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Silagem e formulação de dietas - Qual é o grau de ajuste que você consegue?

POR RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

E THIAGO FERNANDES BERNARDES

PRODUÇÃO

EM 02/12/2013

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Quando se compara a forragem fresca in natura com sua a silagem, o resultado é que produtos ensilados geralmente apresentam qualidade inferior, principalmente devido ao processo de fermentação que consome parte de componentes solúveis da planta, o que leva a uma maior proporção dos compostos indigestíveis na silagem.

A produção de proteína microbiana no rúmen e o valor energético do alimento são determinados pela fermentabilidade dos carboidratos, sendo a fração solúvel da silagem constituída por uma combinação do material conservado da forragem original e de produtos finais da fermentação, como é o exemplo do ácido lático. Entretanto, os programas de balanceamento de rações frequentemente atribuem valores energéticos iguais para silagens e forragens frescas, apesar das diferenças na concentração de carboidratos solúveis e dos ácidos orgânicos presente nas silagens.

O processo fermentativo converte os carboidratos disponíveis em ácido lático, ácidos graxos voláteis (AGV’s) e CO2. Quando ocorrem perdas de matéria seca durante a ensilagem (e perdas ocorrem para qualquer processo de fermentativo de silagem, algumas mais outras menos), a digestibilidade pode diminuir com aumentos no conteúdo de fibra da silagem. O aumento no conteúdo de fibra é devido a uma combinação de perdas, dentre elas, o consumo de compostos solúveis da planta, perdas gasosas e perdas por efluentes.

O valor energético relatado por laboratórios que analisam forragens é geralmente derivado do conteúdo de fibra (FDN). Entretanto, a maioria das mudanças devido ao processo da ensilagem ocorre na porção solúvel da forragem. Consequentemente, o teor de fibra da silagem reflete a recuperação dos constituintes solúveis relativos à composição original. Isso leva a certa dificuldade em predizer o valor energético e nutritivo das silagens com teor de fibra similar, mas com frações variáveis de carboidratos solúveis.

No cenário de formulação de dietas facilmente encontramos 4 níveis:

Nível 1: Formula a dieta de seu rebanho e simplesmente oferece uma proporção de alimento para seus animais, a qual acredita que seja a correta.

Nível 2: Formula por meio de um banco de dados de alimentos, desconsiderando seu real alimento.

Nível 3: Formula com uso do banco de dados e determina a matéria seca de seus ingredientes, principalmente o da silagem, a qual sofre grande variação no decorrer do silo e entre silos.

Nível 4: Formula por meio da análise bromatológica dos ingredientes e se atenta às variações na composição de seus alimentos.

O Nível 5 em breve estará à disposição de todos, com a possibilidade de inserção na formulação dos componentes orgânicos produzidos durante a fermentação (ácidos, ésteres, etc), momento em que muitas respostas surgirão.

A descrição das silagens em termos de energia fornecida às bactérias ruminais é um passo inicial para entender como a qualidade da forragem se relaciona ao desempenho animal. A variação no conteúdo de carboidratos da silagem e de seus produtos de fermentação indica uma área de oportunidade para melhorar o manejo e formulação da ração.

Para o momento atual, a grande recomendação é de na propriedade ter uma balança para pesagem correta dos ingredientes, um determinador de matéria seca para alimentos úmidos e apoio técnico para auxílio na formulação da dieta. O “achismo” deve ficar de lado e está na hora de elevar o grau de profissionalismo do sistema.

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

RAFAEL CAMARGO DO AMARAL

Zootecnista pela Unesp/Jaboticabal.
Mestre e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.
Gerente de Nutrição na DeLaval.
www.facebook.com.br/doctorsilage

THIAGO FERNANDES BERNARDES

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) - MG.
www.tfbernardes.com

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DOMENICO SALES ROCHA DE ARRUDA

MARINGÁ - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 06/12/2013

PARABÉNS SENHORES!!!!



A tempos não lia um artigo sucinto e objetivo, que despe a deficiência de manejo e ignorância técnica presentes no âmbito do agronegócio nacional.



Infelizmente, a grande briga entre produtores e técnicos está travada na mensuração dos ingredientes da dieta e pesagem dos animais (uso de balança nas propriedades).



