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Sombra para bovinos - parte 2

POR RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PRODUÇÃO

EM 29/02/2008

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Neste artigo, continuaremos a falar sobre sombras para bovinos, e como citado no artigo anterior, serão expostos alguns itens importantes relacionados a sombras naturais.

A escolha da árvore para Sombra Natural:

A escolha da espécie arbórea é um elemento importante e deve ser escolhida criteriosamente. A seguir encontram-se algumas dicas que podem ser úteis para a implantação de uma área de sombra eficiente:

• Deve-se ter em mente os objetivos da arborização: se é fornecimento de sombra; abrigo para o sol poente; proteção contra vento, ruídos e poeira ou diminuir a refletividade solar.

• Ainda considerar as necessidades e exigências elementares da vegetação, quanto a solo, água, luz e ambiente local.

• A espécie deve apresentar as seguintes características: adequação às condições ecológicas ambientais; compatibilidade entre os componentes do sistema; preferencialmente ser perenifólia; crescimento rápido e ereto (em condições de campo e a céu aberto); resistente a ventos (raízes profundas); possibilidade de propiciar alimento (folhas e frutos); capacidade de fixar nitrogênio; capacidade de rebrotar e ter fenologia conhecida.

• Devem ser evitadas, plantas tóxicas aos animais, excessivamente armadas de espinhos pontiagudos que possam ocasionar ferimentos; que tenham raízes expostas, que dificultem a acomodação das vacas e espécies produzam frutos grandes, com mais de 5 cm de diâmetro, que possa causar morte do animal por obstrução do esôfago. Assim como, plantas hospedeiras de pragas e doenças dos animais ou da forragem, e espécies que tenham efeito alelopático na planta forrageira.

• Espécies adaptadas terão desenvolvimento melhor e mais rápido, vida mais longa e geralmente são menos sujeitas a pragas e doenças.

• Árvores de folhas largas, copa densa e baixa, não são recomendadas para o sombreamento natural, quando analisadas do ponto de vista do conforto térmico, porque se supõe que o efeito das copas muito densas e de folhas largas seja de dificultar a ventilação em função da ascensão do ar quente, tendo o mesmo um maior dificuldade em se dissipar.

Alguns pesquisadores afirmam que árvores frondosas, de folhas perenes com altura mínima de 3 metros para propiciar uma sombra de 20 m2 e boa ventilação, são as ideais para sombreamento de piquetes com vacas leiteiras, pois secam rapidamente o solo, evitando assim, doenças nos cascos e a incidência de bernes.

Martins (2001) em sua dissertação de mestrado avaliou a qualidade térmica de algumas espécies arbóreas, baseando em dados climáticos e os índices de conforto térmico animal. Foram estudadas as sombras fornecidas pelas seguintes espécies: Pera glabrata Baill. (Sapateiro), Copaifera langsdorffii Desf. (Copaíba), Platycyamus regnellii Benth. (Pau pereira), Anadenanthera macrocarpa Brenan (Angico), Enterolobium contortisiliquum Morong (Orelha de Preto). O experimento foi realizado no Campus da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), localizado no Município de Pirassununga - SP.

Os registros dos dados foram realizados às 8:00, 10:00, 12:00, 14:00, 16:00 e 18:00 horas, analisando, assim, o comportamento da sombra ao longo do dia. Para análise dos resultados foram consideradas as variáveis: temperatura de bulbo seco, temperatura de globo negro, umidade relativa, nível de iluminação e os índices de conforto térmico: BGUI, CTR, TUI ao longo das quatro estações do ano. O delineamento estatístico usado por ele foi por blocos casualizados.

Das espécies arbóreas estudadas, a que proporcionou a melhor qualidade térmica de sombreamento ao longo do ano, com uma melhor resposta aos parâmetros agroclimáticos estudados bem com uma redução na carga térmica radiante foi a Anadenanthera macrocarpa Brenan (Angico). Descrita abaixo:

Características morfológicas: altura de 13-20 m, com tronco de 40-60 cm de diâmetro. Sua casca varia de uma forma quase lisa e clara até rugosa ou muito fissurada e preta. Seus ramos novos podem se apresentar espinhentos. Folhas compostas bipinadas, de 10-25 jugas; folíolos rígidos, com 20-80 jugos.

Ocorrência: Maranhão e Nordeste do país até São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, principalmente na floresta latifoliada semidecídua.

Fenologia: Floresce durante os meses de fevereiro-abril. Os frutos iniciam a maturação em agosto com a planta totalmente destituída da folhagem, prolongando-se até o final de setembro.

Restrições ao uso: Ocorre a queda freqüente de galhos.

Dados da espécie selecionada:

• Diâmetro da copa: 23,7 m
• Circunferência do tronco à altura do peito, tronco único: T = 3,68 m
• Altura do fuste (até o primeiro galho): 4,10 m.

Porém as espécies mais adequadas variam para cada região, em função principalmente de temperatura, latitude, altitude, precipitação média e distribuição dessas chuvas ao longo do ano.

BAGGIO e CARPANEZZI (1988), descrevem alguns sistemas silvipastoris tradicionais:

 • Na Região semi-árida algumas espécies arbóreas são preservadas devido ao seu valor forrageiro, como as dos gêneros Acacia, Mimosa, Ziziphus e Spondias. Umbu (Spondias tuberosa Arruda) é uma das mais importantes pelas suas múltiplas qualidades.

