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Sistema integrado de pastejo: ovinos e bovinos

VÁRIOS AUTORES

PRODUÇÃO

EM 13/07/2010

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A pastagem está presente em todos os sistemas produtivos de ovinos e bovinos, seja em sua totalidade, nos sistemas que a pastagem é base da alimentação, ou ainda, onde a pastagem atua em pelo menos uma fase do crescimento do animal como, por exemplo, em animais confinados que ao menos na fase de cria permaneceram se alimentando de pasto.

Utilizando uma pirâmide como exemplo de um sistema de produção, a sua base, com certeza será formada pelo pasto que por muitas vezes se encontra esquecido e destinado para sua formação, uma área degradada, de baixa fertilidade e de difícil acesso de máquinas e implementos. Para se ter um sistema consolidado, seu alicerce deve estar cravado em uma alimentação concisa. Um animal bem alimentado por muitas vezes fica frente a doenças sem ao menos manifestá-la. Sem sombra de dúvidas, aquele animal que usufrui de bem estar e excelente alimentação, está apto para produzir a baixo custo.

A ovinocultura está presente por muitas vezes em regiões mais adversas, sendo desenvolvida na maioria do país de forma extensiva e com baixos níveis de tecnologia. Já a bovinocultura é tradicionalmente mais conhecida, apresenta melhor distribuição e segundo relatos, sua condução é mais fácil e menos exigente, embora na ovinocultura tenhamos animais sobrevivendo em ambientes totalmente desfavoráveis, e que muitas vezes um bovino na mesma situação não apresente o mesmo desenvolvimento. No entanto, a união destes animais em uma só área parece ser um fator espetacular, pois nos ovinos a verminose é um grande problema, que poderia ser resolvido com o pastejo simultâneo ou alternado. Pois bem, este é o grande desafio.

No Brasil, o efetivo ovino é predominante nas regiões Nordeste e Sul, sendo a região Sul, tradicionalmente extensiva e durante anos esteve dedicada principalmente à produção de lã. Hoje está mais diversificada com a produção de carne, lã e leite. Enquanto isso, no Nordeste, a atividade caracteriza-se como atividade de subsistência, com a utilização de animais deslanados, sendo de fundamental importância sócio-econômica.

A escolha de uma espécie forrageira para pastejo no início da criação ovina é de fundamental importância. A forragem tem que estar de acordo com as condições de clima, manejo e consequentemente o sistema de produção que será utilizado. Para ovinos, certas características inerentes a espécie, como o comportamento alelomimético (ação idêntica entre os membros de um grupo no mesmo momento e atuando uns sobre os outros), é de grande importância. De maneira geral, os ovinos pastejam em grupos, sendo difícil observar um animal isolado do restante do rebanho. Assim, é importante que a forrageira escolhida seja de porte baixo (< 80 cm de altura) para que haja a possibilidade de visão e percepção entre os animais do grupo de pastejo (Factori e Benedetti, 2010).

Outra característica dos ovinos é o pastejo seletivo, possuindo a habilidade na apreensão de partes selecionadas das forrageiras. Segundo Meirelles et al. (2008) as espécies mais indicadas para pastagens de ovinos devem ter porte baixo, com hábito de crescimento rasteiro, prostrado, que proporcionam boa cobertura do solo e que toleram manejo baixo. Desta forma, aconselha-se utilizar as pastagens mais produtivas, sendo elas do Gênero Panicum (Tanzânia) e Cynodon (Tifton e Coast-cros). Para tanto, as espécies do gênero Brachiaria podem também ser utilizadas, porém apresentam menores produtividades e também podem acometer aos ovinos problemas com fotossensibilização.

Nos sistemas de produção intensiva, o sistema de pastejo com lotação rotacionada é o mais indicado, por garantir maior uniformidade e eficiência de pastejo. Para tanto, o número de piquetes em cada pastagem será em função do período de descanso (PD), que varia de acordo com a espécie forrageira utilizada e, do período de ocupação (PO), que pode ser obtido pela equação:

Número de piquetes = (PD / PO) + 1


O período de ocupação deve ser com menor duração possível, podendo variar de 1 a 5 dias, garantindo assim melhor rebrota das plantas e fácil controle da lotação da pastagem.

