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Sistema acelerado de parição em ovinos

PRODUÇÃO

EM 30/05/2006

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Por Cristiane Otto de Sá1 e José Luiz de Sá2


Quando se trabalha com um sistema de produção de ovinos deve-se pensar sempre em manejar racionalmente estes animais de forma a buscar ano a ano novas tecnologias que permitam aumentar o número de cordeiros produzidos em uma propriedade de forma sustentável.

Para se conseguir este aumento no número de cordeiros, pode-se trabalhar diretamente sobre eles, evitando a mortalidade dos mesmos ou, então, sobre as ovelhas, através de um manejo nutricional, sanitário e, principalmente, reprodutivo que resulte nos melhores índices de fertilidade.

Existem três métodos para se elevar o número de cordeiros produzidos na vida de uma fêmea ovina. O primeiro deles seria elevar a incidência de parto gemelar. O segundo método, antecipar a idade ao primeiro parto e, o terceiro método, está relacionado com o intervalo entre partos. Quanto menor for este intervalo mais cordeiros poderão ser desmamados por ovelha.

Para reduzir o intervalo entre partos, as fêmeas devem ser manejadas em um sistema acelerado de parição, que além de melhorar a eficiência reprodutiva dos ovinos, traz outras vantagens:

- Melhora o aproveitamento das instalações (os cordeiros não nascem em um único mês do ano, não superlotando as instalações).
- Necessita de um menor número de reprodutores (as fêmeas do rebanho não entram em estação reprodutiva em uma única época do ano).
- Proporciona uma oferta constante de cordeiros para o abate.
- Permite uma entrada constante de dinheiro.
- Distribui a mão de obra uniformemente durante o ano.
- Dilui os riscos de produção ao longo do ano.

A maior dificuldade para um programa acelerado de parição ser implantado relaciona-se aos aspectos fisiológicos de algumas raças ovinas, mais evidente na região sul do Brasil, que é a estacionalidade reprodutiva.

Os ovinos são normalmente poliéstricos estacionais e se reproduzem na redução do comprimento dos dias, durante o final de verão, outono e início de inverno em climas temperados. Em regiões tropicais, eles são menos estacionais. Algumas raças são também pouco estacionais em regiões de clima temperado.

Os métodos naturais de produção de ovinos apresentam uma única parição durante o ano com as ovelhas parindo na primavera com um intervalo entre partos de 12 meses. Se as ovelhas não forem fecundadas e permanecerem no rebanho, o intervalo entre partos passará para 24 meses. Se não forem novamente fecundadas, para 36 meses. Portanto, em condições normais de criação é difícil de obter mais do que 6 a 7 partos na vida de uma ovelha de 8 a 9 anos de idade.

Atualmente, têm-se estudado sistemas que elevam o ritmo reprodutivo de uma fêmea ovina. Entre eles, é mais facilmente implantado, aquele que busca obter 4 partos em 3 anos. Este sistema se caracteriza por um intervalo entre partos de 9 meses, obtido através da realização de 4 estações de monta e 4 estações de nascimento ao longo do ano o que permite que as ovelhas tenham a possibilidade de parirem a cada 6, 9 ou 12 meses.

Os meses de janeiro, abril, julho e outubro são caracterizados pelos nascimentos e os meses de fevereiro, maio, agosto e novembro, meses de reprodução (Figura 1).





Figura 1 - Esquema para se obter um intervalo entre partos de 9 meses. Observe que o mesmo número representa a estação de monta e a sua respectiva estação de nascimento. Por exemplo, uma fêmea que for fecundada na estação de monta em fevereiro irá parir em julho, podendo entrar novamente na estação de reprodução em novembro. Se esta fêmea não for fecundada em fevereiro (ultra-sonografia em abril), poderá ser exposta à monta novamente em maio.

Antes de submeter o rebanho de ovelhas a um programa acelerado de parição, alguns cuidados têm que ser considerados para que não ocorra uma redução na taxa de fertilidade ao invés de um aumento na produção de cordeiros por ovelha:

a) Disponibilidade constante de alimentos durante o ano: como as ovelhas irão parir em mais de uma estação do ano, não se pode expor o rebanho ao problema da estacionalidade da produção forrageira. Portanto, deve-se ter uma programação da utilização dos pastos e forrageiras conservadas, para que nos períodos de maior exigência nutricional, os animais não passem por privação alimentar.

b) Utilização do flushing para ovelhas com baixo escore corporal: a prática de aumentar o aporte nutricional que influencia o peso e a condição corporal durante a fase reprodutiva é chamada de flushing. Sua finalidade é aumentar a taxa de ovulação e, conseqüentemente, a taxa de natalidade. Como no programa acelerado de parição as ovelhas saem de um período desgastante que é a lactação e já são colocados em reprodução, é provável que as mesmas apresentem um baixo escore corporal no início da estação de monta.