 • Na Região do cerrado, são relacionadas às seguintes espécies: Capoeirão (Aegiphila sellowiana Cham.), Abutua (Cochlospermum regium), Murici (Byrsonima verbacifolia), Cagaiteira (Eugenia dysenterica), dentre outras.

 • No faxinal, matas mistas de latifoliadas e araucária que ocorrem no Sul do Brasil, destacam-se as seguintes espécies madeireiras: Pinheiro do Paraná (Araucaria angustifólia Kuntze), Erva-Mate (Ilex paraguariensis), Imbuia (Ocotea porosa), Ipê-amarelo (Tabebuia alba), Cedro (Cedrela fissilis Vell.). Como espécies frutíferas destacam-se: Araçá (Psidium cattleianum Sabine), Araticum (Rollinia spp), Branquinho (Sebastiana brasiliensis), Guabiroba (Campomanesia xanthocarpa Berg), dentre outras.

 • No Sul do Paraná é freqüente o sistema Araucária/Erva-mate, não derivado dos faxinais, mas sim, resultante de corte seletivo da mata natural, para a implantação de pastagens, em propriedades individuais.

No próximo artigo, mais algumas considerações relacionadas a sombras naturais.

Referência:

Parte de texto apresentado pelos Eng. Agrônomos Celso H. S. Polycarpo Filho Luis Roberto Dell Agostinho Neto, Marcelo L. Moretti e Nathália N. Mourad na disciplina de forragicultura, oferecida pelo departamento de zootecnia ESALQ-USP.

Citações:

MARTINS, J.L. Avaliação da Qualidade Térmica do Sombreamento Natural de algumas Espécies Arbóreas em condição de pastagem Campinas, dezembro - 2001.

BAGGIO, A. J.; CARPANEZZI, 0. B. Alguns sistemas de arborização de pastagens. Curitiba: Boletim Pesquisa Florestal, (17), 39-46, dez. 1988.

RAFAELA CARARETO POLYCARPO

Profa. Dra. Universidade de Brasília - UnB

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ANTONIO WILSON DA SILVA DANTAS

IPIRÁ - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/10/2017

Rafaela, utilizo o neem indiano há mais de dez anos, para sombreamento de gado leiteiro, meus piquetes são de um hectare, com uma média de 18 a 20 pés por ha, no sentido norte sul. Estou no semiárido baiano e desejo experimentar o eucalipto. Só não sei qual a espécie mais recomendada para minha região.
TIAGO JUNIOR RAMBO

CAPITÃO LEÔNIDAS MARQUES - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/04/2016

Bom dia sou do oeste do parana

Tem algum estudo sobre o uso da grevilha para sombreamento?
CESAR SENS

MOGI-MIRIM - SÃO PAULO - OVINOS/CAPRINOS

EM 04/03/2016

Dra Rafaela, parabens pelo artigo.



Tenho algumas cabeças de gado de leite em Botucatu e gostaria de saber que especie arbore é indicada para plantio proximo aos piquetes.



Obrigada
ADENILSON

FOZ DO IGUAÇU - PARANÁ

EM 27/03/2014

ola tudo bem! sou de foz do iguaçu parana,estou precisando de ajuda,preciso fazer sombreamento para o gado leiteiro e estou sem opçao gostaria de uma dica de arvores com sombreamento rapido e que nao juntao insetos.

   Obrigado!
RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PLANALTINA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 24/03/2008

Prezado Francisco Alves,
Apesar de grande aumento no interesse pelo Nim Indiano, eu ainda desconheço dados científicos sobre a sua produção. Quando ao espaçamento das árvores, este íten será aboradado no próximo artigo.
Obrigada
FRANCISCO ALVES RODRIGUES

JURUENA - MATO GROSSO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/03/2008

Olá Rafaela,

Existe algum experimento usando o Nim Indiano ou a teca em sistemas silvopastoril? E qual seria o espaçamento ideal para que haja um bom desenvolvimento do capim e uma boa densidade de árvores.
RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PLANALTINA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 03/03/2008

Prezado Luciano Feres Jacob,

Quanto ao bambú, o que posso te dizer é que deve tomar cuidado com a proliferação do mesmo na área de pastagem, pois poderá tornar de difícil controle. Quanto a Leucena, a dificuldade que eu sei é a de consumo pelo animal, pois trata-se de uma árvore de grande palatabilidade para o animal. O eucalipto seria de rápido crescimento, cerca de 2 anos já faz grande sombra. Quanto a plantar árvores de crescimento tardio junto com árvores de crescimento rápido, esta é sim uma ótima alternativa.
Estou à disposição,
abraço
RAFAELA CARARETO POLYCARPO

PLANALTINA - DISTRITO FEDERAL - PESQUISA/ENSINO

EM 03/03/2008

Prezado Fidelis,
Obrigada
Rafaela
LUCIANO FERES JACOB

SÃO SIMÃO - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/03/2008

Cara colega Rafaela, poderia nos tecer comentario sobre o eucalipto e bambu e leucena? Eu recentemente plantei algumas árvores em minha propriedade, algumas nativas (mogno, ipês, jambo etc ), outras exóticas, como leucena - excelente por sinal -, eucalipto e bambu. Pode se mesclar também árvores de crescimento rápido com árvores de crescimento lento e de sombra farta?

Grato,
Luciano
FIDELISBELÃO

CIANORTE - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/02/2008

Parabéns Rafaela,

Muito importante sua colocação com referência à sombra para bovinos. No meu caso, possuo vacas leiteiras, e tenho sombra de árvores, onde uso com rodizios, sendo assim não forma barro.

Abraço
Fidelis.