Para bovinos, também é indicado o uso de pastejo de lotação rotacionada, pelo mesmo motivo citado anteriormente. No entanto, com raras exceções entre algumas espécies, os bovinos não tem hábito gregário, ou seja, a forragem não necessita ser baixa em virtude do seu hábito de pastejo. Ainda, são bem menos seletivos que os ovinos, e, portanto, não possuem a habilidade de apreensão de pequenas folhas e ramos específicos que são facilmente apreendidos pelos ovinos. Sobre a altura de entrada e saída dos animais do piquete, quando se utiliza o pastejo de lotação rotacionada, é praticamente impossível manejar uma única altura de resíduo para duas espécies de alturas e hábitos de pastejos diferentes.

A partir deste momento pode-se encarar que a utilização de um sistema em que ovinos e bovinos pastejem alternadamente ou ao mesmo tempo, pode não ser um fator tão simples assim. Mas por que isto pode ser complicado? Como a espécie ovina possui mais requisitos para a escolha do pasto do que bovinos, o primeiro e importante fator a ser considerado, é que não é em qualquer forrageira que o animal desempenhará em totalidade seus potenciais produtivos, sejam eles carne ou leite. Outro fator importante é o uso de cercas, bebedouros e cochos comuns às duas espécies. Isto é praticamente impossível, quando consideramos animais de tamanhos diferentes.

Como mencionado, a verminose assusta grande parte dos produtores de ovinos, e a localização da propriedade, época do ano e erros de manejo podem contribuir para o aumento do problema. Assim, o correto manejo do pasto, associado a um correto manejo sanitário deve ser adotado dentro da propriedade. Segundo Carvalho et al. (2002), manejar a pastagem adequadamente pode diminuir consideravelmente a infestação de parasitas nos animais porque os animais serão menos acometidos pela ingestão de larvas uma vez que grande parte das larvas está concentrada nos primeiros dois centímetros acima do nível do solo por razões associadas ao microclima local.

Deve-se considerar que diversos estudos salientam que a sobrevivência das larvas contaminantes na pastagem é por volta de 6 meses. A partir deste fato, é comum observarmos histórias que devemos colocar em duas áreas ou módulos de pastejo rotacionado distintos, os ovinos e bovinos pastejando separadamente por seis meses, trocando estes animais dos módulos ao término deste período. Assim, com o resultado esperado, os animais estariam ingerindo as larvas contaminantes dos helmintos (vermes) da outra espécie, uma vez que há especificidade das larvas destes vermes não havendo infestação pelos animais, diminuindo assim a carga de helmintos.

Em tese, isto seria um enorme passo no controle da verminose em ovinos, uma vez que não há muitos vermífugos totalmente eficazes no controle de parasitas, com poucas exceções no mercado. Assim, um manejo deste tipo, melhoraria em muita a ação de vermífugos e desta forma atenderiam ao controle destes vermes. No entanto, como ressaltado anteriormente, o uso desta técnica seria um pouco acometido em virtude do manejo adotado, seja ele para a forrageira ou para a contenção ou até mesmo para alimentação dos animais, seja ela comida ou água.

A pergunta que não quer calar é: não existe como fazer e não há bons resultados no pastejo alternado ou conjunto de bovinos e ovinos? Sim há. Este manejo pode ser usado conjuntamente. Mas, e o manejo, como fica? É uma realidade já muito utilizada há anos no sul do país. Grande parte das pastagens gaúchas são em grandes áreas e o uso do pastejo conjunto é facilitado em virtude das baixas lotações, grandes pastos com poucas cercas, menos bebedouros ou estes ainda servem de alguma forma para os dois ou a água de bebida vem de lagos ou minas represadas de fácil acesso aos animais. Ainda, as pastagens de azevém e aveia predominantes na região, dão suporte nutricional aos animais, não que as forragens tropicais em uso na maioria do país como o Tifton, Braquiária e Tanzânia, por exemplo, não deem este aporte, mas em virtude do uso de grandes áreas e baixas lotações, o manejo como um todo torna-se mais favorável.