O flushing apresenta melhores respostas em fêmeas de baixa condição corporal e quase nenhuma resposta em fêmeas de boa condição corporal (3,5). O melhor desempenho reprodutivo normalmente é obtido com ovelhas apresentando um escore corporal de 2,5 e uma alimentação mais rica 2 a 3 semanas antes da cobertura.

c) Utilização do efeito macho: quando as ovelhas passam por um período de isolamento dos machos seguido da introdução dos mesmos, poderá ocorrer uma indução de respostas neuroendócrinas, as quais resultam em ovulação, estro e concepção. No trabalho realizado por SÁ et al. (1998), as fêmeas, mestiças Suffolk, foram expostas ao reprodutor no período de anestro sazonal. A taxa de fertilidade das ovelhas foi de 65%. Na distribuição dos partos, que pode ser observada na Figura 2, nota-se que existe uma concentração dos partos após as 2 semanas iniciais da estação de nascimento. Embora as ovelhas se encontrassem em período de anestro sazonal, o efeito macho causado pelo próprio reprodutor induziu o cio nestes animais.

Dois picos de atividade geralmente ocorrem em um rebanho submetido ao efeito macho. O primeiro, 18 dias após a introdução do carneiro e o segundo ocorre 6 dias mais tarde. Quando a introdução do carneiro induz à formação de um corpo lúteo funcional normal, as ovelhas apresentam cio com ovulação em intervalos característicos da espécie (14-20 dias), porém, quando este primeiro corpo lúteo não apresenta pleno funcionamento, ocorrem ciclos curtos que tem como conseqüência à ovulação em torno dos 25 dias após a apresentação dos machos às ovelhas. Normalmente, a primeira ovulação após a introdução dos machos não é acompanhada pelo comportamento estral.





Figura 2- Distribuição dos partos de ovelhas cobertas no período de anestro sazonal (Fonte: Sá et al., 1998).

d) Estação de monta de curta duração: a estação de monta deve ter uma duração de no máximo 30 dias para que seja possível implantar o sistema intensivo de reprodução. Os resultados do trabalho realizado por SÁ et al. (1998) permitem indicar um manejo para reduzir a estação de monta em sistemas acelerados de parição (Figura 2).

Utiliza-se o rufião para causar o efeito macho por duas semanas antes da estação de monta e depois substituí-lo pelo reprodutor. Quando o carneiro for colocado no lote de fêmeas a maioria estará em cio e, conseqüentemente, serão necessárias apenas 4 semanas de estação de monta para garantir uma boa fertilidade, mesmo no período de anestro sazonal.

e) Desmame precoce: os cordeiros devem permanecer com suas mães por um período de no máximo 60 dias, para que a ovelha se recupere e possa entrar na próxima estação de monta. Para isso, é importante que os cordeiros tenham acesso ao creep feeding (alimentação privativa dos cordeiros) na fase de aleitamento e as ovelhas sejam monitoradas com relação à alimentação e saúde do úbere para evitar mastites nas raças que apresentam uma elevada produção de leite.

f) Tosquia: as ovelhas lanadas devem ser tosquiadas logo após o desmame, independente da época do ano. Assim, elas entrarão na próxima estação de monta com a lã curta. Além disso, a retirada de lã estimula o consumo de alimentos e desde que exista disponibilidade de forrageiras e/ou rações, a recuperação das fêmeas do desmame até a próxima estação reprodutiva é rápida.

g) Diagnóstico de gestação por ultra-sonografia: 30 dias depois de terminada a estação de monta deve-se fazer o diagnóstico de gestação, para que as ovelhas vazias sejam descartadas ou já possam entrar na próxima estação de monta.

Considerações finais

O programa acelerado de parição ainda é pouco explorado no Brasil, mas possível de ser colocado em prática desde que as propriedades que vão utilizar este sistema de reprodução sejam bem estruturadas e controladas.

O sucesso da produção constante de cordeiros ao longo do ano e da redução do intervalo entre partos das ovelhas dependem de um bom manejo geral e nutricional, bem como de um controle rigoroso do rebanho através de escrituração zootécnica.

Referências bibliográficas

SÁ,J.L. Efeito do manejo na antecipação reprodutiva de fêmeas ovinas. Curitiba, 1997. Dissertação de Mestrado - Universidade Federal do Paraná.

SÁ,C.O.; et al. Estudo do efeito macho na concentração dos partos de ovelhas e borregas expostas à monta no anestro sazonal. Anais da XXXV Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia - 27 a 31 de julho de 1998. FMVZ - UNESP. Botucatu - SP, v.3, p. 163-165.

