

A utilização do grão de soja na composição da dieta animal passou a ter destaque em virtude de ser um ingrediente com propriedades proteica e energética, entretanto, o grão de soja in natura apresenta fatores antinutricionais que dificultam o seu máximo aproveitamento nutricional na ração. Contudo, pode ser realizada a desativação dos fatores antinutricionais do grão de soja através do processo industrial a fim de alcançar melhores resultados no crescimento e desenvolvimento do animal.

Neste sentido, foi realizado um experimento, desenvolvido no setor de confinamento do Centro de Pesquisa de Ovinos (CPO) da Universidade Federal da Grande Dourados, no município de Dourados- MS (Figura 1), no período de Maio a Julho de 2011, com duração de 66 dias na fase de campo. Os dados foram utilizados para elaboração de quatro dissertações de mestrado, sendo apresentados os temas e autores, respectivamente: 1) Desempenho animal, Camilo (2012); 2) Qualidade da carcaça, Alves (2013), 3) Qualidade da carne, Nubiato (2013); 4) Análise econômica, Souza (2012). Os objetivos foram em relação a cordeiros terminados em confinamento recebendo dietas contendo grão de soja in natura ou desativado.

Foram utilizados 20 cordeiros (Figura 2), não castrados, sem raça definida, com média de idade de 120 dias e 22 kg de peso corporal médio. As dietas experimentais foram formuladas tendo como base a proporção de grão de soja in natura ou desativado no nível de concentrado e utilizou-se o feno de Brachiaria brizantha cv BRS Piatã como volumoso. Ao total foram impostas quatro dietas, sendo duas relações concentrado:volumoso tanto para grão de soja in natura quanto para grão de soja desativado, (50:50) e (80:20).

Figura 1 – Setor Confinamento UFGD e Figura 2 – Animais no confinamento.




O critério de abate foi estabelecido pela condição corporal através da palpação em pontos pré-determinados (Figura 3). Quando o animal atingisse o escore de condição corporal entre 3 (normal) e 3,5 (ligeiramente engordurada), em uma escala de 1 (excessivamente magra) a 5 (excessivamente gorda) era abatido de acordo com a metodologia descrita por Osório e Osório, 2005.

Figura 3 - Pontos de palpação para determinar a condição corporal do cordeiro A - Base da Cola, B - Ao longo das apófises espinhosas lombares, C- Ao longo das apófises espinhosas dorsais, D - Ao longo do esterno.

 
Desempenho animal


Camilo (2012) avaliou o desempenho animal (dias no confinamento, ganho de peso, ganho médio diário, conversão alimentar) consumo de nutrientes (consumo de matéria seca, proteína bruta, extrato etéreo, fibra detergente ácido e neutro) e encontrou que os animais alimentados com a dieta com 80% de concentrado contendo grão de soja desativado obtiveram melhor desempenho, como no caso do ganho de peso diário e conversão alimentar e este fato pode ser explicado pelo baixo valor de atividade ureática encontrada no grão desativado, que indiretamente melhora o desempenho do cordeiro em confinamento, pois o grão de soja desativado melhora a ação das enzimas no intestino, aumentando a digestibilidade da proteína verdadeira e reduzindo a degradação ruminal concordando assim com informações encontradas por Butolo (2002).

Qualidade da carcaça

Alves (2013) avaliou a composição regional (cortes) e a composição tecidual da paleta e pernil. A composição regional da carcaça constituiu a divisão da meia carcaça esquerda em cortes comerciais (pescoço, paleta, pernil, costelas fixas, costelas flutuantes, peito, lombo e rabo) na qual foram obtidos os pesos e rendimentos (Figura 4). Em relação à composição tecidual, foram feitas dissecações na paleta e no pernil, por serem cortes com grande representatividade na carcaça, na qual foram obtidos os diferentes tecidos (músculo, gordura subcutânea, gordura intermuscular, osso, outros (compostos por tendões, glândulas, nervos e vasos sanguíneos) (Figura 5). E concluiu que as dietas contendo grão de soja desativado apresentam vantagens na qualidade da carcaça em relação às dietas contendo grão de soja in natura.

Figura 4 – Divisão da Carcaça em cortes e Figura 5 – Composição Tecidual Paleta.




Qualidade da carne

Nubiato (2013) avaliou as características dos músculos e seus respectivos cortes, Triceps brachii (Paleta), Gluteobiceps (Pernil) e o Longissimus lumborum (Lombo). As análises qualitativas realizadas foram: análise instrumental (pH, cor, capacidade de retenção de água, perda de peso por cozimento, força de cisalhamento) (Figura 6), análise sensorial (painel sensorial com consumidores) e análise centesimal (umidade, matéria mineral, proteína bruta, extrato etéreo) e conclui que a carne dos animais alimentados com dietas contendo grão de soja desativado teve menor força de cisalhamento, ou seja, carne mais macia bem como apresentaram melhor resultado na análise sensorial, tornando o grão de soja desativado como uma alternativa na tentativa de alterar positivamente os parâmetros físicos e sensoriais da carne de cordeiros.


