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Sincronização do estro na pecuária orgânica

POR MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

PRODUÇÃO

EM 03/04/2012

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A produção de alimentos saudáveis e livres de resíduos é uma demanda atual da sociedade. O consumidor deseja alimentos de qualidade, a preço justo, saudáveis do ponto de vista sanitário, isentos de resíduos químicos e biológicos (antibióticos, vermífugos, hormônios, príons, etc.) e produzidos com menor uso de insumos artificiais. Além do que existe a preocupação atual com a preservação do meio ambiente e a biodiversidade, com a geração de empregos no campo, diminuindo o êxodo rural, assim como, com o bem-estar animal.

Nesta vertente destaca-se a pecuária orgânica, na qual preconiza-se fundamentalmente o uso de práticas que minimizem ou evitem tratamentos químicos e hormonais, além de sua grande preocupação com o bem-estar animal. O sistema de produção orgânico está, de forma geral, voltado para o impedimento e eliminação do uso de agrotóxicos e hormônios sintéticos que favoreçam o crescimento do animal de forma não natural. A produção animal sob o sistema orgânico certificado ainda é pouco difundida no Brasil, mas já existem criações, embora em pequena escala. Substituir a produção convencional pela produção orgânica parece pouco provável, restando uma análise criteriosa dos pontos fortes e fracos do sistema convencional e encontrar objetivos comuns entre os dois conceitos (convencional e orgânica).

O emprego de hormônios reprodutivos tem permitido um favorável e eficiente controle da reprodução dos rebanhos nos sistemas convencionais. A grande maioria das técnicas de sincronização do estro utilizam hormônios exógenos, entretanto vale ressaltar, que não há nenhum prejuízo a produção de alimentos saudáveis. Os hormônios reprodutivos empregados apresentam metabolização rápida e trata-se de princípios encontrados fisiologicamente nos animais, além de não serem registrados resíduos nos alimentos (carne e leite) posterior ao seu uso.

As inúmeras vantagens relacionadas a sincronização do estro aos sistemas produtivos, com já relatado no artigo "Sincronização do estro", justificam o fato do emprego desta biotécnica não ser dispensado na pecuária orgânica. No desafio de manipular os eventos reprodutivos sem o uso de hormônios, destaca-se as chamadas alternativas naturais de sincronização do estro, quando se destaca o efeito macho.

O método possui eficiência confirmada na indução e sincronização do estro. Trata-se de uma prática de controle reprodutivo desenvolvida há vários anos e que tem conquistado grande destaque por seu potencial em seguir o fenômeno "limpo, verde e ético", além de seu reduzido custo de implantação.

O processo é realizado pelo contato das fêmeas com os machos após um período determinado de separação, em geral, 60 dias. Os sexos devem ser mantidos durante este período sem contato auditivo, visual e olfativo direto ou indireto. Com a reintrodução abrupta dos reprodutores no rebanho de fêmeas haverá estímulos endócrinos e comportamentais fisiológicos, induzindo a ciclicidade e/ou sincronização do estro.

O primeiro ciclo estral seguinte a reintrodução dos machos, em geral, é de curta duração ou apresentam ovulação sem prévia manifestação dos sinais de estro. Recomenda-se, portanto, a cobertura ou inseminação após 10-20 dias do retorno do contato com os machos.

Contudo, o método efeito macho pode ser usados para avançar ou antecipar a estação reprodutiva, tornar a puberdade mais precoce, ou simplesmente fornecer a sincronização do estro. Ademais, devido seu baixo custo e por não fazer uso de hormônios, apresenta-se como uma alternativa eficaz para a reprodução dos rebanhos, especialmente dos sistemas de produção orgânica.

Literatura consultada:

AZEVEDO, H. C.; OLIVEIRA, A. A.; SIMPLÍCIO, A. A.; SANTOS, D. O. Efeito macho sobre a distribuição do primeiro estro em ovelhas Santa Inês submetidas à estação de monta. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v. 23, n. 3, p. 232-234, 1999.

CAVALCANTE, A.C.R.; HOLANDA JÚNIOR, E.V.; SOARES, J.P.G. Produção Orgânica de Caprinos e Ovinos. Sobral: EMBRAPA Caprinos, Documentos, 69, 40p., 2007.

CHEMINEAU, P.; PELLICER-RUBIO, M.T.; LASSOUED, N.; KHALDI, G; MONNIAUX, D. Male-induced short oestrous and ovarian cycles and sheep and goats: a working hypothesis. Reproduction, Nutrition and Develoment, v. 46, p. 417.429, 2006.

GELEZ, H.; FABRE-NYS, C. The .male-effect. in sheep and gotas: a review of the respective roles of the two olfactory systems. Hormones and Behavior, v. 46, p.257-271, 2004.

SALLES, H.O. Efeito Macho: Alternativa Natural de Sincronização do Estro para a Produção Orgânica de Caprinos e Ovinos. Sobral: EMBRAPA Caprinos, Comunicado Técnico On line, 92, 5p., 2008.

MARIA EMILIA FRANCO OLIVEIRA

www.mariaemilia.vet.br

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PAULO R.C.CORDEIRO

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 05/04/2012

Jordana, sem duvida alem destes manejos especificos para a indução natural do estro, nao podemos nos esquecer da condição corporea fisica da femea e stua boa alimentação.

At
JORDANA ANDRIOLI SALGADO

CURITIBA - PARANÁ - OVINOS/CAPRINOS

EM 04/04/2012

Parabenizo pelo tema atual e relevante do artigo.

Complementando o que o Sr. Paulo Cordeiro mencionou, acho importante ressaltar que outra característica importante na indução  natural ao cio (além do fotoperíodo e do efeito macho)  é o manejo nutricional utilizando o Flushing para as ovelhas.



Att.



PAULO R.C.CORDEIRO

NOVA FRIBURGO - RIO DE JANEIRO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/04/2012

Concordo com as sugestoes  e alternativas a indução de estro, nao hormonais.

Para cabras leiteiras na regiao sudeste, somente o efeito macho nao apresenta um indice de estro e cobertura satisfatorio.

Tem-se usado como alternativa a indução por fotoperiodo, com indices ao redor de 80-90 % de prenhes.

Paulo