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Sistemas de produção e verminose Parte II de II

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 06/02/2012

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Como vimos na primeira parte do artigo, as infecções parasitárias são influenciadas por fatores inerentes aos sistemas de produção (nutrição, bem-estar animal e ambiente) que por sua vez são dependentes da escolha de alguns manejos realizados no rebanho. Além do uso do confinamento ou da pastagem, a realização de práticas como o desmame e a suplementação alimentar podem interferir na susceptibilidade dos animais às verminoses. Esse assunto será discutido com enfoque nos sistemas de terminação de cordeiros, baseado em estudos do Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da Universidade Federal do Paraná (LAPOC/UFPR).

Confinamento x pastagem

De maneira geral, a pastagem propicia ambiente mais favorável ao desenvolvimento parasitário quando comparada ao confinamento, mas não é nula a possibilidade de infecção neste sistema, principalmente se houver acúmulo de fezes, urina, palha, feno e restos alimentares (Figura 1).

Desse modo, ambientes que facilitam a limpeza são preferíveis para o confinamento dos animais. Pisos ripados, ou a troca frequente das camas, diminuem muito a contaminação parasitária ambiental (Figura 2). O planejamento adequado de bebedouros e cochos, que sejam facilmente laváveis, com cantos arredondados e colocados de forma a dificultar a entrada de fezes também diminui não só a verminose como também outras doenças. Além disso, a lotação animal deve ser correta para cada categoria, podendo variar de acordo com o piso e a frequência da troca de cama. O confinamento pode ser um aliado no controle da verminose desde que haja instalações adequadas, limpas, com animais bem nutridos e lotações adequadas.

Figura 1 - A falta de limpeza do piso pode ocasionar infecções parasitárias em animais confinados.



Figura 2 - Instalações limpas e bem planejadas evitam infecções parasitárias (LAPOC/UFPR).



No pasto há vários fatores que influem na contaminação ambiental e na infecção parasitária dos animais. O tipo e a altura da pastagem determinam diferenças no microclima desse ambiente (Figura 3). Sendo assim, pastagens de crescimento estolonífero ou prostrado, que crescem mais "fechadas", detém melhor a umidade e tendem a favorecer o desenvolvimento dos parasitos, quando comparadas às pastagens de crescimento ereto onde os raios solares penetram mais facilmente. É importante ressaltar que a escolha da pastagem não deve se basear apenas nessa questão. A qualidade nutricional da forrageira e adaptabilidade ao clima são também fatores relevantes a serem considerados.

O manejo da pastagem também influencia no grau de contaminação e infecção parasitária. De uma forma geral, as larvas dos parasitos concentram-se mais próximo ao solo e a contaminação diminui consideravelmente com cerca de 10-15 cm da altura da planta. Considerando que a altura de manejo das principais pastagens utilizadas para ovinos fica nesse intervalo (10-15 cm), manejando-se corretamente a pastagem, com oferta e altura adequada, dificilmente o produtor irá submeter os seus animais à excessiva contaminação por larvas em estratos baixos da forragem e atenderá as exigências em qualidade da mesma.

Figura 3 - A eclosão dos ovos de parasitos depositados nas fezes depende do microclima que varia com o tipo e a altura da pastagem.



A escolha da pastagem ou do confinamento depende da realidade de cada propriedade, como a disponibilidade de área, alimentos, mão de obra, capital de investimento e o objetivo da criação. Pode-se ainda lançar mão do uso dos dois sistemas para categorias diferenciadas, como por exemplo, terminar cordeiros no confinamento e utilizar a pastagem para as ovelhas. Independente de qual for o ambiente escolhido, deve-se considerar o manejo adotado nos sistemas, como a realização de desmame e o uso de suplementação.

Terminação em pastagem: efeito do desmame e da suplementação

Muitas vezes, principalmente quando se trata de animais não estacionais, é necessário recuperar a condição corporal da ovelha lactente para a próxima estação de monta, e isso só é viável com a realização do desmame. Três coisas influenciam diretamente no desempenho de cordeiros pós desmame e na resposta ao parasitismo gastrointestinal: idade de desmame, ambiente em que são colocados após o desmame e a suplementação alimentar (Figura 4).

Figura 4 - Fatores que influenciam na susceptibilidade à verminose do cordeiro pós desmame.



A separação de mãe e filho é muito traumática ao cordeiro que está em aprendizado nutricional e com o sistema imunológico em formação, o que irá influenciar nas defesas à verminose. A idade de desmame é fator importantíssimo, pois até os 60 dias o leite e a presença da mãe são ferramentas fundamentais na vida do cordeiro. Essa idade até pode ser reduzida a 45 dias, em condições de confinamento ou sob suplementação alimentar. É importante que o animal esteja em boa condição nutricional para ser submetido ao desmame, pois será normal a perda de peso nos primeiros dias de adaptação. Pode-se inclusive postergar o desmame dos cordeiros para mais de 60 dias, quando estes não estiverem em condições nutricionais adequadas.

Outro fator decisivo no desempenho do cordeiro pós desmame é o ambiente em que ele será colocado. Cordeiros desmamados e colocados diretamente no pasto apresentam maior dificuldade de alimentação, enquanto os animais confinados conseguem alimentar-se mais facilmente, pois a comida está prontamente disponível no cocho. Isso ocorre porque o animal jovem ainda não tem habilidades de pastejo como o adulto, e esse fato vinculado ao estresse pós desmame determina queda na imunidade e alto índice de verminose. Desmamar os cordeiros e colocá-los na pastagem é possível sim, desde que se tenha suplementação alimentar, mesmo com boa oferta de forragem.