Figura 6 – Músculos Triceps brachii, Gluteobiceps, Longissimus lumborum para análises instrumentais.

      

Análise econômica


Souza (2012) avaliou os custos de produção e a eficiência da terminação e concluiu que os animais das dietas contendo grão de soja desativado obtiveram melhores desempenhos zootécnicos, principalmente os animais da dieta com 80% de concentrado contendo grão de soja desativado, sendo assim em uma simulação esta dieta proporcionaria a terminação de um maior numero de animais e maior produção de carcaça entre as dietas analisadas. Com isso seria possível abater 29,51% mais cordeiro, resultando na produção de 41,81% mais de carcaça quente em relação aos animais da dieta com 50% de concentrado contendo grão de soja in natura.

Implicações

Para as caracteristicas avaliadas dentro de cada fase do experimento observou-se melhores resultados para os cordeiros alimentados com a dieta com nível de 80% concentrado contendo grão de soja desativado. No entanto, vale salientar que estas ferramentas tanto de alimentação quanto de terminação só serão validadas se o ovinocultor dispor de acompanhamento técnico e noções consolidadas do sistema produtivo com intuito de estabelecer a competição com as demais cadeias produtoras de proteina animal.

*Este experimento teve a colaboração e coordenação dos docentes e discentes do curso de Pós Graduação em Zootecnia da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD, Dourados -MS. Sendo executado pelos mestrandos e seus respectivos orientadores: Fernando Camilo Rossi (Fernando Miranda de Vargas Junior), Luis Gustavo Castro Alves (José Carlos da Silveira Osório), Keni Eduardo Zanoni Nubiato (Alexandre Rodrigo Mendes Fernandes), Marcio Rodrigues de Souza (Luiz Carlos Ferreira de Souza) e teve a coorientação dos professores Leonardo de Oliveira Seno, Maria Teresa Moreira Osório, Ana Carolina Orrico e dos Pós-Doutorandos Hélio de Almeida Ricardo e Marco Antonio Orrico Júnior além da participação imprescindível dos membros dos grupos de pesquisas Ovinotecnia e o de Carcaças e Carnes – UFGD.






Referências bibliográficas

ALVES, L.G.C. 2013. Composição regional e tecidual de cordeiros terminados com dietas contendo dietas contendo grão de soja in natura ou desativado. Luis Gustavo Castro Alves. Dissertação de Mestrado em Zootecnia. Faculdade de Ciências Agrárias. Universidade Federal da Grande Dourados. Dourados. Brasil.46 f.

BUTOLO, J. E. Qualidades de ingredientes na alimentação animal. Campinas: [S. n.], 430 p. 2002.

CAMILO, F.R. 2012. Soja desativada em dietas com diferentes proporções de concentrado para a terminação de cordeiros confinados. Fernando Rossi Camilo. Dissertação de Mestrado em Zootecnia. Faculdade de Ciências Agrárias. Universidade Federal da Grande Dourados. Dourados. Brasil. 82 f.

NUBIATO, K.E.Z. 2013. Qualidade da carne de cordeiros alimentados com dietas contendo grão de soja in natura ou desativado. Keni Eduardo Zanoni Nubiato. Dissertação de Mestrado em Zootecnia. Faculdade de Ciências Agrárias. Universidade Federal da Grande Dourados. Dourados. Brasil.49 f.

OSÓRIO, J.C.S.; OSÓRIO, M.T.M. Produção de carne ovina: Técnicas de avaliação “in vivo” e na carcaça. 2.ed. Pelotas: Universidade Federal de Pelotas. Ed. Universitária, p.24-41, 2005.

OSÓRIO, J.C.S.; OSÓRIO, M.T.M.; GONZAGA, S.S.; PEDROSO, C.E.S.; ESTEVES, R.G.; FERREIRA, O.G.L.; VARGAS JUNIOR, F.M.; ALVES, L.G.C. Terminação de cordeiros. PUBVET, Londrina, V. 6, N. 23, Ed. 210, Art.1402, 2012.

SOUZA, M.R. 2012. Análise econômica do confinamento de cordeiros alimentados com diferentes proporções de feno de capim piatã e grãos de soja in natura ou desativados. Marcio Rodrigues de Souza. Dissertação de Mestrado em Zootecnia. Faculdade de Ciências Agrárias. Universidade Federal da Grande Dourados. Dourados. Brasil. 70 f.


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AGRIPOINT CONSULTORIA LTDA

PIRACICABA - SÃO PAULO - MÍDIA ESPECIALIZADA/IMPRENSA

EM 01/10/2013

Para os interessados em produção de cordeiros, começou o novo curso online Produção intensiva de cordeiros: do nascimento ao abate".



O curso abordará os princípios fundamentais para produção intensiva de cordeiros e como adotar o melhor manejo para terminação, buscando as características ideais de carcaça.



