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Sistemas de acasalamento

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO

EM 29/04/2011

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Diversos sistemas de acasalamento podem ser empregados, devendo-se escolher aquele que melhor convém aos objetivos da criação. O método a ser empregado pode reunir vantagens como simplicidade, concentração das atividades de manejo em um curto espaço de tempo, oferecer bons resultados econômicos e permitir o aproveitamento máximo do reprodutor.

Em um panorama geral, pode-se optar pelo uso da monta natural ou inseminação artificial. Dentro de cada uma, há algumas variações/modificações que possibilitam adequar aos diversos sistemas de produção e interesse reprodutivo, bem como, oferecer relações custo x benefício distintas. A monta natural pode ser livre, livre com marcação ou controlada, enquanto a inseminação artificial varia de acordo com o tipo de sêmen (fresco, resfriado ou congelado/descongelado) e ainda, técnica a ser empregada [transcervical (vaginal, cervical superficial, cervical profunda ou intra-uterina) ou laparoscópica (intrauterina)]. Ambos os sistemas de acasalamento (monta natural ou inseminação artificial) podem variar, ainda, conforme ao tipo do estro (natural ou sincronizado).

A monta natural é o método mais simples e mais empregado nos sistemas extensivos. Quando os acasalamentos são livres, machos são introduzidos ao lote de fêmeas, permanecendo durante toda a estação de monta (em geral, de 45 a 60 dias). Neste caso, o desgaste dos machos é grande, visto que esses necessitam identificar as fêmeas em estro dentre todas do lote e, ainda, realizar as coberturas. A relação macho:fêmea, portanto, deve ser alta. Por essa razão, embora os custos com tecnificação e manejo sejam baixos, há a necessidade de adquirir um grande número de reprodutores de alto padrão zootécnico. Esse sistema onde vários touros são mantidos no mesmo piquete com as fêmeas é denominado de acasalamento múltiplo.

As principais desvantagens são o desconhecimento da paternidade das crias, que impossibilita a comparação do desempenho reprodutivo e produtivo dos diferentes machos, além do desgaste excessivo destes como já mencionado. No entanto, em rebanhos comerciais, essas desvantagens são compensadas pela economia de mão-de-obra e a certeza de que a maioria das fêmeas irá conceber durante uma determinada estação de monta. Regime de acasalamento simples, ou seja, cada lote de fêmea é mantido com um único macho, a identificação da paternidade das crias é possível, sendo fundamental o conhecimento da fertilidade e capacidade reprodutiva dos machos. Qualquer falha na seleção poderá resultar em índices de concepção insatisfatórios.

Quando a monta natural livre for associada ao sistema de marcação dos machos (ver artigo - "Sistema de marcação dos machos na estação de monta") há maior controle reprodutivo dos animais. O sistema permite a identificação das fêmeas que manifestaram estro e as montas ocorridas, facilitando o monitoramento do rebanho. Além dessas, outra série de informações são geradas de modo a auxiliar na tomada de decisões de manejo, visando à eficiência reprodutiva. Um exemplo seria a possibilidade de separar do lote as fêmeas já cobertas para que se intensifique o aproveitamento dos machos e empregue-se um manejo nutricional diferenciado às diagnosticadas como prenhes. Esta prática de manejo com os machos pode também ser associada à monta controlada ou inseminação artificial; quando rufiões são utilizados para identificar as fêmeas em estro.

No emprego do sistema de monta natural controlada, o papel de identificação da manifestação de estro fica a cargo do rufião. As fêmeas receptivas são, então, levadas até a presença do macho para a prática da cobertura. Em outras palavras, o macho reprodutor realizará somente a monta das fêmeas detectadas em estro. Pode-se permitir de um a dois serviços (coberturas). Quando são efetuadas duas montas (com intervalo de aproximadamente 12 horas) as possibilidades de concepção são maiores. Nestes sistemas, evita-se desgaste desnecessário dos machos, possibilitando seu maior aproveitamento, visto que poderão cobrir um número maior de matrizes. Este grande benefício compensa os gastos relacionados à aquisição de machos rufiões (em geral, animais de baixo valor zootécnico) e intensificação do manejo com os animais (observação periódica das fêmeas em estro e condução da matriz à cobertura). Esse método de acasalamento pode ser usado quando se deseja conhecer a paternidade.

