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Sistemas silvipastoris e suas potencialidades de uso no semi-árido

POR RENAN M. MEDEIROS SANSON

E SUELI FREITAS DOS SANTOS

PRODUÇÃO

EM 16/03/2010

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A cada dia que passa devemos intensificar cada vez mais o uso da terra, fazendo com que se produza mais em menor área. Sistemas de reflorestamento vêm ganhando um grande mercado devido ao bom preço da madeira e as dificuldades de liberação de manejo florestais em áreas naturais.

Com o objetivo de produzir madeira e animais na mesma área, foi criado os sistemas silvipastoris, fazendo com que o produtor rural consiga aumentar seus lucros na área com a madeira e proporcionar um bom ambiente para os animais, melhorando o desempenho dos mesmos.

Os sistemas silvipatoris são caracterizados como uma técnica de produção na qual ocorre uma integração de árvores e arbustos e criação de animais. Podem ser definidos como sistemas que combinam a produção de plantas florestais com animais ou pasto. O sistema representa uma forma de uso da terra onde às atividades silviculturais e pecuária são combinadas para gerar produção de forma complementar pela interação dos seus componentes (GARCIA e COUTO, 1997), podendo então ser classificados como um tipo de sistema agroflorestal.

O sistema silvipastoril apresenta grande potencial de benefícios econômicos e ambientais para os produtores e para a sociedade. São sistemas multifuncionais, existindo a possibilidade de intensificar a produção pelo manejo integrado dos recursos naturais evitando sua degradação além de recuperar sua capacidade produtiva. Por exemplo, a criação de animais com árvores dispersas na pastagem, árvores em divisas e em barreiras de quebra-ventos, podem reduzir a erosão, melhorar a conservação da água, reduzir a necessidade de fertilizantes minerais, capturar e fixar carbono, diversificar a produção, aumentar a renda e a biodiversidade, melhorando o conforto dos animais.

A região Nordeste ocupa uma área de aproximadamente 900.000 km2 o que corresponde em cerca de 10% da área total do país, sendo 70 a 75% considerada semi-árida e árida. A maior parte do sertão nordestino sofre alto risco de desertificação devido à degradação da cobertura vegetal e do solo. A integração de pastagens cultivadas com árvores se apresenta como uma opção viável para reverter este problema e promover a sustentabilidade nesse e em outros ecossistemas sujeitos aos mesmos problemas de degradação.

O uso de espécies arbóreas tem recebido relevante atenção nos últimos anos como forma de recuperar pastagens degradadas ou de criar um sistema mais sustentável de exploração pecuária.

Segundo FRANKE & FURTADO (2001), a utilização de sistemas silvipastoris pode diminuir os impactos ambientais negativos próprios dos sistemas tradicionais de criação de animais por meio do favorecimento de restauração ecológica de pastagens degradadas, diversificando a produção das propriedades pecuárias e gerando produtos e lucros adicionais, ajudando assim, a reduzir a dependência externa de insumos. Esse fato, permite e intensifica o uso do recurso solo e seu potencial produtivo em longo prazo, dentre outros benefícios, como a ciclagem de nutrientes, causada pela absorção desses elementos pelas raízes das árvores, de camadas mais profundas do solo e a posterior deposição no solo superficial de parte desses nutrientes, pela decomposição de folhas, raízes etc.

Um outro benefício segundo CRUZ et al.(1999), seria a melhoria na atividade biológica do solo, causada por mudanças no microclima do solo, devido ao sombreamento das árvores ou melhorias na fertilidade do solo, principalmente se a árvore tiver a capacidade de associar-se a microrganismos fixadores de nitrogênio do ar, como normalmente ocorre com as leguminosas.

A presença de árvores ou bosques no interior das pastagens proporciona maior conforto aos animais em decorrência da amenização do clima. Nos dias de calor intenso, principalmente durante as horas mais quentes do dia, os animais procuram reduzir os efeitos da radiação solar e altas temperaturas do ar abrigando-se na sombra das árvores. Os sistemas silvipastoris constituem-se em um eficiente método para criação de animais especializados na produção de leite, fornecendo um ambiente de conforto térmico.

Segundo FRANKE & FURTADO (2001), a presença dos animais em sistemas silvipastoris também pode ser visto como elemento acelerador no processo de ciclagem de nutrientes no sistema, pois grande parte da biomassa consumida retorna ao solo sob a forma degradada (fezes e urina).

Teoricamente, os sistemas silvipastoris podem trazer diversos benefícios para o meio ambiente quando comparados à pastagem tradicional, demonstrando assim, a viabilidade que podem ter, obviamente adaptados aos ambientes sócio-econômicos e ecológicos de cada região.