Abraço
ALCEU SOBRINHO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2013

As colocações do autor me lavaram a mudar alguns procedimentos ate então adotados por mim. Muito obrigado pela ajuda.
THOMÁS

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/12/2013

Caro Caio,

o profissional que mais estuda e aprende de nutrição animal é o zootecnista, não que os outros profissionais da área não possam fazer também, pois há muitos veterinários que fazem cursos e se aperfeiçoam na parte nutricional, diversos professores de universidades na área de nutrição no curso de zootecnia são veterinário. Portanto tanto um como o outro, dependendo do seu nível de aprendizado, pode muito bem fazer uma excelente dieta para seus animais, vai depender única e exclusivamente do indivíduo o quanto ele é dedicado em aprender e se aperfeiçoar, já que a parte nutricional é extremamente complexa.
LEONARDO CLIMACO

GUARACI - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/12/2013

Parabéns aos autores pelo texto.



Rafael e Thiago, quando será que nós técnicos conseguiremos implantar modelos de formulação de rações mais elaborados como cornell, ou até mesmo a formulação de rações com base na composição individual do leite.



Será que as limitações da implantação de níveis mais elevados na formulação ( 4 e 5) estão esbarrando na capacitação ou na resistência a adesão de tecnologia de porteira a dentro?






CAIO GOMES

IPERÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/12/2013

Existe um profissional especializado e focado em nutrição que abrace essa causa dentro de uma propriedade?



Hoje minha dieta é preparada pelo meu técnico seguindo a linha mixada entre nível 3 e 4, pois só fazemos a Bromatológica da Silagem e não é o maior foco do Técnico na atualidade aqui dentro.



Existe algum profissional especializado em desenvolver dietas, um veterinário Nutricionista? Os benefícios alcançados com essa mão de obra cobririam o custo benefício de fazer da forma como faço hoje?



Parabéns pelo artigo!
JÉFERSON GUSTAVO PUHL

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2013

Muito importante o tema, tão importante quanto complexo. A começar pela produção da silagem, manter uma constância de qualidade de um silo para outro é um grande desafio, uma vez que vários fatores interferem na qualidade, mas esse é o caminho. É preciso muito empenho, mas só assim chegaremos à excelência alimentar de nossos rebanhos.

Parabéns pelo artigo!!!
LAERCIO DE OLIVEIRA

LUZ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2013

Estou estudando  Alimentos para gado de Leite. Autores e Editores  Lucio Carlos Gonçalves e Iran Borges + Pedro Dias Sales Ferreira e com esta reportagem      é do mesmo paradigima  tem o mesmo nivel de conhecimento e como é util em hipotese nenhuma quero perder pois tenho sede de conhecimento e nao vou demorar para tentar melhorar e quero conhecer esta balança de precisao e muito util para saber qual a verdadeira composiçao do alimento das queridas vacas pois sao elas que pagam as minhas contas.
EUDESCASTROJR

ITAPAGÉ - CEARÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 03/12/2013

ok
UANDERSON ATHAYDE MOURA

TOMÉ-AÇU - PARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/12/2013

Olá Rafael Camargo do Amaral e Thiago Fernandes Bernardes.

Bom dia.



Ficamos lisonjeados em receber "mais uma vez esta excelente aula" , que por sinal ao meu ver  sendo também  de "sociologia".  Excelentes pontos destaque!! Meus parabéns mesmo!!!



Bom, gostaria de destacar dois pontos que me chamaram bastante atenção:



1 - ponto:

O excelente texto por si só nos mostra  TAMBÉM em suas "entre-linhas" que devemos  atentar-se diante do ato de escolha para o material a ser implantado e ensilando (suas qualidades quanto manejado corretamente e características agronômicas quanto  in natura), pois isto refletirá direta ou indiretamente na velocidade em desdobramento-produto final. (conversão alimentar, R$/MS, NDT etc., validação econômica e por aí vai). Há uma frase dita popularmente (não sei há quem designar a autoria) que diz o seguinte: devemos trabalhar com 50% de técnica e 50% de bom senso. No entanto, erramos aqui (50% de bom senso), quando queremos submeter "qualquer tipo de forrageira" para tecnologia explanada acima: silagem (com isso, onde vai parar o COT - Custo Operacional Total ?). É obrigação do técnico está ciente destas adversidades e repassa-las ao produtor, independente de qual tamanho este  seja (afinal, matemática se aplica a qualquer um), independente também se irá agrada-lo ou chateá-lo momentaneamente. As vezes o produtor quer ouvir palavras como amigo e não como técnico. devemos conciliar as duas coisas (só assim ganhamos sua confiança).    



2 - ponto:

Fiquei muito feliz em ler no texto acima a seguinte frase: "O achismo deve ficar de lado e está na hora de elevar o grau de profissionalismo do sistema".