Os acasalamentos realizados por monta natural são utilizados pela maioria das propriedades, por exigir um menor padrão técnico. Porém apresenta como limitação a dificuldade no controle de doenças sexualmente transmissíveis e menor velocidade no ganho genético dos rebanhos.

Já a inseminação artificial proporciona maior avanço nos programas de melhoramento genético animal. Há possibilidade de multiplicar os genótipos dentro do rebanho a partir do uso de sêmen de diferentes reprodutores comprovadamente melhoristas, sem, no entanto, aumentar o número de reprodutores no plantel. Desta forma, os acessos a materiais genéticos superiores são conseguidos por preços compatíveis, eliminando-se a necessidade de transporte dos animais, de custos e inconvenientes da manutenção de grande número de machos na propriedade. Entretanto, devido à maior tecnificação, os custos de implantação destes programas são superiores ao comparado a monta natural.

Nos sistemas de acasalamento que se empregam a inseminação artificial, há maior aproveitamento dos machos. Cada ejaculado pode produzir um número superior de doses inseminantes, em virtude do processo de diluição. A quantidade de diluente acrescido ao sêmen variará de acordo com sua utilização (a fresco, resfriado ou congelado/descongelado), ou seja, com a concentração desejada e ainda, qualidade do ejaculado.

A inseminação artificial com sêmen fresco pressupõe a obtenção do sêmen seguida de sua análise, fracionamento e imediata deposição na fêmea. Nenhum artifício de preservação do material seminal é necessário neste caso. Quando se utiliza sêmen resfriado, faz-se necessário adicionar solução conservante e manter o material em temperatura de aproximadamente 4ºC por período superiores a 24 horas. Esta estocagem possibilidade o transporte do material a médias distâncias dentro desse período determinado. No caso do emprego do sêmen congelado/descongelado permite-se a estocagem por tempo indeterminado à temperatura de -196ºC (em nitrogênio líquido), possibilitando o uso de animais que se encontram em outros países, ou mesmo que já morreram. Com base nestas informações, a inseminação artificial com sêmen fresco tem maior aplicabilidade dentro de uma propriedade, enquanto a utilização do sêmen resfriado ou congelado/descongelado pode ultrapassar os limites da propriedade. Esta vantagem permite a utilização intensiva de reprodutores de altíssimo valor econômico e genético, minimizando custos e ampliando a abrangência dos resultados de melhoramento.

As diferentes técnicas de inseminação variam principalmente em função do local de deposição do sêmen no trato reprodutor feminino (ver artigo: Técnicas de Inseminação Artificial). A escolha do método deve basear-se na qualidade do sêmen e disponibilidade da tecnologia, bem como, na eficiência esperada.

O emprego da sincronização de estro nos sistemas de acasalamento apresenta inúmeras vantagens, dentre elas as de maior destaque são: concentrar o estro de um grupo de fêmeas em um curto período de tempo; reduzir a mão-de-obra com observações de estro; intensificar a utilização dos machos e por fim; com a homogeneidade dos lotes favorecer a gestão das etapas de produção (manejo intensivo em determinados períodos, reduzindo os custos excessivos com mão de obra). Neste caso, a relação macho:fêmea deve ser aumentada, visto que um número maior de matrizes necessitará ser coberta em um curto período. Por esta razão pode-se iniciar os programas de sincronização em pequenos lotes, intervalos de uma semana, a fim de permitir o descanso dos machos e recuperação da qualidade seminal.

Considerando todas as opções de acasalamento, a escolha da modalidade adequada a cada propriedade depende de diversos fatores que envolvem o status econômico da exploração, o grau de tecnificação já conquistado e a disponibilidade de mão de obra especializada.

Referências consultadas:

- Chemineau, P.; Cognié, Y. Training manual on artificial insemination in sheep and goats. INRA, FAO, France, 222 p., 1991
- Gonçalves, P. B. D.; Figueiredo, J. R.; Freitas, V. J. F. Biotécnicas aplicadas à reprodução animal. 1ª Edição, Varela editora, São Paulo, 340p., 2002.
- Mies Filho, A. Inseminação Artificial. 6 a edição. Porto Alegre: Sulina, 750p., 1987
- Moraes, J.C.F.; Souza,C.J.H.; Jaume, C.M. Organização e gestão de um programa de controle da reprodução ovina com foco no mercado. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v.31, n.2, p.227-233, abr./jun. 2007.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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