Cabe ressaltar que intensificar o uso do pasto, não é somente aumentar sua lotação e tornar aqueles sistemas de produção em pasto, um foco de distribuição de larvas de vermes. Intensificar significa aumentar a eficiência. São diversas as formas de se contornar a infestação por vermes em ovinos dentre elas o manejo correto das pastagens obedecendo criteriosamente o manejo de entrada e saída dos animais do piquete. É fato que a quantidade de larvas existente rente ao solo é maior que no ápice do capim. Portanto, a menor ingestão de larvas, uma melhor alimentação e o descarte de animais problemas, seriam fatores interessantes para o sucesso.

Referências bibliográficas

CARVALHO, P.C.F., Pontes, L.S., BARBOSA, C.M., FREITAS, , T.M.S. Pastejo Misto: alternativa para utilização eficiente das pastagens. In: SILVA, J.L.S., GOTTSCHALL, C.S., Rodrigues, N.C. Manejo reprodutivo e sistemas de produção de bovinos de corte. Anais... VII Ciclo de palestras em Produção e Manejo de Bovinos, p.61-94. 2002.

FACTORI, M.A.; BENEDETTI, M.P. Pastagem para ovinos - uma realidade a ser cumprida Site farmpoint : http://www.farmpoint.com.br/?noticiaID=59599&actA=7&areaID=3&secaoID=29. Acesso 05/01/2010.

MEIRELLES, Paulo Roberto de Lima ; COSTA, Ciniro ; FACTORI, Marco Aurélio ; SANTOS, W. A. . Pastagens para Ovinos. In: III SOUD - Seminário de Ovinocultura da UNESP de Dracena, 2008, Dracena. SOUD - Seminário de Ovinocultura da UNESP de Dracena, CD Rom. Dracena : UNESP, 2008

MARCO AURÉLIO FACTORI

Professor na UNOESTE - Presidente Prudente
Zootecnista, Dr. em Zootecnia pela FMVZ/UNESP - Botucatu SP. Manejo de Pastagens, Conservação de Forragens e Nutrição Animal com foco em nutrição de Ruminantes.

CLÁUDIA REGINA MENDONÇA ANDRADE

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MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/06/2012

Shesma



O pastejo pode ser feito sim na aveia o dia todo. No caso da aveia, não há restrição do pastejo. A restrição seria para pastejo em leguminosas, que neste caso seria recomendado o pastejo em algumas horas do período de pastejo, como sendo o que nós chamamos de banco de proteína e o animal também, ficaria em uma pastagem, de gramíneas o resto do dia.

Estamos a disposição, Marco Aurélio Factori
SHESMA LINO DOS SANTOS

UMUARAMA - PARANÁ

EM 24/06/2012

bom dia eu sou daqui do parana e tenho uma area plantado aveia. Eu gostaria de saber se eu posso soltar ovinos pra pastoriar essa area o dia inteiro ou algumas horas por dia???  



meu nome e shesma

e-mail shesma2011@hotmail.com



eu agrdeceria muito se vc poder me passar essa informaçao  obrigado
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/05/2012

Prezado José



A lotação depende muito do manejo da área e produtividade do capim. Me informe por gentileza, mais dados sobre a área, qual capim utilizado e o manejo utilizado que assim poderei lhe informar com maior precisão.

Att.



Marco Aurélio Factori
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/09/2010

Prezado Marcio Heneriche

Com certeza já há benefícios em se utilizar este sistema. Como os ovinos são mais seletivos podem pastejar após os bovinos, junto ou separado, no seu caso, com os novilhos. Acredito que este sistema já é de grande valia no que tange aos problemas causados pela verminose. Como a ovinocultura é muito acometida por este problema, com certeza o sistema irá favorecer o controle. Devo lembrar que o manejo correto de saída e entrada dos animais no piquete é muito importante, devendo-se respeitar, principalmente a altura de resíduo para longevidade do capim e ainda mais, com a forragem disponível. Devo lembrar que o pastejo mais próximo do solo favorece a maior ingestão de larvas. Concomitantemente a isso, com certeza, o manejo de cada capim deve ser levado em consideração.

Estamos sempre a disposição.

Um grande e forte abraço.