Dentre as vantagens que apresentam os sistemas silvipastoris, podem ser citadas:

a) melhoria da capacidade produtiva dos animais e das pastagens;

b) aumento da fertilidade e da diminuição da compactação do solo;

c) reduz a erosão do solo;

d) aumenta o teor protéico da forragem (devido à ciclagem de nitrogênio);

e) aumenta o consumo de forragem pelo animal;

f) aumenta a fertilidade e ganho de peso dos animais;

g) aumenta a renda com produtos obtidos das árvores;

h) melhora o ambiente e valoriza a propriedade.

No entanto, algumas vantagens podem se tornar desvantagens, como por exemplo:

a) diminuição da matéria orgânica do solo (devido o pastoreio);

b) perdas das árvores (devido à presença dos animais);

c) diminuição da disponibilidade de forragem para os animais (devido ao aumento da área basal das plantações,), etc.

O sistema silvipastoril é uma alternativa promissora para o incremento da produção pecuária e de madeira para diversas finalidades, otimizando a utilização do solo e a restauração de áreas degradadas. No entanto, o produtor que tomar a iniciativa de implantar sistemas silvipastoris, deve estar consciente das vantagens e desvantagens da adoção da técnica sobre o sistema tradicional de criação de animais em pastagens sem a presença de árvores e/ou arbustos. Essa percepção é importante, pois, somente assim, será possível a obtenção de êxito diante dos ganhos adicionais que o novo sistema de criação poderá proporcionar.

Referências bibliográficas

CRUZ, P.; SIERRA, J; WILSON, J.R.; DULORMNE, M.; TOURNEBIZE, R. Effects of shade on the growth and mineral nutrition of tropical grasses in silvopastoral systems. Annals of Arid Zone, v.38, p.335-361, 1999.

FRANKE, I. L.; FURTADO, S. C.; Sistema Silvipastoris: Fundamentos e aplicabilidade. In: Circular Técnico, Embrapa Acre, Rio Branco, 2001; 51p.; Documento 74.

GARCIA, R.; COUTO, L.; Sistemas silvipastoris: tecnologia emergente de sustentabilidade. In: Simpósio internacional sobre produção animal em pastejo, Anais... Viçosa, 1997 p. 447-471.

RENAN M. MEDEIROS SANSON

SUELI FREITAS DOS SANTOS

Zootecnista

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SONIA TEIXEIRA NORONHA

PARAMBU - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/05/2017

Gostaria de receber informações sobre o sistema na regiao do semi arido, se possivel. Qual o tipo de arvore pode ser usada e se posso alternar com fruteiras.

Sonia Teixeira. Parambu- CE

Soniatexeira@edu.unifor.br
SUELI FREITAS DOS SANTOS

ITAPIPOCA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 05/04/2010

Prezado Marcelo Roberto Paracampos, infelizmente isso ainda é uma realidade.
Mas, me coloco a disposição para o fornecimento de informações que você venha precisar.
Abraços,
Sueli.
MARCELO ROBERTO PARACAMPOS

QUIXADÁ - CEARÁ

EM 03/04/2010

Muita gente tem falado e até novas linhas de crédito estão sendo abertas ao agricultor,mas eu vejo que falta conhecimento do assunto para uma boa prestação de serviço nesta área.
SUELI FREITAS DOS SANTOS

ITAPIPOCA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 31/03/2010

Prezado Rômulo M.D. Lima,
Os Sistemas Silvipastoris podem enquadrar-se em todos os sistemas (intensivo, semi-intensivo e extensivo). No entanto, estudos realizados atualmente visam a implantação dos SAFs nos sistemas de alta produtividade (semi-intensivo e intensivo), visando manter a sustentabilidade destes.
Atenciosamente,
Sueli.
ROMULO MESSIAS DIOGENES LIMA

FORTALEZA - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/03/2010

Sueli, parabens pelo artigo. Porém, gostaria que você esclarecesse onde está enquadrado os SAF´s. Se no sistema de exploração extensivo, semi-intensivo,
ou intensivo.
grato
SUELI FREITAS DOS SANTOS

ITAPIPOCA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE CAPRINOS DE LEITE

EM 23/03/2010

Prezado José Aroldo Veras,estarei entrando em contato com você e lhe encaminhando as informações solicitadas.
Abraços.
JOSE AROLDO VERAS

RERIUTABA - CEARÁ - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 23/03/2010

Sueli, encontrei seu artigo por acaso e acho que estas informaçoes devam chegar do outro lado da pesquisa que é o produtor rural. Por isso, gostaria que você me mandasse mais informações no que se refere a pesquisas e de como melhorar a produção de animais no semi árido.