O técnico das ciências agrárias (independente de qual posição e titulação este esteja) é o profissional que mais sente na pele isto, pois nos deparamos dia após dia com a seguinte frase: olha, meu avô fazia assim, daí coube há meu pai  "também" fazer assim, portanto acho (PAI>FILHO>NETO) que devo "também fazer assim". Nós sabemos que por trás disto tudo não seja "apenas" a autenticidade atribuída ao homem do campo, mas sim o meio cultural que o entornei-a (sociologia-antropologia). Com isso, cabe ao técnico "aprender e/ou digerir "junto com o produtor" estes conceitos, pois só daí que aos poucos é claro!  o sinônimo: "achismo" vai perdendo espaço e falando mais alto o equilíbrio-produtividade, ou seja, a equação seria:



S =(sociologia + antropologia compreendida) / economia (saúde financeira preservada)                          ___________________________________________________________________     

          técnica eficaz (aquela que se encaixe aos fatores de produção IN LOCO)



Obs. Me refiro à S = sustentabilidade, sendo esta de maneira "norteante", uma vez que este sinônimo seja aplicado de maneira equivocada à qualquer ato.



Abraços!   
RODRIGO M ALVES DE TOLEDO

SÃO JOSÉ DO RIO PRETO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/12/2013

Obrigado por tantas matérias com grande expressão na formação profissional, realmente concordo com as colocações do artigo e principalmente com o fechamento onde a "Grande recomendação" é balança precisa, em diversas situação nos deparamos com colegas e produtores preocupados com ajustes finos e deixando de lado o "Arros com Feijão".

Trabalhei por três anos como representante de um empresa de genética, também por inúmeras era questionado com relação ao volume de leite que um Touro ou outro seria capaz de transmitir as suas filhas, mas peço pra me farem o que estão oferecendo de alimento para suas vacas.  Na grande maioria das vezes estão limitando o potencial de  produção do rebanho com dietas do Nível 1 como cita no inicio do artigo.
EDISON ANTONIO PIN

DOIS VIZINHOS - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 03/12/2013

Bom dia doutores Rafael e Thiago.

A tempos atrás fiz contato sobre a silagem de bagaço de sorgo sacarino.

Na oportunidade fui desaconselhado por vocês sobre o valor nutritivo do mesmo.

Relato alguns dados obtidos no meu ensaio na expectativa de uma avaliação técnica de vocês e uma orientação sobre a possibilidade de uso deste suplemento para ruminantes.



Produção de biomassa (verde) por hectare: 38 ton

Grau brix: 14

PB = 3,8%

FDN = 73%

FDA = 44%

LIG = 21%

pH = 3,7

Carboidrato total = 91,6%

Carboidrato não fibroso = 18,6%

Digest. in vitro = 37%

Fico no aguardo. Muito obrigado. Edison Pin
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/12/2013

Cumprimentos pelo excelente artigo.

Está se dando a hora em que as fazendas profissionalizem-se no ato de nutrir corretamente seus animais, por este motivo haverá certamente uma valorização dos profissionais do setor e aumentos subtanciais na renda liquida destas empresas.

Dizia algum pensador nutricionista que: "o leite que sai no teto entra pela boca"

Abs
ALEXANDRE FONSECA RIBEIRO

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 02/12/2013

Boa noite,



A análise bromatológica da silagem realmente é uma ferramenta de grande valia no auxilio no balanceamento de dietas e muitos não o fazem por acharem desnecessário e/ou acreditar que sabem o valor nutricional da silagem. Além de auxiliar no balanceamento da dieta, ela pode ser usado como parâmetro para avaliar a qualidade do processo de produção da silagem e assim traçar planos de melhoria para o mesmo.



Gostaria de fazer uma colocação: no primeiro parágrafo vocês disseram que alimentos ensilados geralmente apresentam qualidade inferior em relação ao alimento in-natura. No caso da silagem de milho, quando bem feita, esta apresenta qualidade nutricional superior devido ao aumento na digestibilidade de algumas frações pelo processo fermentativo, principalmente em relação a fração de amido. Esta correta esta colocação?



Desde já lhes agradeço pela atenção e por tantos artigos de qualidade que tem escrito para o site e que nos auxiliam muito.
RICARDO LEONEL SOBRINHO

LAGOA DA PRATA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2013

muito obrigado  a milkpoint por mandar para gente estas informaçoes pois para nos que trabalhamos com gado de leite  e muito importante
DARCI BUZZO

EM 02/12/2013

Estou iniciando, o aprendizado, também tenho muito que aprender ,espero  esta colaboração de vocês, estou muito entusiasmado com o que estou recebendo. obrigado, abraços!!
DANIEL HENRIQUE DINIZ E SILVA

OLIVEIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/12/2013

Boa colocação. Espero ver mais artigos principalmente no que se trata de produtos finais da fermentação.  Abraços