Estudos realizados no LAPOC/UFPR demonstraram ser viável a terminação de cordeiros em pastagem desmamados aos 45 dias de idade desde que se tenha suplementação a 2% do peso vivo em Matéria Seca (18% PB). Outro fator importante é que a pastagem não deve ser limitante em quantidade e qualidade, pois a oferta de forragem afeta não só a nutrição do animal, mas o grau de infecção parasitaria por se relacionar com a altura do pasto. A pior situação seria realizar o desmame do cordeiro antes dos 60 dias de idade e colocá-lo na pastagem sem nenhum tipo de suplementação (Figura 5). Esse fato interfere nos três fatores inerentes ao sistema de produção e que foram comentados na primeira parte desse artigo: baixo grau de bem-estar (estresse do desmame), ambiente propício à infecção parasitária (pastagem) e nutrição inadequada pela dificuldade que o animal jovem tem no pastejo.

Figura 5 - Cordeiros Suffolk desmamados aos 45 dias de idade e colocados em pastagem de azevém sem o uso de suplementação: alto índice de verminose e baixo desempenho, mesmo com adequada oferta de forragem. LAPOC/UFPR.



Quando não se tem pressa em recuperar a ovelha para a próxima estação de monta, o que ocasionalmente ocorre com animais estacionais, pode-se terminar o cordeiro "ao pé da mãe". Esse sistema propicia bons resultados de desempenho, o único cuidado deve ser logo após o parto quando a ovelha tem uma queda considerável de imunidade e apresenta aumento no grau de infecção parasitária (OPG). Esse fato ocorre no primeiro mês após a parição, onde se deve ter controle parasitário mais assíduo. É válido ressaltar que nesse caso a oferta de forragem deve atender a demanda das duas categorias, cordeiro e ovelha, não limitando o consumo dos animais. Para melhorar o desempenho e diminuir a verminose de animais terminados junto às mães em pastagem, pode-se fazer uso de suplementação exclusiva ao cordeiro, seja concentrada "creep-feeding" (comentado no artigo "Creep feeding - uma estratégia de suplementação") ou volumosa "creep-grazing" (comentado no artigo "Creep-grazing o sistema de suplementação com pastagem para cordeiros"). A suplementação de cordeiros terminados em pastagem "ao pé da mãe" evita o estresse do desmame e garante nutrição adequada com baixos índices de parasitoses (Figura 6).

Figura 6 - Cordeiros terminados em pastagem junto às mães apresentam menor infecção parasitária agregando-se o Creep-feeding (suplementação concentrada à esquerda) ou Creep-grazing (suplementação volumosa à direita). LAPOC/UFPR.



Há também um sistema denominado de amamentação controlada em que os cordeiros permanecem confinados e as ovelhas vão ao pasto durante o dia, permanecendo apenas a noite com os filhos. O intuito desse sistema é melhorar o desempenho de animais confinados evitando-se o estresse do desmame, e isso é positivo para que os animais permaneçam com baixo grau de infecção parasitária. Esse sistema tem se demonstrado ainda melhor do que a terminação de animais desmamados em confinamento, a única coisa que precisa ser bem avaliada é o maior espaço que a ovelha ocupa no confinamento e uma área de pastagem adequada para essa categoria. De qualquer forma, é melhor fazer amamentação controlada do que manter a ovelha por períodos muito longos no confinamento, o que demanda maior espaço e dificulta a limpeza das instalações.

De maneira geral, o confinamento pode ser um aliado no controle da verminose desde que haja alimentação balanceada e instalações adequadas, sendo que nesse ambiente pode-se optar pela terminação de animais desmamados ou o uso de amamentação controlada. É possível terminar cordeiros em pastagem desde que, se desmamados (60 dias) devem receber suplementação (2% PV em MS); se não desmamados, o uso de suplementação em creep-feeding e creep-grazing diminui a infecção parasitária e melhora o desempenho dos animais. Além disso, a oferta de forragem e a lotação animal devem ser adequadas para não limitar o consumo. É inviável desmamar cordeiros antes de 60 dias e colocá-los na pastagem sem nenhum tipo de suplementação. Independente de qual for o sistema escolhido, deve-se adotar critérios de controle parasitário adequados (OPG, Famacha e sinais clínicos) utilizando anti-helmínticos eficazes.

JORDANA ANDRIOLI SALGADO

Médica Veterinária (UFPR).
Mestre em Ciências Veterinárias (UFPR/LAPOC).
Doutora em Biociências e Biotecnologia (UENF).
Pós doutoranda em Ciência Animal (PUCPR)
Consultora em ovino/caprinocultura e doenças parasitárias.

EDSON F EVARISTO DE PAULA

Zootecnista (UFPR),
Mestre em Ciências Veterinárias (UFPR)
LAPOC - Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos da UFPR

ALDA LÚCIA GOMES MONTEIRO

Coordena o Laboratório de Produção e Pesquisa em Ovinos e Caprinos (LAPOC) da UFPR

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LEONARDO GUIMARÃES

ITAPETINGA - BAHIA - ESTUDANTE

EM 21/02/2012

Oppaa..Bom dia!



Quero parabeniza-la pelo artigo..Muito bom!!



Att.
JORDANA ANDRIOLI SALGADO

CURITIBA - PARANÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 07/02/2012

Prezados Genésio Saraiva e Fernando Amorim, fico contente que gostaram do trabalho.

Obrigada pelos comentários.

Att.
FERNANDO DE L. AMORIM

MAGÉ - RIO DE JANEIRO - ESTUDANTE

EM 06/02/2012

Ótimo texto, parabens aos autores.
GENÉSIO SARAIVA

SEBASTIÃO LARANJEIRAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 06/02/2012

Ótimo trabalho. Congratulações,