Marco Aurélio Factori
MARCIO HENERICHE

SÃO DOMINGOS - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/09/2010

Olá Marco, estamos utilizando bovinos e ovinos em sistema de pastoreio. Como nossa prioridade são vacas leiteiras, colocamos estas nos piquetes para comer a melhor forragem, ficam por um dia no piquete, após colocamos os ovinos e novilhos para fazer o repasse, estes ficam por mais um dia. Uso em pastagem de tifton 85 com trevo branco. Oque acha deste sistema, a contaminação por vermes pode ter alteração? Caso possua algum material a respeito do tema e possa me repassar fico grato.
Abraço
Marcio.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/07/2010

Prezado Marcos Vinicius Grein

Desculpe-me, mas não entendi bem sua pergunta ou questionamento. Explique melhor para que eu possa te ajudar se necessário. Mas para acrescentar, no período da seca, deve ser fornecido aos animais uma suplementação de volumoso no cocho, ou também trabalhar com o diferimento de pasto, com uma espécie adequada de pastagem. A suplementação volumosa no cocho dependerá da disponibilidade do volumoso mais adequado para sua região. Na nossa região aqui de São Paulo, é muito comum a silagem de milho e cana com uréia.

Estamos sempre a disposição.

Um grande e forte abraço.

Marco Aurélio Factori
MARCOS VINICIUS GREIN

BALSAS - MARANHÃO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/07/2010

Gostei muito do seu artigo. Aqui no MA o problema maior é o período de seca - entre maio e outubro - situação que complica o manejo de pastagens.
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/07/2010

Prezado Fernando Castejon

Agradeço pelo comentário.
Sobre o questionamento sobre as cercas utilizadas para ovinos, não seria necessário o uso de telas. O que dissemos no artigo é que em virtude do tamanho do animal, seria necessário o uso de uma maior quantidade de fios da cerca, seja ela, tradicional ou com o uso de cerca elétrica. Consideramos que o ovino é mais difícil de cercar, e se tomarmos, por exemplo, uma cerca elétrica, com certeza, para bovinos, o uso de um fio ou no máximo dois fios, conteriam os animais. No caso de ovinos, o número de fios com certeza, seria maior ou igual a três, para que haja uma contenção eficiente, mas não seria necessário o uso de telas, ao menos que haja uma condição especial, como por exemplo ataque de animais selvagens, como onça e outros.

Um grande e forte abraço.

Marco Aurélio Factori
MARCO AURÉLIO FACTORI

PRESIDENTE PRUDENTE - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/07/2010

Prezado Nelson Benjamin Caldas

Muito obrigado pelo comentário.
Sobre seu questionamento, em situação nenhuma recomendo a queimada da pastagem. Além de estarmos afetando o meio ambiente, com certeza você terá muitos prejuízos na durabilidade de sua pastagem. Assim a queimada não deve ser considerada. No entanto, o que dissemos no artigo é que há uma concentração muito grande de larvas infectantes próximos ao solo (desde que haja contaminação na área), em virtude da umidade e condições favoráveis para o crescimento das larvas. Para contornar isso, não há necessidade de esperar este tempo de seis meses para o animal ter acesso. Outra saída, seria manejar o pasto adequadamente, no que diz respeito a altura de resíduo após o pastejo dos animais. Esta altura, depende de cada capim utilizado. Assim, com certeza, os animais não entrarão em contato direto com a maioria destas larvas e assim não irá contaminar-se, convivendo de forma tranqüila com a presença das larvas, se houverem. Não há pastagens pastejadas por animais que estejam totalmente livres de vermes e não precisamos desta total "limpeza" de larvas, os animais convivem normalmente com esta contaminação, dependendo da quantidade de larvas, o que poderia prejudicar a alta taxa de verminose no rebanho. Mas só para lembrar, queimada nunca.

Um grande e forte abraço.

Marco Aurélio Factori
FERNANDO CASTEJON

GOIÂNIA - GOIÁS

EM 14/07/2010

No pastejo integrado como o autor avalia no manejo o sistema de cercamentos já que para ovinos e bovinos temos cercamentos diferentes, e no caso de cercas para ovinos, que seria condição mais crítica, é mais cara, porque normalmente a cerca é feita com telas?
NELSON BENJAMIN CALDAS

PALHOÇA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 13/07/2010

Boa tarde!!!
Gostei d´algumas afirmativas, mas gostaria de saber, se esta população de vermes nos primeiros em 2 cm acima do nível do solo, pode ser sanada com a queimada... pois para deixar uma pastagem parada 6 meses, mesmo com as extensões dos piquetes no Rio Grande do Sul, vamos ter uma tapera no final de 6 meses.
Obrigado.
Nelson B Caldas