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LUIS GUSTAVO CASTRO ALVES

LONDRINA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 21/05/2013

Prezados colegas do Farmpoint,



O assunto certamente despertou a atenção de todos quanto às ferramentas utilizadas para desenvolvimento e aos resultados obtidos neste experimento. Em relação às dietas, o concentrado foi composto de grão de soja desativado ou grão de soja in natura (27%) valor fixo para cada tratamento, independente do processamento e diferentes proporções de outros ingredientes como milho grão, farelo de soja, núcleo mineral, calcário, fosfato bicálcio, ionóforo com valores ajustados para o adequado balanceamento de cada dieta.



O processamento do grão de soja (grão de soja desativado) foi todo industrial, a partir do cozimento sob pressão e vácuo controlados, com temperatura em torno de 100°C com vapor. Esse produto foi produzido em processos automatizados de forma a garantir o valor nutritivo e a inocuidade do produto final.



Em relação ao período do confinamento dos cordeiros (dias), para característica do processamento do grão de soja, os animais alimentados com dietas contendo grão de soja desativado permaneceram em média 10 dias a menos quando comparados aos animais alimentados com dietas contendo grão de soja in natura.



Quando avaliado o aspecto econômico da ração total em relação período total do confinamento de cada tratamento, obteve para o nível de 50% do grão de soja desativado (R$ 18,27), para o nível de 80% do grão de soja desativado (R$ 18,64), para o nível de 50% do grão de soja (R$ 19,74) e para o nível de 80% do grão de soja (R$ 20,68), justificando a utilização do grão de soja desativado com inclusão de 80% de concentrado em relação ao menor tempo de permanência dos cordeiros no confinamento (Camilo, 2012).

JOÃO LEMKE

SÃO LOURENÇO DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/05/2013

como é desativado o grão de soja e qual o custo dessa operação? obrigado
ALEXIS REYES

PUNTA DEL ESTE - MALDONADO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 21/05/2013

Jose ,muy de acuerdo contigo. Lo otro, es que por las caracteristicas de produccion de las zonas centrales, donde lo mas comùn es la de productores medianos a pequeños en sus nùmeros de cabezas y areas, es muy probable que èstos dependan de quièn les provea este tipo de alimentaciòn, ya que dificilmente lo hagan el proceso individualmente. No es asi?

Lo otro, seria que, en nùmeros reales, este tipo de suplementaciòn, o sea igual o mas econòmica, o logre indices de ganancias y calidad superiores, lo cual incentive su aplicaciòn.
JULIO CESAR VALDUGA

SÃO BORJA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS DE LÃ

EM 20/05/2013

O que é considerado grão de soja desativado?
HUGO MIRANDA

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/05/2013

VOY A ESCRIBIR EN UN BUEN PORTONHOL, OBRIGADO PELA INFORMACION E MATERIAL DIDACTICO QUE VOCES EXPONEN EN NA PAGINA DE INTERNET,, PODERIA EU ACCEDER A ESTA INFORMACAO EN SU VERSION COMPLETA, PARA TENER UNA INFORMACION COMPLETA, OBRIGADO!!!!!
EDUARDO LOPES ROSSI

FORMIGUEIRO - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 20/05/2013

Gostaria de saber como e feita a soja desativada seria  tostando o grão e qual foi o custo de produção deste trabalho, qual o tempo medio de confinamento.
DIMAS ESTRÁSULAS DE OLIVEIRA

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 20/05/2013

Prezados,



Reforço o comentário do José Aguerre... suponho que foram 5 animais/tratamento? Seria de melhor visualização, por exemplo, uma tabela com os dados de desempenho, com respectivas médias/tratamento e (sd ou sem) ou outra medida compatível de dispersão bem como os valores de "P". Qual foi o processamento para desativar os fatores antinutricionais (provavelmente anti-tripsina (Kunitz e Bowman-Birk?), qual foi a composição do restante do concentrado? Desvio dos pesos médios de cada lote, desvio de ECC ao início do experimento......... enfim, mais dados auxiliariam um melhor entendimento.
LUIS GUSTAVO CASTRO ALVES

LONDRINA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 20/05/2013

Prezado José Aguerre e aos demais colegas,



Agradecemos o contato e o interesse em aprofundar nos dados obtidos neste experimento. O objetivo desta matéria foi mostrar uma síntese das quatro dissertações realizadas e sobre as atividades desenvolvidas pelos dos grupos de pesquisas Ovinotecnia e de Carcaças e Carnes -UFGD.



No entanto, nos próximos meses estes dados serão disponibilizados para comunidade científica  em forma de artigos para melhor compreensão e discussão. Caso houver interesse eu posso estar enviando resumos de congressos com algumas informações do experimento. Email gustavo353@hotmail.com



Att. Luis Gustavo Castro Alves
JOSÉ AGUERRE

SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/05/2013

Muy interesante l trabajo. Para poder tener una mejor visión, sería importante acceder a los datos obtenidos y no sólo a la evaluación subjetiva (si resultó mejor o peor, sino cuántos g/día uno u otro). Ganancias diarias e índices de conversión de las diferentes estrategias, así como su significancia