_____________________________
1Pesquisadora da Embrapa Semi-Árido - cris@cpatsa.embrapa.br
2Pesquisador da Embrapa Semi-Árido - sa@cpatsa.embrapa.br

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EVALDO

JARDIM - CEARÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 24/05/2016

com quantos meses de vida uma ovelha começa a ficar no cio?
EDELVAN ANDRADE

CUMBE - SERGIPE - ESTUDANTE

EM 26/09/2014

posso obter intervalos de partos de seis meses em ovelhas?
LUIZ EDUARDO HELLER

CURITIBA - PARANÁ

EM 07/01/2007

Parabéns Cristiane.
Seu artigo foi muito informativo e com certeza servirá como excelente ferramenta para o maior desenvolvimento da ovinocultura de corte.
CRISTIANE OTTO DE SÁ

ATALAIA - SERGIPE - PESQUISA/ENSINO

EM 13/06/2006

<p align=justify> Prezado Gustavo,

quanto mais para o sul do Brasil, ou seja, mais distante da linha do equador, mais evidente fica a estacionalidade reprodutiva. Algumas raças são também mais estacionais que outras em função da sua origem, adaptação e/ou seleção.

Por isso, em algumas regiões do país pode ser mais fácil ou difícil a implantação de um sistema acelerado de parição. Entretanto, se algumas técnicas de manejo forem utilizadas é possível fecundar as fêmeas, mesmo nos piores meses do ano em termos reprodutivos que seria de agosto até janeiro. O manejo nutricional é de fundamental importância neste período.

Outro ponto que tem que ser considerado é a necessidade de se diagnosticar precocemente a gestação destas fêmeas para dar várias oportunidades delas serem fecundadas ao longo do ano.

Isto evitaria uma queda significativa na taxa de fertilidade do rebanho com a implantação do sistema acelerado de parição. A parição acelerada requer um manejo mais complexo do rebanho e por isso cada sistema de produção deve ser avaliado para se decidir se a imlantação desta tecnologia é viável ou não.</p>
CRISTIANE OTTO DE SÁ

ATALAIA - SERGIPE - PESQUISA/ENSINO

EM 13/06/2006

<p align=justify> Caro Rodrigo,

A utilização de rufiões é de grande auxílio para se trabalhar com efeito macho, indução, sincronização e identificação do cio. A técnica da vasectomia é mais eficiente em ovinos do que a de desvio lateral de pênis.

Cristiane</p>
RODRIGO FERREIRA PEIXOTO

GOIÁS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 11/06/2006

<p align=justify> Para fazer rufiões em ovinos, o mais aconselhável é por aderência ou desvio?
</p>
GUSTAVO DESIRE ANTUNES GASTAL

PELOTAS - RIO GRANDE DO SUL - ESTUDANTE

EM 11/06/2006

<p align=justify> Concordo com o sistema e estou tentando implatar algo parecido na minha propriedade, mas não é tão simples assim e este sistema de estação de monta apresentado não funciona tão bem com as raças predominantes no Rio grande do Sul.</p>
ROBERTO MULLER DE CASTRO

BARREIRAS - BAHIA - EMPRESÁRIO

EM 10/06/2006

<p align=justify> Venho fazendo acompanhamento de parição gemelar e já tenho filhas parição gemelar produzindo igual as matrizes.

Descartando fêmeas não produtivas estou tendo um bom resultado no acompanhamento, em precocidade ns gestação e parição gemelar.</p>
LEÔNIDAS DE BORTOLI

VILA VELHA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE OVINOS

EM 04/06/2006

<p align=justify>O sistema acelerado de parição pode e deve ser utilizado pelos produtores de ovinos. Sou Médico Veterinário e criador de ovinos e tenho notado que são poucos os que usam a estação de monta em suas propriedades. Ao meu ver, sem o uso da estação de monta fica impossível realizar um manejo nutricional e sanitário correto, o que pode acabar inviabilizando a produção. <br><br>Utilizo em minha propriedade a estação de monta de 8 em 8 meses, em todas as matrizes, o que facilita em muito o meu manejo, mas com o inconveniente que o galpão fica superlotado na época de nascimento dos filhotes, além do fato de eu não ter filhotes durante todo o ano para entrega. Pretendo, futuramente, utilizar este sistema com 04 estações de monta no decorrer do ano. <br><br>Só em detalhe: já utilizei e sou altamente contra a desmama aos sessenta dias de idade. Convictamente podemos afirmar que as fêmeas da raça Santa Inês e Dorper ciclam mesmo com filhotes no pé, os gastos com vermífugos para filhotes são muito menos honerosos do que os gastos com confinamento, os filhotes desmamados precocemente sofrem com este ato, perdem peso, alguns não recuperam o ganho de peso médio diário que poderiam atingir se estivessem mamando, dentre outros fatores. Podemos desmamar filhotes de cruzamento industrial do Dorper ou das raças européias com fêmeas Santa Inês, por exemplo, pesando de 28 a 32 kg já aos 100-120 dias de idade, o que atenderia às exigências do mercado.</p>